{"id":21101,"date":"2017-08-10T20:04:42","date_gmt":"2017-08-10T20:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=21101"},"modified":"2017-08-15T21:08:48","modified_gmt":"2017-08-15T21:08:48","slug":"estudo-sequencia-genoma-do-virus-zika-encontrado-em-culex","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=21101","title":{"rendered":"Estudo sequencia genoma do v\u00edrus zika encontrado em Culex"},"content":{"rendered":"<p>Profissionais da Fiocruz Pernambuco isolaram e sequenciaram, de forma in\u00e9dita no mundo, o genoma do v\u00edrus zika coletado no organismo de mosquitos do g\u00eanero Culex. Tamb\u00e9m pela primeira vez, foi fotografada, por meio de microscopia eletr\u00f4nica, a forma\u00e7\u00e3o de part\u00edculas virais na gl\u00e2ndula salivar do inseto. Essas conquistas, obtidas com o uso exclusivo das plataformas tecnol\u00f3gicas da Fiocruz Pernambuco, est\u00e3o descritas no artigo <em><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/emi\/journal\/v6\/n8\/full\/emi201759a.html?foxtrotcallback=true\">Zika virus replication in the mosquito Culex quinquefasciatus in Brazil<\/a><\/em>, publicado nesta quarta-feira (9\/8) na revista Emerging microbes &amp; infections, do grupo Nature.<\/p>\n<p>A equipe do Departamento de Entomologia da institui\u00e7\u00e3o detectou a presen\u00e7a do v\u00edrus em amostras naturais de Culex colhidas na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife e tamb\u00e9m comprovou em laborat\u00f3rio que esse v\u00edrus consegue se replicar no interior do mosquito e alcan\u00e7ar a gl\u00e2ndula salivar. Utilizando cart\u00f5es especiais para a coleta, foi comprovada a presen\u00e7a de part\u00edculas do v\u00edrus na saliva dos mosquitos, o que indica a possibilidade de transmiss\u00e3o ao picar uma pessoa. Para a coordenadora do estudo, Const\u00e2ncia Ayres, o artigo demonstra, \u201cde diversas formas diferentes\u201d, a possibilidade do Culex ser um dos vetores do v\u00edrus zika na cidade.<\/p>\n<p>O pesquisador Gabriel Wallau, que tamb\u00e9m integra a equipe, considera que esse artigo vem mostrar, \u201ccom dados consistentes\u201d, que o zika consegue se replicar dentro do organismo de Culex e que existem mosquitos dessa esp\u00e9cie infectados no campo. Respons\u00e1vel pelo sequenciamento do genoma, Gabriel explica que a cepa do v\u00edrus isolada de dois <em>pools<\/em> (grupos) de <em>C. quinquefasciatus<\/em> \u00e9 semelhante \u00e0 que foi previamente sequenciada, a partir de amostras humanas, pela equipe do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, em parceria com pesquisadores da Universidade de Glasgow (com <a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosntds\/article?id=10.1371\/journal.pntd.0005048\">artigo publicado<\/a> na revista <em>PLoS Neglected Tropical Diseases<\/em> em outubro de 2016). Ele destaca que o ineditismo de agora reside no fato do v\u00edrus ter sido obtido de amostras de mosquito.<\/p>\n<p>Para Gabriel, essa semelhan\u00e7a era esperada, pois trata-se de uma linhagem de v\u00edrus que estava circulando no estado. Mas o fato de terem sido encontradas muta\u00e7\u00f5es nas amostras corrobora a metodologia utilizada nas an\u00e1lises, mostrando que n\u00e3o houve contamina\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio. O pesquisador explica que os v\u00edrus de RNA de fita simples, como o zika, t\u00eam uma alt\u00edssima taxa de muta\u00e7\u00e3o e que j\u00e1 existem trabalhos na literatura cient\u00edfica reportando que a simples replica\u00e7\u00e3o desses v\u00edrus dentro do organismo, humano ou do mosquito, gera novas muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os resultados encontrados est\u00e3o servindo de base para o in\u00edcio de novos estudos. De um lado, na verifica\u00e7\u00e3o das muta\u00e7\u00f5es presentes nos genomas e se elas influenciam na capacidade de replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no organismo do mosquito. Por outro lado, agora que estabeleceu a compet\u00eancia do <em>Culex quinquefasciatus<\/em> como vetor do zika, o grupo parte para estudar a sua capacidade vetorial, ou seja, ser\u00e1 analisado o conjunto de suas caracter\u00edsticas fisiol\u00f3gicas e comportamentais, no ambiente natural, para entender o papel e a import\u00e2ncia dessa esp\u00e9cie na transmiss\u00e3o do v\u00edrus zika.<\/p>\n<p><strong>MAIS DETALHES DA PESQUISA<\/strong><\/p>\n<p>O estudo foi conduzido pela Fiocruz Pernambuco na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, onde a popula\u00e7\u00e3o do <em>Culex quinquefasciatus<\/em> \u00e9 cerca de vinte vezes maior do que a popula\u00e7\u00e3o de <em>Aedes aegypti<\/em>. Os resultados da pesquisa de campo apresentados no artigo mostram a presen\u00e7a de <em>Culex quinquefasciatus<\/em> infectados naturalmente pelo v\u00edrus zika em tr\u00eas pools (grupos) de mosquitos Culex (de um total de 270 pools) e dois pools de Aedes (de um total de 117). Em duas dessas amostras os mosquitos n\u00e3o estavam alimentados, demonstrando que o v\u00edrus estava disseminado no organismo do inseto e n\u00e3o em uma alimenta\u00e7\u00e3o recente num hospedeiro infectado. O v\u00edrus foi isolado dessas amostras e seu genoma foi sequenciado.<\/p>\n<p>Na etapa de laborat\u00f3rio, com o objetivo de investigar a compet\u00eancia vetorial das esp\u00e9cies <em>Culex quinquefasciatus <\/em>e <em>Aedes aegypti<\/em>, os mosquitos foram alimentados com uma mistura de sangue e v\u00edrus, permitindo o acompanhamento do processo de replica\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno dentro do inseto. Foram realizadas duas infec\u00e7\u00f5es de mosquitos, cada infec\u00e7\u00e3o com duas concentra\u00e7\u00f5es de v\u00edrus diferente (104 e 106). A menor simula a condi\u00e7\u00e3o de viremia de um paciente real. Depois os mosquitos foram coletados em diferentes momentos: no tempo zero (logo ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o), tr\u00eas dias, sete dias e 15 dias ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>Um grupo controle, com mosquitos alimentados com sangue sem o v\u00edrus, tamb\u00e9m foi mantido. Cada mosquito foi dissecado para a extra\u00e7\u00e3o do intestino e da gl\u00e2ndula salivar, tecidos que representam barreiras ao desenvolvimento do v\u00edrus. Se a esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 vetor, em determinado momento o desenvolvimento do v\u00edrus \u00e9 bloqueado pelo organismo do mosquito. No entanto, se ela \u00e9 vetor, a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus acontece, dissemina no corpo do inseto e acaba infectando a gl\u00e2ndula salivar, a partir da qual poder\u00e1 ser transmitido para outros hospedeiros durante a alimenta\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, pela libera\u00e7\u00e3o de saliva contendo v\u00edrus. Segundo Const\u00e2ncia, a partir do terceiro dia ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o artificial, j\u00e1 foi poss\u00edvel detectar a presen\u00e7a do v\u00edrus nas gl\u00e2ndulas salivares das duas esp\u00e9cies de mosquito investigadas. Ap\u00f3s sete dias, foi observado o pico de infec\u00e7\u00e3o nessas gl\u00e2ndulas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus nesses tecidos (intestino e gl\u00e2ndula salivar), foram investigadas amostras de saliva expelida pelos mosquitos infectados. A carga viral encontrada nas duas esp\u00e9cies estudadas (<em>Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus<\/em>) foi similar.<\/p>\n<p><em><strong>Fiocruz Pernambuco, por\u00a0Solange Argenta\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fonte: AFN<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais da Fiocruz Pernambuco isolaram e sequenciaram, de forma in\u00e9dita no mundo, o genoma do v\u00edrus zika coletado no organismo de mosquitos do g\u00eanero Culex. 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