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Cientistas da Fiocruz PE descobrem substância capaz de bloquear vírus zika

A descoberta de uma substância capaz de bloquear a produção do vírus zika em células epiteliais e neurais, realizada por pesquisadores do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, foi divulgada recentemente, na revista International Jornal of Antimicrobial Agents. O estudo mostra a atividade antiviral da substância 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr) contra o tipo de vírus Zika que circula no Brasil.

O pesquisador Lindomar Pena, que coordena o estudo, explicou como aconteceram os testes in vitro. Utilizando em todos os ensaios células epiteliais e neurais, os cientistas introduziram o 6MMPr, experimentando diferentes tempos e dosagens.

O resultado foi a diminuição da produção de vírus zika em mais de 99%, em ambas as linhas celulares. O estudo também constatou que a 6MMPr se mostrou menos tóxica para as células neurais, o que é um bom indicativo para futuros tratamentos de infecções no sistema nervoso. “Diante das manifestações neurológicas associadas ao zika vírus e os defeitos congênitos provocados pelo mesmo, o desenvolvimento de antivirais seguros e efetivos são de extrema urgência e importância”, afirma o pesquisador.

Tendo a 6MMPr se mostrado como promissor candidato antiviral contra o vírus zika, a pesquisa segue agora para uma avaliação in vivo adicional. O estudo, que teve duração de 1 ano, contou com recursos financeiros do CNPq e da Facepe.

Para acessar o artigo The thiopurine nucleoside analogue 6-methylmercaptopurine riboside (6MMPr) effectively blocks zika virus replication, clique aqui.

Fonte: Fiocruz PB

Estigmas associados ao transtorno bipolar é tema de pesquisa do IRR

Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento da Fiocruz Minas joga luz sobre um dos distúrbios mentais mais conhecidos e discutidos na atualidade: o transtorno bipolar. O estudo, intitulado As concepções dos psiquiatras sobre o transtorno bipolar e o estigma a ele associado, teve por objetivo compreender os significados e as implicações do estigma vinculado à bipolaridade em relação aos processos sociais e sistemas de valores culturais locais.

Os pesquisadores entrevistaram psiquiatras que atuam em Belo Horizonte (MG) e, com base no referencial da Antropologia Médica, fizeram a análise das respostas.  Os resultados mostraram que, embora a bipolaridade esteja menos estigmatizada atualmente, ainda suscita questionamentos em algumas esferas da vida social, como no campo do trabalho, o que pode causar a de recusa do tratamento.

Nesta entrevista, o pesquisador Adauto Clemente, que esteve à frente do estudo, fala sobre os resultados da pesquisa e traça um panorama sobre o transtorno bipolar.

Para iniciar, o que é o transtorno bipolar? Quais seus principais sintomas?

O transtorno bipolar se caracteriza por variações do humor que chegam a interferir significativamente nas relações, nas capacidades e na qualidade de vida dos indivíduos. As variações de humor a que estamos referindo são os estados depressivos, caracterizados principalmente por abatimento do humor ou tristeza e falta de prazer, que podem ser graduados como leves, moderados ou graves; os estados maníacos, caracterizados por exaltação do humor, que consistem na hipomania (mais leve) e na mania moderada ou grave e os estados mistos, em que teremos uma mescla de sintomas de ordem depressiva e maníaca. Tais estados, além dos sintomas-chave acima descritos, também se acompanham com frequência de alterações do sono e do apetite, alterações do ânimo/vontade e de alterações do pensamento, tais como extremo pessimismo e ideias suicidas na depressão e ideias de grandiosidade e poder nos estados maníacos.

É importante frisar que as variações do humor, ou seja, estar mais ou menos animado do ponto de vista físico e/ou psíquico ao longo do tempo, constitui uma característica comum dos seres humanos e, nesse sentido, poderíamos dizer que se trata de um fenômeno normal; especialmente (mas não exclusivamente) quando podemos identificar motivadores para tais variações nas circunstâncias de vida daquele indivíduo. Por exemplo, é clara a influência que os dias mais ou menos iluminados de sol têm sobre o estado de ânimo das pessoas.

Portanto, considera-se que alguém é portador do transtorno bipolar quando a recorrência de tais variações atinge uma intensidade suficiente para que possamos enquadrá-las como episódios depressivos e maníacos/hipomaníacos. De acordo com a gravidade desses estados, frequência com que ocorrem e com a presença ou não de sintomas mistos e sintomas psicóticos, teremos a classificação do transtorno bipolar em diversos subtipos, pois a indicação do tratamento e sua eficácia pode diferir de acordo com tais características.

Trata-se de um transtorno que se manifesta em alguma fase específica da vida? Teria algum fator desencadeante? Quais os números (frequência na população) em relação a este transtorno?

O transtorno bipolar pode se manifestar em qualquer idade e o diagnóstico é habitualmente feito na fase adulta jovem. Os primeiros episódios depressivos ou maníacos costumam ser associados a alguma circunstância de vida, como mudanças do estatuto social ou perdas, porém isso não é a regra, sendo comum que os episódios subsequentes deixem de ter relação com algum desencadeante vivencial, ocorrendo sem qualquer motivo aparente. O atraso no diagnóstico é uma situação comum, especialmente quando os primeiros episódios são depressivos, pois acabam sendo reconhecidos e tratados como uma depressão comum, sem a resposta satisfatória.

Atualmente existe uma tendência a se considerar que sintomas precoces do transtorno podem se manifestar desde idades muito jovens, mesmo durante a infância ou adolescência e que, diante de uma primeira manifestação depressiva, deve-se investigar a ocorrência de tais indícios precoces para não retardar o diagnóstico do transtorno. Isso tem a relação com a pergunta sobre a frequência do transtorno bipolar. Além do estigma, dois outros aspectos sobre o transtorno bipolar foram contemplados na nossa investigação: um deles foi a evolução do próprio conceito do transtorno, cujos critérios para o diagnóstico foram sendo modificados ao longo do tempo, o que incluiu a emergência do conceito mais amplo de “espectro bipolar”, popularmente chamado de “bipolaridade”.

O outro aspecto que estudamos foi a prevalência do transtorno bipolar na população geral que tradicionalmente, girava em torno de 1%.  Porém, pudemos constatar que as pesquisas passaram a registrar porcentagens progressivamente mais altas do transtorno bipolar na população geral ao longo dos últimos 30 anos. Uma das explicações para esse aumento foi a mudança nos critérios para o diagnóstico, que se tornaram mais amplos, de modo que pessoas que anteriormente receberiam outros diagnósticos psiquiátricos, passaram a ser identificadas como portadoras do transtorno bipolar. Outra explicação possível é a melhora do reconhecimento do transtorno pelos psiquiatras e por outros profissionais de saúde graças a campanhas de conscientização e à visibilidade que o transtorno adquiriu nos últimos anos. Há outras hipóteses como a de que, por algum motivo, a prevalência do transtorno esteja realmente aumentando.

O transtorno bipolar já foi nomeado de psicose maníaco-depressiva, certo?

Não exatamente. A psicose maníaco-depressiva foi retirada das classificações psiquiátricas oficiais a partir da década de 80, ao mesmo tempo em que se adotou o conceito de transtorno bipolar, que abarcou a maior parte dos pacientes que antes receberiam o diagnóstico de psicose maníaco-depressiva. Não existe, porém, uma correspondência direta entre essas duas condições. O transtorno bipolar é um conceito mais amplo, que inclui pacientes que antes receberiam outros diagnósticos, como algumas condições anteriormente chamadas “neuróticas”. Os termos neurose e psicose perderam a centralidade no diagnóstico e adotou-se o termo “transtorno” para nomear as diversas perturbações mentais, ou seja, não houve apenas uma mudança de nome, mas no próprio conceito.

Quais seriam os principais estigmas relacionados ao transtorno bipolar?

De forma geral, principais características que os entrevistados associaram aos portadores de transtorno bipolar foram a instabilidade, a imprevisibilidade, a cronicidade e o potencial de produzir danos a si mesmo ou ao próprio patrimônio durante os estados depressivos e maníacos. Porém, o estigma a que estão sujeitos dependerá do ambiente cultural em que se inserem (por exemplo, o estigma de incapacidade é prevalente no meio laboral) e vai variar de acordo com a fase do transtorno, com o tipo e gravidade dos sintomas (súbitos ou mais persistentes, presença de sintomas psicóticos associados). Em nossa cultura, pudemos observar que os estados depressivos costumam despertar mais tolerância e empatia que as manifestações maníacas, o que é menos evidente na sociedade americana, por exemplo, em que a produtividade e o consumo são mais valorizados e as condições maníacas mais bem toleradas.

De acordo com os resultados da pesquisa, na concepção dos entrevistados, podemos dizer que os pacientes diagnosticados com transtorno bipolar são menos estigmatizados que no passado? Neste caso, a que se deve esta mudança?

Sim. Eles consideram que houve uma atenuação do estigma em relação ao passado, o pode estar relacionado a muitos fatores; mas, na percepção deles, o abandono do rótulo de “psicótico” foi determinante. A despeito disso, eles consideram que o estigma permanece muito significativo no campo do trabalho, o que frequentemente exige dos psiquiatras intervenções diretas com intenção de proteger os portadores de transtorno bipolar de discriminações que dificultam seu ingresso e a manutenção de suas posições no mercado de trabalho.

Podemos dizer que os pacientes aceitam o diagnóstico com mais naturalidade? Quais as repercussões disto no tratamento? O que é a banalização do diagnóstico apontada pelos entrevistados?

Sim, os pacientes atualmente parecem aceitar bem o diagnóstico do transtorno bipolar, mas não sabemos em que medida isso repercute no tratamento, já que nem sempre existe uma relação direta entre aceitação do diagnóstico e adesão. Além disso, vários outros fatores de ordem prática interferem na adesão ao tratamento psiquiátrico. Apesar de afirmar que os pacientes hoje em dia aceitam melhor o tratamento, os entrevistados relataram várias dificuldades na condução do tratamento como, por exemplo, o comprometimento do “insight” nas fases maníaca e depressiva.

A banalização é o fenômeno pelo qual os pacientes adotam o diagnóstico do transtorno bipolar para entender ou explicar suas experiências pessoais ou patológicas. Ao que parece, a redução do estigma teve como consequência levar a que portadores de outros transtornos mais estigmatizados se identifiquem como portadores de transtorno bipolar como estratégia para minimizar as discriminações que sofrem. Outro aspecto da banalização ocorre quando indivíduos atribuem ao saber psiquiátrico a explicação e a solução para características pessoais ou para problemas com que se deparam durante a vida e passam a demandar tratamento médico(medicalização), o que exige grande habilidade do profissional para evitar o expor esse indivíduos a intervenções médicas desnecessárias.

Houve alguma razão especial que os levou a optar por pesquisar o estigma do transtorno bipolar sob o ponto de vista do psiquiatra?

Sim, houve algumas razões. Poderíamos elencar aqui a importância de se estudar o estigma associado aos transtornos mentais, fenômeno que tem importantes repercussões sobre a vida dos portadores e que interfere no acesso e nos resultados do tratamento. O estigma relacionado ao transtorno bipolar é menos estudado e conhecido que em outros transtornos mentais.  Nas últimas décadas, desde sua inclusão nos manuais de classificação psiquiátrica, o transtorno bipolar assumiu grande importância na pesquisa e na clínica psiquiátrica e passou a ser um dos transtornos mais discutidos e conhecidos pelo público em geral. Visando conhecer e compreender as concepções sobre o transtorno bipolar e o estigma, e limitados pela burocracia e restrições de tempo, elegemos estudar os psiquiatras porque eles constituem um elo essencial entre as concepções científicas e as concepções populares sobre as questões médicas. Ao mesmo tempo, a pesquisa deste grupo, permitiu-nos reflexões mais amplas sobre como os profissionais de saúde lidam com as dificuldades reais vivenciadas por seus pacientes e como assimilam as inovações produzidas pela ciência, transformando-as e traduzindo-as em sua atividade clínica e no relacionamento com esses pacientes.

Imagem: Jessi RM/Flickr

Câmara homenageia Oswaldo Cruz em sessão solene

Um projeto de lei tornando a Fiocruz “patrimônio nacional da Saúde Pública” foi apresentado pelo deputado Odorico Monteiro (PSB-CE) durante sessão solene em homenagem aos cem anos da morte do sanitarista Oswaldo Cruz, realizada na manhã de 9 de agosto no plenário da Câmara dos Deputados. A proposta de projeto de lei prevê a concessão do título para instituições com mais de 70 anos de atuação no campo da Saúde Pública, ao mesmo tempo em que o concede à Fiocruz. O parlamentar cearense também é responsável pelo requerimento para realização da sessão.

O Hino Nacional tocado pelo saxofonista Leopoldo Crisostómo marcou a abertura da sessão, onde, por mais de três horas, os feitos do sanitarista Oswaldo Cruz – ações de combate e controle da febre amarela, da peste bubônica, criação do Instituto Soroterápico Federal, dentre outras tantas – foram relembradas por parlamentares, cientistas, ex-ministros da saúde e convidados. Na mesa solene, o deputado Odorico Monteiro, o senador Humberto Costa (PT-PE), o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Maria Dolores Perez, o representante do Conselho Superior da Fiocruz, Pedro Tauil, e o representante do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Jurandir Frutuoso. Na plateia, os ex-ministros da Saúde, José Temporão, José Agenor Alvarez, Alceni Guerra e o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG).

Anunciando-se um “orgulhoso” servidor da Fiocruz, Odorico Monteiro destacou que a frase do sanitarista “Não esmorecer para não desmerecer” é lema a ser seguido, sobretudo, “em tempos difíceis como o atual”. Relatou ações da instituição em diversos campos do conhecimento, destacando o papel transformador da educação, lembrou os 26 cursos de mestrado e doutorado da Fiocruz. A capacidade de produzir 500 milhões de doses de vacina foi citada assim como a advertência “no século 20, o Brasil perdeu a tecnologia da química fina e estamos prestes a perder a janela de oportunidade dos biológicos. Penso que a Fiocruz tem um papel importante para reduzir essa dependência”.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, historiou a trajetória de Oswaldo Cruz e disse estar “administrando o Ministério da Saúde com muita energia e coragem para fazer as mudanças necessárias” e informou que irá propor um novo modelo de financiamento do SUS, o qual privilegiará a saúde e não a doença, e gerará uma economia de R$ 50 bilhões. Tais alterações estão sendo pactuadas na tripartite. Tão logo falou, o Ministro deixou a sessão alegando compromisso.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, e o deputado Odorico Monteiro na abertura oficial de mostra sobre Oswaldo Cruz. Foto: Edilson Rodrigues.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, passeou rapidamente pela trajetória histórica da instituição destacando, dentre outros, a participação ativa na reforma sanitária e a articulação do processo produtivo da saúde. Falou de desafios do presente e projeções para o futuro. Dentre eles, o fortalecimento da Fiocruz na articulação do sistema de ciência, tecnologia e inovação nas dimensões regional, nacional e global, preparar a instituição para a quarta revolução tecnológica (internet das coisas, medicina personalizada como estratégia de saúde pública), a educação permanente, sistemas inteligentes e preditivos na vigilância, atenção e promoção da saúde, e outras. Destacou o compromisso da instituição com o desenvolvimento sustentável, com a redução das assimetrias territoriais e regionais, nacionais e globais, em uma sociedade de conhecimento inclusiva e voltada para o cidadão.

“Meu avô deve estar dando voltas na tumba”, afirmou Vera H. Oswaldo Cruz, neta do fundador da Fiocruz. Veemente observou que, passado um século, o Brasil tem dengue, zika, chikungunya e “pasmem, a febre amarela!”. Rogou aos parlamentares que façam emendas a favor da saúde, bradando pelo cumprimento do preceito constitucional “saúde é direito de todos e dever do estado”. Disse estar na hora de arregaçar as mangas, deixar de lado discussões se mosquito é municipal, estadual ou federal e trabalhar muito. Observou que o maior legado da Fiocruz é ousar, buscar o novo, e que seu maior tesouro é a diversidade.

Pedro Tauil, integrante do Conselho Superior da Fiocruz, falou da importância histórica da Fiocruz no combate de doenças, nas campanhas e na produção de vacinas e na formação de profissionais para a saúde. Humberto Costa, ex- ministro da Saúde, destacou a monumental trajetória de conquistas da instituição.

Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, citou pesquisa da instituição que mostra ser Oswaldo Cruz e a Fiocruz, respectivamente, o cientista e a instituição científica mais conhecidos do pais. Falou do quadro difícil que enfrentam as instituições de pesquisa, alegando que os cortes e contingenciamento adotados pelo governo ameaçam fortemente o futuro do Brasil.

A representante adjunta da Opas/OMS no Brasil, Maria Dolores Perez-Rosales, disse que “a Opas se sente honrada em ter a fundação que leva o nome de Oswaldo Cruz [Fiocruz] como um Centro Colaborador para Políticas Farmacêuticas, para Educação de Técnicos de Saúde, para Saúde Pública e Ambiental, para Leptospirose e para Saúde Global e Cooperação Sul-Sul. Nossas instituições são parceiras há vários anos. Essa colaboração nos permite desenvolver ações que beneficiam milhões ou até mesmo bilhões de pessoas”.

Pela tribuna do plenário da Câmara dos Deputados, passaram diversos deputados, que destacaram a importância de Oswaldo Cruz e a fundação que criou, a exemplo de Raquel Muniz (PSDB-MG), Chico d’Ângelo (PT-RJ), Jandira Fegalli (PCdoB-RJ), Saraiva Felipe (PMDB-MG), Mandeta (DEM-MS), Lindbergh Faria (PT-RJ), Carmen Zanotto(PPS-SC), Jorge Solla (PT-BA) e Pollyana Gama (PPS-SP). Justa Helena, presidente da Asfoc, e Gerson Campos, da Associação dos Pós-graduandos da Fiocruz, também ocuparam a tribuna.

Finda a sessão, foi aberta oficialmente a mostra Oswaldo Cruz: ciência e saúde no projeto nacional, que ocupará até 17 de agosto, o corredor de acesso ao Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Fiocruz Brasília, por Valéria Padrão

Estudo sequencia genoma do vírus zika encontrado em Culex

Profissionais da Fiocruz Pernambuco isolaram e sequenciaram, de forma inédita no mundo, o genoma do vírus zika coletado no organismo de mosquitos do gênero Culex. Também pela primeira vez, foi fotografada, por meio de microscopia eletrônica, a formação de partículas virais na glândula salivar do inseto. Essas conquistas, obtidas com o uso exclusivo das plataformas tecnológicas da Fiocruz Pernambuco, estão descritas no artigo Zika virus replication in the mosquito Culex quinquefasciatus in Brazil, publicado nesta quarta-feira (9/8) na revista Emerging microbes & infections, do grupo Nature.

A equipe do Departamento de Entomologia da instituição detectou a presença do vírus em amostras naturais de Culex colhidas na Região Metropolitana do Recife e também comprovou em laboratório que esse vírus consegue se replicar no interior do mosquito e alcançar a glândula salivar. Utilizando cartões especiais para a coleta, foi comprovada a presença de partículas do vírus na saliva dos mosquitos, o que indica a possibilidade de transmissão ao picar uma pessoa. Para a coordenadora do estudo, Constância Ayres, o artigo demonstra, “de diversas formas diferentes”, a possibilidade do Culex ser um dos vetores do vírus zika na cidade.

O pesquisador Gabriel Wallau, que também integra a equipe, considera que esse artigo vem mostrar, “com dados consistentes”, que o zika consegue se replicar dentro do organismo de Culex e que existem mosquitos dessa espécie infectados no campo. Responsável pelo sequenciamento do genoma, Gabriel explica que a cepa do vírus isolada de dois pools (grupos) de C. quinquefasciatus é semelhante à que foi previamente sequenciada, a partir de amostras humanas, pela equipe do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, em parceria com pesquisadores da Universidade de Glasgow (com artigo publicado na revista PLoS Neglected Tropical Diseases em outubro de 2016). Ele destaca que o ineditismo de agora reside no fato do vírus ter sido obtido de amostras de mosquito.

Para Gabriel, essa semelhança era esperada, pois trata-se de uma linhagem de vírus que estava circulando no estado. Mas o fato de terem sido encontradas mutações nas amostras corrobora a metodologia utilizada nas análises, mostrando que não houve contaminação no laboratório. O pesquisador explica que os vírus de RNA de fita simples, como o zika, têm uma altíssima taxa de mutação e que já existem trabalhos na literatura científica reportando que a simples replicação desses vírus dentro do organismo, humano ou do mosquito, gera novas mutações.

Os resultados encontrados estão servindo de base para o início de novos estudos. De um lado, na verificação das mutações presentes nos genomas e se elas influenciam na capacidade de replicação do vírus no organismo do mosquito. Por outro lado, agora que estabeleceu a competência do Culex quinquefasciatus como vetor do zika, o grupo parte para estudar a sua capacidade vetorial, ou seja, será analisado o conjunto de suas características fisiológicas e comportamentais, no ambiente natural, para entender o papel e a importância dessa espécie na transmissão do vírus zika.

MAIS DETALHES DA PESQUISA

O estudo foi conduzido pela Fiocruz Pernambuco na Região Metropolitana do Recife, onde a população do Culex quinquefasciatus é cerca de vinte vezes maior do que a população de Aedes aegypti. Os resultados da pesquisa de campo apresentados no artigo mostram a presença de Culex quinquefasciatus infectados naturalmente pelo vírus zika em três pools (grupos) de mosquitos Culex (de um total de 270 pools) e dois pools de Aedes (de um total de 117). Em duas dessas amostras os mosquitos não estavam alimentados, demonstrando que o vírus estava disseminado no organismo do inseto e não em uma alimentação recente num hospedeiro infectado. O vírus foi isolado dessas amostras e seu genoma foi sequenciado.

Na etapa de laboratório, com o objetivo de investigar a competência vetorial das espécies Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti, os mosquitos foram alimentados com uma mistura de sangue e vírus, permitindo o acompanhamento do processo de replicação do patógeno dentro do inseto. Foram realizadas duas infecções de mosquitos, cada infecção com duas concentrações de vírus diferente (104 e 106). A menor simula a condição de viremia de um paciente real. Depois os mosquitos foram coletados em diferentes momentos: no tempo zero (logo após a infecção), três dias, sete dias e 15 dias após a infecção pelo vírus.

Um grupo controle, com mosquitos alimentados com sangue sem o vírus, também foi mantido. Cada mosquito foi dissecado para a extração do intestino e da glândula salivar, tecidos que representam barreiras ao desenvolvimento do vírus. Se a espécie não é vetor, em determinado momento o desenvolvimento do vírus é bloqueado pelo organismo do mosquito. No entanto, se ela é vetor, a replicação do vírus acontece, dissemina no corpo do inseto e acaba infectando a glândula salivar, a partir da qual poderá ser transmitido para outros hospedeiros durante a alimentação sanguínea, pela liberação de saliva contendo vírus. Segundo Constância, a partir do terceiro dia após a alimentação artificial, já foi possível detectar a presença do vírus nas glândulas salivares das duas espécies de mosquito investigadas. Após sete dias, foi observado o pico de infecção nessas glândulas.

Além da detecção do vírus nesses tecidos (intestino e glândula salivar), foram investigadas amostras de saliva expelida pelos mosquitos infectados. A carga viral encontrada nas duas espécies estudadas (Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus) foi similar.

Fiocruz Pernambuco, por Solange Argenta 

Fonte: AFN

Saúde e Meio Ambiente: Obsma promove oficinas pedagógicas para professores em Belém

Se você é professor da Educação Básica e está em Belém-PA, não perca a chance de participar das Oficinas Pedagógicas da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma/Fiocruz). 

São  120 vagas. Os interessados devem preencher a ficha de inscrição a seguir e enviar para o Centro de Formação dos Profissionais da Educação Básica do Estado do Pará (Cefor): cefor.seduc@gmail.com. Baixe o formulário de inscrição

Cada professor inscrito participará de três oficinas:

  • Produção audiovisual na Educação Básica: transdisciplinalidade entre saúde e meio ambiente;
  • Projeto de ciências na Educação Básica: trabalhando os temas saúde e meio ambiente;
  • Produção de texto no cotidiano escolar: como articular os temas saúde e meio ambiente na produção textual.

Em caso de dúvidas, entre em contato com a Obsma pelo e-mail olimpiada@fiocruz.br ou telefone (21) 2560-8259.

SERVIÇO

Oficinas Pedagógicas da Obsma em Belém-PA

Data: 9, 10 e 11 de agosto de 2017
Horário: 9h às 17h
Local: Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA) – Av. N. Sra. de Nazaré, 871, Nazaré – Belém-PA
Público-alvo: professores da rede pública do Pará
Parceria: Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc) e Centro de Formação dos Profissionais da Educação Básica do Estado do Pará (Cefor)

SOBRE AS OFICINAS PEDAGÓGICAS

Para estimular educadores interessados em abordar as temáticas de saúde e meio ambiente em sala de aula, a Obsma oferece anualmente as Oficinas Pedagógicas, um canal de diálogo entre a equipe multidisciplinar da Olimpíada  e professores.

As atividades abordam as relações entre educação, saúde, meio ambiente e ciência, apresentando também aos participantes como podem trabalhar com os formatos projeto de ciênciasprodução de texto e produção audiovisual em sala de aula. Assim, queremos incentivar que professores e seus alunos elaborem projetos críticos e criativos para submeter à Obsma.

Os temas e os conteúdos curriculares das áreas de saúde e meio ambiente abordados nas oficinas compreendem um amplo leque de possibilidades, considerando as realidades local, regional e/ou nacional, com propostas pedagógicas construídas pelas escolas , professores e alunos.

Desde 2013, são realizadas Oficinas Pedagógicas. Veja como foram as Oficinas anteriores

Que tal levar as Oficinas Pedagógicas da Obsma para sua cidade? Clique AQUI e saiba como.

As Oficinas são realizadas com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Fonte: Obsma

Fiocruz divulga ofício sobre suspensão das bolsas do CNPq

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima, escreveu um ofício para o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mario Neto Borges, manifestando preocupação com a suspensão de bolsas anunciada no portal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Leia o documento na íntegra:

“Ao Senhor
Mario Neto Borges
Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Senhor Presidente,

Considerando a informação veiculada pelo portal do MCTIC que os recursos do CNPq são suficientes para o pagamento dos bolsistas apenas até o mês de agosto, a Fundação Oswaldo Cruz vem expressar sua preocupação com os efeitos da suspensão das bolsas.

Assim como nas demais instituições de pesquisa no país, o impacto de tal suspensão na Fiocruz seria extremamente negativo. Além de representar um forte desestímulo aos estudantes em formação, a ausência de bolsas acarretaria prejuízos para diversas pesquisas em andamento. Desnecessário ressaltar o papel fundamental da ciência, tecnologia e inovação para garantir um futuro nacional com soberania e justiça social.

Somente no âmbito da iniciação científica, mestrado e doutorado, na Fiocruz, seriam afetados mais de 650 bolsistas atuantes em diversas áreas de conhecimento no campo da saúde.

Desde 1952, o CNPq investe na formação de pesquisadores brasileiros e sua atuação contribui fortemente para a consolidação de instituições de pesquisa do país, pelo que seria desalentador interromper tal atuação. Devemos, ainda, alertar que os efeitos de um suspensão, ainda que temporária, exigirá muitos anos para a sua recuperação.

Acreditando que a pesquisa é patrimônio da sociedade brasileira e que pesquisadores brasileiros vêm encontrando visibilidade crescente na comunidade internacional através do apoio fundamental do CNPq, esperamos que a agência consiga superar as dificuldades atuais e viabilize o pagamento das bolsas sem descontinuidade.

Atenciosamente,

Nísia Trindade Lima
Presidente da Fundação Oswaldo Cruz”

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

Doação de leite humano auxilia desenvolvimento de prematuros

O bebê prematuro é aquele que nasceu antes de completar 37 semanas de gestação e a amamentação para ele é essencial pois, oferecida de forma exclusiva, diminui significativamente a incidência e a gravidade de algumas doenças específicas, que só ocorrem nessa fase da vida do bebê. O leite materno nutre, auxilia no crescimento e desenvolvimento, além de facilitar a formação do vínculo entre mãe e bebê – um dos aspectos mais importantes para o recém-nascido prematuro.

Geralmente, o bebê prematuro permanece algum tempo internado até ganhar peso para poder ir para casa (a partir de 1.800g) e a alimentação é feita de acordo com esse peso, as condições clínicas e o grau de prematuridade. A pediatra do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marlene Roque Assumpção explica que, quanto maior a idade do bebê, mais esperto ele será. “Nestes casos, o bebê poderá mamar diretamente no seio materno, mas quando for muito prematuro, o início da alimentação será pela sonda gástrica ou pelo uso do copinho, que é indicado quando a mãe não está presente no momento da mamada, ou quando o bebê cansa e não consegue extrair todo o leite que necessita”, explicou.

O prematuro é um bebê sonolento e, por isso, precisa ser acordado e estimulado nos horários das mamadas. Inicialmente, se houver muita dificuldade para sugar, a mãe deve ordenhar o leite e oferecer a ele em um copinho. “A frequência das mamadas vai depender de quantas vezes o bebê solicita o peito, tanto de dia quanto de noite, sendo indicado sempre a livre demanda. À medida que crescem vão se acomodando a um ritmo próprio de frequência e duração”, enfatizou Marlene Roque.

Para facilitar a interação, que pode ser mais difícil por conta da rotina da unidade de terapia intensiva neonatal (UTI neo), os pais podem falar com o bebê antes de tocá-lo. A voz suave da mãe o acalma e o toque carinhoso dá segurança e tranquilidade ao bebê. “Realizar o contato pele a pele com o bebê mantém a temperatura corporal, auxiliando na função pulmonar e cardíaca dele. Além disso, amamentar e fazer o método canguru também auxiliam bastante na recuperação do peso do bebê, bem como proporcionam o desenvolvimento”, aconselha a pediatra.

CUIDADOS PARA UTILIZAR O COPINHO:

1 – Lave as mãos antes de oferecer leite no copinho para o bebê;

2 – Observe a temperatura do leite (se não for o leite da mãe retirado no mesmo momento);

3 – Coloque o bebê em posição semi-sentada;

4 – Apoie a borda do copo no lábio inferior do bebê para evitar que ele empurre o copo para fora com a língua;

5 – Espere que o bebê sugue o leite e não o obrigue a engolir.

Não é recomendado oferecer o leite em mamadeira, pois o bebê se acostuma ao bico que é oferecido. “Quando o bebê mama no peito, realiza uma ordenha, que trabalha toda a musculatura facial. Na mamadeira, ao contrário, ele chupa o leite como chupamos um canudinho, não usando adequadamente os músculos faciais, podendo apresentar mais tarde, problemas dentários, respiratórios e de linguagem”, alerta a pediatra.

Há casos em que, por conta da prematuridade, a mãe não consegue produzir leite suficiente para alimentar o filho, neste momento o BLH local se faz essencial, pois é o leite doado a esse local que irá alimentar o bebê. “O leite doado aos BLHs e postos de coleta passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada a bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatais. Todas as mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite que excede a necessidade de seu filho podem doar. As lactantes também devem ser saudáveis e não podem fazer uso de medicamentos que impeçam a doação. Diferente da doação de sangue que necessita de coleta presencial, a doação de leite humano pode ser feita em casa e aos poucos, conforme orientações de higienização e armazenamento adequados”, esclareceu a pediatra.

Para se tornar doadora, basta entrar em contato com o BLH mais próximo e realizar um cadastro mediante apresentação dos últimos exames de sangue. A equipe irá orientar sobre a forma correta de coletar o leite. O leite humano a ser doado pode permanecer congelado por 15 dias. Antes deste período, a nutriz deve entrar em contato para providenciar a coleta em seu domicílio. Para esclarecer dúvidas, consulte o site da rBLH ou ligue gratuitamente para 0800 026 8877.

IFF/Fiocruz, por Juliana Xavier

Foto: Aline Câmera (IFF/Fiocruz).

Plataforma Zika apresenta seus primeiros resultados

A Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a Zika e suas consequências, no âmbito do SUS, projeto do Centro de Integração de Dados em Conhecimento para a Saúde (Cidacs/ Fiocruz), apresenta seus primeiros resultados com a realização das Feiras de Soluções para a Saúde – Zika, série de cinco – uma em cada região do País, a primeira será realizada em Salvador, entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017.

O objetivo geral da plataforma é a integração de conhecimentos da coorte epidemiológica com diferentes bases de dados da saúde e de políticas de desenvolvimento social (CadÚnico/PBC), para acompanhamento de longo prazo das condições de vida de crianças nascidas entre 2001 e 2015, acometidas pelo vírus.

“A Plataforma foi proposta como uma contribuição da Fiocruz em resposta à emergência decorrente da epidemia de zika e da identificação das anomalias congênitas decorrentes da infecção na gestação, durante o primeiro semestre de 2016”, conta Wanderson Oliveira, membro da plataforma que conta com outros cerca de 50 pesquisadores, apoiadores e instituições participantes no Brasil e no exterior.

O estudo atuará em cinco eixos: Epidemiologia, Pesquisas, Redes, Segurança e Ciência aberta.  Cada eixo possui um responsável pela coordenação e gestão de projetos e subprojetos. Apesar de serem integrados, os mesmos possuem independência e agenda própria de atividades. A Feira de Soluções é um dos produtos esperados no desenvolvimento do Eixo 3.

O evento, promovido pela Fiocruz Brasília em parceria com o Centro, receberá centenas de expositores que apresentarão um importante conjunto de soluções para as arboviroses que acometem o Brasil.

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao zika vírus, organizado pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

Outro destaque será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

Ondas de infecções

Uma pesquisa sobre as duplas epidemias da infecção do vírus foi realizada por Wanderson Oliveira, resultado de sua tese de doutorado em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em conjunto com estudiosos vinculados ao Ministério da Saúde e da UFGRS, o pesquisador utilizou dados obtidos através dos sistemas de informação de saúde, coordenados pelo Ministério da Saúde, de janeiro de 2015 até novembro de 2016, e analisou o agrupamento espacial da infecção durante a gravidez e da microcefalia no país, para obter a estimativa da densidade.

Os achados deste estudo foram publicados no periódico científico The Lancet, em 22 de junho, no artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis. A pesquisa identificou duas ondas distintas de possíveis infecções pelo vírus zika que se estenderam em todas as regiões brasileiras no período analisado. Dados apontam que a distribuição da microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus variou ao longo do tempo e nas regiões brasileiras. As razões para essas aparentes diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas.

A maioria dos casos (70,4%) de microcefalia ocorreu na região nordeste após a primeira onda de infecções, com o pico de ocorrência mensal estimado em 49,9 casos por 10 000 nascimentos vivos. Após uma grande e bem documentada segunda onda de infecção pelo vírus em todas as regiões do Brasil, de setembro de 2015 a setembro de 2016, a ocorrência de microcefalia foi muito menor do que a primeira, atingindo níveis de epidemia em todas as regiões brasileiras, exceto no Sul, com picos mensais estimados variando de 3,2 a 15 casos por 10 000 nascimentos vivos.

Fonte: IGM/Fiocruz Bahia

Fiocruz cria diagnóstico personalizado para o câncer

A Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), criou uma metodologia inovadora e inédita no mundo para o diagnóstico molecular no tratamento personalizado do câncer. Ao identificar, através de análises genéticas, o perfil molecular do tumor e do tecido saudável de cada indivíduo, poderá ser indicado o coquetel de medicamentos mais relevante para cada paciente, minimizando os efeitos colaterais.

O projeto tem patente depositada e não existe concorrente no mercado para esse tipo específico de diagnóstico. O potencial da iniciativa foi reconhecido pelo edital Apoio ao Empreendedorismo e Formação de Start-ups em Saúde Humana do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), e ganhou o investimento inicial para que chegue à população.

“A proposta da Fiocruz permite a indicação de uma terapia mais precisa, o que significa, em termos de benefícios diretos, mais chance de cura, menos efeitos colaterais e melhor sobrevida para os pacientes. As terapias atuais são altamente agressivas. Além disso, a economia representada pela escolha adequada do medicamento pode ser revertida para ampliar o acesso da população ao tratamento”, afirmou o especialista em Bioinformática do CDTS/Fiocruz, Nicolas Carels.

O método foi desenvolvido para ser aplicado a pacientes com qualquer tipo de câncer e está validado, ou seja, testado em linhagens celulares tumorais e não-tumorais com resultados de máxima eficiência para o câncer de mama, reiterou Tatiana Tilli, especialista do CDTS/Fiocruz, que divide o desenvolvimento da metodologia com Carels. “Indiretamente, representa uma economia financeira substancial para o gestor hospitalar em termos de despesas com efeitos colaterais, novas internações e ciclos longos de tratamento. Isso é parte da inovação em saúde que estamos propondo”, observou.

A metodologia poderá beneficiar pacientes, médicos, equipe médica, gestores e laboratórios farmacêuticos. “Temos que comemorar a mudança de paradigma com esse primeiro edital da Faperj para o investimento em inovação e start-ups. A tecnologia é objeto de empreendedorismo, de investimentos e parcerias públicas e privadas. O CDTS/Fiocruz tem como missão levar o novo conhecimento gerado pela pesquisa e desenvolvimento tecnológico até a população”, ressalta Carlos Medicis Morel, coordenador-geral do CDTS/Fiocruz.

INOVAÇÃO EM SAÚDE

O CDTS/Fiocruz é responsável pela catalisação e aceleração de processos de inovação na área, ou seja, pela geração de produtos ou serviços que resultem em melhores intervenções – tais como vacinas, fármacos, biofármacos, métodos e reagentes para diagnóstico – para as populações que delas necessitam, onde quer que estejam.

CÂNCER

O câncer é uma doença grave cujo impacto global estimado é de 27 milhões de casos no mundo até 2030, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O câncer de mama é o mais comum em mulheres (atinge uma proporção de 25% de todos os cânceres). No Brasil, cerca de 70% do tratamento realizado para todos os tipos de câncer é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

CCS/Fiocruz, por Regina Castro.

 

Estudo atesta eficácia de vacina diluída contra a febre amarela

Um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), em parceria com o Instituto de Biologia do Exército, apontou que a utilização da vacina de febre amarela em doses reduzidas não altera a eficácia da vacina contra a febre amarela em adultos, mesmo quando a quantidade de antígenos é quase 50 vezes inferior à presente nas doses utilizadas atualmente. O trabalho será um dos temas de discussão da 19ª Jornada Nacional de Imunizações SBIm, que acontece em São Paulo, entre os dias 9 e 12 de agosto.

Para chegar à conclusão, 900 homens com idade média de 19 anos foram divididos em seis grupos e receberam vacinas com diferentes quantidades do antígeno: a padrão e as reduzidas em cerca de três; nove; 50; 150 e 900 vezes. “Com exceção das duas doses mais baixas, a resposta imunológica foi similar. Além disso, nos quatro primeiros grupos, não houve aumento de eventos adversos nem diferença significativa na persistência dos anticorpos nos 10 meses seguintes à vacinação”, informa o consultor científico da Fiocruz e um dos autores da investigação, Reinaldo M. Martins. Neste momento, os voluntários estão sendo reconvocados e submetidos a exames sorológicos para avaliar se a imunidade se mantém em longo prazo.

Martins afirma que o estudo respalda a validade da estratégia de reduzir as doses para controlar o surto em caso de expansão para áreas densamente povoadas. Ele, no entanto, ressalta que ainda é necessário replicar o teste com crianças para verificar se a resposta também será positiva. “Iniciaremos esse trabalho provavelmente em 2018. Caso os achados se repitam, podemos cogitar usar doses reduzidas até mesmo na vacinação de rotina”, avalia. “Por enquanto, essa é uma opção para situações emergenciais de escassez de vacina, quando há aumento súbito de demanda e a necessidade de vacinar rapidamente grandes contingentes da população”, completa.

MOBILIZAÇÃO

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, alerta para a importância de se vacinar antes do verão. “O vírus da febre amarela, assim como o da dengue, é mais incidente na estação, então é possível que ocorram novos casos. Por que esperar o problema acontecer se podemos nos proteger desde já, com bastante tranquilidade?”, indaga.

O Brasil viveu de dezembro de 2016 a maio de 2017 o maior surto de febre amarela silvestre das últimas décadas. Houve 3.240 casos notificados, dos quais 792 foram confirmados, 1929 descartados e 519 ainda são investigados. Minas Gerais e Espírito Santo foram as unidades da federação mais afetadas. Para conter o avanço da doença, entre outras medidas, o Ministério da Saúde incluiu todo o estado do Rio de Janeiro na área com recomendação de vacinação permanente (ACRV) e indicou temporariamente a vacinação em alguns municípios da Bahia, Espírito Santo e São Paulo.

“As mudanças no mapa de recomendação mostram o quão dinâmico é o comportamento de um vírus como o da febre amarela. É extremamente importante manter a vacinação em dia e adotar estratégias para afastar os mosquitos, como a aplicação de repelentes, instalação de telas nas janelas e, principalmente, não deixar água parada”, orienta a médica.

19ª JORNADA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES

Com o tema Imunização e sustentabilidade, caminho para a prevenção, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) realiza, em São Paulo, de 9 a 12 de agosto, a 19ª Jornada Nacional de Imunizações. O maior encontro do gênero no país reunirá as principais referências da área para discutir assuntos que vão da epidemia de febre amarela ao desenvolvimento de novas vacinas.

Uma das novidades desta edição é a proposta de criar um “rastro verde”. Serão plantadas quase 300 árvores em uma área de aproximadamente 1.800m² para compensar as emissões de carbono do evento. Além disso, os participantes receberão bolsas confeccionadas a partir de material reciclado, e o caderno impresso de programação será substituído por um aplicativo.

SERVIÇO

19ª Jornada Nacional de Imunizações

Quando: 9 a 12 de agosto

Onde: Hotel Maksoud Plaza – Rua São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista, São Paulo (SP)

Site: http://jornadasbim.com.br/2017/

 

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Fonte: AFN