COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Palestra no ILMD aborda micologia médica e bioprospecção de substâncias de interesse farmacêutico
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 27/4, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Atuação do laboratório de Micologia do INPA em micologia médica e na bioprospecção de substâncias de interesse farmacêutico”, a ser ministrada pelo pesquisador, João Vicente Braga de Souza, Biotecnólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Durante a apresentação, o pesquisador irá abordar as pesquisas em candidose, hostoplasmose e criptococose, realizadas no Laboratório de Micologia do Inpa. “Falaremos das pesquisas de bioprospecção de substâncias de interesse farmacêutico, especificamente, dos bioprocessos para produção de pigmentos, biosurfactantes e antimicrobianos, Além disso, abordaremos os estudos que nosso laboratório vem trabalhando ao longo dos últimos 10 anos no diagnóstico molecular e na caracterização dos agentes causadores de micoses profundas”, destacou.
Para João Vicente, a Amazônia é detentora de rica biodiversidade, ainda que seus fungos e bactérias tenham sido pouco estudados quanto ao valor biotecnológico. “As pesquisas de bioprospecção na Amazônia podem resultar em novos antibióticos, corantes, enzimas de origem microbiana. Esses produtos possuem demanda de indústrias de alimentos e farmacêutica. Acreditamos que o Brasil precisa aumentar o esforço de bioprospecção da Amazônia de forma a vislumbrarmos o potencial econômico que a bioindústria pode ter a partir da nossa diversidade regional.
SOBRE O PALESTRANTE
João Vicente Braga é graduado em Farmácia pela Universidade do Amazonas (UA), Especialista em Biotecnologia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), Doutor em Biotecnologia Industrial pela Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP), e possui pós-Doutorado em Biotecnologia pela Cranfield University.
Atualmente é Biotecnólogo do Inpa, onde também atua como responsável pelo Laboratório de Micologia da Instituição. Alem disso, é professor permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Amazonas (PPGCF/UFAM) e do Programa de Pós-Graduação de Biodiversidade e Biotecnologia da Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (BIONORTE).
Atua no desenvolvimento de pesquisas sobre a produção fúngica de bioativos de interesse farmacêutico (antifúngicos, biosurfactantes e colorantes) e também no desenvolvimento de ferramentas moleculares, aplicadas ao diagnóstico e caracterização de agentes causadores de micoses invasivas.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Curso na Fiocruz Amazônia aborda boas práticas na pesquisa científica
/em Notícias /por Carlos GomesA Assessoria de Gestão da Qualidade do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) deu início nesta terça-feira 24/4, ao curso: Implementação de Boas Práticas na Pesquisa Científica, que faz parte do Programa de Capacitação da Coordenação da Qualidade, da Vice-Presidência de Gestão e Desenvolvimento Institucional (CQuali/VPGDI) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O curso acontece em período integral até amanhã 25/4, com aulas ministradas por Saada Lima Chequer Fernandez, Tecnologista em Saúde Pública da Fiocruz com atuação em Sistemas da Qualidade. A ação é voltada aos profissionais do ILMD que participam de atividades de pesquisa, sejam elas experimentais ou não, podendo ser bolsistas, terceirizados, tecnologistas, pesquisadores, especialistas, ou profissionais externos que contribuam em parceria com Fiocruz Amazônia.
Para Fernandez, o curso e demais ações desenvolvidas na Fiocruz Amazônia, relacionadas a gestão da qualidade demostram o nivelamento da Unidade perante as políticas institucionais da Fiocruz. “Todas as Unidades da Fiocruz terão essa programação. O ILMD é a segunda Unidade Regional a qual estamos indo falar sobre qualidade na pesquisa desde 2016, época em que nos tornamos adesos ao manual da OMS. Isso mostra não só o alinhamento do ILMD com a política institucional, mas a vontade da própria Unidade em querer fazer isso acontecer.
