Pesquisador da Fiocruz Amazônia recebe Prêmio Marcos Moraes de Pesquisa e Inovação para o controle do câncer

O pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia Lucas Cabral ficou com o segundo lugar no Prêmio Marcos Moraes de Pesquisa e Inovação para o Controle do Câncer 2026, promovido pela Fundação Câncer, com o objetivo de fomentar iniciativas inovadoras para o controle do câncer. Em sua sexta edição, o Prêmio contempla trabalhos em quatro categorias (Inovação em Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer, Inovação em Cuidados Paliativos, Iniciativas para o Controle do Câncer e Imprensa e Comunicação em Câncer). Lucas Cabral foi finalista com o “Projeto Sustentabilidade do PNCT: Ciência, Articulação Intersetorial e inovação para a prevenção do câncer no Brasil”, com ênfase no controle do tabagismo. É a primeira vez que um representante de instituição de pesquisa da Região Norte concorre e ganha esta premiação nacional.

O anúncio do prêmio ocorreu na tarde desta quarta-feira, 23/09, na sede da Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro. O trabalho do pesquisador concorreu na categoria Inovação em Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer. Lucas explica que o projeto foi uma iniciativa técnico-científica desenvolvida entre 2020 e 2025 com o objetivo de fortalecer a sustentabilidade política, institucional, técnica e financeira das ações de controle do tabaco no Sistema Único de Saúde (SUS). “Considerando que o tabagismo permanece como um dos principais fatores de risco evitáveis para o câncer, a iniciativa buscou contribuir diretamente para a prevenção da doença por meio da qualificação de políticas públicas, da articulação intersetorial e da produção de evidências aplicadas à gestão, por meio do diálogo com as coordenações estaduais e municipal do Plano Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT)”, relata, no resumo de apresentação do projeto.

O projeto foi desenvolvido em diálogo com coordenações estaduais e municipais do PNCT, secretarias de saúde, vigilâncias sanitárias, universidades, conselhos de secretarias municipais de saúde, assembleias legislativas, organizações da sociedade civil e organismos internacionais. Sua metodologia combinou diagnósticos situacionais, visitas técnicas, oficinas, reuniões de articulação, produção científica, incidência política e desenvolvimento de instrumentos práticos para apoiar gestores na organização e sustentabilidade das ações de controle do tabaco. Entre seus principais resultados, destacam-se a realização de 7 diagnósticos situacionais, 15 visitas técnicas, mais de 130 reuniões de articulação técnico-científica, mais de 20 atividades formativas, mais de 500 profissionais capacitados, 30 produções científicas, 2 dossiês temáticos e mais de 50 matérias e entrevistas em veículos de comunicação.

A iniciativa também contribuiu para a elaboração de recomendações, notas técnicas, propostas de emendas parlamentares, formação de grupos intersetoriais e fortalecimento da rede de coordenadores do PNCT. Participaram estados como Amazonas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e Tocantins, que contribuíram para a construção de diagnósticos. “Receber o Prêmio Marcos Moraes é uma alegria enorme e uma honra que eu compartilho com muitas pessoas. Este reconhecimento representa muito mais do que um produto ou uma trajetória individual. O trabalho é resultado de cinco anos do Projeto Sustentabilidade do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, uma trajetória construída coletivamente, reunindo pesquisadores, gestores, profissionais de saúde e diferentes instituições em torno do fortalecimento do controle do tabagismo no Sistema Único de Saúde”, afirmou, em agradecimento à Fundação do Câncer e à comissão do Prêmio Marcos Moraes.

O pesquisador destacou também agradecimentos especiais ao Instituto Nacional do Câncer (INCA), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), à Vital Strategies, pelo apoio e financiamento que possibilitaram o desenvolvimento do projeto, e às coordenações estaduais do Programa Nacional de Controle do Tabagismo dos estados do Tocantins, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul e Amazonas.

“Sem a participação e a confiança dessas equipes, esse trabalho não teria sido possível. Foram essas experiências concretas que permitiram transformar o que aprendemos ao longo do projeto neste produto que hoje está sendo reconhecido. Deixo o Amazonas por último porque ele tem, para mim, um significado muito especial. Foi também nessa trajetória que minha relação com a Amazônia se fortaleceu. E este prêmio ganha um significado ainda mais especial porque esta é a primeira vez que um projeto da Região Norte chega à final do Prêmio Marcos Moraes. E, na nossa primeira vez entre os finalistas, conquistamos o prêmio. Talvez tenhamos demorado a chegar até aqui, mas chegamos. E chegamos mostrando a força, a qualidade e a capacidade de transformação da ciência produzida na Amazônia”, ressaltou.

ILMD/Fiocruz Amazônia

Foto: Divulgação / Fiocruz Amazônia