Plano CASA (Ciência, Ambiente, Saúde na Amazônia) é apresentado ao presidente da Fiocruz em Manaus (AM)

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, participou na tarde da última sexta-feira, 31/07, de encontro com a comunidade do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) para discutir a agenda da pesquisa da unidade para os próximos anos. 

O encontro reuniu trabalhadoras e trabalhadores, pesquisadores, estudantes e demais integrantes da comunidade acadêmica da Fiocruz Amazônia. Durante a programação, o presidente recebeu das mãos da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, e da vice-diretora de Inovação e Pesquisa, Michele Rocha El Kadri, uma cópia do Plano Ciência, Ambiente, Saúde na Amazônia (CASA).

Desenvolvido pelo ILMD, o Plano CASA tem como objetivo fortalecer a Fiocruz Amazônia como referência na produção de pesquisa integrada saúde-ambiente-sociedade, gerando evidências que respondam aos problemas reais das populações vulnerabilizadas amazônicas. O documento é resultado de um processo coletivo de construção desenvolvido por meio de oficinas que reuniram pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia, pesquisadores visitantes e representantes das Vices-Presidências de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) e de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) e da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030).

O Plano CASA busca estabelecer diretrizes para a agenda estratégica da pesquisa da Fiocruz Amazônia, promovendo maior integração entre as competências institucionais e fortalecendo a capacidade da unidade de produzir respostas aos desafios contemporâneos, especialmente aqueles relacionados às mudanças ambientais e climáticas e aos seus impactos sobre a saúde e as condições de vida das populações da região.

De acordo com Stefanie Lopes, o encontro com o presidente da Fiocruz possibilitou reunir a comunidade da unidade em torno de uma reflexão coletiva sobre a Ciência que se pretende produzir no quadriênio 2026-2030.

“Propomos uma agenda estratégica de pesquisa que não esteja organizada em exos isolados mas que seja orientada pela integração das diferentes expertises, competências e capacidades institucionais da Fiocruz Amazônia. Os problemas que afetam a região são complexos e exigem respostas igualmente integradas, construídas a partir do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e da articulação entre saúde, ambiente, sociedade e território. O Plano CASA pretende fortalecer essa atuação conjunta, com rigor científico, inovação e compromisso com as necessidades das populações amazônicas”, afirmou a diretora.

Coube à vice-diretora de Pesquisa e Inovação, Michele El Kadri, apresentar do Plano CASA aos representantes da Presidência da Fiocruz e à comunidade presente ao encontro. Segundo El Kadri, o Plano constitui um projeto institucional integrador, voltado ao planejamento do futuro da pesquisa na unidade.

A proposta articula conhecimentos e competências relacionados à cinco domínios fundamentais para a compreensão e o enfrentamento dos desafios socioambientais, sanitários e climáticos da Amazônia: Sociedade, Cultura e Território; Política, Planejamento e Gestão; Vigilância em Saúde; Biotecnologia e Inovação, e Tecnologias Sociais. Esses domínios não são concebidos como eixos independentes , mas como campos de conhecimento que devem atuar de forma transversal e integrada na formulação de respostas aos problemas complexos da região.

O plano prevê ainda a aplicação de um modelo de inteligência territorial, tendo inicialmente como recorte a área de influência da BR-319. O território funcionará como um laboratório real de vigilância sentinela, permitindo integrar dados ambientais , sociais e sanitários para identificar riscos e antecipar possíveis emergências em saúde.

Posteriormente, o modelo poderá ser expandido para outros territórios estraégicos da Amazônia, como a Bacia do Tapajós, Arquipélago do Marajó, Tríplice Fronteira no Alto Solimões e Arco do Desmatamento.

“A BR-319 será nosso microcosmo. Testaremos o modelo de inteligência territorial com o objetivo de antecipar emergências sanitárias antes que os surtos e outros eventos de saúde se espalhem”, explicou El Kadri.

Por ILMD/Fiocruz Amazônia

Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia