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(Foto: Eduardo Gomes)

Fiocruz Amazônia abre inscrições para mestrado acadêmico em Condições de Vida e Situações de Saúde

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abre na próxima segunda-feira (24/4) as inscrições para o curso de mestrado acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA). O prazo termina dia 16 de maio, e a seleção seguirá quatro etapas: homologação das inscrições; prova escrita; entrega da documentação para a quarta etapa; e prova de inglês e prova oral (projeto de pesquisa e Currículo Lattes).

Serão oferecidas 12 vagas divididas em duas linhas de pesquisa: Fatores sócio biológicos no processo saúde-doença na Amazônia, com nove vagas; e Processo Saúde-Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade, com três vagas.

Poderão participar do processo de seleção candidatos que até a data da matrícula, completarem curso de graduação de duração plena devidamente reconhecido pelo MEC. O curso é em regime integral e as aulas estão previstas para iniciar dia 28 de agosto deste ano. Ao final do mestrado, o egresso do curso receberá diploma de Mestre em Saúde Pública.

As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet por meio da Plataforma Siga, que somente poderá ser acessada pelo navegador Internet Explorer. O candidato tem que preencher o formulário de inscrição nesta plataforma e anexar documentos de identificação com foto (carteira de identidade, carteira militar ou de conselho de classe), CPF, RNE (Registro Nacional de Estrangeiros) ou passaporte para candidatos estrangeiros e pagar a taxa de R$ 100,00. A divulgação das inscrições homologadas será no dia 24 de maio.

Para mais informações, consulte a chamada pública.

Foto: Érico Xavier

Coleção biológica da Fiocruz Amazônia abriga diversidade de fungos e bactérias da região

Você sabe o que são coleções biológicas? são conjuntos de organismos, organizados para fornecer informações sobre a procedência, coleta e identificação de cada um de seus espécimes. As coleções biológicas podem ser divididas em categorias como: microbiológicas, zoológicas, histopatológicas e coleções de botânica.

De grande relevância para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento de novas pesquisas na área da saúde, as coleções microbiológicas são responsáveis por organizar, classificar e documentar amostras, tornando-as disponíveis para o acesso de pesquisadores, empresas privadas, instituições de pesquisa e outras coleções de cultura.

Pensando nisso, em 2001, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), à época Escritório Técnico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na região, inseriu em sua política institucional as Coleções Biológicas, como eixo agregador de suas pesquisas. Atualmente, o acervo conta com 600 exemplares de bactérias e 1.200 amostras de fungos de grande importância para pesquisas que beneficiam a saúde humana.

(Foto: Érico Xavier)

(Foto: Érico Xavier)

Na Coleção de Bactérias da Amazônia (CBAM), encontram-se amostras provenientes de doenças diarreicas, infecções hospitalares, entre outras, enquanto que na Coleção de Fungos da Amazônia (CFAM) agrupam-se algumas leveduras provenientes de candidíases, ou seja, infecção fúngica causada por qualquer tipo do fungo Candida, que apresentam-se sob a forma unicelular, invisíveis a olho nu. A doença pode ser provocada por mais de vinte tipos de fungos do género Candida, um tipo de levedura, dos quais a Candida albicans é o mais comum.

Entre os principais tipos de bactérias que podem ser encontrados na coleção estão: Salmonella spp, Escherichia coli, Shigella spp, Staphylococcus aureus e Bacillus cereus. Já os fungos estão representados por diferentes gêneros, como: Aspergillus spp, Penicillium spp, Trichoderma spp, Fusarium spp, leveduras e leveduras negras.

Foto: Eduardo Gomes

(Foto: Eduardo Gomes)

Segundo a Curadora das Coleções Biológicas e Pesquisadora do Instituto, Ormezinda Fernandes, “projetos de cunho biotecnológico estão sendo desenvolvidos, no intuito de apresentar protótipos de fármacos com potencialidades para atuar no combate de doenças como tuberculose e doenças diarreicas, além de estudos visando a produção de enzimas, corantes, biossulfactantes, antitumorais, antioxidantes e antimicrobianos com aplicabilidade na indústria da saúde”.

O escopo da Coleção é constituído por amostras provenientes do ambiente e de amostras clinicas, são microrganismos de risco biológico 2, ou seja, apresentam risco moderado para o manipulador e fraco para a comunidade e há sempre um tratamento preventivo. “A CFAM é constituída por amostras provenientes dos mais diversos substratos e ambientes, tais como ar, solo, vegetais, água, homem, animais silvestres e domésticos. A CBAM, possui suas linhagens provenientes de amostras clínicas como orofaringe e fezes humanas, e do meio ambiente como água dos rios, igarapés, plantas, solo e microbiota bucal de animais”, destacou Ormezinda Fernandes.

SERVIÇOS

As duas coleções realizam aquisição, depósito, distribuição, preservação de bactérias, fungos filamentosos, leveduras, caracterização de microrganismos, pesquisa e treinamentos. Além disso, a Coleção Biológica do ILMD/ Fiocruz Amazônia realiza cursos sobre sistemática em fungos filamentosos, presta serviço de consultoria, emitindo laudos técnicos, e realizando ainda orientação de teses de mestrado, doutorado e pessoal técnico especializado.

O material biológico é disponibilizado a pesquisadores, alunos de Iniciação Científica (IC), mestrandos, doutorandos, instituições públicas e privadas de pesquisa, indústrias, mediante formulário de solicitação. O primeiro contato deve ser feito através dos e-mails cbam@fiocruz.br e cfam@fiocruz.br, e caso a coleção detenha a amostra solicitada, um formulário será enviado ao requente.

As amostras contam com os seguintes dados de coleta: número de registro, nome da espécie, autor, variedade, observação taxonômica, anamorfo, teleomorfo, número da coleção, data de entrada, doador, data e local de isolamento, identificação segundo o doador, nome antigo, coleções onde está depositada, substrato, hospedeiro, categoria do tipo, sexualidade, modo de preservação, fotos e imagens macro e microscópicas, aplicações e outras informações.

(Foto: Érico Xavier)

(Foto: Érico Xavier)

CARACTERIZAÇÃO TAXONÔMICA

A CBAM identifica e autentica as culturas bacterianas utilizando testes bioquímicos e por métodos genotípicos. O serviço pode ser oferecido independente da solicitação de depósito, neste caso, as culturas identificadas não são depositadas na coleção. Toda caracterização é realizada mediante o preenchimento de fichas de solicitação e termo de compromisso de utilização da cultura.

CREDENCIAMENTO

As Coleções de fungos e bactérias do ILMD/ Fiocruz Amazônia são filiadas a World Federation for Culture Collection (WFCC), e credenciadas como fieis depositárias pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Além disso, estão Integradas no Centro de Referência de Informação Ambiental (CRIA), Sistema de Informação de Coleções de Interesse Biotecnológico (SICoL), Sistema de Informação Distribuído para Coleções Biológicas (Rede Species Link) e Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

Ormezinda Fernandes, relatou também que pesquisadores do ILMD/ Fiocruz Amazônia, junto ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), estudam a criação de uma rede estadual de coleções biológicas. “Estamos juntamente com colegas do INPA, tentando criar uma rede de Coleções Biológicas do Amazonas, por entendermos o valor e a importância estratégica de mantermos nossas coleções, visto que são a base para consultas e pesquisas, sendo representativos da biodiversidade e do patrimônio genético do País”, enfatizou.

SOBRE O ILMD

O Instituto produz conhecimento científico, tecnológico e de inovação em saúde, integrados ao conhecimento cultural na Amazônia. Para isso, desenvolve projetos de caráter multidisciplinar e interinstitucional, gerando dados essenciais para a criação de políticas públicas que proporcionam a melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral.

Acesse as Coleções Biológicas de Fungos e Bactérias da Fiocruz Amazônia.

A OI é uma doença genética e hereditária. Foto: divulgação

Osteogênese imperfeita: cuidados com o paciente

Conforme dados estimados pela Associação Brasileira de Osteogênese Imperfeita (Aboi), existem cerca de 12 mil pessoas convivendo com osteogênese imperfeita (OI) no Brasil. A OI é uma doença genética e hereditária que ocorre por uma deficiência na produção de colágeno, proteína que dá sustentação às células dos ossos, tendões e da pele, causando fragilidade óssea ao portador.

O colágeno é um importante componente estrutural dos ossos, por isso, a sua falta ou deficiência os tornam anormalmente quebradiços, ou seja, as pessoas que sofrem desse mal têm fraturas por traumas simples, que não seriam suficientes para provocá-las em outras pessoas: uma pequena queda ou pancada, um esbarrão em algum obstáculo e até mesmo, nos casos mais graves da doença, um movimento do corpo mais brusco. Nesse sentido, é importante que a equipe de saúde envolvida no atendimento a esse paciente seja capacitada, principalmente na assistência à criança.

Para melhor explicar as técnicas do cuidado ao paciente com OI e como deve ser essa abordagem, entrevistamos a fisioterapeuta do Centro de Referência em Genética Médica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Nicolette Celani Cavalcanti foi convidada. Confira a entrevista.

Quais as outras manifestações da OI?

Dentre outras, as escleras azuladas, frouxidão dos ligamentos deixando as articulações mais frouxas e instáveis, a fragilidade dos vasos sanguíneos, dificultando bastante o acesso venoso para a infusão do medicamento, deficiência auditiva em alguns casos, dentinogênese imperfeita (doença genética do desenvolvimento dentário) e baixa estatura.

O que é importante saber na abordagem de crianças com OI?

Não é necessário saber classificar o tipo de OI, se é do tipo um, dois, três, quatro ou cinco. Precisamos saber se estamos lidando com a forma branda, intermediária ou grave da doença. Nossa conduta e manuseio serão diferentes nas diversas formas, variando de muito cuidado na forma mais grave e na intermediária, e mais próximo ao normal, na forma branda da doença.

Como segurar crianças com fragilidade óssea sem risco de fraturá-las?

A recomendação é que os recém-nascidos, com a forma grave da doença sejam transportados em um travesseiro, através do qual se pode levar o bebê e também fazer pequenas transferências laterais de peso, sem risco de fraturas. Após o sexto mês de vida, com o auxílio do tratamento medicamentoso e da fisioterapia, o bebê vai fortalecendo a estrutura óssea e ganhando tônus muscular. Desta forma, já será possível segurá-lo pelo tronco, não esquecendo de apoiar sempre a cabeça, pois eles costumam ter o perímetro cefálico aumentado, atrasando o controle de cabeça, que deveria estar completo aos três meses. Uma boa forma e segura de carregá-lo é em “cadeirinha”, com a criança recostada no tórax de quem o transporta. Nunca se deve segurar ou puxar a criança pelas extremidades (pés, mãos, cotovelos e joelhos), sempre pelos ombros e quadris. Não esquecer que os membros superiores ou inferiores soltos ficam sujeitos a fazer uma alavanca, prendendo-se em qualquer lugar, o que poderá causar fratura, portanto, devemos tê-los sempre à vista.

Que outros cuidados são importantes?

Conhecer e respeitar a amplitude dos movimentos das articulações antes de manusear o bebê. Ver primeiro como ele se movimenta, o que é capaz de alcançar e de que forma, para podermos solicitar dele qualquer atividade ou fazer alguma intervenção. Caso necessite de contenção para acesso, solicitar o auxílio da mãe para fazê-lo de forma global e não segmentária, evitando assim, uma alavanca e possível fratura. Ao trocar a roupa, lembrar sempre de segurar o segmento envolvido.

Alguma outra orientação?

Acrescentar que nós, profissionais de saúde, não devemos, por receio de causar fratura, evitar o atendimento/ manuseio desses pacientes. Ele deve ser cuidadoso e profissional, tendo a consciência de que na OI as fraturas podem ocorrer apesar de todo o cuidado que tenhamos, não esquecendo que estas crianças necessitam de estímulos, toque, carinho e movimento como qualquer outra.

IFF/Fiocruz, por Suely Amarante
Fonte: Portal Fiocruz
Foto: divulgação

Governo Federal lança campanha de prevenção a acidentes de trabalho

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participou nesta terça-feira (11) do lançamento da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Canpat), realizada em parceria com o Ministério do Trabalho. O tema deste ano, “Acidentes de Trabalho – Conhecer para Prevenir”, destaca a importância do conhecimento e análise dos dados relacionados a acidentes de trabalho para que seja possível descobrir as principais causas, sua relação com o tipo de ocupação e os grupos de trabalhadores mais vulneráveis, permitindo assim a adoção de medidas de prevenção mais eficazes.

O Ministério da Saúde vai fortalecer a vigilância e aprimorar os dados nacionais sobre o tema. Está em elaboração pela Coordenação de Vigilância em Saúde do Trabalhador da pasta Portaria que tornará obrigatório o preenchimento do campo Classificação Brasileira de Ocupações em todos os Sistemas de Informação do Ministério da Saúde. O objetivo é que a informação seja especificada em todas as fichas de atendimento do SUS para que a análise de cada caso seja mais efetiva, contribuindo assim para as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador. A previsão é que a portaria seja publicada ainda no primeiro semestre de 2017.

Para o ministro Ricardo Barros, a prevenção ao acidente de trabalho é um assunto que deve ser tratado com muita importância. “Acidentes de trabalho impõe um custo alto à Saúde e à Previdência, já que muitos desses trabalhadores não conseguem retomar a atividade produtiva. Para que nós possamos ampliar a avaliação dessas questões, nós teremos o preenchimento da atividade laboral na ficha única de saúde de cada paciente. Assim, terremos a capacidade construir dados para conseguir relacionar os atendimentos de saúde com a atividade laboral. Isso vai facilitar a análise efetiva do que é importante nesse sentido para o nosso país”, destacou.

