Fiocruz Amazônia realiza oficina ampliada de qualificação profissional em vigilância e monitoramento da exposição ao mercúrio para profissionais da Atenção Primária à Saúde de Santarém (PA)

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou, nos dias 18 e 19/08, no campus da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a primeira Oficina ampliada que antecede o curso sobre Qualificação Profissional em Vigilância e Monitoramento da Exposição Humana ao Mercúrio na Atenção Primária à Saúde (APS) de Santarém, na região do Delta do Tapajós, no Pará.  A oficina ampliada teve como objetivo levar adiante uma escuta qualificada de diferentes atores envolvidos ou impactados pela exposição humana ao Mercúrio, incluindo trabalhadores de saúde, com nível superior atuantes na APS do município. A realização da oficina ampliada é uma das etapas previstas pelo TED (Termo de Execução Descentralizada) 058, firmado entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, intitulado “Fortalecimento das Políticas de Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) e Saúde do Trabalhador (ST) no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa está alinhada às ações previstas pelo “Plano estratégico para medidas de atenção, vigilância e promoção à saúde de populações expostas e potencialmente expostas ao mercúrio”, o chamado Plano Mercúrio, do Ministério da Saúde, com execução prevista no período de 2025-2030 no Brasil. Um curso completo está previsto para acontecer no último trimestre de 2026. Segundo o epidemiologista Jesem Orellana, pesquisador da Fiocruz Amazônia e coordenador da oficina, a oficina ampliada teve como finalidade principal colocar à prova a eficácia da estratégia. “A oficina foi um sucesso. A programação foi integralmente cumprida e conseguimos algo que estávamos incrédulos: reunir profissionais das áreas de Meio Ambiente, do Distrito Sanitário Especial Indígena, Assistência Social, Educação e Saúde do município de Santarém, organizações não-governamentais (ONGs), lideranças locais, bem como representantes da Secretaria de Estado de Saúde do Pará e do Ministério da Saúde”, afirma.

Orellana destaca a importância do processo de escuta e reflexão, junto a trabalhadores ligados aos setores envolvidos, além de comunitários e lideranças diversas, para garantir a concepção e a operacionalização de uma qualificação profissional participativa e sensível, levando em conta o complexo contexto ambiental, territorial, social e intercultural do Delta do Tapajós. Cursos presenciais com essa temática já foram ministrados, este ano, em estados como Amazonas e Rondônia, com a participação de docentes e colaboradores de outras instituições vinculadas ao projeto.

Entre os temas abordados no primeiro dia do evento, estiveram Contextualização da implementação do Plano Mercúrio e sua relação com a proposta de curso voltada à APS em contexto amazônico, seguido de debate sobre alimentação saudável, saúde ambiental e bem-estar comunitário, finalizando com os participantes reunidos em grupos focais. O esforço multiinstitucional contou com colaborações de docentes/pesquisadores de instituições como Laboratório de Epidemiologia Molecular (LEpiMOL), Laboratório de Estudos sobre Comida, Corpo, Cultura e Cuidado (LabCult), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

ILMD/Fiocruz Amazônia

Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia