{"id":31743,"date":"2020-06-19T19:39:02","date_gmt":"2020-06-19T23:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=31743"},"modified":"2020-06-19T19:39:02","modified_gmt":"2020-06-19T23:39:02","slug":"covid-19-especialistas-falam-do-papel-de-instituicoes-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=31743","title":{"rendered":"Covid-19: especialistas falam do papel de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Era 30 de janeiro de 2020. O mundo tomava conhecimento dos primeiros estragos que o novo coronav\u00edrus causava em alguns pa\u00edses. Sem nenhum caso identificado, no entanto, o Brasil ainda parecia longe do turbilh\u00e3o que hoje, quatro meses depois, j\u00e1 matou mais de 40 mil pessoas por aqui. Foi nessa data que, junto com outras institui\u00e7\u00f5es, a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) participou de uma reuni\u00e3o convocada pela Secretaria de Ci\u00eancia, Tecnologia e Insumos Estrat\u00e9gicos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em que, antecipando-se ao cen\u00e1rio que estava por vir, assumiu a responsabilidade de produzir nacionalmente os testes de Covid-19 por PCR, tecnologia que garante um resultado mais seguro. \u201cA Fiocruz foi a \u00fanica que aceitou o desafio porque n\u00f3s t\u00ednhamos o teste para biologia molecular no nosso portf\u00f3lio de produtos\u201d, conta Marco Krieger, vice-presidente de Produ\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que havia pressa, todo mundo j\u00e1 sabia. Mas o tamanho do problema &#8211; e, consequentemente, o volume de demanda &#8211; ainda era muito subestimado naquele momento. O resultado \u00e9 que, num tempo recorde, de menos de um m\u00eas, a Fiocruz produziu o prot\u00f3tipo do kit diagn\u00f3stico, seguindo o que estava sendo preconizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas) e, em fevereiro, antes de se reconhecer o primeiro caso no Brasil, pouco menos de mil testes foram produzidos e distribu\u00eddos, principalmente para os laborat\u00f3rios de refer\u00eancia. Mar\u00e7o chegou e, embora a quantidade de infectados no pa\u00eds ainda fosse pequena, o \u201cconhecimento cient\u00edfico apontou que t\u00ednhamos uma situa\u00e7\u00e3o bem mais grave\u201d, como explica Krieger.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tardou para que, em meados daquele mesmo m\u00eas, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recomendasse testagem massiva como meio de controlar o que, \u00e0quela altura, j\u00e1 era considerada uma pandemia. \u201cEm menos de um m\u00eas, a gente saiu de uma produ\u00e7\u00e3o de antecipa\u00e7\u00e3o e preparo para uma realidade em que os kits se tornaram ferramenta de testagem massiva\u201d, relata Krieger, informando que, a essa altura, a pactua\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi a produ\u00e7\u00e3o de 220 mil testes. Para encurtar a hist\u00f3ria, no final de mar\u00e7o essa meta subiu para 1 milh\u00e3o de testes e, hoje, est\u00e1 em 11,6 milh\u00f5es, que devem ser entregues at\u00e9 setembro. At\u00e9 o momento em que esta reportagem foi finalizada, j\u00e1 tinham sido entregues 4,9 milh\u00f5es. Para se ter uma ideia do que isso significa, antes da pandemia, a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de testes moleculares da institui\u00e7\u00e3o era de menos de 1 milh\u00e3o por ano. \u201cHoje todos os testes de PCR registrados produzidos no Brasil v\u00eam da Fiocruz\u201d, resume o vice-presidente, esclarecendo que os governos complementaram essa produ\u00e7\u00e3o com compras no exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importar materiais e equipamentos de sa\u00fade, no entanto, n\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil. S\u00e3o fartas as not\u00edcias sobre a alta dos pre\u00e7os, o desabastecimento e a concorr\u00eancia internacional, que v\u00eam se tornando um obst\u00e1culo a mais no combate \u00e0 Covid-19. E foi exatamente esse cen\u00e1rio