Entre 2010 e 2015, o Ministério da Saúde registrou 439,4 mil acidentes de trabalho grave, 276,6 mil acidentes de trabalho por exposição a material biológico e 30,5 mil intoxicações exógenas (exposição a substâncias químicas) relacionadas ao trabalho.

A campanha faz parte do movimento Abril Verde, que será realizada durante todo o mês e envolverá ações de diversos órgãos federais. No âmbito da Saúde, serão promovidas palestras, seminários e outras atividades educativas nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), além de eventos em praças e outras áreas públicas, envolvendo vários profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e trabalhadores de outros segmentos. Durante todo o mês, prédios e monumentos públicos serão iluminados na cor verde, uma forma de demonstrar a importância da adoção de uma cultura de segurança por todos os trabalhadores.

“A consolidação de uma cultura de prevenção depende de cada um de nós. É essencial que o cidadão brasileiro perceba que, quando acontece um acidente do trabalho, toda a sociedade é impactada”, afirma o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. “Ocorrem no Brasil, em média, mais de 2.800 mortes de trabalhadores por ano, oito por dia, uma a cada três horas. Cada acidente de trabalho que acontece é catastrófico em termos individuais, familiares e sociais”, acrescentou.

A Organização Mundial do Trabalho (OIT) instituiu, em 2003, a data de 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, em razão da explosão de uma mina de carvão na cidade de Farmington, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, em 1969, que resultou na morte de 78 trabalhadores. A lei nº 11.121/2005 instituiu no Brasil o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho, cuja data também 28 de abril.

ASSISTÊNCIA

A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) foi criada em 2002, pela Portaria 1.679, com objetivo de disseminar ações de saúde do trabalhador, articuladas às demais redes do Sistema Único de Saúde, na ótica da promoção, assistência e vigilância para o desenvolvimento das ações de Saúde do Trabalhador. Fazem parte desta Rede os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), que têm como objetivo realizar apoio para o desenvolvimento das ações de saúde do trabalhador em todos os níveis de atenção, bem como executar ações de fiscalização, investigação e análise de causalidade entre o trabalho e o adoecimento. No Brasil, atualmente existem 214 centros habilitados, sendo 27 estaduais e 187 regionais.

Em 2012, a fim de fortalecer as ações em saúde do trabalhador, o Ministérioda Saúdepublicou aPortaria 1.823, com ênfase na Atenção Integral à saúde, na Vigilância, na Promoção e Proteção da saúde do trabalhador e na Redução da morbimortalidade, a partir da análise dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos.

Camila Bogaz (Agência Saúde)

Fonte: Canal Saúde

MEC publica credenciamento da Fiocruz para cursos ‘lato sensu’

O Ministério da Educação (MEC) publicou, no Diário Oficial da União, portaria que credencia o funcionamento da Escola de Governo da Fiocruz. A Portaria N.º 331/2017 regulariza a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu, presenciais e a distância, oferecidos pelas unidades da instituição. A Fiocruz oferta cerca de 50 cursos lato sensu por ano. Em 2016, mais de 5.000 estudantes concluíram a especialização na Fundação.

O credenciamento, válido pelo prazo de oito anos, garante a validade de todos os certificados de cursos lato sensu emitidos pela Fiocruz até hoje. Além disso, garantirá maior governabilidade institucional para o planejamento da oferta de cursos da modalidade, possibilitando a definição de metas institucionais para este segmento do ensino.

INTEGRAÇÃO

O processo de credenciamento foi iniciado em maio de 2015, coordenado pela atual Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), com participação ativa de profissionais de diferentes áreas e unidades da instituição. Em setembro de 2016, a Secretaria de Regulação do Ensino Superior (Seres/MEC) encaminhou parecer favorável ao credenciamento da Fiocruz como Escola de Governo ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Durante todo o processo, foram realizadas oficinas e ações integradas entre a VPEIC e as unidades.

Em encontros realizados com representantes da comunidade da Fundação, avaliadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) já tinham destacado a forma como a Fiocruz se preparou para o processo, ressaltando a construção do Plano de Desenvolvimento Institucional 2016-2020 e o engajamento demonstrado pelos trabalhadores da instituição de diversos segmentos.

CPA

Um fruto importante deste processo foi a criação da Comissão Própria de Avaliação (CPA), responsável por coordenar e implementar o processo de autoavaliação institucional relacionada à oferta de cursos de pós-graduação lato sensu pelas unidades da Fundação. O órgão tem uma página no Portal Fiocruz. Na área é possível conhecer um pouco mais da Comissão, como a estrutura, composição e as competências, além de ter acesso a documentos relacionados ao trabalho da CPA.

Leonardo Azevedo (CCS/Fiocruz)

Fonte: Portal Fiocruz

Foto: Divulgação

Bactéria pode contribuir para redução de açúcar no sangue

Desde que começou a ser estudada, a microbiota intestinal vem sendo associada a diversas funções do organismo. Recentemente, um estudo realizado pela Fiocruz Minas em parceria com outras instituições mostrou que este conjunto composto por cerca de 100 trilhões de micro-organismos pode ajudar a evitar uma doença que afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo: o diabetes tipo 2. A pesquisa foi publicada recentemente na Nature Communications, uma das mais influentes revistas científicas.

Segundo o estudo, a Akkermansia muciniphila, bactéria presente na microbiota intestinal, pode auxiliar na transformação da glicose em energia para o corpo, diminuindo a concentração de açúcar no sangue. Entretanto, a Akkermansia seria impedida de realizar essa atividade pelo Interferon-gama, uma proteína liberada pelo próprio organismo, sempre que precisa se proteger contra infecções virais e de alguns protozoários e bactérias.

“Algumas pesquisas consideram o diabetes tipo 2 como uma doença inflamatória crônica, que faz com que o Interferon-gama seja constantemente liberado, conforme ocorre com as doenças autoimunes. Por meio desse trabalho, constatamos que o Interferon atrapalha o papel modulador da Akkermansia, levando ao excesso de açúcar no sangue”, explica o pesquisador do Grupo de Informática de Biossistemas e Genômica da Fiocruz Minas Gabriel Fernandes.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores observaram a ação da Akkermansia no organismo de camundongos, incapazes de produzir o Interferon-gama. Para isso, eles alimentaram os animais e avaliaram o índice de queda da glicose somente pela ação da insulina. Depois, os cientistas introduziram a bactéria (Akkermansia) no intestino dos ratos e constataram que o nível de glicose caía ainda mais. Já em uma terceira etapa, o Interferon foi introduzido no organismo dos camundongos e, com isso, os efeitos benéficos da Akkermansia não foram mais observados.

Em uma fase subsequente desse estudo, verificou-se que também em humanos existe essa correlação entre a abundância de Akkermansia muciniphila e o nível de glicose no sangue.  Ou seja, quanto maior a quantidade dessa bactéria maior a capacidade de metabolização e consequente diminuição de açúcar no sangue. Foram avaliadas as microbiotas de 268 pacientes, bem como dados bioquímicos e antropométricos.

“Fizemos o sequenciamento da microbiota de cada um deles. Em seguida, por meio de análise estatística, avaliamos uma série de fatores, como quantidade de glicose, marcadores inflamatórios presentes, resistência à insulina, entre outros. Assim, verificamos que a Akkermansia e o Interferon seriam fatores determinantes da capacidade de metabolismo de glicose”, explica Fernandes.

Segundo o pesquisador, o estudo abre possibilidades para novas pesquisas voltadas para o tratamento do diabetes tipo 2. “Se você tem um paciente com resistência à insulina, é possível oferecer a ele nutrientes que favoreçam a Akkemansia e neutralize a ação do Interferon diante dessa bactéria. Um possível tratamento natural seria por meio de uso de prebióticos”, avalia.

DIABETES TIPO 2

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, no Brasil, há mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da população. Desse total, cerca de 90% têm o diabetes tipo 2. Um dos principais problemas enfrentados é que, muitas vezes, o diagnóstico demora, favorecendo o aparecimento de complicações.

Diferentemente do que ocorre com o tipo 1, os indivíduos com diabetes tipo 2 produzem insulina. Entretanto, muitas pessoas desenvolvem resistência a esse hormônio e, com isso, a insulina não consegue cumprir seu papel de transportar a glicose para dento das células, para que ela seja transformada em energia para o corpo. Também pode acontecer de a pessoa não produzir insulina suficiente para suprir as demandas do organismo e, assim, o hormônio insuficiente não consegue carregar todo o açúcar, que acaba se acumulando no sangue.

Em boa parte dos casos, a diabetes tipo 2 pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outras situações, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.

 

Keila Maia (Fiocruz Minas)

Fonte: AFN

Pesquisa identifica alterações genéticas que causam resistência a medicamentos contra a tuberculose

Pesquisadores de cinco instituições, entre elas a Fiocruz Minas, estão envolvidos em um projeto que vai contribuir para superar um dos principais obstáculos no combate à tuberculose: a resistência a medicamentos usados no tratamento da doença. Desenvolvida por um número cada vez maior de pacientes, a resistência acontece quando as bactérias causadoras da infecção sofrem mutações genéticas, fazendo com que os antibióticos aplicados se tornem ineficazes. Por isso, os cientistas que estão à frente do projeto pretendem, por meio da bioinformática, obter uma compreensão aprofundada a respeito dessas alterações, identificando quais delas interferem no efeito dos medicamentos e que tipo de reações provocam no organismo do paciente, de forma a apontar tratamentos mais personalizados.

“Hoje, um dos principais problemas no enfrentamento da tuberculose resistente é o intervalo de tempo entre a suspeita e a confirmação de que o medicamento não está fazendo efeito. Assim, um dos nossos principais objetivos é agilizar esse diagnóstico, identificando o mais rápido possível as mutações responsáveis pela resistência, para que o tratamento possa ser reavaliado e modificado, tendo em vista as características da bactéria que está causando a doença”, explica o pesquisador da Fiocruz Minas Douglas Pires.

Para identificar e caracterizar as mutações, os pesquisadores Douglas Pires e David Ascher, da University of Melbourne (Austrália), desenvolverem um método computacional, o MCSM, primeira plataforma online capaz de predizer o efeito das alterações genéticas. Por meio dela, é possível analisar as estruturas moleculares de proteínas que sejam alvo das drogas e que tenham sofrido mutações, a partir de amostras de pacientes que tiveram resistência a medicamentos. A ferramenta, cujo principal diferencial é a capacidade de lidar com grande quantidade de dados, também realiza cálculos matemáticos, permitindo prever novas mutações, antes que aconteçam.

A plataforma vem sendo alimentada por um banco de dados proveniente do Bloomsbury Research Institute, na Inglaterra. São mais 3500 amostras de pacientes de diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil, que desenvolveram resistência a medicamentos contra a tuberculose.

“Em Bloomsburry, a profa. Sharon Peacock vem realizando um trabalho de longa data que consiste em catalogar e fazer o sequenciamento do genoma de amostras de paciente com tuberculose. É de lá que recebemos as cepas a serem analisadas”, explica Pires.

O estudo se completa com o envio das análises computacionais para Universidade de São Paulo (USP) e para a University of Cambridge, no Reino Unido, onde dois outros grupos envolvidos no projeto ficam responsáveis pela validação do estudo, por meio de ensaios biofísicos. “Ou seja, é o resultado computacional voltando para a clínica, para que sejam propostos melhores tratamentos e identificadas novos alvos para o desenvolvimento de fármacos”, destaca Pires.

A pesquisa vai ao encontro da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que, no início deste mês, emitiu uma declaração enfatizando a necessidade de estudos e desenvolvimento de novos medicamentos para enfrentar a tuberculose multidroga resistente. A OMS estima que, em 2015, tenha sido registradas 250 mil mortes relacionadas a essa questão.

Matéria publicada originalmente no Especial Tuberculose, da Agência Fiocruz de Notícias.

 

 

(Foto: Bernardo Portella

Febre Amarela: até 9 milhões de doses da vacina por mês

O Instituto Tecnológico em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, é o maior produtor mundial da vacina contra a febre amarela. Bio-Manguinhos é também o principal fornecedor de vacinas do Ministério da Saúde e sua produção é feita a partir da previsão anual do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em situações de rotina, a produção mensal da vacina de febre amarela em Bio-Manguinhos é de 4 milhões de doses. Em função do aumento da demanda e da priorização por este insumo, atualmente a produção está em 6 milhões de doses. O Instituto, no entanto, tem capacidade para produzir 9 milhões de doses por mês, o que representam 108 milhões anuais.

As vacinas produzidas em Bio-Manguinhos são transportadas em caminhões frigoríficos para o Centro Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi), permanecendo em câmaras frias até a aprovação dos lotes de vacinas e diluentes pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz). Uma vez liberados os lotes, o Cenadi os envia em caixas térmicas para as coordenações estaduais de Saúde, que por sua vez encaminham para as centrais regionais, onde as vacinas ficam armazenadas. Então os representantes dos postos de vacinação retiram a quantidade necessária para um determinado período na região em que atuam.

Até quarta-feira (29/3) foram confirmados 574 casos de febre amarela no país. Ao todo, foram notificados 1.987 casos suspeitos, sendo que 487 permanecem em investigação e 926 foram descartados. Dos 282 óbitos notificados, 187 foram confirmados, 71 ainda são investigados e 24 foram descartados.

A vacinação de rotina para febre amarela é ofertada em 19 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) com recomendação para imunização. Vale destacar que na Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina a vacinação não ocorre em todos os municípios. Além das áreas com recomendação, neste momento também estão sendo vacinadas de forma escalonada as populações de Rio de Janeiro e Espírito Santo. As pessoas que vivem nesses locais devem tomar duas doses da vacina ao longo da vida.

