{"id":56312,"date":"2025-10-02T10:55:50","date_gmt":"2025-10-02T14:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=56312"},"modified":"2025-10-02T10:55:54","modified_gmt":"2025-10-02T14:55:54","slug":"mestrado-fora-da-sede-para-indigenas-do-alto-solimoes-inova-nas-metodologias-de-formacao-e-qualifica-projetos-dos-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=56312","title":{"rendered":"Mestrado fora da sede para ind\u00edgenas do Alto Solim\u00f5es inova nas metodologias de forma\u00e7\u00e3o e qualifica projetos dos alunos \u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Os alunos ind\u00edgenas do Curso de Mestrado em Sa\u00fade Coletiva, oferecido pela Fiocruz Amaz\u00f4nia, por meio do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Condi\u00e7\u00f5es de Vida e Sa\u00fade na Amaz\u00f4nia (PPGVIDA), com turma fora de sede, exclusiva para ind\u00edgenas do Alto Solim\u00f5es, na regi\u00e3o da Tr\u00edplice Fronteira (Brasil, Peru e Col\u00f4mbia), j\u00e1 est\u00e3o concluindo a fase de qualifica\u00e7\u00e3o de seus projetos. Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio das atividades do curso, pioneiro no Brasil, as qualifica\u00e7\u00f5es come\u00e7aram e vem apresentando resultados positivos e aprova\u00e7\u00e3o absoluta dos alunos, marcando o encerramento de uma etapa importante do processo de forma\u00e7\u00e3o da primeira turma de sanitaristas ind\u00edgenas do Brasil, que come\u00e7am agora a se preparar para a defesa de suas disserta\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Coordenadora do Mestrado e uma das mentoras do projeto, a pesquisadora em Sa\u00fade P\u00fablica da Fiocruz Amaz\u00f4nia, Maria Luiza Garnelo, explica que, para conseguir esse resultado, foi necess\u00e1rio inovar nas metodologias de forma\u00e7\u00e3o. \u201cUma pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es afirmativas de cotas n\u00e3o significa apenas oferecer vagas. Faz-se necess\u00e1rio uma adequa\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica que permita a adapta\u00e7\u00e3o do aluno ao seu modus operandi. Este ano, completam dois anos que come\u00e7amos esse processo de forma\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas como sanitaristas em n\u00edvel de mestrado, cumprimos os cr\u00e9ditos obrigat\u00f3rios, os optativos, e n\u00e3o perdemos ainda nenhum aluno, sempre \u00e9 poss\u00edvel perder, raramente num curso temos 100% de ingressos e sa\u00eddas, com a mesma velocidade, com a mesma produtividade\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"960\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/foto-dra-luiza-garnelo-e-alunos-do-mestrado-indigena.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-56314\" style=\"width:1400px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/foto-dra-luiza-garnelo-e-alunos-do-mestrado-indigena.jpg 1280w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/foto-dra-luiza-garnelo-e-alunos-do-mestrado-indigena-300x225.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/foto-dra-luiza-garnelo-e-alunos-do-mestrado-indigena-768x576.jpg 768w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/foto-dra-luiza-garnelo-e-alunos-do-mestrado-indigena-705x529.jpg 705w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A turma \u00e9 composta por 15 alunos ind\u00edgenas, das etnias tikuna, kambeba, kaixana, marubo e kokama, provenientes dos munic\u00edpios de Tabatinga, Benjamim Constant, Atalaia do Norte, Amatur\u00e1 e Santo Ant\u00f4nio do I\u00e7\u00e1. A iniciativa de criar o primeiro curso de mestrado exclusivo para ind\u00edgenas \u00e9 do Instituto Le\u00f4nidas &amp; Maria Deane (ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia) e conta com o apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) \u2013 que concedeu as 15 bolsas, mais recursos para aux\u00edlio em pesquisa para os ind\u00edgenas aprovados \u2013 e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), por meio de projeto aprovado pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pioneirismo do curso reside no fato de que, pela primeira vez no Brasil, s\u00e3o oferecidas turmas exclusivas para forma\u00e7\u00e3o de sanitaristas ind\u00edgenas, de forma presencial e na modalidade sala estendida, por um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Fiocruz. \u201cNo momento, estamos cumprindo uma agenda programada porque alguns projetos n\u00e3o est\u00e3o ainda com a qualidade necess\u00e1ria, mas nossa ousadia, digamos assim, \u00e9 termos optado por realizar pesquisas de campo, mesmo com os tempos curtos de um mestrado e a necessidade de autoriza\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os como Funai, DSEI, CEP, CONEP, entre outros, sabendo que isso vai implicar em alongar um pouco o tempo\u201d, observa Garnelo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-2000x1333.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-56315\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-2000x1333.jpg 2000w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/mestrado-indigena-tabatinga-1-705x470.jpg 705w\" sizes=\"(max-width: 2000px) 100vw, 2000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A pesquisadora explica que a \u201cousadia\u201d de escolher o caminho mais demorado se deu em virtude da expectativa dos pr\u00f3prios alunos. \u201cTodos esperam que os projetos sejam de utilidade e de interesse de suas comunidades. Se quis\u00e9ssemos optar pelo caminho de outros programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que adotam disserta\u00e7\u00f5es de cunho de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, ou abordagens mais te\u00f3ricas, que n\u00e3o demandassem deslocamento para o campo e autoriza\u00e7\u00f5es CEP, CONEP e Funai, estar\u00edamos j\u00e1 concluindo o curso, Mas essa alternativa deixaria todos os alunos muito frustrados, porque a motiva\u00e7\u00e3o principal \u00e9 fazer algo que traga um benef\u00edcio, um retorno mais direto e mais percept\u00edvel para suas comunidades e os distritos sanit\u00e1rios\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Os projetos da turma de Sanitaristas Ind\u00edgenas do Mestrado do PPGVIDA versam, em sua maioria, sobre quest\u00f5es ind\u00edgenas focadas nas necessidades de sa\u00fade dos povos que vivem no Alto Solim\u00f5es e Vale do Javari. \u201cResolvemos fazer assim porque achamos que seria mais produtivo para eles em ternos de aprendizado e para a rela\u00e7\u00e3o deles com as comunidades. As pessoas poderem ver um produto que fale com elas, que diga algo sobre elas, ao inv\u00e9s de fazer algo mais gen\u00e9rico, mais abstrato\u201d, refor\u00e7a. Segundo a coordenadora, a amplia\u00e7\u00e3o do prazo de concess\u00e3o de bolsas \u00e9 um impasse. \u201cAs bolsas normalmente s\u00e3o concedidas para 24 meses e certamente a maioria dos alunos n\u00e3o estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de concluir e de defender suas disserta\u00e7\u00f5es neste prazo\u201d, admite.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Luiza Garnelo, a quest\u00e3o do tempo de dura\u00e7\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es de turmas ind\u00edgenas \u00e9 uma premissa que precisa ser levada em considera\u00e7\u00e3o. \u201cPrecisamos refletir e pensar em como lidar com isso em futuras turmas. O tempo tem que ser mais alongado em fun\u00e7\u00e3o dessas caracter\u00edsticas\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUEST\u00d5ES LINGU\u00cdSTICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto importante a ser considerado no processo formativo dos mestrandos foi o suporte em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es lingu\u00edsticas no tocante a falantes de l\u00edngua que n\u00e3o seja o portugu\u00eas e ao manejo da l\u00edngua portuguesa escrita. \u201cComo a maioria dos nossos alunos n\u00e3o tem o portugu\u00eas como primeira l\u00edngua, o que j\u00e1 sab\u00edamos, foi preciso operacionalizar o suporte para que esta barreira fosse vencida. Para isso, buscamos o apoio de especialistas em Lingu\u00edstica\u201d, explica Luiza, referindo-se aos professores doutores Mateus Coimbra de Oliveira, Gabriel Arcanjo Santos de Albuquerque e Sanderson Oliveira, que contribu\u00edram para o processo de escrita dos estudantes no Alto Solim\u00f5es. Cada membro da equipe de l\u00edngua portuguesa acompanhou 5 estudantes entre setembro de 2024 e julho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs colegas linguistas fizeram uma adapta\u00e7\u00e3o de um teste para falantes do portugu\u00eas como segunda l\u00edngua, feito para estrangeiros n\u00e3o para ind\u00edgenas, e a adapta\u00e7\u00e3o ficou muito interessante. Aplicaram um teste de profici\u00eancia em portugu\u00eas escrito e portugu\u00eas falado e interpreta\u00e7\u00e3o de texto escrito, a produ\u00e7\u00e3o de texto escrito e a interpreta\u00e7\u00e3o do texto de terceiros\u201d, conta Luiza.<\/p>\n\n\n\n<p>O linguista Sanderson Oliveira explica que o processo de avalia\u00e7\u00e3o e assessoria lingu\u00edstica aos discentes do curso da turma se deu por meio de duas a\u00e7\u00f5es gerais: avalia\u00e7\u00e3o da flu\u00eancia dos discentes em l\u00edngua portuguesa e assessoramento da produ\u00e7\u00e3o oral e escrita dos discentes. \u201cNo primeiro caso, fizemos uma adapta\u00e7\u00e3o do modelo CELPE-BRAS e aplicamos a todos os 15 discentes indistintamente, haja vista que a informa\u00e7\u00e3o inicial era de que todos eram falantes de l\u00edngua ind\u00edgena e ingressaram no programa sob essa condi\u00e7\u00e3o e com a exig\u00eancia de que deveriam fazer a profici\u00eancia em l\u00edngua portuguesa como profici\u00eancia em L2 (geralmente os cursos fazem em uma l\u00edngua estrangeira, principalmente em ingl\u00eas). A adapta\u00e7\u00e3o do modelo CELPE-BRAS considerou o contexto de uma turma ind\u00edgena, modificando alguns detalhes como os conte\u00fados das avalia\u00e7\u00f5es escrita e oral. Modificaram-se ainda os modelos das avalia\u00e7\u00f5es e foram selecionados temas relativos \u00e0 sa\u00fade ind\u00edgena para as tarefas\u201d, explica o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o inicial, nesse caso, teve car\u00e1ter diagn\u00f3stico, mas serviu tamb\u00e9m como prova de profici\u00eancia em l\u00edngua portuguesa, necess\u00e1ria para que os discentes pudessem obter o t\u00edtulo. \u201cAlguns resultados obtidos foram importantes tanto para direcionar as a\u00e7\u00f5es futuras do trabalho em desenvolvimento quanto para dar subs\u00eddios para a continuidade da pol\u00edtica afirmativa para ind\u00edgenas no PPGVIDA\u201d, salienta o docente Gabriel Albuquerque, doutor em Literatura e L\u00edngua Portuguesa. Entre os resultados, ele destaca a confirma\u00e7\u00e3o de discrep\u00e2ncia entre a profici\u00eancia oral e escrita dos discentes; e a verifica\u00e7\u00e3o de sete falantes de portugu\u00eas como L1. \u201cAl\u00e9m disso, fatores como pertencimento \u00e9tnico parecem ser relevantes para a flu\u00eancia dos discentes em l\u00edngua portuguesa. \u00c9 o que mostram nossos resultados\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho de acompanhamento da produ\u00e7\u00e3o de textos orais e escritos, pelos linguistas, se deu por meio de deslocamentos a Tabatinga, onde o curso ocorre. \u201cNessas etapas, realiz\u00e1vamos exerc\u00edcios de textualiza\u00e7\u00e3o e de retextualiza\u00e7\u00e3o assim como de corre\u00e7\u00e3o individual e coletiva, sempre envolvendo os discentes e tornando-os part\u00edcipes dessas atividades. Al\u00e9m disso, no campo da produ\u00e7\u00e3o oral, eram realizadas simula\u00e7\u00f5es de semin\u00e1rios e de defesas\u201d, relata Gabriel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa segunda etapa, os resultados principais foram as produ\u00e7\u00f5es dos textos dos discentes para suas qualifica\u00e7\u00f5es e a prepara\u00e7\u00e3o para banca, sendo que oito discentes conseguiram fazer a defesa at\u00e9 junho de 2025. \u201cAlguns discentes, que apresentavam mais dificuldades, tiveram um tempo maior para realizar a defesa e, tamb\u00e9m, de acompanhamento. O grupo de discentes que n\u00e3o logrou \u00eaxito na primeira profici\u00eancia escrita refez o trabalho e as avalia\u00e7\u00f5es ainda em julho\u201d. Este material j\u00e1 foi analisado, tenso se observado melhora expressiva no desempenho dos estudantes no dom\u00ednio da linguagem escrita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ainda estar em fase de avalia\u00e7\u00e3o dos resultados, o entendimento atual \u00e9 que a assessoria prestada teve resultados positivos. \u201cDe um lado, criou-se uma metodologia para a profici\u00eancia de alunos ind\u00edgenas do PPGVIDA, aplic\u00e1vel a outros programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o havia at\u00e9 ent\u00e3o. Junto a esse processo, foram tamb\u00e9m apresentados subs\u00eddios para a\u00e7\u00f5es futuras. De outro lado, os discentes relatam terem melhorado a produ\u00e7\u00e3o escrita e oral em g\u00eaneros acad\u00eamicos e esperam que isso se reflita nos resultados do Mestrado\u201d, avalia. O trabalho dos linguistas prossegue apoiando os orientadores do mestrado na leitura e interpreta\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o de textos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PROTAGONISMO DO PPGVIDA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor Gabriel Albuquerque, o trabalho permitiu construir, junto com as professoras Luiza Garnelo e Rosana Parente, um conjunto de procedimentos que qualificam estudantes ind\u00edgenas no processo de pesquisa em sa\u00fade coletiva e possibilitam situar o PPGVIDA como protagonista no uso dos estudos da linguagem como instrumento n\u00e3o s\u00f3 de forma\u00e7\u00e3o, mas de qualifica\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia para estudantes ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o menos importante foi um conjunto de pr\u00e1ticas e metodologias que buscavam fazer com que os estudantes se sentissem inclu\u00eddos e n\u00e3o incapazes de dominar a norma de prest\u00edgio da linguagem acad\u00eamica. Em outras palavras: respeitando os diferentes usos do portugu\u00eas, por meio da textualiza\u00e7\u00e3o e retextualiza\u00e7\u00e3o os estudantes acabavam por dominar a norma culta e compreender que essa norma \u00e9 um c\u00f3digo pass\u00edvel de dom\u00ednio\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o sejam uniformes, os resultados s\u00e3o muito animadores, segundo o professor. \u201cO que se mostra em dois diferentes momentos: a apresenta\u00e7\u00e3o de p\u00f4steres durante evento realizado pelo ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f5nia (V Encontro de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o) e as defesas dos projetos. De um ponto de vista mais estrito, somente as defesas das disserta\u00e7\u00f5es e os resultados da\u00ed provenientes levariam a compreender o alcance das Oficinas de Produ\u00e7\u00e3o Textual e Reda\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica como tamb\u00e9m o papel que cumprem no que diz respeito aos estudantes ind\u00edgenas\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Gabriel explica que a experi\u00eancia pode servir de marco para o aperfei\u00e7oamento das pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas no Brasil em se tratando de oportunidades de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e qualifica\u00e7\u00e3o profissional para povos tradicionais. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favidas quanto a isso. Toda a equipe envolvida tem clareza dos limites que uma primeira experi\u00eancia dessa natureza cont\u00e9m. De certo, poder\u00edamos fazer mais e melhor se domin\u00e1ssemos previamente alguns elementos tais como um diagn\u00f3stico da profici\u00eancia dos estudantes em l\u00edngua portuguesa e a compreens\u00e3o que podem ter quanto \u00e0 escrita acad\u00eamica ou n\u00e3o. S\u00e3o elementos que pedem aperfei\u00e7oamento, \u00e9 claro, mas o que prevalece \u00e9 a compreens\u00e3o de que, aqui no Norte do Brasil \u2013 e mesmo ao longo de todo o Brasil \u2013 n\u00e3o houve iniciativa semelhante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O docente ressalta que o conjunto de documentos resultantes desse trabalho (diagn\u00f3sticos, relat\u00f3rios, textos produzidos pelos estudantes, metodologias aplicadas pelos professores) e a maneira como a log\u00edstica de todo o processo foi conduzida gerou resultados novos no campo das a\u00e7\u00f5es afirmativas e da qualifica\u00e7\u00e3o profissional para povos tradicionais. \u201cMais do que esperan\u00e7a, temos a certeza de que esse processo formativo gera lideran\u00e7as capazes de lidar com as pol\u00edticas de sa\u00fade para as popula\u00e7\u00f5es tradicionais como tamb\u00e9m se abre o campo da pesquisa para elas. Criamos, portanto, mais do que uma a\u00e7\u00e3o inclusiva; criamos tamb\u00e9m uma tecnologia de inser\u00e7\u00e3o social\u201d, finaliza Gabriel Albuquerque.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia, por J\u00falio Pedrosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fotos: J\u00falio Pedrosa<\/em><\/strong> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio das atividades do curso, pioneiro no Brasil, as qualifica\u00e7\u00f5es come\u00e7aram e vem apresentando resultados positivos e aprova\u00e7\u00e3o absoluta dos alunos, <\/p>\n","protected":false},"author":60,"featured_media":56313,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[1222,1192,1274,1273,1275],"class_list":["post-56312","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-fapeam-2","tag-fiocruz125anos-ilmdfiocruzamazonia","tag-mestradoindigena","tag-ppgvida10anos","tag-uea-2","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/56312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/60"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=56312"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/56312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56316,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/56312\/revisions\/56316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/56313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=56312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=56312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=56312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}