que acendeu o debate sobre o grau de depend\u00eancia externa do pa\u00eds nessa \u00e1rea e a import\u00e2ncia de se fomentar a produ\u00e7\u00e3o nacional. Como o Portal EPSJV\/Fiocruz tem acompanhado com uma s\u00e9rie de reportagens, essa frente prev\u00ea a\u00e7\u00f5es de curto e longo prazo: um processo de reconvers\u00e3o produtiva que coloque emergencialmente as empresas de outros produtos a servi\u00e7o da fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos e insumos para a sa\u00fade e um investimento mais estrutural tanto no fortalecimento da ind\u00fastria quanto no desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que antecede a produ\u00e7\u00e3o. E, em ambas as pontas, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino e pesquisa do pa\u00eds t\u00eam papel fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papel das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vice-presidente da Fiocruz explica que, mesmo com a amplia\u00e7\u00e3o dos laborat\u00f3rios e intensifica\u00e7\u00e3o dos turnos de trabalho, tudo isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque j\u00e1 havia experi\u00eancia e conhecimento acumulado na institui\u00e7\u00e3o. \u201cNosso primeiro projeto de diagn\u00f3stico molecular \u00e9 fruto de desenvolvimento tecnol\u00f3gico nacional\u201d, orgulha-se. No contexto do projeto Hemorrede, todas as bolsas de sangue doadas diariamente s\u00e3o, segundo Krieger, testadas com produtos feitos na Funda\u00e7\u00e3o. Eles foram sendo \u201cmelhorados\u201d e passaram a poder ser usados para detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV, da hepatite B e outros, al\u00e9m do diagn\u00f3stico diferencial de dengue, zika e chikungunya. Quando a pandemia chegou por aqui, segundo Krieger, a institui\u00e7\u00e3o estava estudando uma nova linha de kits que diagnosticasse a mal\u00e1ria. \u201cA resposta mais abrangente do complexo da sa\u00fade para enfrentar o coronav\u00edrus est\u00e1 sendo a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de testes por parte da Fiocruz, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel fazer quando a gente tem capacidade tecnol\u00f3gica e, sobretudo, uma vis\u00e3o do Complexo Econ\u00f4mico-Industrial da Sa\u00fade no Brasil\u201d, opina o coordenador de A\u00e7\u00f5es de Prospec\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o, Carlos Gadelha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele defende que, no debate sobre a capacidade produtiva para atender ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e reduzir a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas t\u00eam dois pap\u00e9is principais. O primeiro, diz, \u00e9 \u201csair de um padr\u00e3o de absor\u00e7\u00e3o de tecnologia para um de melhoria [tecnol\u00f3gica] e inova\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cTemos que deixar de ser s\u00f3 incorporadores de tecnologia e passarmos a criar tecnologias que se adequem \u00e0s necessidades sociais\u201d, argumenta. J\u00e1 o segundo \u00e9 assumir um lugar no Complexo Econ\u00f4mico-Industrial da Sa\u00fade, como \u201cformadoras e qualificadoras\u201d do processo produtivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mat\u00e9ria publicada na Folha de S. Paulo no dia 14 de junho destaca o papel de duas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas &#8211; a pr\u00f3pria Fiocruz e o Instituto Butantan, ligado ao governo estadual de S\u00e3o Paulo &#8211; na produ\u00e7\u00e3o da vacina contra a Covid-19, quando ela for descoberta e estiver aprovada para uso. Segundo o texto, a f\u00e1brica de vacinas da Fiocruz, Bio-Manguinhos, ter\u00e1 capacidade para ofertar 40 milh\u00f5es de doses por m\u00eas. E isso sem afetar a produ\u00e7\u00e3o de outras vacinas importantes que j\u00e1 s\u00e3o de responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o, como febre amarela e tr\u00edplice viral, importante especialmente por conta do sarampo. J\u00e1 o Butantan, de acordo com a reportagem, teria condi\u00e7\u00f5es de chegar a 30 milh\u00f5es de doses num intervalo de cerca de dois meses. \u201cFica a li\u00e7\u00e3o para n\u00e3o deixar de lado o investimento nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Vacinas s\u00e3o estrat\u00e9gicas para o pa\u00eds e s\u00e3o quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional\u201d, defendeu o diretor de Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00e7\u00f5es emergenciais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a emerg\u00eancia trazida pela Covid-19 mostrou que sobram institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas com capacidade para tentar inovar e contribuir com a produ\u00e7\u00e3o interna. O que falta, de fato, \u00e9 um investimento do tamanho do desafio que o pa\u00eds enfrenta &#8211; e que n\u00e3o se encerra com o controle da pandemia.\u00a0 Foram v\u00e1rias as iniciativas de universidades, institutos federais e outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa que criaram solu\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es para minimizar a falta de equipamentos, materiais e insumos para o enfrentamento da pandemia. Reconhecendo a excepcionalidade de uma pandemia como a que estamos vivendo, o esfor\u00e7o tem sido promover a a\u00e7\u00e3o emergencial e incentivar o investimento de longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo \u00e9 o edital de \u2018Enfrentamento \u00e0 Covid\u2019 lan\u00e7ado pelo Conselho Nacional das Institui\u00e7\u00f5es da Rede Federal de Educa\u00e7\u00e3o Profissional, Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica (Conif), que destinou mais de R$ 6 milh\u00f5es em recursos da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Profissional e Tecnol\u00f3gica (Setec), do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), a projetos inovadores que oferecessem respostas \u00e0s demandas da pandemia. Cada institui\u00e7\u00e3o da Rede pode concorrer com at\u00e9 quatro projetos no valor total m\u00e1ximo de R$ 500 mil. O resultado foi divulgado em 15 de maio e o prazo final para execu\u00e7\u00e3o dos projetos \u00e9 dezembro deste ano. At\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria, o dinheiro n\u00e3o tinha chegado aos Institutos. \u201cA gente fez uma chamada interna de quem tinha interesse para selecionar os melhores projetos que realmente fossem vi\u00e1veis e que pudessem ser utilizados n\u00e3o s\u00f3 agora, mas que tamb\u00e9m tivessem um uso p\u00f3s-pandemia\u201d, conta Chirlaine Gon\u00e7alves, pr\u00f3-reitora de pesquisa e extens\u00e3o do Instituto Federal de Sergipe (IFS), que teve quatro projetos aprovados no edital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mat\u00e9ria publicada no site do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em 3 de abril informa que a pasta destinou R$ 24,8 milh\u00f5es para que a educa\u00e7\u00e3o profissional e tecnol\u00f3gica se \u201csomasse\u201d \u00e0 a\u00e7\u00e3o das universidades na produ\u00e7\u00e3o de equipamentos e insumos. Segundo a Setec, desse total, R$ 16,3 milh\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o em execu\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m de acordo com a Secretaria, todos os Institutos Federais, Cefets\u00a0 o Col\u00e9gio Pedro II, que comp\u00f5em a Rede Federal, receberam os recursos. A defini\u00e7\u00e3o de valores se deu a partir de proposta apresentada pelo Conif, \u201cconsiderando circunst\u00e2ncias regionais e capacidade de execu\u00e7\u00e3o de cada institui\u00e7\u00e3o\u201d. O texto publicado no site tamb\u00e9m informa que foram repassados R$ 127,8 milh\u00f5es para 32 universidades federais e outros R$ 60 milh\u00f5es seriam ainda transferidos, \u201ca pedido\u201d. A reportagem entrou em contato com o minist\u00e9rio, via assessoria de imprensa, para esclarecer a lista de entidades contempladas, os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o e a encomenda feita pelo governo, mas, nesse caso, n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num site que monitora a atua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es federais de ensino em meio \u00e0 pandemia, o MEC lista 1.649 a\u00e7\u00f5es realizadas, atingindo mais de 27 milh\u00f5es de pessoas &#8211; segundo dados consultados no dia 15 de junho. Nem todas essas iniciativas s\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o, desenvolvimento tecnol\u00f3gico ou produ\u00e7\u00e3o de equipamentos, insumos e outros materiais. Mesmo assim, \u00e9 significativo o card\u00e1pio de medidas que foram organizadas emergencialmente por universidades p\u00fablicas e institutos federais, muitas vezes de forma espont\u00e2nea e com recursos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse foi o caso do Instituto Federal de Sergipe, que, segundo a pr\u00f3-reitora, mesmo antes de ter quatro projetos aprovados no edital do Conif e de receber outros R$ 240 mil da Setec\/MEC para fortalecimento das a\u00e7\u00f5es, j\u00e1 tinha investido mais de R$ 400 mil do seu or\u00e7amento na produ\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras, \u00e1lcool gel, sabonete, protetores faciais e outros materiais que est\u00e3o sendo fabricados no pr\u00f3prio IF. Ainda no in\u00edcio da pandemia, o IFS lan\u00e7ou um edital interno para fomentar a produ\u00e7\u00e3o de insumos que ajudassem a combater a Covid-19. O resultado, segundo Chirlaine, foi a fabrica\u00e7\u00e3o\u00a0 &#8211; e doa\u00e7\u00e3o &#8211; de mais de 6 mil litros de \u00e1lcool gel, al\u00e9m de sabonete, \u00e1gua sanit\u00e1ria, aventais e m\u00e1scaras &#8211; estas \u00faltimas ultrapassaram a marca de 21 mil unidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Instituto, naturalmente, n\u00e3o tem uma planta fabril, mas, utilizando as impressoras 3D e os cortadores a laser que no dia-a-dia servem de apoio \u00e0s atividades de ensino e pesquisa, o IFS produziu mais de 8 mil escudos faciais que foram doados a profissionais de sa\u00fade do estado, atendendo diretamente \u00e0 car\u00eancia de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual que se tornou um problema extra no combate \u00e0 Covid-19. Pela an\u00e1lise da demanda e da capacidade prevista, a meta original eram 7 mil. Como foi ultrapassada, a produ\u00e7\u00e3o continua, mas \u201cbem mais leve\u201d, como define a pr\u00f3-reitora, com algo em torno de 20%. \u201cEra um material de urg\u00eancia naquele momento\u201d, explica Chirlaine, contando que, durante 45 dias, profissionais, volunt\u00e1rios e bolsistas da institui\u00e7\u00e3o se alternaram no trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana. Cerca de metade da produ\u00e7\u00e3o foi entregue \u00e0 Secretaria Estadual de Sa\u00fade, enquanto a outra parte era distribu\u00edda a profissionais de sa\u00fade de outras estruturas, como pres\u00eddios e tribunais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As m\u00e1quinas &#8211; que n\u00e3o t\u00eam porte industrial &#8211; estavam instaladas no laborat\u00f3rio de inova\u00e7\u00e3o do IFS, mas foram refor\u00e7adas pelo empr\u00e9stimo de impressoras de outros campi e, complementarmente, pelo servi\u00e7o \u2018terceirizado\u2019 de pequenas empresas parceiras que, chamadas pelo projeto \u2018Cuidar\u2019, de autoria de uma professora do instituto, apoiaram a produ\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria. Chirlaine conta que, para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool, sabonete e desinfetantes, foi montada uma estrutura ao ar livre para servir de laborat\u00f3rio de qu\u00edmica, que contou com o trabalho principalmente de servidores, professores e outros profissionais. J\u00e1 a fabrica\u00e7\u00e3o dos escudos faciais se deu, especialmente, com a atua\u00e7\u00e3o de alunos bolsistas. Ainda que em quantidade muito menor, as impressoras 3D e o trabalho dos t\u00e9cnicos do