{"id":18435,"date":"2017-01-30T13:28:02","date_gmt":"2017-01-30T13:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/192.168.240.20\/?p=18435"},"modified":"2017-02-15T14:06:49","modified_gmt":"2017-02-15T14:06:49","slug":"pesquisa-destaca-centros-de-referencia-no-combate-a-hanseniase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/?p=18435","title":{"rendered":"Pesquisa destaca centros de refer\u00eancia no combate \u00e0 hansen\u00edase"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo que analisou mais de 1,8 mil casos suspeitos de hansen\u00edase atendidos durante cinco anos no Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), aponta para a import\u00e2ncia dos centros de refer\u00eancia na atual estrat\u00e9gia para controle da doen\u00e7a. Publicada na revista cient\u00edfica Plos Neglected Tropical Diaseases, a pesquisa investigou o perfil de pacientes recebidos pela unidade em um contexto de mudan\u00e7a no modelo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hansen\u00edase no Rio de Janeiro, no qual a doen\u00e7a deixou de ser prioritariamente diagnosticada e tratada por especialistas e passou a ser contemplada diretamente pelos m\u00e9dicos da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>O trabalho revelou que o Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo tem expandido seu papel no esclarecimento de casos suspeitos, em apoio \u00e0s unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade. Os dados levantados durante o estudo tamb\u00e9m chamaram aten\u00e7\u00e3o para um desafio no combate ao agravo: apesar das medidas para ampliar o acesso ao tratamento, 14% dos pacientes recebidos no Ambulat\u00f3rio durante o per\u00edodo apresentavam les\u00f5es avan\u00e7adas no momento do diagn\u00f3stico, prejudicando a fun\u00e7\u00e3o dos olhos, m\u00e3os ou p\u00e9s.<\/p>\n<p>A pesquisa contemplou casos atendidos entre 2010 e 2014, incluindo pacientes encaminhados pelas redes p\u00fablica e privada e pessoas que procuraram espontaneamente a unidade por suspeita de hansen\u00edase. Entre mais de 1,8 mil pacientes, apenas 465 \u2013 um quarto do total \u2013 foram confirmados com infec\u00e7\u00e3o pelo Mycobacterium leprae, causador da hansen\u00edase. Nos demais casos, os m\u00e9dicos identificaram que outras doen\u00e7as de pele, incluindo micoses, psor\u00edase e dermatite eczematosa, assim como agravos do sistema nervoso eram a causa das les\u00f5es que tinham originado a suspeita de hansen\u00edase.<\/p>\n<p>\u201cOs dados indicam que os m\u00e9dicos da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, que n\u00e3o s\u00e3o especialistas, est\u00e3o suspeitando de hansen\u00edase, o que \u00e9 importante para ampliar o acesso ao tratamento da doen\u00e7a. Por\u00e9m, em alguns casos, eles n\u00e3o t\u00eam certeza do diagn\u00f3stico, o que \u00e9 esperado. Nesta situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante ter um centro de refer\u00eancia, onde essa d\u00favida pode ser resolvida\u201d, afirma a m\u00e9dica Euzenir Sarno, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase do IOC\/Fiocruz, unidade respons\u00e1vel pelo Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo, e coordenadora do estudo. A unidade atua como Servi\u00e7o de Refer\u00eancia Nacional em Hansen\u00edase junto ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e, nesse contexto, mant\u00e9m o Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo, promovendo a integra\u00e7\u00e3o entre pesquisa e assist\u00eancia.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a no modelo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hansen\u00edase no Rio de Janeiro \u00e9 resultado da expans\u00e3o da Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia no estado, com \u00eanfase para a capital. At\u00e9 2009, o programa alcan\u00e7ava cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o fluminense, percentual que subiu progressivamente, chegando a quase 50% em 2014. Neste per\u00edodo, o crescimento foi ainda mais acentuado na capital. At\u00e9 2009, menos de 10% dos cariocas eram atendidos pelo Sa\u00fade da Fam\u00edlia.<br \/>\nEm 2014, esse \u00edndice chegava a 45%. \u201cNo modelo anterior, os pacientes eram encaminhados para servi\u00e7os especializados de dermatologia, que eram respons\u00e1veis pelo diagn\u00f3stico e tratamento da hansen\u00edase. J\u00e1 na Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, a doen\u00e7a pode ser diagnosticada e tratada pelos cl\u00ednicos gerais que fazem o atendimento da popula\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 ampliar o acesso \u00e0 terapia, uma vez que esses profissionais t\u00eam contato frequente com os pacientes e podem identificar o agravo em consultas de rotina\u201d, esclarece Raquel Barbireri, m\u00e9dica do Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo e primeira autora do estudo.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a no modelo de aten\u00e7\u00e3o, o perfil de pacientes atendidos no Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo tamb\u00e9m passou a apresentar diferen\u00e7as. Entre 2005 e 2009, apenas 20% dos pacientes tinham passado por apenas uma consulta antes de serem encaminhados para o centro de refer\u00eancia, enquanto 80% tinham sido atendidos previamente em duas ou mais unidades de sa\u00fade. J\u00e1 no per\u00edodo de 2010 a 2014, o percentual de pacientes encaminhados logo ap\u00f3s o primeiro atendimento dobrou, alcan\u00e7ando 40%. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 16% no encaminhamento de pacientes que, de fato, n\u00e3o apresentavam hansen\u00edase, mas sim outras doen\u00e7as de pele.<\/p>\n<p>\u201cNa maioria dos casos, os dermatologistas do Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo n\u00e3o precisaram realizar bi\u00f3psias das les\u00f5es para identificar os casos de outras doen\u00e7as dermatol\u00f3gicas. Por\u00e9m, o diagn\u00f3stico diferencial da hansen\u00edase, pelo exame visual, pode ser dif\u00edcil para um profissional de sa\u00fade que n\u00e3o \u00e9 especializado no tema. Nesse contexto, o papel do centro de refer\u00eancia se torna ainda mais importante, uma vez que atua inserido no Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u201d, ressalta Euzenir.<\/p>\n<p>Como refer\u00eancia, o Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo desempenha atividades de diagn\u00f3stico, tratamento e preven\u00e7\u00e3o da hansen\u00edase. O atendimento \u00e9 feito por uma equipe multiprofissional e pode incluir a realiza\u00e7\u00e3o de bi\u00f3psias e outros procedimentos. Ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, os pacientes com casos simples podem ser encaminhados para tratamento em unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade, pr\u00f3ximas de suas resid\u00eancias.<\/p>\n<p>O Ambulat\u00f3rio segue com os atendimentos de maior complexidade, incluindo casos de recidiva, quando a doen\u00e7a retorna ap\u00f3s o tratamento, e rea\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias, complica\u00e7\u00e3o que pode afetar os pacientes antes, durante ou ap\u00f3s o tratamento. Em 2014, a unidade recebeu o Certificado de Acredita\u00e7\u00e3o Internacional pela Joint Commission International (JCI), maior e mais antiga comiss\u00e3o acreditadora dos Estados Unidos. O documento atesta o alinhamento com padr\u00f5es de excel\u00eancia internacional em qualidade e seguran\u00e7a no atendimento aos pacientes.<\/p>\n<p>DIAGN\u00d3STICO TARDIO<\/p>\n<p>Apesar do grande n\u00famero de unidades de sa\u00fade no Rio de Janeiro, o estudo detectou atraso no diagn\u00f3stico da hansen\u00edase, o que foi considerado surpreendente pelas pesquisadoras. Entre 262 pacientes que tiveram o grau de incapacidade f\u00edsica avaliado no momento do diagn\u00f3stico, 40% apresentavam algum n\u00edvel de perda de sensibilidade ou de movimento. Em 14% dos casos, foram identificadas les\u00f5es avan\u00e7adas, que prejudicavam a fun\u00e7\u00e3o dos olhos, das m\u00e3os ou dos p\u00e9s, classificadas como incapacidade f\u00edsica de grau 2. O resultado foi pior do que o observado em um levantamento anterior, realizado no Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo entre 2003 e 2007, no qual 32% dos pacientes apresentaram algum n\u00edvel de redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade ou de movimentos e 12% revelaram grau 2 de incapacidade f\u00edsica.<\/p>\n<p>\u201cApesar da expans\u00e3o no acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, continua existindo demora no diagn\u00f3stico da hansen\u00edase. Isso \u00e9 um problema grave porque as deformidades e incapacidades f\u00edsicas, que s\u00e3o associadas ao forte estigma da hansen\u00edase, podem ser prevenidas com o tratamento precoce\u201d, diz Euzenir, lembrando que o \u00edndice de les\u00f5es avan\u00e7adas detectadas no Rio de Janeiro \u00e9 classificado com alto pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Em 2014, 11% dos pacientes diagnosticados com hansen\u00edase no estado e na capital fluminense apresentaram incapacidade f\u00edsica de grau 2.<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, \u00e9 comum que o percentual de quadros graves diagnosticados aumente quando o total de casos da doen\u00e7a se reduz, o que contribui para explicar o resultado observado na pesquisa. No estado do Rio, o n\u00famero de novos casos de hansen\u00edase detectados caiu aproximadamente pela metade entre 2005 e 2014, passando de mais de 2,5 mil para menos de 1,5 mil. Nesse cen\u00e1rio, na medida em que os casos mais simples s\u00e3o tratados com facilidade, restam os pacientes com apresenta\u00e7\u00f5es complexas, que podem ser dif\u00edceis de diagnosticar durante os atendimentos por profissionais de sa\u00fade que n\u00e3o s\u00e3o especializados. Por outro lado, uma vez que o agravo se torna menos frequente, os m\u00e9dicos podem deixar de considerar a infec\u00e7\u00e3o como uma op\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico ao avaliar les\u00f5es dermatol\u00f3gicas, o que tamb\u00e9m pode contribuir para o diagn\u00f3stico em momento tardio da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Considerando que o resultado reflete as dificuldades para o diagn\u00f3stico da hansen\u00edase, as pesquisadoras enfatizam a necessidade de investimentos no desenvolvimento de ferramentas que possam facilitar a detec\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. \u201cAl\u00e9m de realizar o atendimento, o centro de refer\u00eancia realiza pesquisas e, no Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase, temos projetos para desenvolvimento de m\u00e9todos de diagn\u00f3stico que poderiam auxiliar os profissionais de sa\u00fade no objetivo de detectar precocemente a doen\u00e7a. O investimento nesse tipo de iniciativa \u00e9 muito importante para continuarmos avan\u00e7ando no enfrentamento da hansen\u00edase\u201d, completa Raquel.<\/p>\n<p>Ma\u00edra Menezes (IOC\/Fiocruz)<br \/>\nFonte: AFN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo que analisou mais de 1,8 mil casos suspeitos de hansen\u00edase atendidos durante cinco anos no Ambulat\u00f3rio Souza Ara\u00fajo, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), aponta para a import\u00e2ncia dos centros de refer\u00eancia na atual estrat\u00e9gia para controle da doen\u00e7a. Publicada na revista cient\u00edfica Plos Neglected Tropical Diaseases, a pesquisa investigou o perfil de pacientes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":18436,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-18435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18435"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18516,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18435\/revisions\/18516"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/18436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amazonia.fiocruz.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}