{"id":20290,"date":"2017-05-23T20:40:27","date_gmt":"2017-05-23T20:40:27","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=20290"},"modified":"2017-05-23T20:40:27","modified_gmt":"2017-05-23T20:40:27","slug":"genoma-de-caramujo-causador-da-esquistossomose-e-sequenciado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=20290","title":{"rendered":"Genoma de caramujo causador da esquistossomose \u00e9 sequenciado"},"content":{"rendered":"<p>Um artigo publicado na Nature Communications, uma das mais influentes revistas cient\u00edficas, apresenta o sequenciamento do genoma do Biomphalaria glabrata, esp\u00e9cie de caramujo que \u00e9 o principal e mais importante hospedeiro do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose, doen\u00e7a que afeta 240 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. O estudo que deu origem ao artigo envolveu institui\u00e7\u00f5es de onze pa\u00edses, entre elas a Fiocruz Minas.<\/p>\n<p>O mapeamento fornece uma descri\u00e7\u00e3o completa acerca das caracter\u00edsticas do caramujo, incluindo informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 estrutura f\u00edsica do molusco e ainda \u00e0 forma como ele se comporta. Isso torna poss\u00edvel, por exemplo, entender como funciona os sistemas digestivo, respirat\u00f3rio, reprodutivo, entre outros, al\u00e9m de jogar luz sobre quest\u00f5es comportamentais, que podem explicar a forma de intera\u00e7\u00e3o entre o Biomphalaria glabrata e o ambiente. Ao todo, foram identificados 14.423 genes.<\/p>\n<p>\u201cA partir de agora, ser\u00e1 poss\u00edvel melhor entender e compreender a funcionalidade desse molusco e encontrar formas mais eficazes para control\u00e1-lo ou torn\u00e1-lo, se poss\u00edvel, um molusco resistente \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo S. mansoni. Talvez possamos entender como o mecanismo de defesa da B. glabrata permitiu que o parasita se adaptasse t\u00e3o bem a ele\u201d, afirma o pesquisador Omar dos Santos Carvalho, do Grupo de Helmintologia e Malacologia M\u00e9dica (HMM) da Fiocruz Minas.<\/p>\n<p>O estudo, que durou 15 anos, teve in\u00edcio na Fiocruz Minas, com a captura e caracteriza\u00e7\u00e3o dos caramujos, realizadas pelos pesquisadores Omar Carvalho, Roberta Caldeira e Jos\u00e9 Amorim da Silva. Nos laborat\u00f3rios da unidade, os caramujos foram submetidos a diferentes experimentos, visando assegurar que a esp\u00e9cie coletada era de fato a B. glabrata.<\/p>\n<p>\u201cFizemos a identifica\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica, ou seja, uma an\u00e1lise dos \u00f3rg\u00e3os internos de v\u00e1rios exemplares do caramujo e, para ampliar a confiabilidade, realizamos estudos moleculares para confirma\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie\u201d, explica a pesquisadora Roberta Caldeira, do Grupo de HMM. Segundo ela, os moluscos coletados foram ainda submetidos \u00e0 infec\u00e7\u00e3o com duas cepas de Schistosoma mansoni, j\u00e1 que uma caracter\u00edstica relevante da B. glabrata \u00e9 a alta taxa de infectividade.<\/p>\n<p>Os pesquisadores da Fiocruz tamb\u00e9m fizeram an\u00e1lise de dados gen\u00f4micos, prote\u00f4micos e transcrit\u00f4micos, bem como a Identifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas envolvidas na via de pequenos RNAs . Os resultados dessas metodologias de nomes complicados fornecem informa\u00e7\u00f5es importantes acerca da biologia do caramujo, bem como da rela\u00e7\u00e3o entre ele e o hospedeiro. Possibilitam tamb\u00e9m compreender melhor os mecanismos de suscetibilidade e resist\u00eancia de B. glabrata ou ainda as condi\u00e7\u00f5es que a torna mais propensa \u00e0 infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO grande diferencial desse estudo \u00e9 a enorme quantidade de possibilidades que ele gera. Para se ter uma ideia, foram publicados, em forma de suplementos neste artigo da Nature, cerca de outros 50 artigos explorando os dados gen\u00f4micos gerados por esse projeto\u201d, destaca Caldeira.<\/p>\n<p>O estudo envolveu o trabalho de 118 pesquisadores. S\u00f3 na Fiocruz Minas e na Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, 16 pessoas estiveram envolvidas: Roberta Caldeira, Omar Carvalho, Liana Passos, Guilherme Oliveira, Juliana Assis, Yesid Cuesta-Astroz, Sandra Gava, Fernanda Ludolf, Francislon Oliveira, Fabiano Pais, Izinara Rosse, Larissa Scholte, Matheus de Souza Gomes, Elio Baba, Laurence Amaral e Wander Jeremias. Dentre esses, Guilherme Oliveira, agora no Instituto Tecnol\u00f3gico Vale em Bel\u00e9m, foi um dos membros do comit\u00ea que editou a vers\u00e3o final do artigo.<\/p>\n<p>\u201cO sucesso desse trabalho \u00e9 resultado do esfor\u00e7o de uma equipe internacional. Foi um grande prazer e muito gratificante participar deste grande grupo\u201d, ressalta Omar Carvalho.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/ncomms15451\">Conhe\u00e7a o artigo.<\/a><\/p>\n<p><strong>ESQUISTOSSOMOSE NO PA\u00cdS<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a respons\u00e1vel t\u00e9cnica pelo Programa de Esquistossomose do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Jeann Marie Marcelino, dados do Inqu\u00e9rito Nacional de Preval\u00eancia da Esquistossomose e das Geo-helmint\u00edases mostram que aproximadamente 1,5 milh\u00e3o de pessoas possam estar infectadas com o Schistosoma mansoni no pa\u00eds. A transmiss\u00e3o ocorre de forma end\u00eamica nos Estados de Alagoas, Bahia, Maranh\u00e3o, Pernambuco e Sergipe, na regi\u00e3o Nordeste, e em Minas Gerais e no Esp\u00edrito Santo, na regi\u00e3o Sudeste. H\u00e1 registro de focos de transmiss\u00e3o no Cear\u00e1, Para\u00edba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e no Par\u00e1.<\/p>\n<p>De acordo com o inqu\u00e9rito, no per\u00edodo de 2001 a 2015, foram detectados cerca de 38 mil casos na \u00e1rea end\u00eamica. Nesse mesmo per\u00edodo, houve uma m\u00e9dia de 195 interna\u00e7\u00f5es e 488 \u00f3bitos. Em 2015, foram 193 interna\u00e7\u00f5es e 459 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>No restante do pa\u00eds, s\u00e3o notificados casos, em sua maioria importados de \u00e1reas end\u00eamicas, devido ao fluxo migrat\u00f3rio de pessoas. Em 2015, foram notificados 4.356 casos, incluindo as formas graves da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>De acordo com uma publica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de 2008,\u00a0 o caramujo da esp\u00e9cie Biomphalaria glabrata est\u00e1 distribu\u00eddo em 806 munic\u00edpios, de 16 estados brasileiros (AL, BA, DF, ES, GO,MA, MG, PA, PB,PR,PE,PI,RJ,RN,RS,SP e SE) e no Distrito Federal.<\/p>\n<p><strong>\u00a0A DOEN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>A esquistossomose \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo Schistosoma mansoni, parasita que tem no homem seu hospedeiro definitivo, mas que necessita de caramujos, como B. glabrata,como hospedeiros intermedi\u00e1rios para desenvolver seu ciclo evolutivo. A transmiss\u00e3o desse parasita se d\u00e1 pela libera\u00e7\u00e3o de seus ovos atrav\u00e9s das fezes do homem infectado. Em contato com a \u00e1gua, os mirac\u00eddios eclodem e penetram nos caramujos e, algum tempo depois, liberam novas larvas. Na \u00e1gua, as larvas (cercarias) penetram na pele e\/ou mucosa do homem, reiniciando o ciclo.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a apresenta duas fases durante seu processo evolutivo: aguda e cr\u00f4nica. Na primeira fase, os principais sintomas podem ser vermelhid\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es de coceiras e dermatite na pele, febre alta, inapet\u00eancia, fraqueza, enjoo, v\u00f4mitos, tosse, diarreia e r\u00e1pido emagrecimento. Na fase cr\u00f4nica, a mais grave, os sintomas s\u00e3o o aumento do abd\u00f4men e de \u00f3rg\u00e3os como f\u00edgado e ba\u00e7o, hemorragias ao defecar, fadiga, c\u00f3lica, pris\u00e3o de ventre, cirrose e o aparecimento de \u00ednguas em diversas partes do corpo. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, as esquistossomoses s\u00e3o consideradas o segundo maior problema de sa\u00fade p\u00fablica em todo o mundo, ficando atr\u00e1s apenas da mal\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong><em>Por: Keila Maia (CPqRR\/Fiocruz Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo publicado na Nature Communications, uma das mais influentes revistas cient\u00edficas, apresenta o sequenciamento do genoma do Biomphalaria glabrata, esp\u00e9cie de caramujo que \u00e9 o principal e mais importante hospedeiro do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose, doen\u00e7a que afeta 240 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. 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