Sanitaristas da primeira turma de Mestrado em Saúde Coletiva da Fiocruz exclusiva para indígenas do Alto Solimões (AM) e Maloca de Cuidados marcam presença no 10º Congresso da Abrasco
Sanitaristas indígenas formados pela primeira turma de Mestrado em Saúde Coletiva do Brasil, oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), da Fiocruz Amazônia, marcarão presença no 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanos em Saúde (10º CSHS), que acontecerá de 17 a 19/09, no Campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eles farão apresentações dos trabalhos realizados em seus territórios, em mesas-redondas e painéis durante o evento. Paralelamente, acontecerá uma mostra que apresenta a produção da turma, formada por sanitaristas das etnias Marubo, Kokama, Kaixana, Tukano, entre outras, que estará exposta no térreo do Bloco de Psicologia, no Campus da UFAM. A exposição também visa promover discussões e reflexões acerca da produção intelectual indígena, apresentando aos visitantes um resumo das dissertações realizadas por eles.
Entre os sanitaristas indígenas que farão comunicações orais durante o congresso estão o dentista Ozeir Cavalcante Fernandes, da etnia Tikuna, do município de Benjamim Constant, que abordará o tema “Para além da dor: percepções indígenas sobre o processo saúde-doença bucal na Amazônia”; Josimar Carneiro Fernandes, Tikuna (“Gestão de Logística de Materiais do no Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões”); Alciney Dorlis Marubo, do Vale do Javari (“Práticas Alimentares de Indígenas do Povo Marubo no Município de Atalaia do Norte /AM”), Neize Laura Deveza, Kaixana (“Campanha de Comunicação em Saúde: Estudo de Recepção com Mães Indígenas no Município de Benjamim Constant, no Alto Rio Solimões”), Milene Tenazor Macedo Tikuna (“Tendência Temporal do Estado Nutricional de Crianças Indígenas Menores de 5 Anos do Alto Rio Solimões”), Delsilene Jovito Mariano, Tikuna (“Promoção do Bem Viver: Estratégia de Proteção da Medicina Indígena no Alto Rio Solimões), Josileno Estevão Marubo (“Itinerários Terapêuticos do Povo Marubo do Vale do Javari, Atalaia do Norte, AM”) e Taffarel Nogueira de Carvalho, Kokama (“Alimentação Tradicional e Escola Indígena Kokama no Alto Rio Solimões: Práticas, Resistência, Soberania Alimentar e Promoção da Saúde”).
A pesquisadora sênior em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, coordenadora da turma do Mestrado, marcará presença em mesas-redondas sobre saúde indígena e outros temas de saúde coletiva na Amazônia. Dentre elas, destacam-se a que acontece na manhã do dia 19/09, das 10h20 às 11h50, no Auditório Eulálio Chaves, sobre o tema: “Desafios da Atenção Primária à Saúde para Populações Ribeirinhas e Indígenas na Região Amazônica no Contexto das Mudanças Climáticas”. À tarde, das 16h50 às 18h50, a pesquisadora atuará como debatedora, no Grande Debate, também no Eulálio Chaves, sobre “Ambiente e Saúde: Vida nos Territórios em Tempos de Emergência Climática”.
O evento também contará com uma Maloca de Cuidados, um espaço de acolhimento, descanso, troca de saberes e valorização das medicinas e tecnologias indigenas de cuidado, que pretende dar visibilidade aos saberes indígenas. A proposta da Maloca de Cuidados Indígenas foi elaborada, construída e será conduzida por profissionais e pesquisadores indígenas que integram o coletivo Vozes Indígenas na Saúde Coletiva. A iniciativa reforça o protagonismo indígena não apenas narealização das atividades mas também na própria concepção do espaço e das formas de cuidado oferecidas durante o Congresso. A Maloca terá atividades das 8h às 12h e das 13h às 17h, na quinta (17) e sexta-feira (18); e das 8h às 10h, no sábado (19). Entre as práticas oferecidas estão oficinas, auriculoterapia, escalda-pés, aromaterapia e massagens.
A organização dessa atividade recomenda que congressistas interessados realizem inscrição prévia por meio de formulário on-line, de modo a garantir o atendimento. Vale destacar que o funcionamento da Maloca na quinta-feira (17) será voltado, exclusivamente, para pessoas indígenas. A origem da Maloca de Cuidados remonta ao 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizado em Brasília, em 2025. Segundo o profissional de saúde Ivanildo-Dzawi, integrante do Coletivo, a proposta nasceu da articulação entre pesquisadores indígenas a partir das próprias necessidades percebidas durante aquele evento.
A experiência chega ao 10º CSHS fundamentada nos princípios do bem-viver e em uma compreensão ampliada de saúde, que articula corpo-território, comunidade e natureza. Mais do que oferecer um espaço de descanso e cuidado aos participantes, a Maloca busca ampliar o diálogo entre diferentes conhecimentos e práticas de saúde. Entre seus objetivos estão valorizar as medicinas indígenas como parte da Saúde Coletiva, promover a interculturalidade no cuidado e contribuir para o enfrentamento de preconceitos e estereótipos relacionados às práticas indígenas de saúde.
Participam da construção e realização da Maloca de Cuidados Ana Wassu Cocal, Dayane Tariano, Ivan Baniwa, Ubiraci Pataxó, Vanessa Pataxó, Durvalino Kesibí e Jaime Diakara. As atividades na Maloca também contarão com a atuação dos kumu Durvalino Kesibi e Jaime Diakara, oriundos das terras indígenas do Alto Rio Negro.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia


