Encontro reúne agentes de saúde do Amazonas para avaliar impacto de projeto de educação em saúde ambiental e consciência sanitária

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) reuniu, no último dia 31/08, em Manaus, um grupo representativo de agentes de saúde que participaram do curso Qualidade da Àgua e Consciência Sanitária, oferecido ao longo de um ano, por meio do Projeto Educa Saúde Ambiental, desenvolvido em parceria com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), tendo sido viabilizado por meio do Escritório de Captação de Recursos da Fiocruz.. O objetivo do encontro foi o de avaliar coletivamente os impactos e os resultados obtidos com a implantação do projeto, por meio da reflexão crítica sobre os conhecimentos adquiridos, as experiências desenvolvidas nos territórios e os desafios enfrentados pelos agentes de saúde na aplicação prática desses aprendizados. No total, o projeto alcançou 19 dos 62 municípios do Estado do Amazonas, com aproximadamente 3,5 mil participantes, entre agentes comunitários de saúde (ACS), agentes de combate a endemias (ACEs), agentes indígenas de saúde (AIS) e agentes indígenas de saneamento (AISANs).        

Com a finalidade de fortalecer redes de colaboração e construir perspectivas para a continuidade das ações na Amazônia, o evento deu oportunidade para que os representantes dos municípios relatassem suas experiências e contribuíssem com propostas para a ampliação das ações. O projeto, que teve início em setembro de 2025, terá continuidade por mais um ano, conforme anúncio feito pela pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Ani Beatriz Matsuura, coordenadora da atividade. Serão incluídos novos municípios. O curso Qualidade da Água e Consciência Sanitária na Amazônia visa oferecer uma melhor compreensão dos mecanismos que interrelacionam problemas ambientais aos problemas de saúde, qualificando os profissionais vinculados aos sistemas de saúde dos municípios do Amazonas.

“Hoje é um momento muito especial para o projeto Educa Saúde Ambiental pois estamos em Manaus com representantes dos diversos municípios que fizeram a formação, num momento de avaliação de como foi o curso, troca de experiências entre os municípios, oportunidade muito rica inclusive de vislumbrar perspectivas, porque o curso vai ter uma próxima fase. A hora é de reavaliar para definirmos como vão ser os próximos passos”, afirmou Matsuura, lembrando que o projeto visa também combater a desinformação acerca dos processos de adoecimento e reforçar a importância dos cuidados com a qualidade da água para a redução da ocorrência de doenças.

Essa, aliás, foi a maior contribuição do curso apontada pelos participantes do encontro. Segundo eles, o conteúdo da formação contribuiu para a melhoria da qualidade do trabalho no dia a dia junto aos ribeirinhos, sobretudo no enfrentamento às doenças de veiculação hídrica, a exemplo da diarreia, muito comum nas comunidades ribeirinhas.

Dos19 municípios com turmas capacitadas, Parintins teve o maior número de participantes (295), seguido de Tabatinga (284), Tefé (257) e Manacapuru (256). O curso, com carga horária de 20 horas, foi oferecido a diferentes turmas ao longo do ano, formadas por agentes de saúde das áreas urbana e rural dos municípios. Ani Matsuura espera atingir pelo menos o mesmo quantitativo de municípios da primeira fase do projeto.

Ani Matsuura explica que o curso aborda a questão da água sob vários aspectos, entre eles o das doenças veiculadas pela água, os conceitos de potabilidade e os riscos de contaminação da água para o consumo humano. O curso tem um total de cinco módulos que abordam diferentes temáticas como “Acesso a água e o papel das mulheres”, “Escassez da água”, “Qualidade da água e a detecção de microrganismos”, “Esgoto e leptospirose”, “Água e hepatite A”, “Diarreias infecciosas e parasitoses”, “Infecções fúngicas”, “Contaminação química dos rios e a água para consumo”, “Higienização das mãos”, “Desinfetantes e o controle de microrganismos”. As aulas são compostas por atividades práticas e coletivas, estimulando o protagonismo comunitário.

A iniciativa pretende também fortalecer a capacidade dos profissionais para identificar e orientar a população local sobre práticas de higiene, saneamento básico e cuidados com a qualidade da água, promovendo ações de prevenção; capacitação inicial e aumento do conhecimento dos ACS, ACE e AIS sobre os impactos da seca e cheias na qualidade da água e na saúde das populações ribeirinhas. A equipe responsável pela execução do projeto é composta também pelas pesquisadoras Cláudia Nayara da Silva Alves (coordenação executiva/campo), Ormezinda Celeste Cristo Fernandes, Priscila Ferreira de Aquino e Luciete Almeida Silva (coordenação pedagógica/conteudistas).

ILMD/Fiocruz Amazônia

Fotos: Júlio Pedrosa/Fiocruz Amazônia