Fiocruz Amazônia passa a compor o Comitê Temático Interdisciplinar do Feminicídio da OPAS

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) passou a fazer parte do recém-criado Comitê Temático Interdisciplinar (CTI) sobre Feminicídio, dentro da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA), rede colaborativa criada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS/OMS). O CTI tem como finalidade reunir especialistas, pesquisadores e representantes de órgãos públicos para discutir, desenvolver, padronizar e aprimorar indicadores e fontes de dados sobre temas específicos da saúde pública. A Fiocruz está representada no CTI pelo epidemiologista Jesem Orellana, coordenador da Rede de Observatórios Vigifeminicídio, voltada ao monitoramento de assassinatos de mulheres em toda a Amazônia, Belo Horizonte-MG e Rio de Janeiro-RJ. A rede é operacionalizada em parceria com Universidades Federais do Amazonas (UFAM), Acre (UFAC) e Rondônia (UFIR), além da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ).

Jesem Orellana explica que os CTIs apesar de temporários, são grupos de trabalho que abordam temas sanitários estratégicos, não apenas com um olhar técnico especializado, mas metodologicamente robusto e criterioso. Eles se destinam à elaboração de indicadores específicos para a vigilância e qualificação de registros demográficos e de morbimortalidade. A recente proposta, discutida e consensuada entre cerca de 25 especialistas de todo o Brasil, visou a propositura de diferentes estratégias voltadas à mensuração do feminicídio no âmbito da saúde, mas de forma dialogada e colaborativa com outros atores da sociedade. Portanto, a reunião do dia 9/9, em Brasília, permitiu uma extensa e aprofundada discussão, a qual culminou com a sistematização de uma proposta que foi apresentada e debatida na tarde do dia 10/9, durante a 34ª Oficina de Trabalho Interagencial (OTI) da Ripsa, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Brasília-DF, para mais de 100 especialistas provenientes de dezenas de instituições que compõe a RIPSA”, comentou Orellana.

O pesquisador destacou a importância da criação do CTI-Feminicidio. “É sem dúvida um marco histórico, pois demarca e institucionaliza de forma pioneira a discussão de um indicador ainda inexistente no âmbito da saúde, mas que parece emergir como uma prioridade, não apenas na academia, mas sobretudo para o Ministério da Saúde do Brasil. Tenho confiança no promissor papel do CTI-Feminicidio e na sua importância para o fortalecimento de estudos e pesquisas que abordam feminicídios ocultos, como é o caso da Rede de Observatórios Vigifeminicídio que caminha para a sua consolidação na região norte do Brasil e expansão para outras regiões do país, aliando ativismo digital, com produção de conhecimento solidária e firme atuação na luta contra a violência contra a mulher e seus nefastos impactos sobre órfãos e familiares das vítimas do feminicídio, por exemplo”, ressaltou.

O objetivo da RIPSA é promover a disponibilidade adequada, oportuna e abrangente de dados básicos, indicadores e análises sobre as condições de saúde e seus determinantes, subsidiando os níveis de direção do Sistema Único de Saúde (SUS) com informações estratégicas para a tomada de decisões em saúde pública no Brasil. A colaboração entre instituições com diferentes culturas e missões tem permitido à Ripsa fortalecer a continuidade da área de informação em saúde no Brasil, um campo que enfrenta desafios e exige um esforço constante para garantir a qualidade e a relevância dos dados produzidos.

ILMD/Fiocruz Amazônia

Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia