{"id":24483,"date":"2018-04-13T21:39:21","date_gmt":"2018-04-13T21:39:21","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=24483"},"modified":"2018-04-13T21:39:21","modified_gmt":"2018-04-13T21:39:21","slug":"fiocruz-inova-no-diagnostico-molecular-de-febre-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=24483","title":{"rendered":"Fiocruz inova no diagn\u00f3stico molecular de febre amarela"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em resposta ao crescimento de casos de febre amarela, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade distribuiu, desde 2017, mais de 68 milh\u00f5es de doses da vacina aos estados brasileiros \u2013 s\u00e3o 52 milh\u00f5es de doses a mais do que o total distribu\u00eddo em 2016. Em mar\u00e7o de 2018, o Minist\u00e9rio anunciou que todo o territ\u00f3rio nacional ser\u00e1 \u00e1rea de recomenda\u00e7\u00e3o para vacina at\u00e9 abril de 2019, com previs\u00e3o de imunizar mais de 77 milh\u00f5es de pessoas. Medida central para preven\u00e7\u00e3o e controle da doen\u00e7a, a vacina \u00e9 considerada segura e apresenta efic\u00e1cia de 95% a 99%. Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos. Nesses casos pouco frequentes, ocorrem sintomas id\u00eanticos aos da infec\u00e7\u00e3o natural pelo v\u00edrus. Para distinguir a origem do caso \u00e9 necess\u00e1rio identificar, em laborat\u00f3rio, se o paciente apresenta o v\u00edrus selvagem \u2013 aquele em circula\u00e7\u00e3o num determinado local, transmitido pela picada de mosquitos \u2013 ou o v\u00edrus atenuado \u2013 que \u00e9 utilizado na produ\u00e7\u00e3o da vacina. Uma inova\u00e7\u00e3o em diagn\u00f3stico molecular idealizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) e desenvolvida em parceria com a Universidade de Bonn, da Alemanha, permite diferenciar com precis\u00e3o e mais agilidade se a origem do caso foi uma transmiss\u00e3o comum ou um evento adverso ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade foi desenvolvida pelo Laborat\u00f3rio de Flaviv\u00edrus do IOC\/Fiocruz, que atua como refer\u00eancia regional para febre amarela junto ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A virologista Ana Bispo idealizou o projeto a partir de uma demanda concreta. \u201cCriamos uma solu\u00e7\u00e3o que permite dar respostas mais r\u00e1pidas em termos de diagn\u00f3stico. Diante de um surto de febre amarela, a confirma\u00e7\u00e3o laboratorial \u00e9 uma ferramenta importante na defini\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de vigil\u00e2ncia da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e controle da doen\u00e7a\u201d, destacou a chefe do Laborat\u00f3rio de Flaviv\u00edrus. O m\u00e9todo diferencial, que utiliza a t\u00e9cnica de RT-PCR em tempo real, supera em muito a velocidade da tradicional t\u00e9cnica de sequenciamento gen\u00e9tico do v\u00edrus, atualmente dispon\u00edvel para a diferencia\u00e7\u00e3o entre v\u00edrus selvagem e v\u00edrus vacinal. Enquanto o sequenciamento pode variar de tr\u00eas a 15 dias, o novo protocolo de RT-PCR em tempo real leva de uma a duas horas. Al\u00e9m disso, pode ser conduzido por um profissional que domine as t\u00e9cnicas b\u00e1sicas de diagn\u00f3stico molecular, enquanto o m\u00e9todo de sequenciamento viral exige profissionais com capacita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para an\u00e1lise dos resultados do sequenciamento do material gen\u00e9tico do v\u00edrus. O desenvolvimento e a valida\u00e7\u00e3o do protocolo est\u00e3o descritos em um artigo publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico \u2018Emerging Infectious Diseases\u2019, publicado pelo Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos (CDC).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A metodologia de RT-PCR em tempo real \u00e9 baseada na identifica\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico do v\u00edrus em uma amostra. Para chegar a um teste preciso, os pesquisadores buscaram regi\u00f5es do genoma em que o v\u00edrus selvagem e a cepa vacinal s\u00e3o diferentes, o que permite a diferencia\u00e7\u00e3o entre ambos. Foram criados dois protocolos: o protocolo chamado de \u2018alvo \u00fanico\u2019 (quando h\u00e1 necessidade da realiza\u00e7\u00e3o de duas rea\u00e7\u00f5es separadas para detectar a presen\u00e7a do v\u00edrus selvagem e da cepa vacinal) e de \u2018alvo duplo\u2019 (quando a detec\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada em uma mesma rea\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O protocolo mostrou ser capaz de detectar o v\u00edrus selvagem e o v\u00edrus vacinal com alta sensibilidade e especificidade diagn\u00f3stica. \u201cUm ponto merece destaque: para garantir que n\u00e3o havia o risco de rea\u00e7\u00e3o cruzada, foram realizados experimentos com mais de 40 v\u00edrus diferentes durante o desenvolvimento do m\u00e9todo. Tivemos a grata surpresa de conseguir desenvolver um m\u00e9todo in\u00e9dito de alta sensibilidade, especificidade e r\u00e1pido para diferenciar v\u00edrus febre amarela selvagem e v\u00edrus vacinal\u201d, comemora a pesquisadora. Al\u00e9m disso, o procedimento permite quantificar a carga viral presente na amostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o procedimento est\u00e1 sendo aplicado no Laborat\u00f3rio de Flaviv\u00edrus do IOC para caracterizar o tipo de infec\u00e7\u00e3o em amostras de casos suspeitos de eventos adversos ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o. O protocolo tem potencial para contribuir especialmente na rotina de esclarecimento de casos suspeitos de eventos adversos \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o junto ao Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI). A pedido da Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Laborat\u00f3rios de Sa\u00fade P\u00fablica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (CGLAB), est\u00e1 em curso a produ\u00e7\u00e3o, em car\u00e1ter de prot\u00f3tipo, de um kit de insumos para uso no protocolo. Essa etapa est\u00e1 sendo realizada por meio de colabora\u00e7\u00e3o do IOC com o Instituto de Biologia Molecular do Paran\u00e1 (IBMP). A perspectiva \u00e9 de que, no futuro, os insumos possam ser utilizados na rede de Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacens), que atua no diagn\u00f3stico laboratorial de febre amarela. Para Andr\u00e9 Luiz de Abreu, da Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Laborat\u00f3rios de Sa\u00fade P\u00fablica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (CGLAB\/SVS\/MS), a novidade poder\u00e1 beneficiar a rotina de trabalho em todo o pa\u00eds. \u201cEssa \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o pensada por um Laborat\u00f3rio da rede para aperfei\u00e7oar o conjunto das atividades de diferencia\u00e7\u00e3o em diagn\u00f3stico da febre amarela. Existe potencial de agilizar o processo em todo o Brasil\u201d, avaliou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA exemplo da idealiza\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do desenvolvimento de um teste r\u00e1pido e sens\u00edvel capaz de diagnosticar simultaneamente Zika, dengue e chikungunya e hoje dispon\u00edvel na rede de Lacens, a nova proposta desenvolvida no Laborat\u00f3rio de Flaviv\u00edrus representa mais uma conquista importante para o diagn\u00f3stico laboratorial. Novamente, conseguimos obter uma solu\u00e7\u00e3o concreta para um desafio da rotina dos laborat\u00f3rios que lidam com o diagn\u00f3stico dessas doen\u00e7a\u201d, a virologista detalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo protocolo tem ainda mais um benef\u00edcio: oferece resultados conclusivos mesmo quando a amostra tem baixa concentra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Nesses casos, pode n\u00e3o ser poss\u00edvel realizar a an\u00e1lise tradicional diretamente a partir do material cl\u00ednico, sendo necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de uma etapa intermedi\u00e1ria para isolamento do v\u00edrus, que \u00e9 ent\u00e3o replicado em laborat\u00f3rio. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o se torna um problema na hip\u00f3tese de um paciente que tenha simultaneamente a infec\u00e7\u00e3o selvagem e a vacinal \u2013 um paciente, portanto, que \u00e9 picado por um mosquito com o v\u00edrus pouco antes ou pouco depois do momento em que foi vacinado, quando a imunidade provocada pela vacina\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi estabelecida. Nessa circunst\u00e2ncia, aumentam as chances de que, por conta da etapa intermedi\u00e1ria de isolamento viral, seja detectado apenas v\u00edrus presente em maior quantidade na amostra, apesar dos dois v\u00edrus estarem presentes. J\u00e1 o novo protocolo de RT-PCR em tempo real diferencial \u00e9 capaz de detectar ao mesmo tempo a presen\u00e7a dos dois v\u00edrus \u2013 mesmo que um deles esteja em concentra\u00e7\u00e3o mais baixa na amostra do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LABORAT\u00d3RIO DE FLAVIV\u00cdRUS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Laborat\u00f3rio de Flaviv\u00edrus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) atua regularmente desde a d\u00e9cada de 1990 no diagn\u00f3stico laboratorial de amostras de pacientes com suspeita da doen\u00e7a provenientes dos estados do Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo, Minas Gerais e Bahia. Tamb\u00e9m realiza an\u00e1lises de amostras de primatas desde 2014. Al\u00e9m disso, com o aumento do n\u00famero de casos suspeitos desde 2017, o laborat\u00f3rio tamb\u00e9m foi designado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para processar amostras do Cear\u00e1 e Rio Grande do Norte. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre junho de 2016 e junho de 2017, foram confirmados 777 casos e 261 \u00f3bitos por febre amarela no pa\u00eds. E de julho de 2017 a 03 de abril de 2018, j\u00e1 foram contabilizados 1.127 casos e 328 \u00f3bitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>IOC\/Fiocruz, por Lucas Rocha<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em resposta ao crescimento de casos de febre amarela, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade distribuiu, desde 2017, mais de 68 milh\u00f5es de doses da vacina aos estados brasileiros \u2013 s\u00e3o 52 milh\u00f5es de doses a mais do que o total distribu\u00eddo em 2016. 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