GESTÂO DA QUALIDADE
A Coordenação da Qualidade (CQuali), em interlocução com as unidades da Fiocruz, trabalha no aprimoramento das práticas e processos institucionais. Sua atuação é orientada por normas e regulamentos nacionais e internacionais de gestão da qualidade e alinhada às orientações normativas e às políticas governamentais da administração pública federal.
A Política da Qualidade Fiocruz expressa o escopo e as diretrizes do Sistema de Gestão da Qualidade na instituição. O resultado desse trabalho é a consolidação gradual de uma cultura de excelência e integridade, com foco no usuário e na adoção de boas práticas organizacionais, em conformidade com a missão, a visão, os valores e os planos institucionais.
Para Stefanie Lopes, pesquisadora do Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA/ ILMD), as orientações sobre qualidade na pesquisa auxiliam no desenvolvimento de uma de uma ciência de maior impacto, mais reprodutível e maior controle de qualidade. “A ideia é institucionalizar aquilo que vem sendo feito dentro das minúcias dos pequenos grupos. A gente tenta manter a qualidade da pesquisa fazendo nosso controle interno, mas a ideia é que a instituição nos forneça ferramentas, procedimento operacionais e estrutura para que a gente realize isso de uma maneira mais ampla e sistematizada”, destacou.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.
Foto: Eduardo Gomes
Fiocruz promove 1º Hackathon da Divulgação Científica em Saúde
/em Notícias /por Carlos GomesEstão abertas até o dia 2/5, as inscrições para o 1º Hackathon da Divulgação Científica em Saúde. O evento acontece nos dias 4 e 5 de junho, com o objetivo de incentivar a criação de projetos inovadores para falar sobre ciência para diferentes públicos.
Para se inscrever, os interessados devem descrever brevemente a ideia para um projeto de divulgação científica que tenha relação com o tema escolhido para o evento: Todo cidadão faz uso da ciência – como as pesquisas científicas impactam a saúde da população e outros aspectos de sua qualidade de vida. Serão selecionados 30 participantes.
Podem participar cientistas, jornalistas, designers, museólogos, educadores, pós-graduandos e outras pessoas interessadas em divulgação científica em saúde, independentemente de vínculo institucional. Não se trata de um curso ou de uma aula, mas de um exercício prático, no qual a interação entre os participantes é que vai enriquecer o processo. Ao final, dois
projetos serão premiados pela Fiocruz com recursos de até R$ 25 mil.
Além do exercício de desenvolvimento de projeto, o Hackathon incluirá uma roda de conversa sobre divulgação científica e relatos práticos de experiências na área. Essas atividades serão abertas ao público em geral. O encontro é promovido pela Presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz) e do Museu da Vida da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e pelo Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT), com a colaboração do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Consulte aqui a programação, o perfil dos palestrantes, o regulamento e as inscrições.
SERVIÇO:
Primeiro Hackathon da Divulgação Científica em Saúde
Data: 4 e 5 de junho
Local: Tenda da Ciência Virginia Schall e Oficina Escola de Manguinhos / Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz)
Avenida Brasil, 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro – RJ
Email: HackatonDC@fiocruz.br
Fonte: COC/Fiocruz
Seminário na Fiocruz Amazônia apresentará qualificações de mestrandos ProfSaúde
/em Notícias /por Carlos GomesNos dias 26 e 27 de abril, a partir de 9h, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) sediará o Seminário Saúde da Família, com o tema “Campo (Inter)disciplinar da Saúde da Família: a interface com a educação e o cotidiano do trabalho na atenção básica”. O Evento é promovido pelo Programa de Mestrado Acadêmico em Saúde da Família (ProfSaúde), desenvolvido no Amazonas pela Fiocruz Amazônia e Escola de Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em rede com diversas instituições de ensino e pesquisa brasileiras.
O seminário pretende promover reflexão sobre processos educativos na prática da atenção básica. Além disso, serão realizadas aulas de qualificação de projetos dos mestrandos no âmbito da temática “Saúde da Família”. O evento reunirá gestores, trabalhadores de saúde, estudantes de graduação e pós-graduação na área da saúde.
As inscrições podem ser realizadas via formulário online. O evento acontecerá no Salão Canoas, auditório da Unidade, situada à rua Teresina, 476, Adrianópolis, Zona Sul de Manaus.
Confira a programação
Para o Coordenador do ProfSaúde/ILMD Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, a formação desses profissionais é de extrema relevância para o fortalecimento do SUS. “Ter um programa de mestrado profissional em saúde da família no Amazonas é muito representativo, pois a gente incorpora uma cultura de mestrado profissional, que tem o objetivo da intervenção no Sistema Único de Saúde. Qualificar esses profissionais significa fortalecer o SUS. Estamos formando oito médicos no Amazonas, com esse olhar voltado para a atenção básica”
A programação terá início no dia 26, com a palestra “Educação permanente e atenção básica: Complexidade no trabalho e aprendizagem no cotidiano”, a ser ministrada pelo pesquisador Alcindo Ferla, docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGCol), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
SOBRE O PROGRAMA
O ProfSaúde é um programa de pós-graduação stricto sensu realizado em rede, que tem por finalidade formar profissionais de saúde que atuam na Saúde da Família/Atenção Básica. Além disso, o programa pretende fomentar a produção de novos conhecimentos e inovações na atenção básica no País, respeitando a diversidade regional e integrando instituições acadêmicas e gestores da saúde pública.
O Programa é reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação, resultado da parceria entre a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e conta com o apoio da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e dos ministérios da Saúde e da Educação.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Divulgado o resultado da prova de Saúde Coletiva do PPGVIDA
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA Comissão de Seleção divulgou nesta sexta-feira (20/4) o resultado da prova de Saúde Coletiva do processo seletivo do mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia.
Para o resultado da prova de Saúde Coletiva do PPGVIDA, bem como outras informações sobre este processo seletivo, acesse a Plataforma Siga, da Fiocruz, no link http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120
O processo seletivo do PPGVIDA acontece em três etapas. Para esta chamada pública estão sendo oferecidas 17 vagas, distribuídas nas linhas de pesquisa: Fatores sociobiológicos no processo saúde-doença na Amazônia (6 vagas), e Processo saúde, doença e organização da atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade (11 vagas).
SOBRE O CURSO
O curso de Mestrado de Condições de vida e situações de saúde na Amazônia tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos, capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Pinheiro
Centro de estudos vai abordar metodologias usadas no diagnóstico da malária
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 20/4, a partir de 9h, na Sala 2, prédio anexo da Instituição, a palestra “Diagnóstico da malária: o que há de novo?”, a ser ministrada pela pesquisadora Gisely Cardoso de Melo, professora adjunta de parasitologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e farmacêutica-bioquímica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).
Segundo a pesquisadora, a palestra fará uma breve abordagem sobre diversas metodologias utilizadas no diagnóstico da malária, além de novos estudos na área.” Iremos abordar várias metodologias que são utilizadas atualmente, além de novos métodos que estão sendo estudados em todo o mundo. Algumas dessas novas metodologias já são usadas por nossas instituições”, destacou Cardoso.
SOBRE A PALESTRANTE
Gisely Cardoso é graduada em Farmácia Bioquímica e Farmácia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), mestre e doutora em Medicina Tropical pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Atualmente é farmacêutica-bioquímica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e professora adjunta de parasitologia da UEA. Possui experiência na área de Parasitologia, com ênfase em Parasitologia, atuando principalmente nos seguintes temas: plasmodium vivax, hortaliças, toxocaríase, crianças e malaria grave.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fiocruz inova no diagnóstico molecular de febre amarela
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaEm resposta ao crescimento de casos de febre amarela, o Ministério da Saúde distribuiu, desde 2017, mais de 68 milhões de doses da vacina aos estados brasileiros – são 52 milhões de doses a mais do que o total distribuído em 2016. Em março de 2018, o Ministério anunciou que todo o território nacional será área de recomendação para vacina até abril de 2019, com previsão de imunizar mais de 77 milhões de pessoas. Medida central para prevenção e controle da doença, a vacina é considerada segura e apresenta eficácia de 95% a 99%. Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos. Nesses casos pouco frequentes, ocorrem sintomas idênticos aos da infecção natural pelo vírus. Para distinguir a origem do caso é necessário identificar, em laboratório, se o paciente apresenta o vírus selvagem – aquele em circulação num determinado local, transmitido pela picada de mosquitos – ou o vírus atenuado – que é utilizado na produção da vacina. Uma inovação em diagnóstico molecular idealizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e desenvolvida em parceria com a Universidade de Bonn, da Alemanha, permite diferenciar com precisão e mais agilidade se a origem do caso foi uma transmissão comum ou um evento adverso após a vacinação.
A novidade foi desenvolvida pelo Laboratório de Flavivírus do IOC/Fiocruz, que atua como referência regional para febre amarela junto ao Ministério da Saúde. A virologista Ana Bispo idealizou o projeto a partir de uma demanda concreta. “Criamos uma solução que permite dar respostas mais rápidas em termos de diagnóstico. Diante de um surto de febre amarela, a confirmação laboratorial é uma ferramenta importante na definição das estratégias de vigilância da circulação do vírus e controle da doença”, destacou a chefe do Laboratório de Flavivírus. O método diferencial, que utiliza a técnica de RT-PCR em tempo real, supera em muito a velocidade da tradicional técnica de sequenciamento genético do vírus, atualmente disponível para a diferenciação entre vírus selvagem e vírus vacinal. Enquanto o sequenciamento pode variar de três a 15 dias, o novo protocolo de RT-PCR em tempo real leva de uma a duas horas. Além disso, pode ser conduzido por um profissional que domine as técnicas básicas de diagnóstico molecular, enquanto o método de sequenciamento viral exige profissionais com capacitação específica para análise dos resultados do sequenciamento do material genético do vírus. O desenvolvimento e a validação do protocolo estão descritos em um artigo publicado no periódico científico ‘Emerging Infectious Diseases’, publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).
A metodologia de RT-PCR em tempo real é baseada na identificação do material genético do vírus em uma amostra. Para chegar a um teste preciso, os pesquisadores buscaram regiões do genoma em que o vírus selvagem e a cepa vacinal são diferentes, o que permite a diferenciação entre ambos. Foram criados dois protocolos: o protocolo chamado de ‘alvo único’ (quando há necessidade da realização de duas reações separadas para detectar a presença do vírus selvagem e da cepa vacinal) e de ‘alvo duplo’ (quando a detecção é realizada em uma mesma reação).
O protocolo mostrou ser capaz de detectar o vírus selvagem e o vírus vacinal com alta sensibilidade e especificidade diagnóstica. “Um ponto merece destaque: para garantir que não havia o risco de reação cruzada, foram realizados experimentos com mais de 40 vírus diferentes durante o desenvolvimento do método. Tivemos a grata surpresa de conseguir desenvolver um método inédito de alta sensibilidade, especificidade e rápido para diferenciar vírus febre amarela selvagem e vírus vacinal”, comemora a pesquisadora. Além disso, o procedimento permite quantificar a carga viral presente na amostra.
Atualmente, o procedimento está sendo aplicado no Laboratório de Flavivírus do IOC para caracterizar o tipo de infecção em amostras de casos suspeitos de eventos adversos após a vacinação. O protocolo tem potencial para contribuir especialmente na rotina de esclarecimento de casos suspeitos de eventos adversos à vacinação junto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A pedido da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública do Ministério da Saúde (CGLAB), está em curso a produção, em caráter de protótipo, de um kit de insumos para uso no protocolo. Essa etapa está sendo realizada por meio de colaboração do IOC com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). A perspectiva é de que, no futuro, os insumos possam ser utilizados na rede de Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens), que atua no diagnóstico laboratorial de febre amarela. Para André Luiz de Abreu, da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública do Ministério da Saúde (CGLAB/SVS/MS), a novidade poderá beneficiar a rotina de trabalho em todo o país. “Essa é uma inovação pensada por um Laboratório da rede para aperfeiçoar o conjunto das atividades de diferenciação em diagnóstico da febre amarela. Existe potencial de agilizar o processo em todo o Brasil”, avaliou.