instituto contribu\u00edram tamb\u00e9m com o conserto de ventiladores pulmonares do estado. Segundo a pr\u00f3-reitora, a institui\u00e7\u00e3o ofereceu apoio na produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as a um grupo de engenheiros el\u00e9tricos que estavam tentando recuperar respiradores engui\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estrutura semelhante foi aproveitada pelo Instituto Federal Fluminense (IFF) para montar um \u201cparque de produ\u00e7\u00e3o 3D\u201d voltado \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de protetores faciais e laringosc\u00f3pios, que s\u00e3o instrumentos utilizados no processo de intuba\u00e7\u00e3o dos pacientes mais graves. A produ\u00e7\u00e3o nesse caso foi pequena &#8211; cerca de 15 unidades at\u00e9 agora, feitas sob demanda. Nesse caso, o trabalho est\u00e1 sendo desenvolvido em parceria com a Escola de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que, tamb\u00e9m junto com o Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, criou um modelo adaptado que, segundo Henrique da Hora,\u00a0 diretor de inova\u00e7\u00e3o do Instituto, barateia o processo e torna a intuba\u00e7\u00e3o mais segura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos protetores faciais, s\u00f3 at\u00e9 o final de maio haviam sido constru\u00eddos 5,2 mil. Mas a produ\u00e7\u00e3o continua, com uma m\u00e9dia de 70 unidades por dia. Especificamente para esses equipamentos, o IFF contou com a doa\u00e7\u00e3o de material de uma termel\u00e9trica e outras empresas menores locais. Al\u00e9m disso, aproveitando a capilaridade que os Institutos Federais t\u00eam, em fun\u00e7\u00e3o da sua presen\u00e7a em todos os estados, e n\u00e3o apenas nas capitais, e da sua organiza\u00e7\u00e3o em rede, o IFF se responsabilizou pela montagem e distribui\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de outros 5 mil protetores faciais cujas hastes foram produzidas pelo Instituto Polit\u00e9cnico da Uerj Nova Friburgo, que tem um polo mec\u00e2nico e consegue fabricar um a cada 20 segundos &#8211; enquanto, na impressora 3D, o IFF leva cerca de 40 minutos. De acordo com o diretor de inova\u00e7\u00e3o, esse material j\u00e1 foi distribu\u00eddo para entidades parceiras de outros estados, como Esp\u00edrito Santo e Minas Gerais. \u201cA gente recebe a haste que \u00e9 o mais complexo, monta e entrega\u201d, resume.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma cooperativa de produtores de \u00e1lcool da regi\u00e3o tamb\u00e9m doou 5 mil litros de \u00e1lcool 70, que o Instituto fracionou e envasou para distribui\u00e7\u00e3o. Aproveitando outra doa\u00e7\u00e3o, dessa vez de \u00e1lcool 89 de uma cacha\u00e7aria, o IFF colocou seus profissionais da \u00e1rea de qu\u00edmica em a\u00e7\u00e3o para diluir o material e transform\u00e1-lo em \u00e1lcool 70. Por fim, um sindicato da regi\u00e3o forneceu recursos para a produ\u00e7\u00e3o de sabonete l\u00edquido, que tamb\u00e9m est\u00e1 sendo doado. Parte dos recursos da Setec\/MEC que devem chegar em breve ser\u00e1 aplicada, segundo Henrique, na fabrica\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool gel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia mais em: <a href=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/covid-19-especialistas-falam-do-papel-de-instituicoes-publicas\">https:\/\/agencia.fiocruz.br\/covid-19-especialistas-falam-do-papel-de-instituicoes-publicas<\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em><strong>C\u00e1tia Guimar\u00e3es (EPSJV\/Fiocruz)<\/strong><\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 30 de janeiro de 2020. O mundo tomava conhecimento dos primeiros estragos que o novo coronav\u00edrus causava em alguns pa\u00edses. Sem nenhum caso identificado, no entanto, o Brasil ainda parecia longe do turbilh\u00e3o que hoje, quatro meses depois, j\u00e1 matou mais de 40 mil pessoas por aqui. 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