Desde o início deste ano o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 20,6 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (7,5 milhões), São Paulo (4,7 milhões), Espírito Santo (3,6 milhões), Rio de Janeiro (3,3 milhões) e Bahia (1,4 milhão). Além disso, foram distribuídas, desde janeiro deste ano, 4,1 milhões doses da vacina de rotina para todas as unidades da Federação.

Fonte: AFN, por Ricardo Valverde

virologia

Inscrições abertas para o Simpósio Avançado de Virologia Hermann Schatzmayr

Estão abertas as inscrições para o 4º Simpósio Avançado de Virologia Hermann Schatzmayr, que será realizado de 10 a 12 de maio de 2017, no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio de Janeiro. O prazo para inscrição vai até 30 de abril, mas os interessados em submeter trabalhos precisam se inscrever e enviar o resumo até 23 de abril. Com foco na apresentação e discussão de resultados de pesquisas desenvolvidas na área da virologia no âmbito da pós-graduação, o evento conta com algumas novidades este ano. Uma delas é a oportunidade de participação de pós-doutorandos, além de estudantes de mestrado e doutorado, com estudos em andamento e com resultados ou concluídos nos últimos 12 meses. A atividade é promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), com apoio da presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Editora Fiocruz, dos Programas de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular e em Medicina Tropical do IOC, da Prefeitura de Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, e das Sociedades Brasileiras de Medicina Tropical, Virologia, Infectologia e Mastozoologia.

“Nosso objetivo é valorizar a produção científica da pós-graduação, reunindo estudantes que realizam trabalhos na área de virologia e oferecendo um espaço para discussão de resultados, com a participação de pesquisadores seniores”, ressalta a pesquisadora Elba Lemos, chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC e uma das organizadoras do Simpósio. Segundo ela, a duração do evento vem sendo ampliada anualmente em resposta à grande demanda. “Este ano, teremos dois dias e meio de programação e contaremos com a participação de professores de universidades do Mato Grosso, além de pesquisadores de diversas instituições do Rio de Janeiro na moderação das sessões e no comitê científico”, comemora. Na sexta-feira, 12/05, as atividades da parte da manhã serão integradas à programação do Centro de Estudos do IOC.

Destaque para pôsteres

Entre os estudos submetidos para o Simpósio, 24 serão selecionados para as quatro sessões de apresentação oral, nas quais os autores terão 15 minutos para expor seus resultados. O melhor trabalho de cada sessão será premiado. Pela primeira vez, os projetos aceitos para a sessão de pôsteres também poderão ser divulgados em sessões de apresentação oral resumida, com único slide e cinco minutos para exposição. “O objetivo é que os estudantes destaquem os principais pontos das suas pesquisas para que os interessados possam procurá-los e aprofundar as discussões durante as sessões de pôsteres”, explica Elba. Todos os estudos apresentados no evento serão publicados em uma edição especial do periódico Virus Reviews and Research.

No primeiro dia da atividade, após a mesa de abertura, haverá uma mesa redonda sobre temas atuais da virologia. O infectologista Rivaldo Venâncio, pesquisador da Fiocruz, vai abordar a situação atual das arboviroses no Brasil. Já o pesquisador Fábio Gouveia, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), discutirá a divulgação da ciência na mídia. Em seguida, ocorrerá a apresentação de um grupo indígena do Mato Grosso.

Como se inscrever

A inscrição deve ser realizada através do formulário online. Para submeter um trabalho, é preciso estar inscrito no Simpósio e ter um projeto de mestrado, doutorado ou pós-doutorado na área da virologia em fase de desenvolvimento e com resultados ou concluído nos últimos doze meses. O resumo em inglês deve ser enviado para o e-mail viroses@ioc.fiocruz.br. O texto deve ter, no máximo, 1.500 caracteres (na contagem sem espaços), em um único parágrafo, com espaçamento simples e fonte Times New Roman de tamanho 12. O conteúdo deve trazer breve introdução, materiais e métodos, discussão dos resultados e conclusão. Além do nome e e-mail do autor, devem constar os nomes dos orientadores, dos coautores e da instituição onde o trabalho está sendo realizado. O texto não deverá conter citações bibliográficas, nem lista de referências bibliográficas. Notas de rodapé e abreviações não definidas não devem ser utilizadas no resumo. Acesse o modelo de resumo.

Para mais informações  e programação clique.

IOC/Fiocruz, por Maíra Menezes

Acervo de moluscos da Fiocruz ultrapassa marca de 10 mil lotes

De grande importância para o conhecimento e conservação da biodiversidade brasileira, a Coleção de Moluscos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) alcançou o número de 10 mil lotes depositados no acervo. O espaço reúne conchas e partes moles de aproximadamente 200 mil espécimes de moluscos provenientes de mais de 60 países. Este acervo variado inclui exemplares de importância para a saúde humana e animal, incluindo caramujos capazes de transmitir doenças parasitárias, como a esquistossomose, caracóis e lesmas que podem atuar como pragas agrícolas e mexilhões que causam grandes perdas econômicas à geração de energia.

A partir de investimentos institucionais e financiamentos de editais externos, o espaço recebeu uma série de melhorias de infraestrutura, com destaque para a modernização de armários e equipamentos. Pesquisadores do Laboratório de Malacologia do IOC, que abriga a Coleção, publicaram estudo sobre a diversidade e a distribuição geográfica dos espécimes incluídos na Coleção, que servem como fonte para estudos sobre biodiversidade, taxonomia e evolução. O artigo foi publicado no periódico científico Arquivos de Ciências do Mar, que reuniu trabalhos sobre diversas coleções de moluscos. A Coleção é credenciada como fiel depositária de amostras de patrimônio genético pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN/Ministério do Meio Ambiente).

Quem são? De onde vêm?

De acordo com o estudo, os mais de 10 mil lotes catalogados contemplam cerca de 200 mil espécimes que habitam rios, lagos e córregos e ambientes terrestres, além dos chamados bivalves (moluscos com concha dividida em duas partes, como os mexilhões, por exemplo). Com mais de nove mil lotes, os espécimes de água doce representam o maior grupo presente na Coleção. É o caso das espécies do gênero Biomphalaria, incluindo hospedeiras intermediárias do helminto Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Já os moluscos terrestres passaram a fazer parte da Coleção em 2015. O acervo conta com exemplares do caramujo africano, uma das espécies terrestres mais conhecidas atualmente, que atua como praga urbana, muito comum em quintais, praças, jardins e terrenos baldios. Um dos principais riscos para a saúde pública, nesse caso, é o seu potencial como agente transmissor da meningite eosinofílica ou angiostrongilíase cerebral, infecção causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis.

“Conhecer a origem, a distribuição e a diversidade das diferentes espécies de moluscos é um passo importante para a realização de estudos científicos. O conhecimento gerado pode, por exemplo, auxiliar na formulação de estratégias de prevenção de doenças, assim como melhorar técnicas, cuidados e formas de controle desses animais em plantações agrícolas”, destacou Silvana Thiengo, chefe do Laboratório de Malacologia do IOC e curadora da Coleção.

No que diz respeito à origem, o acervo conta com amostras de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. O Rio de Janeiro é o estado de maior representatividade, com amostras referentes a todos os 92 municípios. Além do Brasil, países como Argentina e Uruguai estão entre os mais expressivos. O acervo também abriga amostras de países das Américas, Europa, Ásia e Oceania.

Modernização

Investimentos recentes possibilitaram a modernização do espaço onde a Coleção fica instalada, garantindo melhorias na infraestrutura para acondicionamento das amostras. Isso incluiu novas salas e a aquisição de novos armários deslizantes de metal. As medidas ampliaram a capacidade de preservação e a oferta de serviços, como consultas e empréstimos de exemplares depositados, e o atendimento a profissionais e estudantes interessados em identificações taxonômicas feitas pela Coleção. Para evitar a degradação dos exemplares, a coleção foi separada em duas salas, uma para partes secas (conchas) e outra para partes úmidas (corpo dos moluscos). O sistema de rotulagem dos lotes também passou por mudanças ampliando o cuidado do material.

No quesito informatização, uma das recentes conquistas do acervo foi a aquisição de um novo microscópio, a partir de um projeto institucional submetido a um edital de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O equipamento possibilita a digitalização dos espécimes, ampliando o acesso, pela internet, à base sobre a biodiversidade presente na coleção. A iniciativa tem por objetivo reduzir a necessidade de empréstimos, viagens e manipulação dos espécimes a partir da oferta de imagens digitais de alta qualidade. Desde 2012, a base de dados da Coleção está disponível para consultas online, com acesso livre, por meio da plataforma SpeciesLink.

Serviços

A Coleção de Moluscos do IOC teve início em 1948 e, hoje, atua a pleno vapor, desempenhando um papel importante para pesquisas na área da Malacologia. O acervo oferece serviços de identificação taxonômica de moluscos e disponibiliza a consulta e empréstimos de espécimes a pesquisadores de instituições nacionais e estrangeiras, assim como o depósito de material biológico de espécimes utilizados para a elaboração de teses e artigos. A Coleção também fornece suporte a diversas atividades, como a identificação de espécimes para órgãos ligados à saúde e à agricultura do Brasil e de outros países. Para conhecer mais sobre uma das mais representativas coleções de moluscos de água doce das Américas, com representantes das principais espécies brasileiras de moluscos terrestres, clique aqui.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha