Pesquisadora da Fiocruz Amazônia apresenta estudo sobre diversidade genética do Giardia duodenalis na Amazônia e é premiada na Alemanha
A tecnologista em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Lisiane Lappe dos Reis, foi contemplada com uma das dez bolsas internacionais de viagem (Travel Grants) concedidas pela One Health Platform Germany para participar do International One Health Symposium 2026, que ocorreu entre os dias 5 e 7 de outubro, em Berlim, na Alemanha. Durante o simpósio, a pesquisadora apresentou o pôster do estudo “Genetic Diversity and Molecular Epidemiology of Giardia duodenalis in Humans and Wildlife from the Brazilian Amazon: A One Health Perspective”, que conquistou o segundo lugar na premiação de pôsteres científicos (Poster Prizes). O trabalho faz parte da tese de Doutorado de Lisiane, defendida em 2026, sob orientação da pesquisadora Ana Carolina Paulo Vicente, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

A pesquisa investigou a diversidade genética de Giardia duodenalis em humanos e animais silvestres da Amazônia brasileira. “Entre os principais resultados, identificamos um novo genótipo do parasito em primatas não humanos e linhagens com potencial zoonótico em animais silvestres. O estudo contou com a colaboração de uma equipe formada por Lirna Salvioni Silva de Souza, Geovani de Oliveira Ribeiro, Maria Gabriela Rodrigues Antunes, Alessandra Ferreira Dales Nava e Sérgio Mascarenhas Morgado, além da minha orientadora, Ana Carolina Paulo Vicente, envolvendo profissionais e estudantes do ILMD e do IOC, e a parceria do IBAMA, que colaborou com as amostras biológicas dos animais silvestres”, explica. Durante a estada na Alemanha, Lisiane visitou o Instituto Robert Koch, onde apresentou o trabalho para o pesquisador Dr. Christian Klotz, que também realiza pesquisas com o parasito Giardia duodenalis.

Lisiane Lappe dos Reis possui graduação em Farmácia-Bioquímica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2001) e mestrado em Saúde Pública pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz-Amazônia), em 2017. Atualmente é Tecnologista em Saúde Pública – área Parasitologia na Fiocruz-Amazônia, onde ingressou desde janeiro de 2013. Desenvolve pesquisas na área de caracterização molecular de parasitos. Doutorado concluido no Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária (Conceito Capes 7), do IOC.
A Giardia intestinalis , como também é conhecido o protozoário, causa a giardíase, uma infecção que se instala no intestino delgado. Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas (são assintomáticas), mas quando a doença se manifesta, os principais efeitos incluem: diarreia (pode ser aquosa, crônica ou alternada com períodos normais), fezes gordurosas e com odor muito forte (esteatorreia, devido à má absorção de gorduras), cólicas e dores abdominais, gases em excesso (flatulência) e sensação de barriga inchada (distensão abdominal), náuseas e vômitos, cansaço extremo (fadiga) e fraqueza.
Em casos mais prolongados, podem ocorrer as seguintes complicações: perda de peso significativa, desidratação (pela perda excessiva de líquidos), desnutrição e má absorção de nutrientes essenciais e vitaminas, atraso no crescimento e no desenvolvimento em crianças. A transmissão acontece pela ingestão de água ou alimentos contaminados com os cistos do parasita, ou pelo contato direto fecal-oral. O diagnóstico é feito por exames de fezes e o tratamento geralmente envolve o uso de medicamentos antiparasitários prescritos por um médico, de acordo com o Portal do Ministério da Saúde.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia


