{"id":33777,"date":"2021-03-23T09:46:34","date_gmt":"2021-03-23T13:46:34","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=33777"},"modified":"2021-03-23T11:20:04","modified_gmt":"2021-03-23T15:20:04","slug":"rede-genomica-fiocruz-detecta-alteracoes-ineditas-na-proteina-spike-do-sars-cov-2-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=33777","title":{"rendered":"Rede Gen\u00f4mica Fiocruz detecta altera\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas na prote\u00edna Spike do Sars-CoV-2 no Brasil"},"content":{"rendered":"<section class=\"av_textblock_section \"  itemscope=\"itemscope\" itemtype=\"https:\/\/schema.org\/BlogPosting\" itemprop=\"blogPost\" ><div class='avia_textblock  '   itemprop=\"text\" ><p style=\"text-align: justify;\">Em mais um achado in\u00e9dito, cientistas da Rede Gen\u00f4mica Fiocruz identificaram importantes altera\u00e7\u00f5es na estrutura da prote\u00edna Spike (S) do v\u00edrus Sars-CoV-2 em circula\u00e7\u00e3o no Brasil. Onze sequ\u00eancias gen\u00e9ticas apresentaram dele\u00e7\u00f5es (perda de material gen\u00e9tico) na regi\u00e3o inicial da prote\u00edna e em quatro ocorreu inser\u00e7\u00e3o de alguns amino\u00e1cidos. A prote\u00edna Spike \u00e9 associada \u00e0 capacidade de entrada do pat\u00f3geno nas c\u00e9lulas humanas e \u00e9 um dos principais alvos dos anticorpos neutralizantes produzidos pelo organismo para bloquear o v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta \u00e9 fruto de intensa vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica conduzida pela Fiocruz no pa\u00eds e de institutos parceiros que se empenham diariamente em gerar dados mais robustos sobre o comportamento do v\u00edrus e contribuir para um melhor preparo do pa\u00eds no enfrentamento da pandemia. Os cientistas ressaltam que, at\u00e9 o momento, poucos genomas apresentam as altera\u00e7\u00f5es e que ainda n\u00e3o se caracteriza como a forma\u00e7\u00e3o de uma nova linhagem do Sars-CoV-2. Entretanto, alertam que \u00e9 preciso permanecer com o monitoramento para acompanhar se v\u00edrus com essas altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o aumentar\u00e3o de frequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPodemos dizer que esta \u00e9 uma descoberta precoce, o que enfatiza a import\u00e2ncia de a\u00e7\u00f5es em vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica, como a realizada pela rede da Fiocruz\u201d, explica a chefe do Laborat\u00f3rio de V\u00edrus Respirat\u00f3rios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), a pesquisadora Marilda Siqueira. O Laborat\u00f3rio atua como Centro de Refer\u00eancia Nacional em v\u00edrus respirat\u00f3rios junto ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e como refer\u00eancia para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em Covid-19 nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-33789\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ioc_m2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ioc_m2-300x200.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ioc_m2.jpg 530w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os novos resultados, detectados a partir da metodologia de sequenciamento gen\u00e9tico, s\u00e3o provenientes de amostras coletadas de pacientes de sete estados: Amazonas, Bahia, Maranh\u00e3o, Paran\u00e1, Rond\u00f4nia, Minas Gerais e Alagoas. As modifica\u00e7\u00f5es ocorreram no dom\u00ednio amino (N)-terminal (NTD), que podem dificultar a liga\u00e7\u00e3o com anticorpos e, assim, promover o escape imunol\u00f3gico do v\u00edrus no corpo humano. Mas os cientistas adiantam que dados experimentais complementares s\u00e3o necess\u00e1rios para testar essa hip\u00f3tese nas linhagens que circulam no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma amostra coletada no Amazonas apresentou dele\u00e7\u00e3o em sequ\u00eancia gen\u00e9tica ligada \u00e0 linhagem B.1.1.28. Quatro amostras da Bahia, duas de Alagoas e uma do Paran\u00e1 apresentaram perdas em sequ\u00eancias caracterizadas como linhagem P.1. Uma amostra de Minas Gerais apresentou a altera\u00e7\u00e3o na linhagem P.2. Duas amostras do Maranh\u00e3o apresentaram a dele\u00e7\u00e3o na linhagem B.1.1.33, que tamb\u00e9m continham a muta\u00e7\u00e3o E484K.