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Fiocruz avança em transferência de tecnologia contra tuberculose

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de concluir mais uma etapa da transferência de tecnologia do medicamento tuberculostático (TB) 4 em 1, considerado o mais eficaz no tratamento da tuberculose. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a doença é um sério problema de saúde pública no Brasil, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos casos e ocorrem 4,5 mil mortes em sua decorrência.

Resultado de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada entre Brasil e Índia, a tecnologia empregada no 4 em 1 permite que o medicamento seja administrado em dose única, já que é composto por quatro ativos em um único comprimido (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol).

As PDPs são acordos firmados entre indústrias farmacêuticas para transferir a tecnologia de um laboratório para outro. O objetivo é ampliar o acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com o financiamento do desenvolvimento nacional, há redução dos custos com a aquisição, visto que atualmente são importados ou representam um alto custo para o sistema.

Atualmente, Farmanguinhos/Fiocruz já alcançou a etapa de realizar o controle de qualidade totalmente nas suas dependências. Em dezembro, nove lotes foram analisados pela equipe do Instituto e mais dez serão concluídos em janeiro de 2018. Ao todo, serão 7 milhões de medicamentos colocados à disposição do Ministério da Saúde para distribuição na rede pública.

Para realizar a nova etapa internalizada, a equipe do controle de qualidade do Instituto teve um extenso trabalho de validação da metodologia analítica antes de iniciar a realização das análises. Esta importante etapa representa um avanço significativo na transferência e agregou conhecimento e inovação para o laboratório da unidade.

A líder do Controle da Qualidade de Farmanguinhos/Fiocruz, Karina Rocha, destacou a oportunidade das análises como um desafio do laboratório. Para ela, analisar uma quantidade de lotes expressivos, baseado em uma nova metodologia, em um curto espaço de tempo demandou o empenho de toda equipe envolvida para abastecer os usuários do SUS o quanto antes.

Ao final da transferência, o Brasil estará apto a produzir e distribuir o 4 em 1 para os usuários do SUS, garantindo independência e autonomia na produção de medicamentos. A nacionalização da tecnologia vai gerar uma economia expressiva aos cofres públicos.

O diretor de Farmanguinhos/Fiocruz, Jorge Mendonça, ressalta a importância desta PDP: “Estamos indo ao encontro da nossa missão, que é fornecer medicamentos para população mais carente. Mesmo com os desafios de vigilância, por serem quatro medicamentos em um, conseguimos aprovar os nove lotes, que devem chegar para o MS na primeira quinzena de janeiro e em seguida, faremos os próximos dez”, frisou. Além disso, estão previstas duas novas parcelas para os meses de abril e setembro, com mais de oito milhões de unidades em cada.

Tecnologia a serviço da população brasileira

Fundado em 1976, Farmanguinhos é uma instituição pública integrante do complexo técnico-científico da Fundação Oswaldo Cruz e ocupa posição estratégica como laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil.

Com capacidade de produção de cerca de 50 tipos de medicamentos diferentes, o Instituto tem atualmente dez parcerias de desenvolvimento produtivo em andamento, além de outras cinco já aprovadas pelo MS em dezembro de 2017. Farmanguinhos se destaca ainda na luta pela redução de custos, permitindo o acesso de mais brasileiros aos programas de saúde pública.

Por Viviane Oliveira (Farmanguinhos/Fiocruz)

 

Projeto propõe alternativa para diagnóstico de meningites

Um projeto para diagnóstico e caracterização das principais bactérias causadoras de meningites, elaborado por Ivano de Filippis, biólogo do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), foi aceito em outubro no InovaBio. O programa é uma iniciativa de Bio-Manguinhos que irá disponibilizar recursos para pesquisas ligadas a inovações na área de biotecnologia. “Estamos desenvolvendo não só a parte do diagnóstico, nosso estudo também pretende identificar qual o tipo de agente etiológico. Assim, saberemos se é necessário vacinar a população e se novas bactérias estão circulando, o que tornaria necessária a produção de uma nova vacina”.

O estudo ainda está na fase inicial e pretende ser uma alternativa rápida, econômica e eficaz aos métodos de diagnóstico convencionais vigentes. O kit, de fácil uso, utilizará uma pequena quantidade de material clínico. O projeto irá adaptar uma técnica de PCR normalmente empregada para diagnóstico de certos tipos de câncer. “Continua tendo a mesma sensibilidade e especificidade do método anterior, porém é muito mais barato e pode ser realizado em hospital público”, enfatiza o biólogo.

Para a produção do futuro kit em escala, é necessário seu aperfeiçoamento e uma empresa disposta a fabricá-lo. “O nosso objetivo é atender às necessidades do SUS, conforme proposta de Bio-Manguinhos”, conclui.

O QUE É MENINGITE?

A causa mais comum das meningites é a infecção por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A doença é uma inflamação das meninges – membranas que envolvem o cérebro – e pode causar lesões como cegueira, surdez e, dependendo da gravidade, até a morte.

Por: Gabrielle Araujo (INCQS/Fiocruz)

 

Arranjo de NIT da Amazônia Ocidental promove conferência sobre processos inovativos

Nos dias 13 e 14/11, acontece a 3º Conferência Sobre Processos Inovativos na Amazônia – Interfaces entre ICT, empresários e investidores, realizada pelo Arranjo de NIT da Amazônia Ocidental – AMOCI, no Auditório da Ciência, no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com entrada pela rua Otávio Cabral, s/nº, Petrópolis. As inscrições podem ser feitas por meio de formulário online.

Na tarde do dia 14, com o tema “Inovação x Conexão e Inspiração”, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) realiza de 14h às 18h, o 3º Workshop de Inovação da Instituição.

O objetivo do Workshop é potencializar a Inovação sobre o contexto das Startups e empresas da região, conectar oportunidades e inspirar pessoas. O evento será composto por três atividades distintas e conectadas pelos pilares condutores do Workshop; Inovação, Conexão e Inspiração.

Confira a programação da conferência.

START IP

Representando o pilar Inovação, o Start IP, será um espaço dedicado para que “startups caboclas” mostrem quem elas são, onde estão e o que podem oferecer. Realizado e apoiado pela Fiocruz Amazônia, em parceria com o Arranjo de NIT da Amazônia Ocidental – AMOCI e a Incubadora de Empresas do INPA, o Start IP é um evento pensado para difundir e fortalecer o empreendedorismo da Amazônia.

Convidados e demais participantes inscritos terão a oportunidade de conhecer os negócios desenvolvidos por empresas e startups do ecossistema de inovação local, em um palco voltado ao empreendedorismo da região, além de apresentações de empresas por meio de Pitchs, ferramentas usadas pelos empreendedores para “vender” o projeto da sua empresa para potenciais investidores.

A ação contará também com oficinas paralelas sobre inovação, e empreendedorismo socioambiental por meio da participação da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). O Start IP contará com a presença de várias startups que foram convidas para expor modelo de negócios, seus produtos e serviços, uma oportunidade ímpar para gerar insights, fazer networking e fechar negócios.

CAFÉ DE NEGÓCIOS

Representando o pilar Conexão, o Café de Negócios, pretende conectar pessoas, organizações e empreendedores, potencializando futuras parcerias. No espaço, os potenciais empreendedores poderão se relacionar diretamente, conectando oportunidades, recebendo feedback sobre seus negócios, além da possibilidade de ampliação do networking.

INSPIRAÇÃO

Representando o pilar “Inspiração”, o empreendedor e professor, Salvio Rizzato, membro honorário da academia de indivíduos em prol do empreendedorismo inovador, irá ministrar a palestra: “O Papel do Empreendedorismo no Processo de Inovação”.

O objetivo da palestra é desmitificar o empreendorismo, quebrando qualquer paradigma que o coloque como uma profissão ou a qualquer outra possibilidade atrelada a um CNPJ, demonstrando a importância de se praticar o empreendedorismo, para que a inovação se torne realidade.

SOBRE O NIT

O Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) tem o objetivo de prospectar projetos de pesquisa para identificação de tecnologias e produtos que possam ser patenteados, assim como intermediar o contato entre pesquisadores, tecnologistas e a Coordenação de Gestão Tecnológica (Gestec/Fiocruz) para elaboração de pedidos para depósito de patentes e acompanhamento do processamento das negociações, desde o depósito até a manutenção das patentes.

O NIT atua diretamente com os pesquisadores da Unidade, fornecendo-lhes orientações acerca de assuntos relacionados à propriedade intelectual e inovação em consonância com as políticas de gestão da inovação da Fiocruz e com o Programa de Inovação Tecnológica do ILMD/Fiocruz Amazônia.

ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Cortes em Ciência e Tecnologia podem inviabilizar pesquisas

A queda no orçamento público para Ciência e Tecnologia neste ano e no próximo pode inviabilizar pesquisas em andamento no país. Este é o diagnóstico dos pesquisadores brasileiros que estiveram na Câmara dos Deputados na última terça-feira (10/10) para entregar um abaixo-assinado ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), contra os cortes. O documento da campanha Conhecimento sem Cortes reuniu mais de 80 mil assinaturas. Proposto pelo deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), o debate envolveu membros da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), do Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (Consecti), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), além de universidades e outras entidades representativas.

A comunidade científica afirma que o orçamento de investimentos do setor passou de R$ 8,4 bilhões em 2014 para R$ 3,2 bilhões este ano. Para 2018, o programado é ainda menor, de R$ 2,7 bilhões.

Em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), lembrou que 23 ganhadores do Prêmio Nobel enviaram uma carta ao presidente Michel Temer em setembro, alertando que os cortes podem comprometer o futuro do Brasil.

“Reconhecer a importância da ciência brasileira, assinar uma carta, o que não é comum. Assinar uma carta ao presidente da República de um país, dizendo da importância da ciência brasileira, que ela tenha continuidade. E, no entanto, nos envergonha que a gente veja que cientistas do exterior, desse alto quilate, tenham mais sensibilidade com a ciência brasileira que nossos governantes”, afirmou o presidente da SBPC.

O coordenador de Estratégias de Integração Regional e Nacional da Fiocruz, Wilson Savino, que representou a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, na audiência pública, disse que “sem sombra de dúvida, a resposta que o Brasil deu na epidemia de zika, quando fomos confrontados com uma doença cuja causa era até então desconhecida, só foi possível porque estávamos preparados do ponto de vista de informação e equipamentos. Uma política que dê continuidade aos cortes fará com que, em outra epidemia, não tenhamos condições de dar a resposta que demos. É fundamental que em todas as áreas do conhecimento, inclusive na Saúde, possamos recuperar o orçamento”.

MINISTÉRIO

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou, por meio de nota, que está trabalhando para elevar os recursos deste ano e que os valores de 2018 ainda não estão fechados.

Helena Nader, da Academia Brasileira de Ciências, disse que o trabalho dos pesquisadores está presente na alta produtividade agrícola do país e na exploração de petróleo em águas profundas. Ela disse que países como a Coreia do Sul gastam mais de 4% do Produto Interno Bruto em Ciência e Tecnologia; enquanto o Brasil investe cerca de 1%.

O presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica, Fernando Peregrino, disse que o problema também é de gerenciamento de recursos. Segundo ele, o sistema de Justiça brasileiro gasta quase 2% do PIB, o dobro do que tem o setor de Ciência e Tecnologia. Nos Estados Unidos, segundo ele, os gastos com C&T representam 2,4% do PIB enquanto o sistema de justiça tem 0,2%.

A deputada Luiza Erundina (Psol-SP) pediu aos colegas que atuem para reverter os cortes. “Como é que se quer disputar a hegemonia no mundo – e isso não se fará sem ciência, sem tecnologia, sem inovação – se vai se andando para trás na destinação de recursos públicos para essas áreas? É algo incompreensível, é algo burro, me desculpe a força da expressão”, disse.

TETO DE GASTOS

Outros deputados e convidados afirmaram que os cortes decorrem da emenda constitucional que fixou um teto de gastos para o país pelos próximos 20 anos, enquanto o pagamento da dívida pública não sofre interrupções. Eles também defenderam a manutenção do ensino superior público.

Fonte: Agência Fiocruz, por Ricardo Valverde (CCS/Fiocruz)

Alunos do ILMD são aprovados em Programa de Mobilidade Acadêmica da Fiocruz

A Coordenação Geral de Pós-graduação (CGPG) da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou lista dos candidatos aprovados para o Programa de Mobilidade Acadêmica da Instituição. Dos cinco alunos selecionados, três são do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia).

Thayana Cruz de Souza, aluna do Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação IOC-ILMD, Eric Fabrício Marialva e Ismael Alexandre da Silva Nascimento, alunos do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) foram aprovados na chamada de seleção pública, oferecida para alunos de pós-graduação Stricto sensu, matriculados em programas de mestrado acadêmico, mestrado profissional ou doutorado da Fiocruz.

O objetivo do programa é selecionar alunos, que tenham interesse em desenvolver projetos de pesquisa em unidades ou escritórios da Fiocruz, distintas daquelas nas quais estão regularmente associados. A ideia é induzir a formação de profissionais da saúde, ampliando a possibilidade de capacitação técnico-cientifica dos pós-graduandos, além de amplificar as oportunidades de interdisciplinaridade.

PESQUISA E MOBILIDADE

Com o objetivo de estudar a biologia de L. migonei em condições de laboratório e sua interação com Leishmania infantum chagasi, o mestrando Eric Marialva desenvolverá no Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), o estudo “Biologia experimental de Lutzomyia migonei (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae): Aprimoramento de técnicas de criação em massa e modelo experimental para infecção e transmissão de Leishmania infantum chagasi.

Segundo Marialva, a Fiocruz Minas “possui expertise em modelos de transmissão experimental de diversos insetos vetores e agentes etiológicos, incluindo modelos flebótomos-leishmânias. Irei desenvolver na unidade: Infecção experimental de Lutzomyia migonei por Leishmania infantum chagasi e Le. braziliensis; transmissão de Leishmania pela picada de L. migonei e qPCR em tempo real para detecção e quantificação das leishmânias, sob a orientação e supervisão da Dra. Nagila Francinete Costa Secundino, entre outubro e dezembro de 2017”.

Sob orientação do Dr. Felipe Gomes Naveca, o mestrando Ismael Nascimento teve aprovado o projeto “Diversidade genética do vírus Chikungunya e sua relação com sintomatologia observada durante a circulação em dois estados da Amazônia Ocidental (Amazonas e Roraima). O objetivo principal do estudo é analisar a diversidade genética intra e inter-hospedeiro, processos evolutivos e manifestações da infecção, relacionados ao vírus Chikungunya circulante nos estados de Roraima e Amazonas, entre os anos de 2014 e 2017.

Segundo Nascimento, outro objetivo deste intercâmbio é o treinamento em ferramentas de bioinformática para a análise da história evolutiva e filogeográfica de agentes virais e análise de dados gerados por Sequenciamento de Nova Geração (NGS).

“As atividades serão desenvolvidas no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), sob supervisão do Dr Gonzalo Bello, e compreenderão a inferência filogenética, entre sequências derivadas de genomas virais, reconstrução filogeográfica baseada nas sequencias de nucleotídeo e análises variadas de dados obtidos por NGS, como diversidade genética”, explicou.

A doutoranda Thayana Cruz está desenvolvendo o estudo “Identificação de proteases fibrinolíticas em bactérias e fungos da Coleção Biológica da Fiocruz Amazônia, sua expressão em E. coli, purificação e caracterização bioquímica”, sob coorientação da Dra Ormezinda Fernandes.

Parte da tese será desenvolvida no Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática (LAGFB) do IOC, sob orientação do Dr. Wim Degrave, e pretende identificar e selecionar proteases fibrinolíticas em bactérias e fungos estocados no acervo da Coleção Biológica da Fiocruz Amazônia, visando desenvolver biomoléculas com potencial terapêutico, expressando os mesmos sob forma recombinante em E. coli.

Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

 

 

 

Em reunião no ILMD/Fiocruz Amazônia, presidente do CNPq  assegura um olhar mais atencioso para Amazônia

Em tom de descontração e esperança o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mario Neto Borges, esteve nesta segunda-feira, 18/9, em encontro com pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O encontro foi articulado pelo diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, com o objetivo de aproximar a instituição do CNPq, o resultado foi uma reunião animada e participativa onde Mario Neto falou da sua gestão no CNPq, das prioridades e estratégias para o Conselho cumprir seus compromissos, mesmo diante das adversidades.

“A ideia é trazer uma expectativa positiva mesmo num momento de crise e de dificuldade, mas o CNPq está com um olhar muito preocupado, muito dedicado ao potencial que a Amazônia tem, em particular o estado do Amazonas’, declarou Mario Neto ao informar sobre alguns projetos lançados recentemente pelo CNPq, voltados para a região.

“Nós sabemos do potencial que a Amazônia tem, todo brasileiro sabe, então, o CNPq tem essa preocupação no radar. Nós temos desenhados alguns projetos, mesmo nessa dificuldade, como o que foi lançado agora para a biodiversidade da Amazônia; estamos negociando com empresas que têm interesse em explorar a biodiversidade, no sentido de fazer parceria de pesquisa com pesquisadores da área; além de projetos para a questão da saúde, de doenças infecciosas negligenciadas e doenças tropicais”, disse o presidente do CNPq ao defender também a formação de parcerias entre as instituições, inclusive entre as regiões com maior experiência com pesquisa, para o trabalho em conjunto.

Para o diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a vinda de Mario Neto ao Instituto sinaliza parcerias em projetos na área de saúde, desenvolvimento científico e tecnológico, pesquisa e educação.

Mario Neto assegurou que CNPq em sua gestão terá um olhar atencioso para a Amazônia, para as instituições de ensino e pesquisa da região, em especial para o ILMD/Fiocruz Amazônia.

SOBRE O PRESIDENTE DO CNPq

Mario Neto é graduado em Engenharia Elétrica, mestre em Acionamentos Elétricos, e doutor em Inteligência Artificial Aplicada à Educação. Foi presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) por dois mandatos, e foi membro do conselho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). É presidente do CNPq desde 20/10/2016.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Lesões e mortes causadas no trânsito devido ao consumo de bebida alcoólica e à velocidade também são de responsabilidade do Estado, aponta pesquisador

O excesso de velocidade é responsável por uma em cada três mortes por acidentes de trânsito em todo o mundo, aponta relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), Managing Speed divulgado em maio deste ano.

Estes números podem ser maiores se ocorrer a associação entre embriaguez alcoólica e direção veicular. Essa combinação é responsável por 9,4% das mortes e 9,0% das incapacidades de pessoas nas Américas, estima a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no “Relatório de situação regional sobre o álcool e saúde nas Américas”, publicado em 2015.

Em ensaio publicado pela revista Saúde e Sociedade, disponível na SciELO, sob o título “Apontamentos sobre as modalidades de intervenção social no enfrentamento das lesões e mortes causadas por acidentes de trânsito relacionados ao consumo de bebida alcoólica”, o pesquisador Marcilio Medeiros, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) apresenta algumas reflexões sobre as modalidades de intervenção social no enfrentamento às lesões e mortes causadas por acidentes de trânsito relacionados ao consumo de bebida alcoólica.

Álcool e Saúde

O consumo de álcool está associado a diversos problemas de saúde em todo o mundo, sendo o principal fator de risco de morte e incapacidade da população mundial na faixa etária de 15 a 49 anos de idade.

De acordo com informações do pesquisador, no Brasil, a estimativa dessa combinação: velocidade + álcool, varia de acordo com o método e as circunstâncias em que foram coletados os dados. “Por exemplo, em Porto Alegre (RS), foi constatada uma associação de 54,2%. Esse dado foi coletado dos prontuários do Instituto Medicina Legal que aferiu alcoolemia de vítimas fatais de sinistro de trânsito naquela cidade.  Mas há outros que estimam a associação em 22,3%. É o caso da metodologia que coletou dados de 71 serviços de urgência e emergência sentinela das unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) do país, quando o vitimado recebeu os primeiros cuidados e apresentou sinais de embriaguez ou confirmou o consumo de álcool”, explica Marcílio Medeiros.

Marcílio Medeiros

De quem é a responsabilidade?

Para o pesquisador, ao mesmo tempo em que o Estado adota medidas para reduzir os acidentes de trânsito, permite a fabricação de veículos e motocicletas de alto desempenho, e a propaganda sem restrições de bebida alcoólica.

A reflexão identificou que as duas iniciativas (Lei Seca e o Legislação de Trânsito no que tange a obrigatoriedade de uso de equipamento de segurança e de respeitar a velocidade permitida) do Estado na redução das lesões e mortes por acidentes de trânsito envolvendo embriaguez ao volante agem no gerenciamento do risco, transferindo aos sujeitos a responsabilidade de erradicar comportamentos de risco.

Por outro lado, os conteúdos das mensagens publicitárias de bebida alcoólica atuam tanto no processo de tomada de decisão do indivíduo quanto no aumento do consumo geral de álcool. As peças publicitárias enfatizam temas e apelos relacionados ao efeito ansiolítico do produto, como também são associadas a símbolos nacionais, sempre evidenciando características positivas, calcadas em tecnologias discursivas modalizadoras da felicidade.

Situação no Amazonas

No Amazonas ainda não se tem estudos específicos que analisem o nível de alcoolemia dos prontuários de óbito do Instituto Médico Legal (IML). O teste de alcoolemia no IML Manaus somente é realizado por demanda judicial, ou seja, não é de rotina. No entanto, a estimativa de lesões e mortes de trânsito é de 22,3%, de acordo com dados dos serviços sentinela do Programa de Vigilância de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde. Portanto, estima-se que velocidade e consumo de álcool podem ser responsáveis por ¼ dos sinistros de trânsito em Manaus.

A partir de dados coletados em outro estudo sob sua coordenação, o pesquisador observa a interiorização do problema. Quando “comparamos os números de mortes por violência de trânsito terrestre nos anos de 1998 e 2009, verificamos que no primeiro ano havia registro de óbitos fatais em 18 dos 62 municípios amazonenses. Em 2009, o número de municípios saltou para 39”.

Legislação

O pesquisador reconhece que de 1980 a 2010 ocorreram mudanças importantes na legislação, que tornaram-na mais rigorosa, o que influenciou na percepção e responsabilidade das pessoas sobre as lesões e mortes de trânsito associadas a embriaguez. “Mas sabemos que outros fatores agem da determinação da violência de trânsito, como por exemplo, a qualidade do transporte coletivo, a infraestrutura das cidades (construção, conservação e sinalização das estradas); o que nos remetem a pensarmos sobre qual cidade queremos para viver, ou seja, o planejamento da mobilidade urbana”.

Dentre essas inconsistências, o pesquisador cita a questão da compreensão do termo ‘acidente de trânsito”, que, pelo seu significado, pode transferir suas causas a ideias de destino, vontade divina ou intencionalidade, possibilitando que seja ponderada a sua relação com a violência.

Uma outra contradição está ligada a aplicação da Lei Seca que possibilitou aos órgãos públicos fiscalizar, multar e prevenir os acidentes de trânsito relacionados ao consumo do álcool, por meio de teste de bafômetro em pontos de checagem de sobriedade (concentração de etanol no sangue de 0,2 g/L) e que reduziu em 17 das 27 capitais brasileiras o número de mortes no segundo semestre de 2008, em comparação com o ano de 2007. Porém, essa redução não foi homogênea entre as unidades da Federação, sendo mais expressiva apenas nas capitais, onde se dispõem com mais frequência do etilômetro.

A outra questão ganha abrangência internacional, e diz respeito à proibição da propaganda de bebida alcoólica e a redução dos danos atribuíveis ao seu consumo.  Nesta luta entram os movimentos sociais que atuam em uma perspectiva de reduzir os efeitos nocivos do álcool em todo o mundo, através da promoção de políticas baseadas nos conhecimentos científicos existentes, independentemente de interesses comerciais.

Para Marcilio Medeiros, “essas novas lutas sociais, em nível mundial, pregam que as estratégias de enfrentamento dos problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas devem ser planejadas globalmente, visto que  o marketing das indústrias de bebidas alcoólicas opera de forma globalmente articulada”.

Sobre o pesquisador

Marcílio Medeiros é doutorando em Saúde Pública e Direitos Humanos pela Fundação Oswaldo Cruz e Universidade de Coimbra e coordena o Curso de Especialização em Saúde Ambiental do Instituto Leônidas e Maria Deane, unidade técnica-científica da Fundação Oswaldo Cruz na Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto 1: divulgação
Foto 2: Eduardo Gomes

Estudo mapeia dispersão da febre amarela no Brasil

Desde 2000, o Brasil teve, pelo menos, três surtos de febre amarela silvestre em que a doença alcançou áreas das regiões Sudeste e Sul que não registravam casos há décadas. Recém-publicada na revista internacional Scientific Reports, uma pesquisa realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mostra que estes episódios, relacionados a uma distribuição espacial ampliada, ocorreram após uma mudança no padrão de entrada e de espalhamento do vírus da febre amarela no território brasileiro. A partir da análise das sequências genéticas de vírus relacionados a 137 casos registrados em nove países das Américas entre 1954 e 2017, os cientistas identificaram que variantes virais pertencentes a uma linhagem moderna, introduzidas no Brasil por diferentes caminhos a partir de países vizinhos, estiveram por trás dos casos notificados nos últimos surtos. O trabalho é resultado de um esforço conjunto dos Laboratórios de Aids e Imunologia Molecular, de Biologia Molecular de Flavivírus, de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e de Genética Molecular de Microrganismos do IOC/Fiocruz.

De acordo com os cientistas, o surgimento e disseminação da linhagem moderna do vírus da febre amarela representa uma mudança radical no padrão de dispersão da doença no continente americano e, sobretudo, no Brasil. Os dados permitiram reconstruir as rotas de migração viral de 1946 até hoje. “Até o começo da década de 1990, o Brasil desempenhava um papel central na evolução dos vírus da febre amarela nas Américas: as variantes virais das linhagens antigas surgiam principalmente na região Norte brasileira e se espalhavam para outros países. Porém, após o aparecimento da linhagem moderna, o Brasil passou de emissor a receptor de novos vírus”, ressalta Gonzalo Bello, pesquisador do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC e coordenador do estudo. A linhagem moderna surgiu provavelmente em Trinidad e Tobago, por volta de 1977. “A linhagem moderna do vírus se espalhou para diversos países, substituindo variantes virais das linhagens antigas, que circulavam no continente americano até então. Assim, todos os surtos e casos esporádicos ocorridos desde o fim da década de 1990 no Brasil, assim como na Venezuela e Argentina, foram causados por variantes dessa nova linhagem”, afirma Edson Delatorre, pós-doutorando do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC e um dos primeiros autores do artigo.

Para reconstruir a dinâmica de disseminação dos vírus, os pesquisadores analisaram as mutações no genoma viral e construíram uma árvore filogenética – similar a uma árvore genealógica, ela agrupa no mesmo ramo os vírus que compartilham um ancestral comum. O trabalho apontou que a linhagem moderna do vírus da febre amarela chegou ao Brasil por dois caminhos. Num primeiro momento, o vírus veio em uma rota sem escalas a partir de Trinidad e Tobago, no período entre 1981 e 1989. Esta primeira variante da linhagem moderna se espalhou no Brasil e foi responsável pelo surto iniciado em 2000, mas parou de circular posteriormente. Nos dois episódios seguintes, a origem dos vírus foi a Venezuela – país que, por sua vez, havia recebido a linhagem de Trinidad e Tobago entre 1981 e 1992. Os vírus que chegaram a partir dessas introduções resultaram nos surtos iniciados em 2008 e 2016.

Os pesquisadores analisaram as mutações no genoma viral e construíram uma árvore filogenética, que apontou que a linhagem moderna do vírus da febre amarela chegou ao Brasil por dois caminhos.

Diferenças genéticas entre as linhagens

Segundo os cientistas, ainda não é possível determinar por que a linhagem moderna substituiu as linhagens antigas, que circularam por décadas nas Américas. “A substituição pode ter ocorrido simplesmente porque os vírus modernos surgiram e se disseminaram em momentos oportunos. Por outro lado, não podemos afastar a possibilidade de algum tipo de vantagem competitiva, que favoreça a disseminação”, pondera Daiana Mir, também primeira autora do artigo. Ela é estudante de doutorado no Programa de Pós-graduação em Biologia Computacional e Sistemas do IOC, sob orientação de Gonzalo.

Todos os vírus modernos apresentam três mutações no genoma, quando comparados aos vírus das linhagens antigas. No conjunto dos vírus modernos, aqueles ainda mais recentes, que ocorrem na Venezuela e no Brasil, contam com três modificações adicionais, totalizando um conjunto de seis mutações. Essa característica constitui a assinatura genética dos vírus da linhagem moderna. “Geralmente, os vírus apresentam variações genéticas pontuais, que são observadas em um ou poucos casos, mas não se fixam no processo de evolução. O fato de essas seis mutações terem se fixado no genoma, indica que elas podem ter um papel importante na biologia do vírus”, afirma Edson. Segundo ele, algumas das alterações estão associadas a mudanças na composição de proteínas que podem ser significativas para a atividade viral. No entanto, novos estudos são necessários para determinar o seu impacto. “É preciso realizar testes em laboratório para avaliar o efeito da presença destas mutações no vírus. Dependendo do trecho do genoma afetado, uma única mutação pode ser suficiente para alterar a capacidade de infecção, transmissão ou replicação de um vírus”, ressalta.

Surto atual

No conjunto de 137 genomas analisados pelo estudo, dois chamam a atenção por sua singularidade: os dois isolados provenientes de macacos coletados no Espírito Santo em 2017, relacionados ao atual surto de febre amarela silvestre, apresentam mutações inéditas – o achado foi constatado por cientistas do IOC em estudo anterior. Trata-se, portanto, de dois vírus com mutações ainda mais recentes, que se somam às seis mutações.

A compreensão sobre quando e como ocorreu a introdução dessa nova variante viral, situada no conjunto dos vírus da linhagem moderna, enfrenta um desafio: existem poucos genomas sequenciados dos vírus que circularam no país nos últimos anos. “A análise dos genomas atualmente disponíveis em bancos de dados especializados revela que esses vírus com mutações inéditas não derivam dos vírus que causaram o surto anterior no território brasileiro, entre 2008 e 2009, mas seriam resultado de uma nova introdução no país a partir da Venezuela”, afirma Daiana. Ela acrescenta que há uma lacuna nos bancos de dados em relação ao período entre 2009 e 2017. “Infelizmente, os sequenciamentos genéticos geralmente são feitos apenas nos períodos de surto. Assim, para estabelecer como os vírus alcançaram a região Sudeste, será preciso analisar outros genomas referentes ao surto atual, assim como do Norte e do Centro-Oeste, que são áreas endêmicas para a febre amarela silvestre no Brasil e onde esses vírus podem ter circulado anteriormente à ocorrência no Espírito Santo”, completa.

A entrada dos vírus pelo Norte, com disseminação posterior para o Centro-Oeste até alcançar outras regiões foi observada nos episódios anteriores ao surto iniciado em 2016. Os vírus da linhagem moderna que entraram no Brasil a partir de Trinidad e Tobago entre 1981 e 1989 seguiram este caminho até serem detectados no surto iniciado em 2000, quando casos do agravo ocorreram em trechos da Bahia e São Paulo, ao mesmo tempo em que Paraná e Rio Grande do Sul tiveram infecções em animais. A mesma rota foi percorrida pelos vírus referentes ao surto iniciado em 2008. Originada na Venezuela, a variante viral chegou à região Norte entre 1999 e 2005, espalhando-se até alcançar novas áreas no estado de São Paulo, na região Sul e, até mesmo, na Argentina. A partir dos dados disponíveis, os pesquisadores estimam que os vírus relacionados ao surto atual tenham ingressado no Brasil, a partir da Venezuela, entre 2000 e 2016. Por causa do baixo número de genomas sequenciados disponíveis, o intervalo de incerteza é quase duas vezes maior do que o estabelecido para as introduções anteriores de linhagens virais no país.

De acordo com os pesquisadores, além de esclarecer os caminhos percorridos pelos vírus envolvidos no surto atual, a decodificação de mais genomas virais em circulação deve contribuir para esclarecer a origem das mutações inéditas observadas no Brasil recentemente. Uma coisa é certa: essas mutações não estão presentes nos vírus venezuelanos sequenciados até o momento.

Importância da vigilância

Os autores do trabalho ressaltam que a vigilância molecular – baseada na análise do genoma dos vírus – pode contribuir para o enfrentamento da febre amarela silvestre no Brasil. “Para esse monitoramento, não é preciso sequenciar o genoma dos vírus em todos os casos. Uma amostra deve ser suficiente para traçar um panorama da variedade genética do vírus no país. Por outro lado, essa ação não pode ficar restrita aos momentos de surto. A vigilância constante é necessária para acompanhar as linhagens em circulação e nos permite compreender melhor a origem dos surtos. Esse trabalho também é fundamental para identificar mutações genéticas que podem ter impacto na atividade viral, facilitando a preparação para o enfrentamento de situações em que possa haver uma vantagem competitiva do vírus”, comenta Gonzalo.

IOC/Fiocruz, por Maíra Menezes
Foto: Raul Santana e Gutemberg Brito

Plataforma Zika apresenta seus primeiros resultados

A Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a Zika e suas consequências, no âmbito do SUS, projeto do Centro de Integração de Dados em Conhecimento para a Saúde (Cidacs/ Fiocruz), apresenta seus primeiros resultados com a realização das Feiras de Soluções para a Saúde – Zika, série de cinco – uma em cada região do País, a primeira será realizada em Salvador, entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017.

O objetivo geral da plataforma é a integração de conhecimentos da coorte epidemiológica com diferentes bases de dados da saúde e de políticas de desenvolvimento social (CadÚnico/PBC), para acompanhamento de longo prazo das condições de vida de crianças nascidas entre 2001 e 2015, acometidas pelo vírus.

“A Plataforma foi proposta como uma contribuição da Fiocruz em resposta à emergência decorrente da epidemia de zika e da identificação das anomalias congênitas decorrentes da infecção na gestação, durante o primeiro semestre de 2016”, conta Wanderson Oliveira, membro da plataforma que conta com outros cerca de 50 pesquisadores, apoiadores e instituições participantes no Brasil e no exterior.

O estudo atuará em cinco eixos: Epidemiologia, Pesquisas, Redes, Segurança e Ciência aberta.  Cada eixo possui um responsável pela coordenação e gestão de projetos e subprojetos. Apesar de serem integrados, os mesmos possuem independência e agenda própria de atividades. A Feira de Soluções é um dos produtos esperados no desenvolvimento do Eixo 3.

O evento, promovido pela Fiocruz Brasília em parceria com o Centro, receberá centenas de expositores que apresentarão um importante conjunto de soluções para as arboviroses que acometem o Brasil.

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao zika vírus, organizado pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

Outro destaque será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

Ondas de infecções

Uma pesquisa sobre as duplas epidemias da infecção do vírus foi realizada por Wanderson Oliveira, resultado de sua tese de doutorado em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em conjunto com estudiosos vinculados ao Ministério da Saúde e da UFGRS, o pesquisador utilizou dados obtidos através dos sistemas de informação de saúde, coordenados pelo Ministério da Saúde, de janeiro de 2015 até novembro de 2016, e analisou o agrupamento espacial da infecção durante a gravidez e da microcefalia no país, para obter a estimativa da densidade.

Os achados deste estudo foram publicados no periódico científico The Lancet, em 22 de junho, no artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis. A pesquisa identificou duas ondas distintas de possíveis infecções pelo vírus zika que se estenderam em todas as regiões brasileiras no período analisado. Dados apontam que a distribuição da microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus variou ao longo do tempo e nas regiões brasileiras. As razões para essas aparentes diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas.

A maioria dos casos (70,4%) de microcefalia ocorreu na região nordeste após a primeira onda de infecções, com o pico de ocorrência mensal estimado em 49,9 casos por 10 000 nascimentos vivos. Após uma grande e bem documentada segunda onda de infecção pelo vírus em todas as regiões do Brasil, de setembro de 2015 a setembro de 2016, a ocorrência de microcefalia foi muito menor do que a primeira, atingindo níveis de epidemia em todas as regiões brasileiras, exceto no Sul, com picos mensais estimados variando de 3,2 a 15 casos por 10 000 nascimentos vivos.

Fonte: IGM/Fiocruz Bahia

Mulheres transexuais e travestis são foco de nova pesquisa

Cerca de 120 mulheres transexuais e travestis farão parte do projeto PrEParadas, que pretende avaliar a aceitabilidade (desejo de usar) e a adesão à Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP), uma estratégia de prevenção que envolve a utilização diária de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. A pesquisa, com duração de um ano, terá início no mês de julho e será conduzida pela equipe do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Restrita à região metropolitana do Rio de Janeiro, a pesquisa pretende descobrir a melhor forma de ajudar essas populações. O estudo terá esse foco “analisando como os hormônios interagem com o medicamento da PrEP, já que as especificidades dessas mulheres são diferentes das de outros grupos, como no caso homens que fazem sexo com homens”, informou a chefe do LapClin-Aids, Beatriz Grinsztejn.

A pesquisadora Emília Jalil detalhou que o estudo vai avaliar melhor a interação entre PrEP oral e a terapia feminizante utilizada pelas mulheres travestis e transexuais, bem como os efeitos na saúde óssea delas. A medicação adotada será o truvada (combinação de dois medicamentos em um comprimido: o tenofovir disoproxil e a emtricitabina), uma vez ao dia, além de valerato de estradiol (2mg) associado à espironolactona (100mg). “Para entender melhor os resultados, nós dividiremos as participantes em dois grupos. Parte delas receberá apenas a PrEP e outra a PrEP com o hormônio. Desta forma, poderemos compreender melhor as possíveis reações ao truvada”, explicou Emília.

Profissionais da Fiocruz apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis em Manguinhos (Foto: Antonio Fuchs – INI/Fiocruz)

Desenhado exclusivamente para as mulheres travestis e transexuais, o PrEParadas vai além do campo da prevenção, uma vez que as participantes devem ser soronegativas, mas ter o risco de contrair o HIV. “Há muito preconceito com essas mulheres, suas práticas sexuais e o risco aumentado proveniente do sexo anal. Temos que trabalhar para desmistificar esse grupo de risco, principalmente com as profissionais do sexo. O PrEParadas é um excelente projeto que pode colaborar para isso. A Fiocruz é um centro de assistência ao HIV desde a década de 80 e nos últimos anos temos nos dedicado à prevenção para a população trans e travestis. Essa pesquisa é mais uma forma que encontramos para seguir atuando nessa área”, lembrou Beatriz Grinsztejn.

A equipe do PrEParadas contará com educadoras comunitárias, psicólogos e aconselhadores, médicos, farmacêuticos, técnicos de laboratório, além de pessoal administrativo. Tudo para deixar as participantes mais seguras e sem nenhuma dúvida durante a realização do estudo.

SOBRE A PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma estratégia de prevenção que consiste no uso diário de um medicamento que funciona como uma “barreira química” contra o vírus HIV. A PrEP faz parte da estratégia combinada, ou seja, quem adota a PrEP não deve abrir mão do uso de preservativos. Ela é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas é adotada apenas para o tratamento e não prevenção à doença em diversos países. O Brasil foi pioneiro na América Latina ao adotar a PrEP como política de saúde em 29 de maio deste ano.

APRESENTAÇÃO NO INI

No último dia 18 de julho, as profissionais do LapClin-Aids apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis. A atividade foi coordenada pelas educadoras comunitárias Laylla Monteiro, Kakau Ferreira e Biancka Fernandes. Entre as participantes estavam a defensora dos direitos igualitários, Laura Mendes, e a supervisora de Projetos Sociais na área da Empregabilidade, da Prefeitura do Rio de Janeiro, Rafaella Antunes. Após a exposição sobre a PrEP, a cargo da pesquisadora Brenda Hoagland, e a apresentação do PrEParadas, com Emília Jalil, foi reforçada a importância de conscientizar as mulheres transexuais e travestis quanto à busca de uma vida segura e protegida com a adoção da Profilaxia Pré-Exposição.

Para saber mais sobre o projeto PrEParadas, basta entrar em contato com o Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids (LapClin-Aids) do INI, através dos telefones (21) 9090 2260-6700 / 3865-9659 (ligação gratuita).

 INI/Fiocruz, por Antonio Fuchs