COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Conheça mais sobre os sinais e sintomas da hanseníase
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA hanseníase é uma doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeia a doença. A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado.
O Ministério da Saúde (MS) promove em parceria aos estados e municípios, ações de vigilância e educação em saúde, com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, além de mobilizar os profissionais de saúde à busca ativa de casos novos de hanseníase e exame dos contatos, especialmente os de convivência domiciliar (grupo com maior risco de adoecimento). As ações de busca ativa têm como foco o diagnóstico precoce da doença e a prevenção das incapacidades e deformidades físicas.
O MS recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente, se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade ao calor e ao toque, configurando como um dos sinais e sintomas sugestivos da doença.
Na última década, o Brasil apresentou uma redução de 37,1 % no número de casos novos, passando de 40,1 mil diagnosticados no ano de 2007, para 25,2 mil em 2016. Tal redução corresponde à queda de 42,3% da taxa de detecção geral do país (de 21,19/100 mil hab. em 2007 para 12,23/100 mil hab. em 2016). Do total de casos novos registrados, 1,6 mil (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente, e 7,2 mil iniciaram tratamento com alguma incapacidade.
No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo) – cor definida em 2015 para simbolização do enfrentamento a doença no país -, para alertar a população a respeito da doença, o Blog da Saúde entrevistou a Coordenadora Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha.
Confira a entrevista no Blog da Saúde.
Blog da Saúde, por Aline Czezacki
Fonte: Portal Fiocruz
Oficina do 13º Congresso Internacional da Rede Unida define programação
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA comissão organizadora e parceiros do 13º Congresso Internacional da Rede Unida, reuniram-se nos dias 25 e 26 de janeiro, na sede do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus, para sistematizar toda a programação do Congresso. Três grupos de trabalho foram mobilizados durante a 2ª Oficina Nacional de Programação do 13º Congresso Internacional da Rede Unida.
O Grupo de Trabalho (GT) Programação Institucional e GT Comissão Científica, composto por membros da Coordenação Nacional da Rede Unida, as instituições parceiras e convidados fizeram o levantamento das propostas de programação submetidas até o dia 25 de janeiro, por meio do site da Associação. Ao final dos trabalhos, foi construída uma prévia da programação: mais de cem távolas, com aproximadamente 300 palestrantes; cerca de 300 Rodas de Conversas, com mais de 3 mil trabalhos; mais de 150 atividades adicionais; em torno de 30 oficinas e cursos pré-congresso; 4 Fóruns Internacionais com aproximadamente 70 convidados internacionais de mais de 20 países, com temas voltados as políticas públicas, gestão e educação no trabalho em saúde, direitos humanos e inclusão.
O GT Comissão Científica além de aprovar os trabalhos submetidos, identificou e excluiu os trabalhos duplicados, agrupando-os de acordo com os eixos temáticos do Congresso: Arte e Cultura em Saúde, Educação em Saúde, Gestão em Saúde, Trabalho em Saúde e Participação Social em Saúde.
Para Rodrigo Tobias, presidente do 13º Congresso, a oficina em Manaus foi um momento importante no planejamento e organização das muitas atividades que compõem o Congresso. “Essa etapa é imprescindível para sistematizar a programação, como as távolas institucionais, fóruns internacionais e a apresentação de trabalhos aprovados pela comissão científica”, explicou. Tobias também anunciou a venda dos primeiros estandes da Feira de Exposição do Congresso, adquiridos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e VER-SUS.
O Coordenador Nacional da Rede Unida, Júlio Schweickardt, salientou que o Congresso será um sucesso e que o processo de construção dele está sendo muito rico, fruto de um trabalho coletivo. “O congresso é realizado em quatro dias, mas organizá-lo depende muito do trabalho coletivo onde crescemos, aprendemos, amadurecemos e fazemos redes. Parabéns a todos!”.
Estiveram presentes no evento o Conselho Nacional de Saúde (CNS), Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), Ministério da Saúde (MS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Semsa, Secretaria Municipal de Educação (Semed), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e Sesai.
A próxima oficina de programação será nos dias 15 e 16 de março, em Manaus, para que seja feito o agrupamento dos trabalhos em rodas de conversas e távolas, definir os facilitadores e fazer o ensalamento com local e horário.
Grupo de Trabalho cria Agência Rede Unida de Comunicação
Com o objetivo de potencializar a cobertura jornalística do evento, o GT de Comunicação teve como tarefa envolver as assessorias de comunicação das instituições parceiras, outras instituições e universidades, na divulgação do 13º Congresso Internacional da Rede Unida.
O grupo, formado pelas assessorias de comunicação do CNS, ILMD/Fiocruz Amazônia, UEA e Ufam, criou a Agência Rede Unida de Comunicação e apresentou para todos os presentes o funcionamento, a estrutura e o fluxo das atividades, recebendo o apoio unanime da criação, sendo considerado o lançamento da Agência naquela ocasião.
A Agência Rede Unida de Comunicação, inédita nos congressos da Rede Unida é composta pelas assessorias de comunicação das instituições parceiras do 13º Congresso Internacional da Rede Unida: Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde (MS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Secretaria de Estado da Cultura (SEC), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia.
Sobre o 13º Congresso
Realizado pela primeira vez na Região Norte e em Manaus, o 13º Congresso Internacional da Rede Unida acontece no período de 30 de maio a 2 de junho de 2018, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Sua finalidade é propor o debate em torno da saúde, da educação, da arte e cultura, da participação cidadã, da gestão e do trabalho em saúde na perspectiva do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com o tema “Faz escuro, mas cantamos: redes em re-existência nos encontros das águas”, a 13ª edição do Congresso Internacional da Rede Unida reunirá trabalhadores da saúde, usuários do SUS, pesquisadores, estudantes, professores, gestores e representantes de movimentos sociais.
São parceiros desta edição a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde (MS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Secretaria de Estado da Cultura (SEC), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia, co-organizadora do Congresso.
Agência Rede Unida de Comunicação, por Mirinéia Nascimento (Ascom/Rede Unida)
Leite materno garante a hidratação de bebês
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que até o sexto mês de vida do bebê seja oferecido somente leite materno. Mesmo nos meses mais quentes, de verão, não é indicado dar água, chá, suco ou qualquer outro líquido. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda oferecer suco somente após um ano de idade. Isso porque cerca de 90% do leite materno é composto de água, além de conter todos os nutrientes em qualidade e quantidade necessárias para o crescimento e o desenvolvimento adequado da criança.
“Oferecer água para o bebê antes dos seis meses de vida pode causar sérios problemas à saúde, tais como diarreia e má nutrição. Nem água, suco ou chazinho são necessários nesse período. Isso pode diminuir a vontade de mamar e a consequência é a diminuição na produção de leite. A conta é simples: quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido. Portanto, nada de querer incrementar o cardápio do seu pequenino”, explicou a pediatra do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marlene Roque Assumpção.
A pediatra enfatiza que o leite materno é o alimento ideal para matar a sede e saciar a fome do bebê. “No início da mamada, ele é mais rico em água e açúcar, saciando também a sede do bebê, e o do final é mais rico em gordura, sendo mais calórico e fornecendo mais saciedade e ganho de peso à criança”, esclarece. Somente depois dos seis primeiros meses que o bebê vai precisar experimentar novos sabores e texturas, quando serão introduzidos papas de frutas e papas salgadas. Marlene Roque lembra que o leite materno deve ser mantido até os dois anos ou mais.
Leia mais sobre introdução alimentar.
Por: Juliana Xavier (IFF/Fiocruz)
Inaugurada nova linha de produção da vacina de febre amarela
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO ministro da Saúde, Ricardo Barros, inaugurou nesta quinta-feira (25/1) a linha final de produção da vacina contra febre amarela na unidade da Libbs Farmacêutica, em São Paulo. A medida faz parte de um acordo de transferência tecnológica entre a empresa privada e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) para aumentar a capacidade de produção do insumo em 48 milhões de doses por ano. A etapa final consiste na preparação do produto, envase, liofilização e embalagem das doses.
“Com a inauguração dessa linha de produção, conseguiremos dobrar a produção nacional de vacina contra febre amarela. Hoje temos em estoque vacina suficiente para imobilizar toda a população brasileira que ainda não tomou a vacina”, destacou o ministro da Saúde.
Desde o segundo semestre de 2016, Bio-Manguinhos/Fiocruz vem trabalhando para viabilizar esse acordo, transferindo à parceira todos os conhecimentos necessários para a parte final da produção. O cronograma atual do projeto prevê, em fevereiro, o envio dos primeiros dados dos testes de qualidade do produto para a Anvisa. Após isso, será necessário aguardar a continuidade dos estudos de estabilidade encaminhados pelos laboratórios e nova autorização da agência reguladora, prevista para março. A expectativa é de que até o início de junho seja iniciado o fornecimento ao Ministério da Saúde.
A Fiocruz ainda trabalha na conclusão da construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que teria capacidade para atender às demandas atuais e futuras de produção da vacina de febre amarela, bem como de outros imunobiológicos. A linha atual de processamento final da Fiocruz para a vacina contra a febre amarela inclui também outros produtos estratégicos para o Ministério da Saúde, como a tríplice viral, que é a vacina que imuniza contra rubéola, sarampo e caxumba.
No ano passado, o Ministério da Saúde adquiriu 65 milhões de doses da vacina de febre amarela de Biomanguinhos/Fiocruz para distribuição a todos os estados do país e imunização da população. Para este ano, está prevista a compra de mais 48 milhões de doses. Além disso, o Ministério da Saúde tem estoque estratégico como medida de segurança. Desde janeiro de 2017 até o momento, foram encaminhadas 57,4 milhões de doses da vacina à todas as unidades federadas.
Victor Maciel (Agência Saúde)
Foto: Bernardo Portela (Ascom/Biomanguinhos)
Estudo traça panorama da judicialização da saúde no Brasil
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaTodo brasileiro tem direito à saúde, mas não é possível que o Sistema Único de Saúde (SUS) financie excessos e abusos que comprometam o orçamento público na busca por este direito. O Programa de Direito Sanitário da Fiocruz Brasília (Prodisa) estuda a judicialização em saúde desde 2002. O termo refere-se à busca do Judiciário como alternativa para se obter um medicamento ou tratamento que não é previsto na relação nacional de medicamentos, ou tem custo alto. A mais recente pesquisa do grupo foi apresentada, nesta quarta-feira (24/1), na Fiocruz Brasília, e traz um levantamento nacional da judicialização nos municípios brasileiros.
Os pesquisadores trabalharam com mais de 4 mil processos do banco de dados do Programa de Direito Sanitário da Fiocruz Brasília (referentes a 2012-2013) e coletaram também dados de mais de 8.500 processos (de 2012 a 2017) junto aos tribunais de todo o país. Ao todo, 12.620 processos foram coletados. A maioria dos dados vem da região Sudeste, com destaque para o estado de São Paulo; apenas os estados de Sergipe e Roraima não disponibilizaram dados para a pesquisa.
A maior parte dos casos é de pacientes do SUS, mas não é possível saber se a pessoa deu entrada no SUS apenas para abrir o processo judicial ou se nunca foi atendida na rede privada. Nas regiões Sul e Sudeste, a maior parte das ações é movida por escritórios e advogados privados, enquanto nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, se sobressaem os pedidos para se realizar um exame e os pedidos chegam ao Judiciário por meio de defensores públicos.
As principais argumentações são o risco de morte e a hipossuficiência, ou falta de recursos dos indivíduos. Em mais de 80% dos processos, o pedido é deferido automaticamente, e raramente trazem a comprovação da demanda e uso pelo paciente, ou mesmo o comprovante de entrega do medicamento.
Para Pedro Paulo Chrispim, do Hospital do Coração, o monitoramento desses processos judiciais é possível, mas a dificuldade de acesso inviabiliza uma coleta de dados em tempo real, então a descentralização desta captação dos dados é necessária. A coordenadora do Programa de Direito Sanitário da Fiocruz Brasília, Maria Célia Delduque, lembrou que os desafios desta pesquisa começaram na coleta e dados, pois ao mesmo tempo em que nem todos os magistrados permitiram o acesso aos livros de sentença, em alguns locais, a equipe de pesquisadores percorreu ambientes insalubres nos porões dos tribunais em busca dos dados brutos, onde não havia informatização.
Durante o evento, foi apresentado o caso específico de São Paulo, que tem atualmente 51 mil ações judiciais em atendimento, mais de 35 mil demandas administrativas e investiu em um sistema de informação específico para a coleta de dados, o S-Codes. A partir do sistema, os gestores puderam criar um índice paulista de judicialização, que consiste no número de ações judiciais a cada 10 mil habitantes. A média de processos no estado é de 3,3 mas em regiões que são consideradas polos de produção de conhecimento em saúde, como Ribeirão Preto, Barretos e Marília, por exemplo, existe uma média de 11 processos para cada dez mil habitantes – e, na grande São Paulo, a média é de 0,77.
A maior judicialização nestes locais pode ter relação ao maior acesso à Justiça, segundo Paula Sue Facundo de Siqueira, da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. Ela apresentou um perfil da judicialização em São Paulo, que segue o padrão apresentado na pesquisa nacional: 58% das ações judiciais vem da prescrição de um médico particular, 65% é referente a medicamentos, 78% deles não são padronizados no SUS, 2% são produtos importados sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e, em 22% das ações, se pede uma marca comercial específica do medicamento. É interessante notar também que 22% dos medicamentos judicializados já são fornecidos regularmente pelo SUS. Os pesquisadores observaram ainda que, nas decisões judiciais, não são consideradas as recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e não se evidenciam as necessidades epidemiológicas regionais.
“Quem procura a judicialização, geralmente é um paciente atendido pelo sistema privado de saúde, que vem buscar apoio do SUS quando este sistema não lhe atende, já que, em geral, o profissional do SUS não prescreve algo fora do arsenal do sistema e não coberto pelo SUS”, afirmou Sue.
Ao longo da pesquisa, foram observadas fraudes em vários processos, tais como a alteração no Código Internacional da Doença a que se refere o pedido durante os trâmites processuais, bem como uso de medicamentos em fase de pesquisa e pedidos de auxílio inclusive para a saúde de animais domésticos, ou procedimentos estéticos. A previsão é que, com o auxílio do sistema S-Codes desenvolvido em São Paulo, se forme um observatório da judicialização que apoie os gestores estaduais e municipais e possibilite monitorar o tema ao longo do tempo.
PESQUISA
A pesquisa Judicialização da Política Pública de Saúde nos Municípios Brasileiros: um retrato nacional foi financiada pelo Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e realizada pela Fiocruz Brasília, por meio do Prodisa, em parceria com o Hospital do Coração (HCor) e Ministério da Saúde. Em breve serão divulgados os resultados de outra pesquisa sobre o tema, contemplando os 27 estados brasileiros, realizada com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, em parceria com as universidades federais do Maranhão, Pará e Rio de Janeiro, além da Unisinos.
Mariella de Oliveira-Costa (Fiocruz Brasília)
Pesquisa da Fiocruz Rondônia aponta sífilis como IST mais prevalente em quatro unidades prisionais
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaRelatório anual de um projeto realizado pela Fundação Oswaldo Cruz Rondônia (Fiocruz Rondônia), junto à população carcerária do Estado, aponta a sífilis como a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais prevalente entre detentos em, pelo menos, quatro unidades prisionais e uma Organização Não Governamental (ONG), voltada para atendimento de egressos do sistema penitenciário. Com o apoio do Ministério Público de Rondônia, o estudo realizado em 2017 revela que, dos 846 reeducandos atendidos pela Fundação, 8,6% foram diagnosticados com sífilis.
O dado é apenas uma das conclusões extraídas do projeto intitulado ‘Prevalência de Hepatites Virais B, C e Delta, Sífilis e HIV na população privada de liberdade em sistema prisional fechado no Estado de Rondônia’, desenvolvido pela Fiocruz-RO, em parceria com o MP, Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia (Cepem); Agência de Vigilância em Saúde (Agevisa); Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e Faculdade de Rondônia (Faro).
O Ministério Público de Rondônia atuou na iniciativa, como mediador junto ao Governo do Estado de Rondônia, visando articular a execução dos estudos. O apoio da Instituição também possibilitou que a Fiocruz obtivesse acesso aos dados referentes à população carcerária do Estado e às unidades prisionais.
NÚMEROS
Os números do estudo revelam que, do total de apenados submetidos aos exames, 1,4% apresentou resultado positivo para Hepatite B; 0,8% para Hepatite C e 1,4% para HIV. Os trabalhos foram realizados na Casa de Detenção José Mário Alves, o Urso Branco; Unidade Penitenciária Aruana; Centro de Ressocialização Vale do Guaporé e Unidade Penitenciária Milton Soares de Carvalho (conhecido como 470), além da Associação Cultural e de Desenvolvimento Do Reeducando e Egresso (Acuda).
Após os diagnósticos, os pacientes foram encaminhados aos especialistas para iniciar acompanhamento clínico e laboratorial.
Dos 846 presos atendidos, 40,4% tinham entre 18 e 27 anos e 39,2% tinham entre 28 a 37 anos, representando uma população jovem. A etnia autodeclarada de modo mais recorrente foi a raça parda, com 59%, seguida de branco, 18%; e negro, 17,4%. Já o grau de escolaridade dos reeducandos foi considerado baixo. Segundo os estudos, 3,5% do público foi formado por analfabetos; 55,9% não concluíram o ensino fundamental e apenas 2,5% tiveram acesso ao ensino superior. Pelo menos 2% iniciaram uma graduação e 0,5% obtiveram diploma.
OBJETIVOS
Iniciado em 2016, o projeto tem como objetivo aferir o índice das doenças junto à população carcerária. Conforme detalham os responsáveis pela pesquisa, o médico infectologista Juan Miguel Villalobos Salcedo e a virologista Deusilene Souza Vieira, infecções sexualmente transmissíveis são consideradas um grande problema de saúde pública no Brasil, tendo a região Norte e, mais especificamente, o Estado de Rondônia números expressivos em relação às doenças.
Apenas para se ter ideia do alarmante cenário local, dados apresentados pelo Ministério da Saúde (2017) dão conta de que a prevalência de HIV no Brasil é de 0,39%. Somente no ano de 2017, foram detectados 16371 casos novos, Rondônia, concentrou 0,8% (110/16.371) casos.
Os pesquisadores da Fiocruz justificam a importância do estudo que vêm sendo realizado não apenas pelo panorama já identificado no Estado, mas por considerar que a vulnerabilidade e a ausência de pesquisas direcionadas a pessoas em situação de encarceramento podem fazer desse público um foco de concentração e dispersão das doenças para a população em geral.
Assim, de acordo com os responsáveis pela pesquisa, os resultados obtidos poderão colaborar para um melhor entendimento sobre a situação das doenças na população privada de liberdade e servirão de base para analisar a eficácia de ações preventivas na sociedade em geral e dentro do sistema prisional, de modo a propor mudanças com relação à prevenção.
O projeto tem previsão de continuidade para 2018 e 2019.
Por: Ascom MP/RO
Fonte: Fiocruz Rondônia
Ministério da Saúde atualiza casos de febre amarela
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Ministério da Saúde atualizou nesta terça-feira (16) as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no país. Desde o ano passado, os informes de febre amarela seguem a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão. Portanto, o período analisado desde então é de 1º de julho a 30 de junho de cada ano. No período de monitoramento (que começa em julho/2017 e vai até junho/2018), foram confirmados 35 casos de febre amarela no país sendo que 20 vieram a óbito, até 14 de janeiro deste ano. Ao todo, foram notificados 470 casos suspeitos, sendo que 145 permanecem em investigação e 290 foram descartados.
O ministro da Saúde substituto, Antônio Nardi, reforçou a importância da vacinação da população que mora nas áreas com recomendação de vacina e explicou que, como medida adicional de segurança, o Ministério da Saúde solicitou mais 20 milhões de seringas específicas para fracionamento. A ação faz parte da estratégia de medidas de prevenção da febre amarela do Governo Federal.
Confira aqui a apresentação (PDF)
“As áreas determinadas para a vacinação continuam as mesmas e as medidas de prevenção, como intensificação de vacinação e fracionamento das doses também continuarão a ser realizadas e atualizadas conforme houver necessidade. Além disso, pessoas que viajarem para esses locais também precisam se vacinar”, afirmou o ministro da Saúde substituto.
A vacinação para febre amarela é ofertada na rotina dos municípios com recomendação de vacinação nos seguintes estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar uma dose da vacina para estar protegido durante toda a vida.
Desde o início de 2017, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença. No total, ao longo de todo o ano de 2017, o Ministério da Saúde enviou aos estados 45 milhões de doses da vacina, tanto para a rotina de vacinação, como para o reforço nos estados afetados pelo surto. Somente para MG, RJ, SP, ES e BA foram distribuídas 36,3 milhões de doses. Neste ano de 2018, apenas no mês de janeiro, foram repassadas 8,8 milhões de doses da vacina aos estados de todo o país.
É importante informar que a febre amarela é transmitida por meio de vetor (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ambiente silvestre). O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942, e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão.
Leia mais em: https://goo.gl/oEcpL7
Confira a distribuição dos casos de febre amarela notificados: 1º/7/2017 a 14/01/2018.
Agência Saúde, Por Amanda Mendes.
Fiocruz avança em transferência de tecnologia contra tuberculose
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de concluir mais uma etapa da transferência de tecnologia do medicamento tuberculostático (TB) 4 em 1, considerado o mais eficaz no tratamento da tuberculose. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a doença é um sério problema de saúde pública no Brasil, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos casos e ocorrem 4,5 mil mortes em sua decorrência.
Resultado de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada entre Brasil e Índia, a tecnologia empregada no 4 em 1 permite que o medicamento seja administrado em dose única, já que é composto por quatro ativos em um único comprimido (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol).
As PDPs são acordos firmados entre indústrias farmacêuticas para transferir a tecnologia de um laboratório para outro. O objetivo é ampliar o acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com o financiamento do desenvolvimento nacional, há redução dos custos com a aquisição, visto que atualmente são importados ou representam um alto custo para o sistema.
Atualmente, Farmanguinhos/Fiocruz já alcançou a etapa de realizar o controle de qualidade totalmente nas suas dependências. Em dezembro, nove lotes foram analisados pela equipe do Instituto e mais dez serão concluídos em janeiro de 2018. Ao todo, serão 7 milhões de medicamentos colocados à disposição do Ministério da Saúde para distribuição na rede pública.
Para realizar a nova etapa internalizada, a equipe do controle de qualidade do Instituto teve um extenso trabalho de validação da metodologia analítica antes de iniciar a realização das análises. Esta importante etapa representa um avanço significativo na transferência e agregou conhecimento e inovação para o laboratório da unidade.
A líder do Controle da Qualidade de Farmanguinhos/Fiocruz, Karina Rocha, destacou a oportunidade das análises como um desafio do laboratório. Para ela, analisar uma quantidade de lotes expressivos, baseado em uma nova metodologia, em um curto espaço de tempo demandou o empenho de toda equipe envolvida para abastecer os usuários do SUS o quanto antes.
Ao final da transferência, o Brasil estará apto a produzir e distribuir o 4 em 1 para os usuários do SUS, garantindo independência e autonomia na produção de medicamentos. A nacionalização da tecnologia vai gerar uma economia expressiva aos cofres públicos.
O diretor de Farmanguinhos/Fiocruz, Jorge Mendonça, ressalta a importância desta PDP: “Estamos indo ao encontro da nossa missão, que é fornecer medicamentos para população mais carente. Mesmo com os desafios de vigilância, por serem quatro medicamentos em um, conseguimos aprovar os nove lotes, que devem chegar para o MS na primeira quinzena de janeiro e em seguida, faremos os próximos dez”, frisou. Além disso, estão previstas duas novas parcelas para os meses de abril e setembro, com mais de oito milhões de unidades em cada.
Tecnologia a serviço da população brasileira
Fundado em 1976, Farmanguinhos é uma instituição pública integrante do complexo técnico-científico da Fundação Oswaldo Cruz e ocupa posição estratégica como laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil.
Com capacidade de produção de cerca de 50 tipos de medicamentos diferentes, o Instituto tem atualmente dez parcerias de desenvolvimento produtivo em andamento, além de outras cinco já aprovadas pelo MS em dezembro de 2017. Farmanguinhos se destaca ainda na luta pela redução de custos, permitindo o acesso de mais brasileiros aos programas de saúde pública.
Por Viviane Oliveira (Farmanguinhos/Fiocruz)