“A exemplo da idealização inédita do desenvolvimento de um teste rápido e sensível capaz de diagnosticar simultaneamente Zika, dengue e chikungunya e hoje disponível na rede de Lacens, a nova proposta desenvolvida no Laboratório de Flavivírus representa mais uma conquista importante para o diagnóstico laboratorial. Novamente, conseguimos obter uma solução concreta para um desafio da rotina dos laboratórios que lidam com o diagnóstico dessas doença”, a virologista detalha.
O novo protocolo tem ainda mais um benefício: oferece resultados conclusivos mesmo quando a amostra tem baixa concentração do vírus. Nesses casos, pode não ser possível realizar a análise tradicional diretamente a partir do material clínico, sendo necessária a realização de uma etapa intermediária para isolamento do vírus, que é então replicado em laboratório. No entanto, a situação se torna um problema na hipótese de um paciente que tenha simultaneamente a infecção selvagem e a vacinal – um paciente, portanto, que é picado por um mosquito com o vírus pouco antes ou pouco depois do momento em que foi vacinado, quando a imunidade provocada pela vacinação ainda não foi estabelecida. Nessa circunstância, aumentam as chances de que, por conta da etapa intermediária de isolamento viral, seja detectado apenas vírus presente em maior quantidade na amostra, apesar dos dois vírus estarem presentes. Já o novo protocolo de RT-PCR em tempo real diferencial é capaz de detectar ao mesmo tempo a presença dos dois vírus – mesmo que um deles esteja em concentração mais baixa na amostra do paciente.
LABORATÓRIO DE FLAVIVÍRUS
O Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) atua regularmente desde a década de 1990 no diagnóstico laboratorial de amostras de pacientes com suspeita da doença provenientes dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Também realiza análises de amostras de primatas desde 2014. Além disso, com o aumento do número de casos suspeitos desde 2017, o laboratório também foi designado pelo Ministério da Saúde para processar amostras do Ceará e Rio Grande do Norte. Segundo o Ministério da Saúde, entre junho de 2016 e junho de 2017, foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela no país. E de julho de 2017 a 03 de abril de 2018, já foram contabilizados 1.127 casos e 328 óbitos.
IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha
Centro de Estudos vai abordar o uso de modelos teóricos na pesquisa científica
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 13/4, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Uso de modelos teóricos na pesquisa científica”, a ser ministrada pela pesquisadora Maria Jacirema Gonçalves, docente do Programa de Pós-graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/ Fiocruz Amazônia).
Segundo a pesquisadora, a reflexão possibilita observar e entender melhor importantes etapas da pesquisa científica, que antecipam a prática. “Os modelos teóricos auxiliam na organização do pensamento científico, para que a partir de uma reflexão teórica possamos pensar a realidade e quais aspectos possuem relação com tal realidade. A ideia é levar o pesquisador a essa reflexão antes de estrutura sua pesquisa”, pontuou.
SOBRE A PALESTRANTE
Maria Jacirema Gonçalves é graduada em enfermagem e obstetrícia pela Escola de Enfermagem de Manaus, mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutora em Saúde Coletiva, pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
É Pesquisadora em Saúde Pública na Fiocruz-Amazônia, e docente do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/Fiocruz Amazônia). Atua como professora da Universidade Federal do Amazonas nas disciplinas de saúde coletiva, terapias alternativas e complementares, vigilância em saúde e informática em saúde. Desenvolve pesquisas na área de epidemiologia de doenças infecciosas.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes