Fiocruz Amazônia promove a discussão sobre a crise climática no território amazônico no VI Encontro de Pós-Graduação

Com o tema “Territórios amazônicos, Saúde e Clima: Agendas emergentes para formação e pesquisa na Pós-Graduação”, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu na manhã desta quarta-feira, 7/10, seu VI Encontro de Pós-Graduação, reunindo alunos, professores e gestores dos cursos de pós-graduação em Saúde Coletiva oferecidos pela instituição e em consórcio com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Com número recorde de inscritos (250) e de trabalhos submetidos (85), o evento foi aberto com a palestra do pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz), Christovam Barcellos, geógrafo e coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, abordando o tema “Mudanças Climáticas e seus efeitos na saúde e nos territórios amazônicos”.

A mesa de abertura contou com a presença da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação, Cláudio Peixoto, a pesquisadora em Saúde Pública, Priscila Aquino, responsável pela coordenação do evento, a mestranda Gabriella Santos de Vasconcelos, representando a Associação dos Pós-graduandos do ILMD/Fiocruz Amazônia, e, de modo remoto, a saudação da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, da Fiocruz, Marly Cruz. O encontro se estenderá até a próxima sexta-feira, 09/10, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia da UEA, com vasta programação de palestras e mesas-redondas sobre temas diversos.  

Stefanie Lopes destacou a necessidade de inserção da temática do clima nas produções científicas e pesquisas dos pós-graduandos. “Esse é um tema que precisa estar dentro nos projetos. Precisamos, enquanto pesquisadores, mudar a chave dos projetos que realizamos, avaliar os impactos sociais e ambientais a partir da temática abordada, sermos resistentes dentro do nosso diálogo acadêmico, mas falarmos também para a sociedade e para os formadores de opinião, sobre o que a ciência é capaz de produzir”, afirmou, rememorando as edições anteriores do encontro, nas quais já se discutia a questão climática e seus impactos na saúde.

Para Claudio Peixoto, o encontro é um marco para o momento difícil do ponto de vista climático vivido no Amazonas. “Esse momento de discussão e proposições que o Encontro de Pós-Graduação nos oportuniza é emblemático. Estamos enfrentando ondas de calor, fumaça intensa produzida por queimadas e muitos outros fenômenos que estão acontecendo e que impactam a saúde da população. Este evento vem fortalecer as discussões sobre os processos de ocupação das cidades, mudanças climáticas e, sobretudo, o impacto que a pós-graduação tem enquanto espaço de formação de pessoas comprometidas com a Amazônia e o fortalecimento do SUS, junto com parceiros tão importantes como a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam) e as universidades”, enfatizou.

Falando em nome dos discentes, Gabriella Vasconcelos lembrou a importância dos encontros como oportunidades para a discussão de temas ligados ao processo de formação. “Aproveitem esse evento para discutir sobre qual a formação que queremos e quais os desafios que teremos de enfrentar na tarefa de produzir conhecimento a partir do nosso território. Essa é a oportunidade que temos de absorver informações e aplicarmos nas pesquisas, fortalecendo nosso trabalho e estabelecermos parcerias como pesquisadores que somos”, afirmou. Priscila Aquino reforçou a necessidade de que o evento seja, antes de tudo, um espaço de diálogo, reflexão e construção coletiva, de discussão sobre formação acadêmica, saúde mental e produção cientifica.

EFEITOS DA TEMPERATURA

Em sua conferência de abertura, o geógrafo Christovam Barcellos chamou atenção para a aceleração do processo de aquecimento global, dos oceanos e da atmosfera, que já alcançou 1,5 graus centígrados acima dos padrões pré-industriais. “A elevação do nível dos mares, as secas extremas, ciclones, entre outros fenômenos climáticos, estão acontecendo em diferentes partes do mundo com reflexos graves, sobretudo na Saúde Pública. Temos a tendência de desertificação em algumas zonas do Nordeste brasileiro, a perda de biodiversidade em diversos biomas, o aumento da inflamabilidade de florestas, o derretimento do gelo nos Andes, a redução da disponibilidade de água para consumo em algumas áreas da Amazônia”, alertou, afirmando que a crise só poderá ser debelada com uma ampla revisão da nossa maneira de produzir e consumir bens e serviços.

O processo de urbanização sofrido na Amazônia desde a década de 80 é fator que vem contribuindo para as mudanças. “Os negacionistas dizem que é processo natural, que é mentira o aquecimento global, mas todos os lugares do mundo terão aumento de temperatura, porém esse não será um processo distribuído igualmente. Hoje em dia, conseguimos avaliar a temperatura média da atmosfera, de todo o planeta, mas a temperatura é apenas um indicador de muitas causas e procedências. Precisamos sair da falácia da temperatura global e passar a refletir sobre o território em que se vai trabalhar”, observou, destacando a possibilidade de chegarmos a cinco, seis graus acima da em alguns lugares, até o fim do século, o que significa que poderemos ter calor de 50 graus”, frisou.

PROGRAMAÇÃO

A programação do IV Encontro de Pós-Graduação da Fiocruz Amazônia prossegue nesta quinta-feira, 8/10, com oficina sobre “Ergonomia e bem-estar na vida acadêmica”, com o professor-doutor Jansen Atier Estrázulas, da UEA, apresentação de trabalhos na modalidade pôster, a oficina “Inteligência Artificial na prática acadêmica: trajetórias e possibilidades profissionais após a pós-graduação”, com o professor-doutor Eduardo Honorato (UEA), pela parte da manhã. À tarde, ocorrerão roda de conversa sobre o tema “Para além da academia: trajetórias e possibilidades profissionais após a pós-graduação, com as presenças das dras Tatiana Amaral Pires Almeida (Lacen/FVS-RCP), Gleica Soyan Barbosa Alves (Ufam), Valdinete Alves do Nascimento (Fiocruz Amazônia), Claudio Pontes Ferreira (Cosems-AM) e doutor Andrey Marcos Pinho da Silva (BioSpin Nanotec da Amazônia).

Na sequência, haverá a mesa temática “Como utilizar a Inteligência Artificial na formação e pesquisa da pós-graduação?”, com Keysianne de Araújo Moura (USP), Helder Takashi Imoto Nakaya (Hospital Israelita Albert Einstein) e Gideon Borges dos Santos (ENSP/Fiocruz). No dia 9/10, a partir das 8h, ocorrerá o forum discente com o tema “A pós-graduação que queremos”, seguido da mesa temática “Novas tecnologias e inovação aplicadas à pesquisa em saúde”, com Gilvan Ferreira Silva (Embrapa), Elerson Matos Rocha (Fiocruz Amazônia) e Indramara Lôbo de Araújo Vieira Meriguete (Ufam). Na sequência, a roda de conversa sobre o tema “Saúde mental na pós-graduação”, com palestra da doutora Alessandra dos Santos Pereira (Ufam), e à tarde, a conferência de encerramento “Mudanças climáticas e o futuro da Amazônia”, com o cientista Philip Martin Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Após a conferência, a mesa de encerramento com a síntese do evento e a premiação dos melhores trabalhos apresentados na modalidade pôster e da exposição fotográfica.

ILMD/Fiocruz Amazônia

Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia