{"id":25238,"date":"2018-05-28T17:25:58","date_gmt":"2018-05-28T21:25:58","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=25238"},"modified":"2018-05-28T17:25:58","modified_gmt":"2018-05-28T21:25:58","slug":"castelo-da-fundacao-oswaldo-cruz-completa-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=25238","title":{"rendered":"Castelo da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz completa 100 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O maior s\u00edmbolo da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz est\u00e1 completando 100 anos em 2018. Idealizado pelo pr\u00f3prio cientista Oswaldo Cruz, que desenhou seus primeiros esbo\u00e7os, e projetado pelo arquiteto portugu\u00eas Luiz Moraes J\u00fanior, o Castelo Mourisco chega ao seu centen\u00e1rio tendo cumprido a miss\u00e3o desejada pelo patrono da Fiocruz, de ser o \u00edcone do desenvolvimento da ci\u00eancia e da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a presidente da Fiocruz, N\u00edsia Trindade Lima, al\u00e9m de ser um s\u00edmbolo da ci\u00eancia brasileira, o Pavilh\u00e3o Mourisco \u00e9 um monumento para expressar o car\u00e1ter permanente que deve ter a atividade de pesquisa voltada para a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas de sa\u00fade. \u201cO Castelo \u00e9 um s\u00edmbolo da maior import\u00e2ncia contempor\u00e2nea, quando afirmamos que os recursos aplicados em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o devem ser vistos como gasto e sim como investimento no futuro do pa\u00eds como na\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e inclusiva. \u00c9 tamb\u00e9m um s\u00edmbolo reconhecido pelos diferentes pa\u00edses com os quais a Fiocruz estabelece coopera\u00e7\u00e3o; um s\u00edmbolo de uma ci\u00eancia voltada para a sa\u00fade global, a justi\u00e7a e a paz\u201d, afirma N\u00edsia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor sua arquitetura singular, nos convida a uma reflex\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es entre arte, cultura e ci\u00eancia, um encontro que enriquece a experi\u00eancia de todos os que trabalham ou estudam na institui\u00e7\u00e3o, em suas diversas sedes no Rio de Janeiro e em outras cidades brasileiras, e de todos que levam consigo um pouco dela, seja por meio de resultados de pesquisa, cursos, vacinas, servi\u00e7os, enfim, um pouco deste rico mosaico chamado Fiocruz\u201d, completa a presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC\/Fiocruz), unidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica respons\u00e1vel pela preserva\u00e7\u00e3o e da restaura\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico, ambiental e urban\u00edstico da Funda\u00e7\u00e3o, Paulo Elian reafirma a import\u00e2ncia do monumento. \u201cO Castelo Mourisco \u00e9 o maior s\u00edmbolo da Fiocruz e representa o \u00eaxito da ci\u00eancia brasileira, desta institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica centen\u00e1ria e reconhecida por suas grandes contribui\u00e7\u00f5es para o pa\u00eds. A comunidade da Fiocruz e a sociedade reconhecem esse s\u00edmbolo, seu valor cient\u00edfico e cultural. N\u00f3s da Casa temos sobre esse patrim\u00f4nio enorme responsabilidade na sua preserva\u00e7\u00e3o, pesquisa e uso social\u201d, destaca.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-25241 size-full\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/detalhes_castelo.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/detalhes_castelo.jpg 530w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/detalhes_castelo-300x199.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/detalhes_castelo-450x299.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAL\u00c1CIO DAS CI\u00caNCIAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constru\u00eddo entre 1905 e 1918, o Pavilh\u00e3o Mourisco foi erguido em uma colina na antiga fazenda de Manguinhos, de frente para a Ba\u00eda de Guanabara, para substituir as antigas e improvisadas instala\u00e7\u00f5es do Instituto Soroter\u00e1pico Federal, criado em 25 de maio de 1900. Principal edifica\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Arquitet\u00f4nico Hist\u00f3rico (NAHM) de Manguinhos \u2013 tamb\u00e9m composto hoje pelo pr\u00e9dio do Quinino ou Pavilh\u00e3o Figueiredo Vasconcellos, Cavalari\u00e7a, Pavilh\u00e3o do Rel\u00f3gio ou da Peste, Pombal ou Biot\u00e9rio para Pequenos Animais, Hospital Evandro Chagas e a Casa de Ch\u00e1\u00a0 \u2013 o \u201cPal\u00e1cio das Ci\u00eancias\u201d foi imaginado por Oswaldo Cruz para ser a sede do novo instituto, criado \u00e0 imagem do Instituto Pasteur, de Paris, reunindo a produ\u00e7\u00e3o de vacinas e rem\u00e9dios, a pesquisa cient\u00edfica e demais atividades ligadas \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA ideia era marcar a gest\u00e3o dele \u00e0 frente da Sa\u00fade P\u00fablica e a pr\u00f3pria presen\u00e7a da Sa\u00fade P\u00fablica nas a\u00e7\u00f5es do Brasil novo, republicano, com um Pal\u00e1cio das Ci\u00eancias. Uma edifica\u00e7\u00e3o suntuosa, n\u00e3o pelo luxo, mas pela sua express\u00e3o. Uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e monumental para ser importante e durar no tempo\u201d, afirma o arquiteto, urbanista e pesquisador do Departamento de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico (DPH) da Casa de Oswaldo Cruz, Renato Gama-Rosa, coordenador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Preserva\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural das Ci\u00eancias e da Sa\u00fade da COC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Renato Gama-Rosa, o estilo ecl\u00e9tico que define o Pavilh\u00e3o Mourisco teve tr\u00eas influ\u00eancias principais, ao longo de seus anos de constru\u00e7\u00e3o. A primeira foi o Pal\u00e1cio de Montsouris, em Paris, que Oswaldo Cruz conheceu quando estudou na Fran\u00e7a. Ali j\u00e1 estava marcada a presen\u00e7a da linguagem neo-mourisca, que vivia um momento de valoriza\u00e7\u00e3o no final do s\u00e9culo 19 na Europa. A segunda influ\u00eancia foi justamente o Castelo de Alhambra, em Granada, Espanha. \u201cNa biblioteca particular de Oswaldo Cruz tem um livro sobre a Alhambra, que ele comprou e provavelmente mostrou ao Luiz Moraes Jr. O arquiteto copiou os seus desenhos. Depois do livro de Alhambra, as obras do Castelo ganharam outra dimens\u00e3o\u201d, explica Renato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira principal influ\u00eancia, revelada mais recentemente, foi a sinagoga de Berlim, que inspirou outras sinagogas mundo afora e tamb\u00e9m as torres do Castelo do ent\u00e3o Instituto Oswaldo Cruz. \u201cAs torres do Castelo s\u00e3o c\u00f3pias fi\u00e9is das torres dessas sinagogas\u201d, diz Renato. Entre outras influ\u00eancias, Renato tamb\u00e9m destaca a presen\u00e7a da arquitetura de sa\u00fade da \u00e9poca. \u201cAs constru\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dessa \u00e9poca obedeciam \u00e0 planta em formato H para permitir a ventila\u00e7\u00e3o cruzada dos ambientes\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-25240 size-full\" src=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/castelo_materia_construcao.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/castelo_materia_construcao.jpg 530w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/castelo_materia_construcao-300x216.jpg 300w, https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/castelo_materia_construcao-450x324.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A CONSTRU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a constru\u00e7\u00e3o do Pavilh\u00e3o Mourisco foram utilizados vidros, telhas, revestimentos, m\u00e1rmores, ferros e lumin\u00e1rias importados da Europa. A maior parte do material chegava de barco, por meio de um cais instalado na Ba\u00eda de Guanabara, cujas \u00e1guas chegavam at\u00e9 onde hoje est\u00e1 a Avenida Brasil, inaugurada apenas em 1947. Ainda na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 20, o primeiro e o segundo pavimentos do Pavilh\u00e3o Mourisco foram ocupados por laborat\u00f3rios, enquanto seguiam as obras nos pavimentos superiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro, quarto e quinto pavimentos do Castelo, incluindo seu terra\u00e7o e suas torres, foram finalizados a partir de 1910. Em 1918, o museu e a biblioteca j\u00e1 estavam funcionando no terceiro andar e os trabalhos de ornamenta\u00e7\u00e3o do hall e do sal\u00e3o nobre da biblioteca foram conclu\u00eddos. Os equipamentos de laborat\u00f3rio e as instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, t\u00e9rmicas, telef\u00f4nicas e telegr\u00e1ficas tamb\u00e9m j\u00e1 haviam sido implementadas, caracterizando o Pavilh\u00e3o Mourisco como um dos edif\u00edcios de maior sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do pa\u00eds, incluindo um elevador que funciona at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO fato de o Instituto Oswaldo Cruz ter uma sede t\u00e3o robusta e t\u00e3o s\u00f3lida ajudou na pr\u00f3pria perenidade da institui\u00e7\u00e3o, com impacto para o desenvolvimento da ci\u00eancia e da sa\u00fade no pa\u00eds. Se n\u00e3o houvesse uma obra de maior vulto nas antigas instala\u00e7\u00f5es da fazenda de Manguinhos, talvez a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse tido o progresso que teve. Era como se desde o in\u00edcio o Castelo simbolizasse a institui\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Renato Gama-Rosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">USOS E CONSERVA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morto precocemente em 11 de fevereiro de 1917, Oswaldo Cruz n\u00e3o conseguiu ver o seu projeto conclu\u00eddo, mas o sonho de um \u201cPal\u00e1cio das Ci\u00eancias\u201d permaneceu vivo para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. O N\u00facleo Arquitet\u00f4nico Hist\u00f3rico de Manguinhos foi tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico em 1981. Desde a cria\u00e7\u00e3o da Casa de Oswaldo Cruz (COC\/Fiocruz), em 1986, o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural da Fiocruz est\u00e1 sob a sua guarda e responsabilidade. Segundo o arquiteto e pesquisador do Departamento de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico (DPH) da Casa de Oswaldo Cruz, a solidez do Castelo contribuiu para que n\u00e3o fossem necess\u00e1rias muitas obras de manuten\u00e7\u00e3o ao longo dos anos. O maior esfor\u00e7o foi justamente para rever algumas reformas que descaracterizaram o projeto original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs maiores interven\u00e7\u00f5es foram feitas para descaracteriz\u00e1-lo internamente, no per\u00edodo dos militares, nos anos 1970. Quando a Casa de Oswaldo Cruz surgiu foi para desfazer uma s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es mal feitas pelos militares na parte interna do Castelo, como fechamento de portas e v\u00e3os\u201d, afirma Renato, que aponta os terra\u00e7os e as torres como as \u00e1reas mais fr\u00e1geis do Pavilh\u00e3o Mourisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o Castelo Mourisco \u00e9 ocupado pela Presid\u00eancia da Fiocruz e seus setores administrativos, pelo Departamento de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico (DPH) da COC e pelo Instituto Oswaldo Cruz, unidade t\u00e9cnico-cient\u00edfica da Fiocruz. Al\u00e9m disso, o Castelo tamb\u00e9m abriga a Biblioteca de Obras Raras (imagem), sob a guarda do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnologia em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz), e tr\u00eas salas de mem\u00f3rias, em homenagem aos cientistas Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Costa Lima, que fazem parte do roteiro de visita\u00e7\u00e3o do Museu da Vida em Manguinhos. \u201cS\u00e3o alguns usos que a gente fez quest\u00e3o de preservar. Tem que ter usos simb\u00f3licos, mas compat\u00edveis com um monumento centen\u00e1rio deste porte\u201d, diz Renato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para manter os setores em funcionamento, com dezenas de pessoas ocupando diariamente o Pavilh\u00e3o Mourisco, a Casa de Oswaldo Cruz investiu, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, no setor de Educa\u00e7\u00e3o Patrimonial. O objetivo era incentivar os trabalhadores da Fiocruz a respeitar o patrim\u00f4nio da institui\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u201cO nosso desafio, desde a cria\u00e7\u00e3o da Casa de Oswaldo Cruz, \u00e9 justamente conciliar o uso com a quest\u00e3o patrimonial. Por um lado o uso ajuda na conserva\u00e7\u00e3o e na manuten\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, mas por outro lado imp\u00f5e uma s\u00e9rie de medidas que n\u00e3o afetem os seus materiais originais. A gente teve que adotar o ar condicionado, por exemplo, para permitir o uso e o conforto de quem trabalha no Castelo. A gente faz um planejamento para que o uso seja poss\u00edvel, com o menor impacto poss\u00edvel\u201d, explica Renato.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>C\u00e9sar Guerra Chevrand (COC\/Fiocruz)<\/em><\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior s\u00edmbolo da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz est\u00e1 completando 100 anos em 2018. 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