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas amostras do Amazonas e uma do Paran\u00e1 continham inser\u00e7\u00e3o de material gen\u00e9tico em sequ\u00eancias provenientes da linhagem B.1.1.28 (P.1-like) \u2013 assim denominada por ser muito semelhante \u00e0 P.1. Uma amostra coletada no Paran\u00e1 e todas na Bahia e em Alagoas s\u00e3o de pacientes provenientes do estado do Amazonas ou com hist\u00f3rico de viagem \u00e0 regi\u00e3o. Os resultados foram publicados na <a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2021.03.19.21253946v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plataforma de pr\u00e9-print MedRxiv<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO novo coronav\u00edrus est\u00e1 continuamente se adaptando e, com isso, propiciando o surgimento de novas variantes de preocupa\u00e7\u00e3o e de interesse com altera\u00e7\u00f5es na prote\u00edna Spike. No entanto, vale ressaltar que as novas muta\u00e7\u00f5es foram, at\u00e9 o momento, detectadas em baixa frequ\u00eancia, apesar de encontradas em diferentes estados. Ainda precisamos dimensionar o impacto deste achado e, sem d\u00favidas, ampliar cada vez mais o monitoramento gen\u00f4mico\u201d, ressalta a virologista Paola Cristina Resende, do mesmo Laborat\u00f3rio, que atua como coordenadora da curadoria da plataforma gen\u00f4mica internacional GISAID no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas acreditam que as novas dele\u00e7\u00f5es e inser\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas a uma evolu\u00e7\u00e3o convergente do v\u00edrus, uma vez que foram detectadas em diferentes linhagens. \u201cAs variantes identificadas no Brasil at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o haviam apresentado as dele\u00e7\u00f5es e inser\u00e7\u00f5es que s\u00e3o comuns nas variantes de outros pa\u00edses, como Reino Unido e \u00c1frica do Sul. Aqui vemos pela primeira vez, que as linhagens brasileiras est\u00e3o seguindo o mesmo caminho evolutivo das demais variantes de preocupa\u00e7\u00e3o. As muta\u00e7\u00f5es agora alcan\u00e7aram outro importante ponto da prote\u00edna viral, o dom\u00ednio NTD, que \u00e9 reconhecido por alguns anticorpos neutralizantes espec\u00edficos\u201d, salienta Gabriel Wallau, que integra o N\u00facleo de Bioinform\u00e1tica da Rede Gen\u00f4mica e \u00e9 pesquisador do Instituto Aggeu Magalh\u00e3es (Fiocruz Pernambuco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os cientistas, a acumula\u00e7\u00e3o em sequ\u00eancia de muta\u00e7\u00f5es observadas em territ\u00f3rio nacional muito se assemelha ao padr\u00e3o observado na \u00c1frica do Sul, onde a variante de preocupa\u00e7\u00e3o B.1.351 adquiriu primeiro as muta\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio RBD (E484K e N501Y) e, posteriormente, apresentou uma dele\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio NTD. \u201cEsta nova gera\u00e7\u00e3o de variantes pode ser menos suscept\u00edvel \u00e0 neutraliza\u00e7\u00e3o dos anticorpos que suas linhagens parentais P.1, P. 2 e B.1.1.33. A pandemia de Covid-19 em 2021 no Brasil provavelmente ser\u00e1 dominada por esse novo e complexo conjunto de variantes\u201d, relata o pesquisador do Instituto Gon\u00e7alo Moniz (Fiocruz Bahia), Tiago Gr\u00e4f.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores da Rede Gen\u00f4mica Fiocruz alertam que os achados destacam a necessidade urgente de amplia\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o e de implementa\u00e7\u00e3o de medidas n\u00e3o-farmacol\u00f3gicas eficazes, visando a mitiga\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria e o surgimento de variantes mais transmiss\u00edveis. Eles tamb\u00e9m apontam o investimento na vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica e em estudos de efic\u00e1cia das vacinas para as novas variantes como medidas fundamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa foi realizada pela Rede Gen\u00f4mica Fiocruz, com participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores de diversos estados do pa\u00eds. O estudo foi liderado pelos Laborat\u00f3rios de V\u00edrus Respirat\u00f3rio e do Sarampo e de Aids e Imunologia Molecular do IOC\/Fiocruz, Instituto Gon\u00e7alo Moniz (Fiocruz-Bahia), Instituto Le\u00f4nidas e Maria Deane (Fiocruz Amaz\u00f4nia), Instituto Aggeu Magalhaes (FiocruzmPernambuco) e Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m colaboraram com o trabalho: Funda\u00e7\u00e3o de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Amazonas e Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica do Amazonas (Lacen-AM), Maranh\u00e3o (Lacen-MA), Alagoas (Lacen-AL), Minas Gerais (Lacen-MG), Paran\u00e1 (Lacen-PR) e Bahia (Lacen-BA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RESULTADO IN\u00c9DITO ANTERIOR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, a Rede Gen\u00f4mica Fiocruz identificou uma nova linhagem do Sars-CoV-2 no Brasil. Chamada de N.9, a linhagem foi caracterizada como variante de interesse por conter uma muta\u00e7\u00e3o na prote\u00edna S do novo coronav\u00edrus, conhecida como E484K, que \u00e9 associada a evas\u00e3o do sistema imune e encontrada em outras linhagens com grande dissemina\u00e7\u00e3o no planeta, incluindo as variantes de preocupa\u00e7\u00e3o P.1 e B.1.351. A altera\u00e7\u00e3o foi detectada em 35 amostras coletadas entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021 em dez estados do Sul, Sudeste, Nordeste e Norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Identificada, pela primeira vez, em S\u00e3o Paulo, a linhagem foi achada, em seguida, em Santa Catarina, Amazonas, Par\u00e1, Bahia, Maranh\u00e3o, Para\u00edba, Pernambuco, Piau\u00ed e Sergipe. An\u00e1lises do genoma dos v\u00edrus indicam que a variante N.9 surgiu em agosto de 2020. O estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 apontado como o local de origem mais prov\u00e1vel, mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que a linhagem tenha surgido na Bahia ou no Maranh\u00e3o. A descoberta est\u00e1 publicada <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2021.03.12.434969v1.article-info\">em forma de pr\u00e9-print na plataforma <\/a>bioRxiv<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2021.03.12.434969v1.article-info\">.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A virologista Paola Cristina Resende, do Laborat\u00f3rio de Virus Respirat\u00f3rios e do Sarampo do IOC\/Fiocruz, explica que a muta\u00e7\u00e3o E484K provavelmente teve origem entre julho e agosto de 2020, nas linhagens B.1.1.28 e B.1.1.33, as mais prevalentes circulando no Brasil naquele momento. \u201cA partir de outubro, com a acelera\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, a muta\u00e7\u00e3o E484K se espalhou pelo pa\u00eds, coincidindo com uma grande mudan\u00e7a no perfil de evolu\u00e7\u00e3o do Sars-CoV-2 no mundo\u201d, diz.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>Vinicius Ferreira (IOC\/Fiocruz)<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em>Fotos: Josu\u00e9 Damacena\/IOC\/Fiocruz<\/em><\/h6>\n<\/div><\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":20,"featured_media":33779,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"image","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[870,136,120,119,131,125,873,993,232],"class_list":["post-33777","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-coronavirus","tag-fiocruz","tag-fiocruz-amazonia","tag-ilmd","tag-ilmdfiocruz-amazonia","tag-pesquisa","tag-sars-cov-2","tag-spike-s","tag-virus","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=33777"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33790,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33777\/revisions\/33790"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/33779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=33777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=33777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=33777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}