Fiocruz Amazônia e UNFPA fortalecem tecnologias de cuidado em saúde de parteiras e parteiros indígenas
O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) atuam de forma conjunta na formação e fortalecimento nas tecnologias de cuidado em saúde de parteiras e parteiros indígenas visando fortalecer vínculos, valorizar as tecnologias tradicionais de cuidado e dar visibilidade às demandas de parteiras e parteiros. As duas instituições realizaram, no último mês de agosto, no município de Autazes, a Oficina de Valorização e Fortalecimento das Tecnologias de Cuidado em Saúde das Parteiras e dos Parteiros Indígenas.
O encontro ocorreu entre os dias 25 e 27/08, na Aldeia Moyray, reunindo 45 participantes, entre eles 25 parteiras e parteiros de oito povos indígenas – Mura, Munduruku, Kambeba, Hixkaryana, Baré, Kokama, Apurinã e Tukano. Financiada pelo UNFPA, a iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) e o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Manaus.

A oficina foi conduzida pelo pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Júlio Cesar Schweickardt, com a participação da enfermeira Fabiana Mânica, docente do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que estão elaborando, em conjunto com as parteiras e os parteiros, um guia destinado aos profissionais da saúde indígena. O material busca fortalecer o trabalho em rede e a articulação entre os profissionais de saúde e as parteiras e os parteiros indígenas, especialmente no acompanhamento do parto, valorizando os conhecimentos e as práticas tradicionais de cuidado.
Durante os três dias, rodas de conversa, rituais e místicas, dramatizações e atividades em grupo favoreceram o reconhecimento das trajetórias dos participantes e o compartilhamento de conhecimentos sobre os cuidados nas diferentes fases da vida das mulheres, na gestação, no parto e no pós-parto. Foram discutidos práticas tradicionais, acompanhamento pré-natal, sinais de risco e possibilidades de articulação com as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena. A vivência da Shantala e a apreciação coletiva do guia em elaboração também ampliaram as trocas de saberes e o diálogo entre os participantes.
Para Julio Schweickardt, a continuidade desse trabalho envolve o diálogo com as comunidades, as lideranças e os serviços de saúde, buscando apoiar as práticas de cuidado nos territórios e a transmissão desses conhecimentos às novas gerações.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia


