{"id":54275,"date":"2025-05-05T14:14:50","date_gmt":"2025-05-05T18:14:50","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=54275"},"modified":"2025-05-05T16:12:55","modified_gmt":"2025-05-05T20:12:55","slug":"pesquisador-da-fiocruz-amazonia-alerta-para-precarizacao-sanitaria-da-regiao-no-atlas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=54275","title":{"rendered":"Pesquisador da Fiocruz Amaz\u00f4nia alerta para precariza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria da regi\u00e3o no Atlas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 23\/04, o Atlas da Amaz\u00f4nia Brasileira j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel na vers\u00e3o digital e deve se tornar leitura obrigat\u00f3ria para quem deseja se aprofundar no tema Amaz\u00f4nia, no ano em que os olhares do Mundo se voltam para a regi\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da COP 30, que ocorrer\u00e1 em novembro, na cidade de Bel\u00e9m (PA). Com um total de 32 artigos assinados por estudiosos, pesquisadores, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e entidades da sociedade civil organizada, a publica\u00e7\u00e3o traz, entre seus trabalhos, o artigo assinado pelo epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amaz\u00f4nia Jesem Orellana, do Laborat\u00f3rio de Modelagem em Estat\u00edstica, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), Instituto Le\u00f4nidas &amp; Maria Deane (ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia). No cap\u00edtulo Sa\u00fade e Medicinas, ele alerta para o agravamento da precariza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria da Amaz\u00f4nia, como resultado do avan\u00e7o de atividades predat\u00f3rias, incluindo o desmatamento e a explora\u00e7\u00e3o mineral. O Atlas pode ser acessado, gratuitamente, pelo site da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, nos formatos impresso e digital.&nbsp;<a href=\"https:\/\/br.boell.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O link est\u00e1 dispon\u00edvel neste endere\u00e7o eletr\u00f4nico<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Orellana, o avan\u00e7o de atividades predat\u00f3rias tem impactos sanit\u00e1rios, sobretudo numa regi\u00e3o onde o acesso \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 dificultado por peculiaridades territoriais e saneamento b\u00e1sico prec\u00e1rio. Promover acesso \u00e0 sa\u00fade e valorizar conhecimentos tradicionais \u00e9 importante para combater esse quadro, conforme explica o autor. \u201cDevido a sua extens\u00e3o territorial, diversidade sociocultural e peculiaridades do clima, vegeta\u00e7\u00e3o e relevo, os desafios sanit\u00e1rios na Amaz\u00f4nia s\u00e3o historicamente complexos e contrastantes, n\u00e3o apenas ao se confrontar cen\u00e1rios entre popula\u00e7\u00f5es urbanas e rurais, acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade em munic\u00edpios de menor e maior porte populacional, condi\u00e7\u00f5es de vida e sa\u00fade entre ind\u00edgenas e n\u00e3o-ind\u00edgenas, mas ao se comparar indicadores de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o geral da regi\u00e3o Norte \u00e0queles da sudeste e sul do pa\u00eds\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador ressalta que, nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas e em contexto de extremas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o bioma amaz\u00f4nico tem sido criticamente amea\u00e7ado pelo avan\u00e7o predat\u00f3rio do agroneg\u00f3cio e da pesca industrial, da extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e de ouro, bem como pelas devastadoras queimadas de extensas \u00e1reas florestais. \u201cEssas interven\u00e7\u00f5es, em maior ou menor intensidade, t\u00eam impactado negativamente a sa\u00fade humana, seja mediante res\u00edduos potencialmente t\u00f3xicos no ar, \u00e1gua e solo ou mesmo alterando a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e diferentes seres vivos, a exemplo do que ocorre com doen\u00e7as end\u00eamicas, dentro e fora de centros urbanos\u201d, afirma. Na regi\u00e3o Norte, segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento de 2017 do IBGE, a porcentagem para os volumes di\u00e1rios de esgoto gerado e tratado foi de apenas 16,4%, a menor entre as regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs dados s\u00e3o condizentes com a elevada ocorr\u00eancia de Doen\u00e7as Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que, em 2021, o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es hospitalares por dengue no Norte aumentou 27%, em compara\u00e7\u00e3o a 2020, contrariando o padr\u00e3o nacional de queda. Em geral, este padr\u00e3o se repete para interna\u00e7\u00f5es por leptospiroses ou diarreia e gastroenterite com origem infecciosa presum\u00edvel. Nesse prec\u00e1rio cen\u00e1rio de saneamento, h\u00e1 um leque de doen\u00e7as infecciosas e negligenciadas, end\u00eamicas em regi\u00f5es de baixo desenvolvimento humano e social, associadas a incapacidades, adoecimento e mortes evit\u00e1veis\u201d, destaca Orellana, no artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador explica que, entre os exemplos mais impactantes, em termos de carga de doen\u00e7a, est\u00e3o a mal\u00e1ria, a tuberculose, o HIV\/AIDS e a febre amarela. \u201cO mosaico sanit\u00e1rio amaz\u00f4nico, ainda conta com o tr\u00e1gico desenvolvimento de epidemias de doen\u00e7as emergentes e reemergentes, como a febre oropouche em 2024, com in\u00e9ditos 5.644 casos confirmados at\u00e9 03 de setembro ou 71,2% do total nacional. A pandemia de Covid-19, al\u00e9m