{"id":54263,"date":"2025-05-05T09:58:11","date_gmt":"2025-05-05T13:58:11","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=54263"},"modified":"2025-05-05T16:18:16","modified_gmt":"2025-05-05T20:18:16","slug":"estudo-faz-analise-cientifica-dos-custos-financeiros-para-funcionamento-das-ubs-fluviais-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=54263","title":{"rendered":"Estudo faz an\u00e1lise cient\u00edfica dos custos financeiros para funcionamento das UBS Fluviais na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Inserida h\u00e1 12 anos na Pol\u00edtica nacional de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a estrat\u00e9gia de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade por meio de Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade Fluvial e suas equipes fluviais e ribeirinhas s\u00f3 existe no Brasil. Recentemente, uma disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Condi\u00e7\u00f5es de Vida e Situa\u00e7\u00f5es de Sa\u00fade (PPGVIDA), desenvolvida pelo Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria, Pol\u00edticas P\u00fablicas e Sa\u00fade na Amaz\u00f4nia (LAHPSA), realizou uma an\u00e1lise cient\u00edfica sobre os custos financeiros para o funcionamento das Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade Fluviais (UBSF) na Amaz\u00f4nia, fornecendo subs\u00eddios para uma avalia\u00e7\u00e3o aprofundada acerca da estrat\u00e9gia visando o fortalecimento da pol\u00edtica. A pesquisa, intitulada \u201cCustos da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade em um Contexto Ribeirinho e Rural da Amaz\u00f4nia Brasileira\u201d, foi realizada entre os meses de junho de 2018 e mar\u00e7o de 2019, segundo descreve o autor, o administrador e contabilista Cl\u00e1udio Pontes.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tomou como refer\u00eancia os custos de uma UBSF em funcionamento no munic\u00edpio de Tef\u00e9, a 523 quil\u00f4metros de Manaus. A disserta\u00e7\u00e3o foi publicada na cole\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Intechopen de livros internacionais sobre economia da sa\u00fade em conte\u00fados espec\u00edficos. Na apresenta\u00e7\u00e3o, o autor descreve a UBSF como uma estrat\u00e9gia inovadora para levar cuidados de sa\u00fade a popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas isoladas na Amaz\u00f4nia. Durante o per\u00edodo analisado, foram realizadas nove viagens, atendendo dez \u00e1reas e 30 comunidades, com um custo total de R$ 761.705,87 (US$ 190.426,47). Os principais custos foram com recursos humanos (64,62%), insumos de sa\u00fade (17,72%) e combust\u00edvel (12,11%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos estimados apresentam uma realidade de viagens nos per\u00edodos de cheia, onde o acesso fluvial at\u00e9 as comunidades \u00e9 facilitado e expressa que nessa \u00e9poca do ano os repasses federal e municipal somados s\u00e3o considerados suficientes para as viagens das equipes da estrat\u00e9gia sa\u00fade da fam\u00edlia, embora n\u00e3o se tenha feito estimativas no per\u00edodo da seca onde os leitos dos rios est\u00e3o mais secos e os custos das expedi\u00e7\u00f5es aumentam sobremaneira. O autor recomenda que novas pesquisas sobre custo-efetividade e efici\u00eancia do servi\u00e7o possam ser realizadas para aprimorar o modelo. Como fatores limitantes, ele aponta a falta de controle informatizado e a aus\u00eancia de compara\u00e7\u00f5es com outras UBSFs.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa aponta tamb\u00e9m os desafios enfrentados pelas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, entre os quais acesso limitado a servi\u00e7os de sa\u00fade, sendo a principal dificuldade a dist\u00e2ncia e o tempo necess\u00e1rio para se chegar aos servi\u00e7os de sa\u00fade, levando em m\u00e9dia 4,2 horas para alcan\u00e7ar \u00e1reas urbanas; condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e clim\u00e1ticas, sobretudo relacionadas \u00e0 sazonalidade dos rios e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que dificultam o transporte, a log\u00edstica e o acesso \u00e0s comunidades; altas taxas de doen\u00e7as, com preval\u00eancia de hipertens\u00e3o (26% da popula\u00e7\u00e3o adulta) e outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade devido \u00e0 falta de acesso regular a cuidados m\u00e9dicos; desigualdade hist\u00f3rica, uma vez que antes da cria\u00e7\u00e3o das UBSFs, n\u00e3o havia um modelo institucionalizado de atendimento adequado para essas comunidades, e custos elevados de atendimento para levar servi\u00e7os de sa\u00fade (transporte, combust\u00edvel e manuten\u00e7\u00e3o de equipes).