{"id":39192,"date":"2023-06-30T15:13:29","date_gmt":"2023-06-30T19:13:29","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=39192"},"modified":"2023-06-30T15:19:46","modified_gmt":"2023-06-30T19:19:46","slug":"fiocruz-amazonia-estuda-impacto-do-desmatamento-na-diversidade-e-nos-ciclos-de-transmissao-de-parasitos-tripanossomatideos-como-os-causadores-da-doenca-de-chagas-e-leishmaniose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=39192","title":{"rendered":"Fiocruz Amaz\u00f4nia estuda impacto do desmatamento na diversidade e nos ciclos de transmiss\u00e3o de parasitos tripanossomat\u00eddeos, como os causadores da Doen\u00e7a de Chagas e Leishmaniose"},"content":{"rendered":"<section class=\"av_textblock_section \"  itemscope=\"itemscope\" itemtype=\"https:\/\/schema.org\/BlogPosting\" itemprop=\"blogPost\" ><div class='avia_textblock  '   itemprop=\"text\" ><p style=\"text-align: justify;\">A Fiocruz Amaz\u00f4nia, por meio do Edital Inova\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia, do Programa Inova Fiocruz, e Edital Kunh\u00e3, da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), estuda o impacto do desmatamento na diversidade e nos ciclos de transmiss\u00e3o de parasitas tripanossomat\u00eddeos, dentre eles os causadores da Doen\u00e7a de Chagas e da Leishmaniose, ambas doen\u00e7as end\u00eamicas da Amaz\u00f4nia. Uma expedi\u00e7\u00e3o do projeto, realizada recentemente \u00e0 Base de Pesquisa Rio Pardo, no munic\u00edpio de Presidente Figueiredo, a cerca de 200 quil\u00f4metros de Manaus, trouxe evid\u00eancias de que novas esp\u00e9cies de vetores e reservat\u00f3rios do parasita estejam fazendo parte do ciclo de transmiss\u00e3o das doen\u00e7as tripanoss\u00f4micas na regi\u00e3o, entre eles os coretrelas, fam\u00edlia de insetos hemat\u00f3fagos pouco conhecida que pica exclusivamente sapos, e que est\u00e1 envolvida na transmiss\u00e3o desses parasitos. No projeto, tamb\u00e9m s\u00e3o estudados os tripanossomat\u00eddeos que infectam sapos, lagartos, pequenos roedores e mam\u00edferos de porte m\u00e9dio, como marsupiais (gamb\u00e1s) e os insetos que os transmitem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo \u00e9 coordenado pelos pesquisadores da Fiocruz Amaz\u00f4nia Felipe Arley Costa Pessoa e Claudia Maria R\u00edos-Velasquez, ambos bi\u00f3logos com doutorado em Entomologia e membros do Laborat\u00f3rio Ecologia de Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis na Amaz\u00f4nia (EDTA). Ao todo, a expedi\u00e7\u00e3o contou com uma equipe de 15 pessoas e passou 17 dias na \u00e1rea, realizando coletas de campo. Felipe Pessoa explica que o trabalho iniciado este ano d\u00e1 continuidade a uma s\u00e9rie de estudos que v\u00eam sendo desenvolvidos desde 2007 na regi\u00e3o de Rio Pardo. \u201c\u00c9 um trabalho cont\u00ednuo em que est\u00e1 sendo poss\u00edvel analisar o processo de desmatamento e ocupa\u00e7\u00e3o do solo ocorrido naquela regi\u00e3o e o reflexo no ciclo das doen\u00e7as que s\u00e3o transmitidas no local\u201d, afirma. Segundo ele, no caso dos tripanossomat\u00eddeos, os mais frequentes que causam doen\u00e7as em humanos s\u00e3o o da leishmaniose tegumentar \u2013 doen\u00e7a infecciosa que acomete o homem e provoca \u00falceras na pele e mucosas das vias \u00e1reas superiores.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-39194\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/12d09e52-a6e5-4d6b-8471-574fa59dbfe1-1030x773.jpg\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"773\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/12d09e52-a6e5-4d6b-8471-574fa59dbfe1-1030x773.jpg 1030w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/12d09e52-a6e5-4d6b-8471-574fa59dbfe1-300x225.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/12d09e52-a6e5-4d6b-8471-574fa59dbfe1-768x576.jpg 768w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/12d09e52-a6e5-4d6b-8471-574fa59dbfe1-705x529.jpg 705w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/12d09e52-a6e5-4d6b-8471-574fa59dbfe1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa inicialmente tinha como foco a rela\u00e7\u00e3o entre mosquitos e arboviroses, e entre fleb\u00f3tomos e a leishmanias. Agora, o estudo se prop\u00f5e a fazer o levantamento geral dos reservat\u00f3rios, desde pequenos anf\u00edbios e lagartos a mam\u00edferos de pequeno e m\u00e9dio porte, no caso pequenos roedores, como marsupiais. \u201cTodos esses vertebrados s\u00e3o picados por v\u00e1rios insetos hemat\u00f3fagos, em especial uma fam\u00edlia que come\u00e7amos a estudar h\u00e1 pouco tempo, ainda desconhecida no Brasil, que s\u00e3o os coretrelas, popularmente conhecidos como \u2018mosquitinho-de-sapo\u2019, que picam exclusivamente esses animais, atra\u00eddos pelo som do canto dos machos. Eles transmitem uma s\u00e9rie de doen\u00e7as para os anf\u00edbios e podem ser um dos respons\u00e1veis pela extin\u00e7\u00e3o em massa que est\u00e1 acontecendo em anf\u00edbios na Am\u00e9rica do Sul\u201d, adianta o pesquisador, salientando que ainda n\u00e3o h\u00e1 estudos acerca dos \u201cmosquitinhos-de-sapo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo conta com a colabora\u00e7\u00e3o da Fiocruz Cear\u00e1, Museu Nacional do Rio de Janeiro, Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) e Funda\u00e7\u00e3o de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado. Pelo menos 20 novas esp\u00e9cies de insetos foram descobertas ao longo das pesquisas em Rio Pardo. \u201cAcabamos de encontrar dez morf\u00f3tipos que v\u00e3o se tornar dez esp\u00e9cies novas, que tamb\u00e9m ser\u00e3o inclu\u00eddas no estudo. O objetivo \u00e9 saber como se comportam tanto no ambiente de floresta como em \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o humana. Inicialmente iremos descrev\u00ea-los, dar nome para eles e em seguida realizaremos a identifica\u00e7\u00e3o dos parasitos que transmitem. \u201cColetamos insetos, amostras de sangue e tecidos dos vertebrados e identificamos, por v\u00e1rias t\u00e9cnicas diferentes, tais como o esfrega\u00e7o de sangue, PDR e sequenciamento, a exist\u00eancia de pat\u00f3genos. Os dados que obtemos nos permitem estabelecer a rela\u00e7\u00e3o entre os parasitos que est\u00e3o circulando, as esp\u00e9cies de insetos que transmitem e os hospedeiros vertebrados\u201d, ressalta Felipe.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-39195\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/676c4d16-8204-4695-84b8-93438832bbd9-1030x773.jpg\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"773\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/676c4d16-8204-4695-84b8-93438832bbd9-1030x773.jpg 1030w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/676c4d16-8204-4695-84b8-93438832bbd9-300x225.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/676c4d16-8204-4695-84b8-93438832bbd9-768x576.jpg 768w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/676c4d16-8204-4695-84b8-93438832bbd9-705x529.jpg 705w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/676c4d16-8204-4695-84b8-93438832bbd9.jpg 1032w\" sizes=\"(max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cl\u00e1udia Velasquez explica que a Fiocruz Amaz\u00f4nia \u00e9 parceira da Fiocruz Cear\u00e1 em projeto similar realizado em \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica, nas regi\u00f5es serrana e de sert\u00e3o cearenses, onde mais de 30% dos vertebrados coletados est\u00e3o com tripanossomat\u00eddeos. A entomologista observa que o desmatamento e as mudan\u00e7as na paisagem est\u00e3o alterando os ciclos de transmiss\u00e3o dos pat\u00f3genos. \u201cNo caso dos tripanossomat\u00eddeos, os protozo\u00e1rios mais conhecidos s\u00e3o a Leishmania e o Trypanosoma, mas \u00e9 poss\u00edvel que haja muitas outras esp\u00e9cies que s\u00e3o desconhecidas e estejam circulando entre pequenos mam\u00edferos e humanos, e que representem risco zoon\u00f3tico\u201d, salienta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstamos primeiro coletando os insetos, verificando se est\u00e3o infectados e se tem-se alimentado de sangue humano, de cobras, lagartos, gamb\u00e1s ou outros vertebrados. O trabalho \u00e9 realizado em \u00e1reas florestadas e desmatadas, e desta forma, poderemos identificar como o processo de desmatamento pode estar mudando essa transmiss\u00e3o de pat\u00f3genos e como est\u00e3o acontecendo esses ciclos de transmiss\u00e3o\u201d, complementa R\u00edos-Velasquez.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39196\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/e4905e71-1222-4772-ad25-c86da0ac0a99-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/e4905e71-1222-4772-ad25-c86da0ac0a99-225x300.jpg 225w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/e4905e71-1222-4772-ad25-c86da0ac0a99-773x1030.jpg 773w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/e4905e71-1222-4772-ad25-c86da0ac0a99-768x1024.jpg 768w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/e4905e71-1222-4772-ad25-c86da0ac0a99-529x705.jpg 529w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/e4905e71-1222-4772-ad25-c86da0ac0a99.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BASE RIO PARDO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Base de Pesquisa Rio Pardo, em Presidente Figueiredo, est\u00e1 situada numa \u00e1rea de assentamento rural, onde h\u00e1 focos de desmatamento e trechos florestados, muito pr\u00f3ximos um do outro. \u201cL\u00e1, podemos estabelecer essas compara\u00e7\u00f5es, com presen\u00e7a humana, sem presen\u00e7a humana, e como est\u00e3o distribu\u00eddas as popula\u00e7\u00f5es de insetos e hospedeiros vertebrados e quais riscos podem oferecer para os humanos. Aproveitaremos tamb\u00e9m para buscar nas amostras a presen\u00e7a de v\u00edrus, por meio da parceria com o Laborat\u00f3rio Diagn\u00f3stico e Controle de Doen\u00e7as Infecciosas da Amaz\u00f4nia (DCDIA), da Fiocruz Amaz\u00f4nia, e assim fecharmos o diagn\u00f3stico de como est\u00e3o acontecendo os ciclos de transmiss\u00e3o\u201d, afirmou Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de pouco mais de um ano, mas, segundo a pesquisadora, com a perspectiva de desdobramentos a partir da submiss\u00e3o a novos financiamentos. Para Felipe Pessoa, a base de pesquisa Rio Pardo re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es ideais para o estudo. \u201cTrata-se de uma \u00e1rea de assentamento cl\u00e1ssico, em que parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sai do local. Eles adoecem em Rio Pardo, o que significa que os vetores e reservat\u00f3rios vertebrados est\u00e3o circulando por ali e s\u00e3o os mantenedores dos ciclos de transmiss\u00e3o\u201d, afirmou, destacando que a expedi\u00e7\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores como o m\u00e9dico veterin\u00e1rio da Fiocruz Rond\u00f4nia, Andr\u00e9 Aguirre, especialista em borreliose (doen\u00e7a transmitida pela picada de carrapatos); o bi\u00f3logo Aldo C\u00e1ccavo, especialista em roedores e pequenos mam\u00edferos, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e os bi\u00f3logos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz RJ) Helena Santos e Rhagner Bonono, especialistas em tripanossomat\u00eddeos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho tamb\u00e9m contou com uma equipe de pesquisadores visitantes da Fiocruz Amaz\u00f4nia, como Gabriela Peixoto, especialista em herpeto fauna, Emanuelle Farias e Jordam William Pereira Silva, entomologistas, al\u00e9m de doutorandos e t\u00e9cnicos. A miss\u00e3o aconteceu entre os dias 15\/05 e 31\/05.<\/p>\n<\/div><\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sapos, lagartos, cobras, roedores e gamb\u00e1s podem estar sendo reservat\u00f3rios do parasita e integrando o ciclo de transmiss\u00e3o das doen\u00e7as em \u00e1rea de desflorestamento com presen\u00e7a de humanos<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":39193,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[1008,136,120,119,131,125,805],"class_list":["post-39192","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-entomologia","tag-fiocruz","tag-fiocruz-amazonia","tag-ilmd","tag-ilmdfiocruz-amazonia","tag-pesquisa","tag-rio-pardo","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=39192"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39192\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39197,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39192\/revisions\/39197"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/39193"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=39192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=39192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=39192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}