{"id":21615,"date":"2017-09-21T22:10:11","date_gmt":"2017-09-21T22:10:11","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=21615"},"modified":"2017-09-21T22:10:11","modified_gmt":"2017-09-21T22:10:11","slug":"estudo-aponta-que-dengue-aumenta-risco-a-vida-do-feto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=21615","title":{"rendered":"Estudo aponta que dengue aumenta risco \u00e0 vida do feto"},"content":{"rendered":"<p>A zika n\u00e3o \u00e9 mais a \u00fanica infec\u00e7\u00e3o por arbovirose a ser considerada letal para um beb\u00ea em desenvolvimento. Um estudo cient\u00edfico detectou que a dengue tamb\u00e9m pode representar um risco \u00e0 vida do feto. Ter dengue durante a gesta\u00e7\u00e3o quase dobra a probabilidade de um beb\u00ea nascer morto ou morrer durante o parto, enquanto a dengue severa aumentaria em cinco vezes as chances de um natimorto \u2013 nome dado \u00e0 morte do feto acima de 500g dentro do \u00fatero ou durante o parto.<\/p>\n<p>O achado, publicado na edi\u00e7\u00e3o de setembro do peri\u00f3dico <strong><em>The Lancet<\/em><\/strong>, foi obtido a partir da an\u00e1lise dos registros de sistemas de informa\u00e7\u00f5es brasileiros. Para chegar a tais resultados, os pesquisadores cruzaram os dados de mais de 162 mil natimortos e 1,5 milh\u00e3o de nascidos vivos, sendo que, desses, 275 natimortos e 1.507 nascidos vivos tinham sido expostos a dengue. Este \u00e9 o primeiro estudo realizado em larga escala a demonstrar a associa\u00e7\u00e3o. Apenas um estudo anterior, com uma pequena amostra de um hospital, indicou a rela\u00e7\u00e3o entre a infec\u00e7\u00e3o e natimorto.<\/p>\n<p>O artigo, intitulado <strong><em><a href=\"http:\/\/www.thelancet.com\/journals\/laninf\/article\/PIIS1473-3099%2817%2930366-3\/abstract\">Symtomatic dengue infection during pregnancy and the risk os stillbirth in Brazil, 2016-12: matched case-control study<\/a><\/em><\/strong>, contou com a autoria dos pesquisadores do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimento para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) Enny Paix\u00e3o, Mauricio Barreto, Maria Gl\u00f3ria Teixeira e Laura Rodrigues, em parceria com pesquisadores do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC\/UFBA), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da London School of Hygiene &amp; Tropical Medicine, no Reino Unido.<\/p>\n<p><strong>DADOS<\/strong><\/p>\n<p>O estudo foi realizado com dados obtidos entre dezembro de 2012 e janeiro de 2016 do Sistema de informa\u00e7\u00e3o de Nascimentos (Sinasc), Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Mortalidade (SIM) e Sistema Nacional de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise indicou que o risco de natimortos, entre todos os nascimentos registrados no per\u00edodo, foi de 11 por 100 nascidos vivos. J\u00e1 quando considerado apenas a amostra das m\u00e3es infectadas por dengue, a taxa de incid\u00eancia foi de 15 por 1.000. Quando considerada a gravidade da doen\u00e7a, a dengue severa aumenta o risco de natimorto em cinco vezes, cerca de tr\u00eas vezes mais que a dengue comum.<\/p>\n<p>Os mecanismos pelos quais a dengue causaria o nascimento de natimortos \u00e9 desconhecido, mas os pesquisadores apontam tr\u00eas hip\u00f3teses para explicar o fen\u00f4meno: os sintomas de dengue afetariam diretamente o feto; a dengue causaria mudan\u00e7as na placenta; ou o pr\u00f3prio v\u00edrus teria um efeito direto no beb\u00ea em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de, desde os anos 1980, o Brasil passar por sistem\u00e1ticas epidemias de dengue, a doen\u00e7a era considerada letal apenas quando atingia sua forma hemorr\u00e1gica, que agravava o quadro do infectado podendo levar a morte. No entanto, com a epidemia de anomalias cong\u00eanitas associadas \u00e0 zika ocorrida em 2015, a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica se voltou para os efeitos das infec\u00e7\u00f5es virais durante a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2015, cerca de 2.6 milh\u00f5es de beb\u00eas foram considerados natimortos no mundo. A estimativa \u00e9 que infec\u00e7\u00f5es virais, no geral, representam cerca de 14% de todos os \u00f3bitos fetais. Algumas infec\u00e7\u00f5es possuem forte evid\u00eancia cient\u00edfica de associa\u00e7\u00e3o com natimortos: s\u00edfilis, toxoplasmose, citomegalov\u00edrus e parvov\u00edrus B19.<\/p>\n<p>Confira no site da Fiocruz Bahia <a href=\"https:\/\/www.bahia.fiocruz.br\/dengue-grave-aumenta-em-cinco-vezes-as-chances-de-bebe-natimorto-diz-estudo\/\"><strong>entrevista com a autora principal do estudo<\/strong><\/a>, a pesquisadora do Cidacs Enny Paix\u00e3o, doutoranda da London School of Hygiene &amp; Tropical Medicine, em Londres.<\/p>\n<p><strong><em>Fiocruz Bahia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Foto: Fiocruz Imagens<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A zika n\u00e3o \u00e9 mais a \u00fanica infec\u00e7\u00e3o por arbovirose a ser considerada letal para um beb\u00ea em desenvolvimento. Um estudo cient\u00edfico detectou que a dengue tamb\u00e9m pode representar um risco \u00e0 vida do feto. 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