<\/p>\n\n\n\n<p>Claudio Pontes explica que esses desafios refor\u00e7am a necessidade de estrat\u00e9gias espec\u00edficas, como as UBSFs, atendendo as demandas \u00fanicas dessas popula\u00e7\u00f5es e reduzindo desigualdades. Al\u00e9m de recursos humanos, insumos de sa\u00fade e combust\u00edvel, outros custos associados \u00e0s UBSF apontados pelo estudo s\u00e3o alimenta\u00e7\u00e3o (4,02%), materiais de escrit\u00f3rio e TI (0,82%), Manuten\u00e7\u00e3o (0,34%), materiais de higiene e limpeza (0,24%) e g\u00e1s de cozinha (0,13%).<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho teve como orientador o pesquisador em Sa\u00fade P\u00fablica da Fiocruz Amaz\u00f4nia, Rodrigo Tobias de Sousa Lima. Para Tobias, a principal colabora\u00e7\u00e3o do estudo \u00e9 o fato de ter dado uma contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica in\u00e9dita no campo da sa\u00fade coletiva, do ponto de vista dos custos da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade, que pode vir a se tornar refer\u00eancia para o Brasil e outros pa\u00edses. \u201cCom sua forma\u00e7\u00e3o nas ci\u00eancias gerenciais, Cl\u00e1udio Pontes oferece uma contribui\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica ao estimar os custos das UBS Fluviais na Amaz\u00f4nia. Sua obra se torna refer\u00eancia indispens\u00e1vel para o planejamento e financiamento da sa\u00fade fluvial, al\u00e9m de fomentar e fortalecer uma linha de pesquisa no campo da gest\u00e3o, do planejamento e das pol\u00edticas de sa\u00fade voltadas \u00e0 realidade amaz\u00f4nica\u201d, comenta Tobias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DIAGN\u00d3STICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Claudio Pontes e Rodrigo Tobias destacam a import\u00e2ncia da pesquisa como referencial de consulta sobre sa\u00fade fluvial, uma vez que realizam atualmente uma pesquisa com a finalidade de promover diagn\u00f3stico situacional das 54 UBSFs, de um total de 96 cadastradas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade na Amaz\u00f4nia. \u201cEsse indicador \u00e9 essencial para se compreender as condi\u00e7\u00f5es de financiamento dessa estrat\u00e9gia de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria em Sa\u00fade em regi\u00f5es fluviais e ribeirinhas \u2013 bem como identificar oportunidades e desafios, incluindo aspectos como a sazonalidade dos rios, navegabilidade e a fixa\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, levando-se em conta sempre a garantia ao direito universal \u00e0 sa\u00fade em contextos t\u00e3o desafiadores\u201d, explica Tobias. A partir do diagn\u00f3stico, o MS poder\u00e1 subsidiar a\u00e7\u00f5es da PNAB como reativa\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es, amplia\u00e7\u00e3o da oferta do servi\u00e7o e qualifica\u00e7\u00e3o das equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia que atuam na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia, Por J\u00falio Pedrosa<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Fiocruz Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inserida h\u00e1 12 anos na Pol\u00edtica nacional de Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a estrat\u00e9gia de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade por meio de Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade Fluvial e suas equipes fluviais e ribeirinhas s\u00f3 existe no Brasil. 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