do seu indiscut\u00edvel impacto sobre a mortalidade, sobretudo em Manaus, ao protagonizar chocantes colapsos funer\u00e1rios, hospitalares e ambulatoriais, parece ter ampliado vulnerabilidades assistenciais e socioecon\u00f4micas, fertilizando o cen\u00e1rio \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o de mais efeitos residuais pand\u00eamicos\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p>O epidemiologista chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o excesso de suic\u00eddios, entre mar\u00e7o de 2020 e fevereiro de 2022, em mulheres com 30-59 anos (27%), bem como os cerca de 70% de mortes maternas excedentes no norte amaz\u00f4nico, entre mar\u00e7o de 2020 e fevereiro de 2022. \u201cEsses dados refletem bem a gravidade da crise sind\u00eamica, dado o claro comprometimento de indicadores de Sa\u00fade e Bem Estar que o Brasil havia se comprometido a melhorar no \u00e2mbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Outra grave amea\u00e7a \u00e9 a recusa vacinal, sobretudo em crian\u00e7as com um ano ou mais. No fim de 2022, as coberturas vacinais da tetra viral (sarampo, caxumba, rub\u00e9ola e varicela), da tr\u00edplice bacteriana (difteria, t\u00e9tano e pertussis) e da hepatite A, se situaram abaixo de 7%, 55% e 60%, respectivamente. Abaixo das coberturas de outras regi\u00f5es do Brasil e longe dos 95% esperado\u201d, evidencia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MEDICINA IND\u00cdGENA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na publica\u00e7\u00e3o, Jesem Orellana divide espa\u00e7o com o l\u00edder ind\u00edgena, ativista e educador amazonense Gersem Baniwa, que aborda a quest\u00e3o da Medicina Ind\u00edgena. Para ele, assim como na Medicina, a arte de cuidado de sa\u00fade e cura dos povos ind\u00edgenas \u00e9 balizada pelas teorias, fundamentos e concep\u00e7\u00f5es que constituem um conjunto de elementos concretos e \u201cabstratos\u201d (elementos fitoqu\u00edmicos e metaf\u00edsicos), e praticados de forma especializada pelas pessoas que passaram por forma\u00e7\u00e3o para exercer tal of\u00edcio. \u201cCada povo tem suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o de seus especialistas. Assim, os especialistas ind\u00edgenas s\u00e3o pessoas que passaram por uma rigorosa forma\u00e7\u00e3o e treinamentos, sob orienta\u00e7\u00e3o de especialista formador. As no\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a e sa\u00fade n\u00e3o se restringem ao aspecto biol\u00f3gico\u201d, descreve.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Baniwa, esse \u00e9 o ponto central que diferencia a medicina ind\u00edgena do modelo biom\u00e9dico de cuidado de sa\u00fade, que interv\u00e9m sobre o corpo a partir da no\u00e7\u00e3o do meramente biol\u00f3gico. \u201cOs estudos entre os povos ind\u00edgenas do Alto Rio Negro, mostram que as tecnologias de cuidado de sa\u00fade e cura s\u00e3o fundamentalmente: Bahsesse (benzimentos), f\u00f3rmulas metaqu\u00edmicas e metaf\u00edsicas evocadas pelos especialistas para prote\u00e7\u00e3o, tratamento e curar de doen\u00e7as, al\u00e9m de plantas medicinais\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SOBRE O ATLAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Atlas da Amaz\u00f4nia Brasileira \u00e9 uma iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, da Alemanha. Com conselho editorial formado pelas jornalistas K\u00e1tia Brasil e Ela\u00edze Farias, fundadoras da ag\u00eancia Amaz\u00f4nia Real, a ambientalista \u00c2ngela Mendes, o ge\u00f3grafo Aiala Colares Couto, o antrop\u00f3logo Jo\u00e3o Paulo Barreto e a pesquisadora Marcela Vecchione-Gon\u00e7alves, entre outros, o Atlas busca descontruir estere\u00f3tipos da regi\u00e3o. \u201cTrata-se de um conte\u00fado que visa contribuir para uma urgente mudan\u00e7a de perspectiva, para que pessoas do Brasil e do mundo possam conhecer a Amaz\u00f4nia novamente, desta vez sob a perspectiva dos diversos habitantes da regi\u00e3o\u201d, explica o conselho editorial, citando a gama de artigos produzidos por uma maioria de autores origin\u00e1rios de diferentes partes da Amaz\u00f4nia, considerando tamb\u00e9m uma diversidade racial, \u00e9tnica e de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia, Por J\u00falio Pedrosa<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Michell Mello \/ Especial para a Fiocruz Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 23\/04, o Atlas da Amaz\u00f4nia Brasileira j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel na vers\u00e3o digital e deve se tornar leitura obrigat\u00f3ria para quem deseja se aprofundar no tema Amaz\u00f4nia, no ano em que os olhares do Mundo se voltam para a regi\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da COP 30, que ocorrer\u00e1 em novembro, na cidade de Bel\u00e9m (PA)<\/p>\n","protected":false},"author":60,"featured_media":51232,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-54275","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/54275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/60"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=54275"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/54275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54298,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/54275\/revisions\/54298"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/51232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=54275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=54275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=54275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}