{"id":31900,"date":"2020-07-03T17:26:46","date_gmt":"2020-07-03T21:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=31900"},"modified":"2020-07-03T17:26:46","modified_gmt":"2020-07-03T21:26:46","slug":"debate-da-fiocruz-reune-intelectuais-indigenas-e-lanca-chamadas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=31900","title":{"rendered":"Debate da Fiocruz re\u00fane intelectuais ind\u00edgenas e lan\u00e7a chamadas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por meio do Observat\u00f3rio Covid-19, a Fiocruz promoveu o debate virtual Povos ind\u00edgenas na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento: por uma sa\u00fade n\u00e3o silenciada. O encontro, que pode ser assistido no canal da Funda\u00e7\u00e3o no YouTube, reuniu pesquisadores da Fiocruz e intelectuais ind\u00edgenas. Estes apresentaram suas trajet\u00f3rias acad\u00eamicas e no mundo da pesquisa e comentaram os muitos percal\u00e7os que ainda precisam superar. A atividade teve o apoio da Vice-Presid\u00eancia de Ambiente, Aten\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade (VPAAPS\/Fiocruz) e integra o projeto Vozes Ind\u00edgenas na Produ\u00e7\u00e3o do Conhecimento, que se originou a partir de um di\u00e1logo entre intelectuais ind\u00edgenas de diversas regi\u00f5es do Brasil e pesquisadores da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica (Ensp\/Fiocruz). O objetivo \u00e9 dar visibilidade ao conhecimento produzido por pesquisadoras e pesquisadores ind\u00edgenas, envolv\u00ea-los nos eventos tecno-cient\u00edficos, estimular trabalhos conjuntos e a circula\u00e7\u00e3o de ideias e reflex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evento marcou o lan\u00e7amento de duas chamadas p\u00fablicas voltadas para pesquisadores ind\u00edgenas de toda a Am\u00e9rica Latina que sejam autores principais dos trabalhos. Co-autores podem ser n\u00e3o-ind\u00edgenas. As chamadas tamb\u00e9m buscam contribui\u00e7\u00f5es que versem sobre a viv\u00eancia dos povos ind\u00edgenas no contexto da Covid-19. O objetivo das chamadas \u00e9 reunir contribui\u00e7\u00f5es que deem visibilidade \u00e0s m\u00faltiplas especificidades inerentes \u00e0s realidades s\u00f3cio-territoriais de cada povo, com \u00eanfase nas complexas inter-rela\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais e pol\u00edticas com a sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ambas as chamadas podem ser enviadas contribui\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas e l\u00ednguas ind\u00edgenas (maternas, nativas ou origin\u00e1rias), desde que contem com a tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas. Al\u00e9m das chamadas, durante o evento houve ainda o lan\u00e7amento de uma s\u00e9rie de curtas sob o t\u00edtulo Vozes ind\u00edgenas do territ\u00f3rio \u00e0 academia, produzido em uma parceria da VideoSa\u00fade\/Fiocruz com a Canoa Produ\u00e7\u00f5es que apresenta as trajet\u00f3rias de ind\u00edgenas acad\u00eamicos e suas carreiras na universidade e na doc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora da Ensp e coordenadora do GT de Sa\u00fade Ind\u00edgena da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) Ana L\u00facia Pontes, que faz parte da coordena\u00e7\u00e3o da iniciativa, abriu o evento virtual lembrando que o projeto surgiu entre pesquisadores da Fiocruz e da Abrasco, em articula\u00e7\u00e3o com profissionais de outras institui\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m atuam nas \u00e1reas de antropologia e sa\u00fade ind\u00edgena. O intuito \u00e9 valorizar e dar visibilidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do conhecimento de pesquisadores ind\u00edgenas e abrir caminhos para que participem de eventos cient\u00edficos na \u00e1rea de sa\u00fade coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida ela apresentou o primeiro dos v\u00eddeos exibidos durante o debate, no qual a pesquisadora Braulina Aurora Baniwa conta a sua trajet\u00f3ria no mestrado na UnB e na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Ela narrou os muitos obst\u00e1culos que os ind\u00edgenas precisam superar para chegar (e permanecer) na academia. \u201cAinda somos vistos por muitos como in\u00fateis. N\u00e3o reconhecem o nosso potencial. Tamb\u00e9m n\u00e3o somos apenas uma sociedade ind\u00edgena, mas v\u00e1rias. Somos 300 povos e 380 l\u00ednguas. Apesar das dificuldades, estamos abrindo portas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pesquisador Ricardo Ventura Santos, da Ensp e do Museu Nacional\/UFRJ, disse em seguida que \u00e9 importante amplificar as vozes dos povos ind\u00edgenas. Ele louvou a iniciativa, que permitiu pensar em chamadas que ter\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o de intelectuais ind\u00edgenas, algo improv\u00e1vel at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s. Segundo ele, na \u00faltima d\u00e9cada houve um importante avan\u00e7o, no ensino superior, de alunos vindos de povos ind\u00edgenas, o que agora come\u00e7a a se refletir em disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e teses de doutorado. \u201cDiante desse avan\u00e7o podemos come\u00e7ar a olhar para o futuro com altivez e esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vice-presidente de Ensino, Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, afirmou em sua interven\u00e7\u00e3o que \u201co tema \u00e9 necess\u00e1rio e relevante e re\u00fane pesquisadores de variadas unidades da Funda\u00e7\u00e3o que trabalham em articula\u00e7\u00e3o com os povos ind\u00edgenas\u201d. Ela elogiou a qualidade dos v\u00eddeos produzidos e disse que \u201cesses povos precisam ser sujeitos e vocalizar seus direitos, al\u00e9m de manifestar suas especificidades, como o direito ao territ\u00f3rio, a defesa da natureza, a luta pelas florestas e pela preserva\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria e da sua mem\u00f3ria. Sem d\u00favida eles t\u00eam muito a nos ensinar, sobretudo neste momento de crise sanit\u00e1ria e humanit\u00e1ria sem precedentes pelo qual o planeta vem passando\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo ap\u00f3s a participa\u00e7\u00e3o da vice-presidente houve a exibi\u00e7\u00e3o de um novo v\u00eddeo, com a mestranda em sociologia Urawive Suru\u00ed. Segundo ela, seu projeto acad\u00eamico tem como proposta contar a experi\u00eancia dos suru\u00ed para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, refletindo o conhecimento social desse povo. Ap\u00f3s o v\u00eddeo, Inara do Nascimento Tavares, do Instituto Insikiran de Forma\u00e7\u00e3o Superior Ind\u00edgena, disse em sua interven\u00e7\u00e3o que a universidade, para os ind\u00edgenas, \u00e9 mais um espa\u00e7o de luta, para o qual os povos ind\u00edgenas levam seus corpos, seus sonhos e suas cores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O doutorando em direito Dinamam Tux\u00e1, da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil, observou que reunir as lideran\u00e7as intelectuais ind\u00edgenas \u00e9 fundamental para que alcancem o objetivo de democratizar o espa\u00e7o acad\u00eamico. \u201cE nossas pesquisas tamb\u00e9m contribuem para a divulga\u00e7\u00e3o e maior dissemina\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais. \u00c9 necess\u00e1rio quebrar o paradigma de que apenas o conhecimento europeu \u00e9 v\u00e1lido e cient\u00edfico. No mundo de hoje \u00e9 inadmiss\u00edvel que se duvide da capacidade intelectual dos nossos povos. Infelizmente, mesmo na universidade, que deveria ser mais aberta e inclusiva, ainda percebemos esse preconceito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Nita Tux\u00e1, da Articula\u00e7\u00e3o Brasileiras dos (as) Psic\u00f3logos (as) Ind\u00edgenas, disse que a discrimina\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas \u201cgera sofrimento e nos faz lutar diariamente por nossos direitos\u201d. Para ela, \u201ca escolariza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma arma de luta, visando transformar uma ci\u00eancia colonizadora e abrir espa\u00e7o para a diversidade de conhecimento. Precisamos de uma ci\u00eancia acolhedora e inclusiva. E o nosso desafio \u00e9 tamb\u00e9m o de traduzir para os nossos povos o conhecimento que adquirimos\u201d. Nita listou alguns dos problemas enfrentados pelos ind\u00edgenas, como a viola\u00e7\u00e3o de direitos, a invas\u00e3o de terras, o garimpo e o desmatamento ilegal. \u201cOs ind\u00edgenas passaram muito tempo silenciados. N\u00e3o mais. Esse tempo ficou para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e1rio Nic\u00e1cio, da Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (Coiab), afirmou estar havendo uma contamina\u00e7\u00e3o em massa de ind\u00edgenas pela Covid-19. \u201cE esse cen\u00e1rio desolador est\u00e1 destruindo grande parte de nossas enciclop\u00e9dias vivas, os anci\u00e3os ind\u00edgenas. \u00c9 uma perda incalcul\u00e1vel e irrepar\u00e1vel\u201d. Segundo Nic\u00e1cio, os povos ind\u00edgenas buscam n\u00e3o ser mais identificados como objetos, e sim autores, sujeitos soberanos que pensam, refletem, criam, pesquisam, lecionam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima interven\u00e7\u00e3o foi de Jozil\u00e9ia Daniza Kaigang, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Ela disse que o evento representa \u201cn\u00f3s falando por n\u00f3s\u201d. A professora afirmou que tem aumentado significativamente a qualidade da pesquisa feita por ind\u00edgenas, que muitas vezes est\u00e1 ligada \u00e0 ancestralidade e \u00e0 conex\u00e3o com o territ\u00f3rio. \u201cSomos diversidade e pluralidade e temos m\u00faltiplas possibilidades para caminhar na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento\u201d, disse. Junto com a interven\u00e7\u00e3o de Jozil\u00e9ia ocorreu a exibi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo da advogada Simone Terena, pesquisadora na \u00e1rea de viol\u00eancia contra a mulher ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CHAMADAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para participar das chamadas, os autores ind\u00edgenas precisam submeter os trabalhos at\u00e9 30 de agosto, pelo e-mail vozes.indigenas.fiocruz@gmail.com, seguindo as orienta\u00e7\u00f5es dos editais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/bvs.saudeindigena.icict.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/lamina_L1_corpo_territ%C3%B3rio.pdf\">Chamada 1: &#8220;Corpo, Territ\u00f3rio, Sa\u00fade e Exist\u00eancia\/Resist\u00eancia dos Povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina&#8221;<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/bvs.saudeindigena.icict.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Chamada_Sa%C3%BAdeSilenciada.pdf\">Chamada 2: &#8220;Diversidade de Vozes dos Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas: Sa\u00fade Silenciada&#8221;<\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Ag\u00eancia Fiocruz de Not\u00edcias, por Ricardo Valverde <\/em><\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio do Observat\u00f3rio Covid-19, a Fiocruz promoveu o debate virtual Povos ind\u00edgenas na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento: por uma sa\u00fade n\u00e3o silenciada. 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