{"id":19767,"date":"2017-04-06T19:40:15","date_gmt":"2017-04-06T19:40:15","guid":{"rendered":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=19767"},"modified":"2017-04-06T19:40:15","modified_gmt":"2017-04-06T19:40:15","slug":"bacteria-pode-contribuir-para-reducao-de-acucar-no-sangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=19767","title":{"rendered":"Bact\u00e9ria pode contribuir para redu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar no sangue"},"content":{"rendered":"<p>Desde que come\u00e7ou a ser estudada, a microbiota intestinal vem sendo associada a diversas fun\u00e7\u00f5es do organismo. Recentemente, um estudo realizado pela Fiocruz Minas em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es mostrou que este conjunto composto por cerca de 100 trilh\u00f5es de micro-organismos pode ajudar a evitar uma doen\u00e7a que afeta aproximadamente 300 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo: o diabetes tipo 2. A pesquisa foi publicada recentemente na Nature Communications, uma das mais influentes revistas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a Akkermansia muciniphila, bact\u00e9ria presente na microbiota intestinal, pode auxiliar na transforma\u00e7\u00e3o da glicose em energia para o corpo, diminuindo a concentra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar no sangue. Entretanto, a Akkermansia seria impedida de realizar essa atividade pelo Interferon-gama, uma prote\u00edna liberada pelo pr\u00f3prio organismo, sempre que precisa se proteger contra infec\u00e7\u00f5es virais e de alguns protozo\u00e1rios e bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas pesquisas consideram o diabetes tipo 2 como uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica, que faz com que o Interferon-gama seja constantemente liberado, conforme ocorre com as doen\u00e7as autoimunes. Por meio desse trabalho, constatamos que o Interferon atrapalha o papel modulador da Akkermansia, levando ao excesso de a\u00e7\u00facar no sangue\u201d, explica o pesquisador do Grupo de Inform\u00e1tica de Biossistemas e Gen\u00f4mica da Fiocruz Minas Gabriel Fernandes.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, os pesquisadores observaram a a\u00e7\u00e3o da Akkermansia no organismo de camundongos, incapazes de produzir o Interferon-gama. Para isso, eles alimentaram os animais e avaliaram o \u00edndice de queda da glicose somente pela a\u00e7\u00e3o da insulina. Depois, os cientistas introduziram a bact\u00e9ria (Akkermansia) no intestino dos ratos e constataram que o n\u00edvel de glicose ca\u00eda ainda mais. J\u00e1 em uma terceira etapa, o Interferon foi introduzido no organismo dos camundongos e, com isso, os efeitos ben\u00e9ficos da Akkermansia n\u00e3o foram mais observados.<\/p>\n<p>Em uma fase subsequente desse estudo, verificou-se que tamb\u00e9m em humanos existe essa correla\u00e7\u00e3o entre a abund\u00e2ncia de Akkermansia muciniphila e o n\u00edvel de glicose no sangue.\u00a0 Ou seja, quanto maior a quantidade dessa bact\u00e9ria maior a capacidade de metaboliza\u00e7\u00e3o e consequente diminui\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar no sangue. Foram avaliadas as microbiotas de 268 pacientes, bem como dados bioqu\u00edmicos e antropom\u00e9tricos.<\/p>\n<p>\u201cFizemos o sequenciamento da microbiota de cada um deles. Em seguida, por meio de an\u00e1lise estat\u00edstica, avaliamos uma s\u00e9rie de fatores, como quantidade de glicose, marcadores inflamat\u00f3rios presentes, resist\u00eancia \u00e0 insulina, entre outros. Assim, verificamos que a Akkermansia e o Interferon seriam fatores determinantes da capacidade de metabolismo de glicose\u201d, explica Fernandes.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o estudo abre possibilidades para novas pesquisas voltadas para o tratamento do diabetes tipo 2. \u201cSe voc\u00ea tem um paciente com resist\u00eancia \u00e0 insulina, \u00e9 poss\u00edvel oferecer a ele nutrientes que favore\u00e7am a Akkemansia e neutralize a a\u00e7\u00e3o do Interferon diante dessa bact\u00e9ria. Um poss\u00edvel tratamento natural seria por meio de uso de prebi\u00f3ticos\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>DIABETES TIPO 2<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, no Brasil, h\u00e1 mais de 13 milh\u00f5es de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da popula\u00e7\u00e3o. Desse total, cerca de 90% t\u00eam o diabetes tipo 2. Um dos principais problemas enfrentados \u00e9 que, muitas vezes, o diagn\u00f3stico demora, favorecendo o aparecimento de complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diferentemente do que ocorre com o tipo 1, os indiv\u00edduos com diabetes tipo 2 produzem insulina. Entretanto, muitas pessoas desenvolvem resist\u00eancia a esse horm\u00f4nio e, com isso, a insulina n\u00e3o consegue cumprir seu papel de transportar a glicose para dento das c\u00e9lulas, para que ela seja transformada em energia para o corpo. Tamb\u00e9m pode acontecer de a pessoa n\u00e3o produzir insulina suficiente para suprir as demandas do organismo e, assim, o horm\u00f4nio insuficiente n\u00e3o consegue carregar todo o a\u00e7\u00facar, que acaba se acumulando no sangue.<\/p>\n<p>Em boa parte dos casos, a diabetes tipo 2 pode ser controlado com atividade f\u00edsica e planejamento alimentar. Em outras situa\u00e7\u00f5es, exige o uso de insulina e\/ou outros medicamentos para controlar a glicose.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Keila Maia (Fiocruz Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Fonte: AFN<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que come\u00e7ou a ser estudada, a microbiota intestinal vem sendo associada a diversas fun\u00e7\u00f5es do organismo. 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