Projeto Memória fará resgate institucional da história da Fiocruz Amazônia por meio de registros históricos e depoimentos
O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) deu início ao Projeto História em Imagens e Vozes: Acesso e Preservação do Acervo Fotográfico e Oral da Fiocruz Amazônia, coordenado pela Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação (VDEIC) da instituição. O projeto visa promover o resgate histórico da trajetória da Fiocruz Amazônia, com o foco na compreensão das raízes da ciência, da saúde pública e da educação/formação em saúde na região amazônica. A iniciativa foi anunciada oficialmente na última quarta-feira, 19/08, por ocasião da comemoração do aniversário de 32 anos da Fiocruz Amazônia. O projeto foi apresentado pelo historiador e coordenador executivo da pesquisa, Claúdio Peixoto, que é vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação do ILMD/Fiocruz Amazônia, juntamente com o historiador e pesquisador bolsista Rafael Segadilha Pereira Brito. O trabalho é viabilizado pela Presidência da Fiocruz, por meio do edital de Apoio a Projetos de Memória Institucional, da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC).
De acordo com Cláudio Peixoto, o projeto tem como objetivo principal organizar o acervo da memória institucional do ILMD/Fiocruz Amazônia, por meio da recuperação e digitalização de seus documentos históricos, complementado pelo registro de depoimentos orais dos protagonistas pioneiros e de suas trajetórias, promovendo o acesso ao conhecimento da memória institucional. “São memórias, documentos, lutas e conquistas de quem construiu essa instituição, na trajetória estratégica desempenhada pela Fiocruz na produção de conhecimento contextualizado às realidades da Amazônia, no enfrentamento de desigualdades e na defesa do direito à saúde e ao meio ambiente”, explica ele, salientando que esse processo fortalece a identidade institucional, valoriza os trabalhadores e as parcerias locais, inspira as novas gerações e subsidia decisões mais qualificadas para o futuro.

O projeto tem como objetivos específicos a realização de um inventário do acervo documental (físico e digital), fotográfico e audiovisual existente no ILMD/Fiocruz Amazônia; elaboração e aplicação de critérios de seleção e priorização para a digitalização, considerando a relevância histórica e o estado de conservação dos itens do inventário; digitalização, em alta resolução, um mínimo de 1.000 itens do acervo documental e fotográfico selecionado, realizando o tratamento técnico necessário (higienização, reparos básicos etc.) antes da digitalização; registro, em áudio e/ou vídeo, de no mínimo 10 depoimentos de personagens-chave, como fundadores, gestores, pesquisadores e colaboradores que contribuíram para a história do ILMD/Fiocruz Amazônia; criação e implementação de um sistema de metadados padronizados para o acervo digitalizado e os depoimentos orais; armazenamento num repositório digital (com acesso online) dos documentos e depoimentos identificados no projeto, além de exposição virtual, com base nos acervos organizados, voltada para os públicos interno e externo da Fiocruz e realização de oficina interna de capacitação em preservação digital, em parceria com a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).
Para Rafael Segadilha, as principais expectativas em relação ao futuro do projeto são de tornar públicos tano tanto a história da presença da Fiocruz na Amazônia – desde as primeiras missões, como a realizada em 1913 por Carlos Chagas, até a criação do ILMD – quanto os documentos referentes a todo esse processo histórico. “No decorrer do projeto, buscamos através da preservação dos acervos compreender melhor toda a importância dessa instituição centenária na região Amazônica, analisando os impactos que ela teve e que ainda tem. Nesse sentido, ainda buscamos realizar uma série de entrevistas com personagens chave que marcaram a instituição para criar um acervo de história oral, disponibilizado para o acesso de todos os interessados de diversas áreas, sejam eles da história, das ciências sociais, das áreas de saúde, meio ambiente ou, simplesmente, para aqueles que buscam conhecer um pouco mais sobre a história da Amazônia contemporânea”, afirma.

Durante a apresentação do projeto, Segadilha destacou algumas das descobertas históricas já obtidas. Segundo ele, o projeto adotará um conjunto de ações estratégicas, técnicas e operacionais para o alcance de seus objetivos, o que inclui a adoção e a implementação da política de memória institucional da Fiocruz para a preservação do seu acervo, o controle ambiental (temperatura, umidade, luz), o manuseio correto dos materiais iconográficos, o acondicionamento adequado desses materiais e a adoção de medidas de armazenamento. É intenção do projeto também recuperar e tratar objetos históricos (a exemplo do relógio indígena) do acervo institucional e estruturar um roteiro de documentário audiovisual visando a comemoração dos 35 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia, com a participação da Casa de Oswaldo Cruz.
O projeto tem o prazo inicial de 12 meses. Nos três primeiros meses, o objetivo principal foi o de fazer o reconhecimento do máximo de material possível dos acervos documentais e fotográficos, além de fazer um breve panorama da sua presença na região amazônica. “O processo também abrange a digitalização, a higienização e a manutenção preventiva para minimizar a degradação e a posterior divulgação através de meios institucionais dos produtos resultantes do projeto. Assim, o projeto está dividido em fases com um fluxo contínuo de trabalho que vai desde a identificação até a difusão dos acervos, baseando-se nas melhores práticas em arquivologia e história oral, que contribuem para a consistência e operacionalidade do projeto”, explica.
Na primeira fase, de identificação e seleção de documentos e registros institucionais, serão realizados inventário e diagnóstico, que consistem no levantamento detalhado de todos os acervos existentes (documental, fotográfico, audiovisual) na unidade, e o diagnóstico do estado de conservação dos materiais físicos, além da avaliação dos acervos digitais. “No trabalho de um historiador é fundamental o cruzamento de diversas fontes que são de origens diferentes. Quanto maior a quantidade de registros sobre um acontecimento, melhor para buscar entendê-lo em sua totalidade, ou pelo menos, chegar o mais próximo possível disso. Mas claro, é necessário tempo para se fazer uma análise crítica mais detalhada e completa das fontes, buscando extrair o máximo que elas podem nos dizer”, observa o historiador.
O legado principal a ser deixado é o da importância da memória não somente como um instrumento de legitimação institucional de todas as ações que a fiocruz já realizou e ainda realiza na Amazônia, mas também o da memória como um fenômeno social oriundo das relações humanas que são estabelecidas. Afinal, a grande importância da saúde pública está no tratamento de pessoas, e acredito que não há nada mais humano que o afeto, esse que é gerado pelas memórias sejam elas individuais, coletivas ou sociais.
Por ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia


