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Projeto busca vírus que possam causar pandemias globais

A revista Science publicou, nesta sexta-feira (23/2), um artigo que descreve um projeto que quer fazer diferente usando um velho conselho: é melhor prevenir que remediar. O artigo trata do Projeto Viroma Global (PVG), iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. A proposta do PVG é identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite antever as próximas epidemias e mitigar seus danos. Os cientistas do PVG estimam que há aproximadamente 1,6 milhão de vírus desconhecidos no mundo. Entre eles, de 600 a 800 mil deles podem infectar o homem. Os cientistas do PVG querem saber quem são eles e qual caminho podem seguir. O grupo de cientistas pretende caracterizar os patógenos emergentes, identificar práticas e comportamentos que levam a propagação e ampliação da doença e propor conjunto de medidas para caso de emergências.

A proposta, embora audaciosa, está sustentada em evidências robustas coletadas pelo Predict – um projeto piloto, conduzido pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAIDS) com foco no fortalecimento de competências e estruturas laboratoriais para detectar e prever pandemias a partir de vírus que são transmitidos da relação entre animais e humanos. Para alcançar seu objetivo, o PVG pretende ampliar e fortalecer laboratórios de virologia existentes e criar uma base de dados de larga escala em ecologia e genética de vírus de alto risco propondo transformar a ciência básica em virologia em uma área de conhecimento baseada em big data.

O Predict, em oito anos, com U$ 170 milhões e mais de 30 países parceiros, conseguiu coletar aproximadamente 250 mil amostras de mais de 90 mil origens e identificou aproximadamente mil novos vírus. Capacitou mais de 4 mil profissionais e tem 50 laboratórios em plena atividade. Os números demonstram o acerto na abordagem OneHealth, que considera a intrínseca relação entre a população, animais e o meio ambiente para o mapeamento de vírus que representam perigo para a saúde.

De fato, 75% dos patógenos emergentes é transmitido por animais. De acordo com o artigo publicado na Science, o PVG estima que a maioria da diversidade viral de nossos reservatórios zoonóticos podem ser descobertos, caracterizados e avaliados em um prazo de dez anos. De acordo com o artigo, a iniciativa dependerá da adoção de tecnologias de ponta para sequenciamento além da colaboração entre virologistas, epidemiologistas e modeladores, novas estratégias para avaliar as relações entre vírus e hospedeiros, e conhecimento nas áreas de biologia evolutiva, modelagem de biodiversidade, veterinária, entre outras.

O Brasil faz parte dessa iniciativa. O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Saúde (CDTS/Fiocruz), Carlos Morel, é co-autor do artigo da Science e participa da governança do projeto ao lado do diretor da Unidade de Desenvolvimento e Segurança da Saúde Global da Agência Americana para Ajuda Internacional, Dennis Carroll. O Brasil é um hotspot para pesquisas e coleta de amostras dada a alta probabilidade de extrapolação dos vírus de seus reservatórios para o ser humano.  Além disso, o país tem cientistas com importantes contribuições para a compreensão e prevenção de doenças emergentes virais, como o especialista em virologia do CDTS Thiago Moreno, que a partir do sequenciamento e análise do comportamento do vírus da zika identificou a trajetória da epidemia e testa medicamentos já aprovados para tratar a doença e evitar que a transmissão do vírus para o feto. O Brasil tem biodiversidade, liderança, ciência e experiência em alianças internacionais.

Os organizadores do PVG estão estabelecendo um desenho de gestão transparente e com participação equitativa de cada país envolvido. Questões éticas, sociais, legais pautam as atividades científicas. Na prática, isso representa um esforço para construir protocolos de acesso a biodiversidade e patrimônio genético em conformidade com Protocolo de Nagoya e as regras dos países envolvidos, acordos para o compartilhamento de amostras, dados e potenciais benefícios na hipótese de desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, além de políticas de proteção da propriedade intelectual e compliance que estabelecem, de antemão, os valores e princípios que os parceiros devem observar, garantindo a proteção das populações e o meio ambiente e a primazia do interesse público e o bem comum. A estratégia de vigilância orientada e baseada no risco, voltada para a detecção de vírus no seu ambiente natural pode conduzir a intervenções eficientes antes do contágio de pessoas ou animais alimentares.

O custo da empreitada foi avaliado em US$ 1,2 bilhão, para aumentar a capacidade de identificação de patógenos, fortalecer capacidades e laboratórios existentes, colher dados e gerar conhecimento. Entre os benefícios, mais conhecimento pode oferecer respostas mais eficientes e rápidas aos surtos, nortear o desenvolvimento e aprimoramento de diagnósticos, medicamentos e vacinas. Entendendo como o vírus se comporta, é possível, inclusive, evitar que se espalhe e criar consciência global e regional e informar políticas para evitar ou mitigar a disseminação dos vírus.

Para fins de comparação, um recente estudo na área da economia da saúde avaliou que o Brasil gastou R$ 2,3 bilhões com dengue, chikungunya e zika, apenas em 2016. Considerado conservador pelos próprios autores, o estudo calculou custos diretos, como atendimento e medicamentos e ausência no trabalho, e indiretos, como o combate ao mosquito vetor, mas excluiu, por exemplo, despesas com tratamento da microcefalia e anos de vida perdidos. Pode-se dizer que o Brasil pagou o preço alto pela inação.

O Boletim Epidemiológico 3/2018 do Ministério da Saúde divulgou que mais de 3 mil crianças nasceram com malformação em virtude do vírus zika entre os anos de 2015 e 2017. Por malformação compreende-se microcefalia, comprometimento do sistema nervoso central, epilepsia, deficiências auditivas e visuais, dificuldade de desenvolvimento psicomotor, além de prejuízos nos ossos e articulações. Entre mais de 15 mil notificações de suspeitas de zika, 507 crianças morreram, desconsiderando abortos e natimortos.

Esse número ganha corpo com a história de Henrique, de 2 anos. Diagnosticado com microcefalia causada pela zika, tem dificuldades de se manter de pé, sentar ou sustentar a cabeça. Pouco fala e mal enxerga. As atividades de fisioterapia, fonoaudiologia, estimulação visual e terapia ocupacional que o menino faz desde o nascimento não têm promovido melhoras expressivas e a mãe de Henrique, apesar da esperança, pouco sabe sobre seu futuro.

Cientistas vêm descobrindo e descrevendo os efeitos das epidemias virais na medida em que seus danos ocorrem. Do mesmo modo que autoridades administrativas na área da saúde tomam decisões no auge dessas emergências. A fragilidade das ações em saúde pública que reagem a propagação de vírus novos e reemergentes não é exclusividade do Brasil. Agora mesmo, assistimos os EUA definindo como lidar com o H3N2, um tipo de influenza A, no meio da crise.

Há muito ainda para ser desenvolvido em termos de tecnologias para diagnósticos e tratamentos. Medicamentos e vacinas levam de 10 a 20 para seu desenvolvimento completo. É um processo longo, complexo, custoso e de alto risco. Por outro lado, aproximadamente três novas doenças virais surgem a cada ano. De acordo com o Ministério da Saúde, em apenas dois anos o número de mortos pelo chikungunya subiu de 14 (2015) para 173 pessoas (2017).

As tecnologias disponíveis não dão conta dos efeitos causados pelas doenças virais emergentes, seja porque pensadas para um grupo limitado de pacientes ou por falta de capacidade de produção e distribuição que garanta o acesso imediato de alto volume de tratamento ou vacinas. O vírus H1N1, por exemplo, foi detectado em 2009 e infectou quase 2 bilhões de pessoas em 73 países. Nesse mesmo prazo, como resposta sanitária, apenas 17% da população global foi imunizada.

Pensar em política públicas de saúde e desenvolver medidas de reparação após a dispersão do vírus expõe a população a danos trágicos, como os de Henrique. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.

Detecção precoce é elemento imprescindível para combater as doenças virais emergentes. Nossa capacidade de lidar com as próximas epidemias está limitada pelo desconhecimento sobre essas ameaças. O PVG pretende abastecer a comunidade global com informações necessárias para detectar, prevenir e agir de maneira proativa às epidemias emergentes, mitigando o risco de futuras epidemias reduzindo o impacto das doenças como a zika, que afetou Henrique e sua família. Se o objetivo for alcançado, o preço é insignificante.

CDTS/Fiocruz, por Renata Curi Hauegen
Fonte: AFN

Projeto propõe alternativa para diagnóstico de meningites

Um projeto para diagnóstico e caracterização das principais bactérias causadoras de meningites, elaborado por Ivano de Filippis, biólogo do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), foi aceito em outubro no InovaBio. O programa é uma iniciativa de Bio-Manguinhos que irá disponibilizar recursos para pesquisas ligadas a inovações na área de biotecnologia. “Estamos desenvolvendo não só a parte do diagnóstico, nosso estudo também pretende identificar qual o tipo de agente etiológico. Assim, saberemos se é necessário vacinar a população e se novas bactérias estão circulando, o que tornaria necessária a produção de uma nova vacina”.

O estudo ainda está na fase inicial e pretende ser uma alternativa rápida, econômica e eficaz aos métodos de diagnóstico convencionais vigentes. O kit, de fácil uso, utilizará uma pequena quantidade de material clínico. O projeto irá adaptar uma técnica de PCR normalmente empregada para diagnóstico de certos tipos de câncer. “Continua tendo a mesma sensibilidade e especificidade do método anterior, porém é muito mais barato e pode ser realizado em hospital público”, enfatiza o biólogo.

Para a produção do futuro kit em escala, é necessário seu aperfeiçoamento e uma empresa disposta a fabricá-lo. “O nosso objetivo é atender às necessidades do SUS, conforme proposta de Bio-Manguinhos”, conclui.

O QUE É MENINGITE?

A causa mais comum das meningites é a infecção por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A doença é uma inflamação das meninges – membranas que envolvem o cérebro – e pode causar lesões como cegueira, surdez e, dependendo da gravidade, até a morte.

Por: Gabrielle Araujo (INCQS/Fiocruz)

 

Conferência no ILMD aborda interconexão de conhecimentos nas pesquisas sobre saúde

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS) promoveu nesta quarta-feira (13/12), a Conferência Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira. O evento reuniu pesquisadores e estudantes das ciências sociais e da saúde, e contou com a palestra “Malária e Ciências Sociais: a intermitência do diálogo com outros saberes”, ministrada pelo professor João Siqueira, antropólogo, doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

A proposta da conferência foi possibilitar diálogos entre os saberes das ciências da saúde e das ciências sociais, apresentando recortes e referenciais teóricos, além de abordagens que podem contribuir com a complexificação das explicações de questões de saúde na Amazônia.

Para a pesquisadora responsável pelo evento, Fabiane Vinente, o objetivo principal foi alcançado. “Essa foi a primeira edição da conferência. A proposta principal foi estimular esse debate entre as ciências sociais e esses processos que normalmente são abordados por outras áreas do conhecimento.

João Siqueira atua em linhas de pesquisa que incluem Etnicidade, Estado e conflitos territoriais na Amazônia, e Doença e representação social. Em sua conferência, irá discutir a problemática do estudo da malária na perspectiva das ciências sociais e explorar a relação entre a representação da malária e as práticas de atenção e cuidado no processo saúde-doença, observando que, se por um lado a questão da malária pressupõe ações políticas e medidas interventivas que são operadas no campo da saúde pública, de outro lado, ela possibilita e até potencializa a problematização da ordem social vigente, tendo em vista que saúde e doença tendem a legitimar, no espaço público, a emergência de determinado problema social.

Durante a apresentação, Siqueira destacou a importância da interdisciplinaridade do conhecimento nas abordagens sobre a saúde. “É necessário essa interconexão de conhecimentos, de produção de conhecimento, de teorias sobre a realidade social, sobre a realidade da saúde pública. Esse diálogo precisa persistir, é fundamental que os pesquisadores, estudantes continuem instigando esse diálogo, adotando como identidade do Instituto, principalmente numa área como a Amazônia”.

LANÇAMENTO

No mesmo encontro João Siqueira lançou o livro “Uma doença, diversos olhares: Representação da malária em Nossa Senhora de Fátima, em Manaus”, da Editora Valer.

“Nessa primeira edição tivemos o Dr João Siqueira falando sobre a questão da Malária em Nossa Senhora de Fátima, e fazendo também o lançamento do livro. Esse material é fruto da dissertação dele, defendida aqui no ILMD, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia”, explicou Vinente.

Segundo autor, o livro foi desenvolvido para responder um conjunto de questões com enfoque no problema histórico da incidência de malária em Manaus, delimitando uma análise sobre Nossa Senhora de Fátima, comunidade situada em área rural, às margens do igarapé Tarumã-mirim, distante 8km do perímetro urbano da capital. O livro discorre também  sobre as práticas adotadas por um grupo de mães no enfrentamento de agravos pela infecção da doença.

A obra foi desenvolvida por meio do Programa Biblos, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que visa apoiar a publicação de livros, manuais, números especiais de revistas e coletâneas científicas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

 

ILMD/Fiocruz Amazônia lança revista de divulgação científica em versão digital

Com a missão de divulgar à sociedade os frutos de esforços científicos, a ‘Fiocruz Amazônia Revista’, é lançada em versão digital, neste mês de dezembro, pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) que é um importante ambiente de pesquisas a serviço da saúde pública, localizado na capital amazonense.

“Este é um meio que complementa e fortalece ainda mais a política de comunicação institucional do ILMD/Fiocruz Amazônia, que já tem agregados outros produtos como o portal institucional, o mural, os eventos institucionais e científicos e as mídias sociais digitais”, destacou o diretor da instituição Sérgio Luz, na apresentação da publicação.  A ideia de elaborar um produto tanto off line (impresso) quanto online (disponível na internet) amplia a abrangência deste importante veículo para os diversos públicos.

A revista conta, nesta primeira edição, com 72 páginas, 14 matérias e 06 sessões que abordam novidades em pesquisas e ações desenvolvidas pela equipe de colaboradores do ILMD a serviço da melhoria das condições de saúde da população.

Um dos diferenciais da revista é a proposta de uma linguagem coloquial e recursos que facilitem a interação com os leitores como o uso do QR Code para acessos direto a vídeos e materiais citados nas matérias e também a indicação de significados de termos técnicos em pequenas caixas de texto explicativos que simulam hiperlinks, alinhando a linguagem off-line a online.

Matéria de capa

A matéria de capa deste primeiro número especial é sobre o método inovador, desenvolvido na Fiocruz Amazônia, voltado para um diagnóstico molecular da infecção pelos vírus Mayaro e Oropouche, de forma precisa e simultânea. Esses vírus apresentam sintomas que podem ser confundidos com outras arboviroses, como por exemplo a dengue, e por este motivo muitos desses casos acabam sendo subnotificados. Especialista nessas arboviroses, o virologista e doutor em microbiologia Felipe Naveca, coordenador responsável pela invenção, disse que a pesquisa levou vários anos até chegar à patente. O leitor pode conferir a matéria completa na revista disponível no portal do ILMD.

Conteúdo de Divulgação Científica

Os leitores também podem conferir, nesta edição especial, uma entrevista exclusiva com a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, que fala sobre a condição de ser pioneira como mulher a conduzir uma importante instituição como a Fiocruz. Nísia também comenta sobre a Fiocruz Amazônia, que, na sua visão, exerce um papel fundamental na pesquisa e no ensino da região.

Outro destaque da publicação é uma matéria sobre a projeção internacional do Curso Técnico de Agente Comunitário Indígena de Saúde e projeto de Estações de Disseminação de Larvicida. Vale a pena conferir os detalhes dessas duas iniciativas.

Uma matéria esclarecedora sobre tuberculose e aspergilose pulmonar foi produzida para mostrar os estudos desenvolvidos na instituição sobre as doenças. Na matéria, pesquisadores sugerem a necessidade da criação de um protocolo de acompanhamento clínico e laboratorial.

Neste primeiro número, é divulgado o trabalho do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS) da Fiocruz Amazônia. A matéria mostra uma das pesquisas relevantes do laboratório desenvolvido junto à comunidade do Lago do Limão, no município de Iranduba, que identificou microorganimos causadores de doenças na água e solo.  Os resultados do projeto podem vir a auxiliar uma melhor tomada de decisão pelas autoridades de saúde para minimizar os problemas encontrados na comunidade. Já o Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA) traz nesta edição uma pesquisa que identifica resistência bacteriana nas UTIs de diferentes hospitais de Manaus e no Igarapé do Mindu.

Gestão e ações institucionais

A parte estratégica do ILMD/Fiocruz Amazônia também teve espaço nesta edição com a matéria sobre a Gestão Eficiente para o futuro com a apresentação do Diagnóstico institucional como marco zero para o planejamento de próximos passos, levado a público durante a Jornada de Pesquisa do ILMD, em 11 de abril deste ano. Um outro fato marcante retratado na revista é a Sessão Especial realizada pela Assembleia Legislativa do Estado em homenagem aos 23 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia e Ano Oswaldo Cruz, que foi requerida pelo deputado Luiz Castro.

Os leitores também podem conferir a trajetória de 15 anos de serviços à comunidade da Biblioteca do ILMD, bem como uma reportagem sobre o processo de definição da nova identidade visual do ILMD/Fiocruz Amazônia com o propósito de alinhar estratégia de comunicação ao desenvolvimento institucional.  As ações voltadas para a saúde dos trabalhadores da instituição como a implantação do Programa Circuito Saudável também tiveram espaço editorial garantido nesta edição.

Uma homenagem especial foi registrada nesta primeira edição para o pesquisador Antônio Levino por sua trajetória pessoal e profissional. A publicação traz ainda a notícia de que a pesquisadora Luiza Garnelo é a primeira a conquistar o III Prêmio Fiocruz Mulher de Ciências e Humanidades.

Sessões

A publicação conta com sessões que trazem informações adicionais aos leitores, como o espaço Em campo que tem a proposta de mostrar a cada edição a experiência dos pesquisadores em suas atuações. Nesta edição, a pesquisadora Michele El Kadri, do Laboratório de História Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), trouxe seu relato intitulado ‘A Ciência presente no lugar ou o lugar presente na ciência?’.

Outra sessão é a Saúde em Nota que traz informações rápidas e objetivas sobre fatos que vão ocorrer ou que vão acontecer na instituição; o Calendário da Saúde divulga a cada edição os principais eventos e datas nacionais relacionadas à temática; Já o Multimídia mostra dicas de documentários, filmes e aplicativos relacionados à saúde; Sua leitura é um espaço voltado para indicações de obras disponíveis na bilbioteca; e Na essência, tem a proposta de compartilhar uma breve trajetória histórica de importantes pesquisadores que impactaram na pesquisa científica voltada a melhoria das condições de vida e saúde da sociedade.

Por Cristiane Barbosa

Imagem: Mackesy Pinheiro

Ciências Sociais e Saúde: diálogos de fronteira será tema de conferência no ILMD

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS) realiza amanhã (13/12), as Conferências Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira.

O evento tem inscrições gratuitas que podem ser feitas no dia e local de sua realização.

O encontro tem por objetivo explorar as possibilidades de diálogo entre os saberes das ciências da saúde e das ciências sociais, mostrando de que forma recortes teóricos, referenciais teóricos e abordagens podem contribuir para uma bem-vinda complexificação das explicações de questões de saúde na Amazônia.

Segundo a pesquisadora responsável pelo evento, Fabiane Vinente, a primeira edição das Conferências Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira terá como convidado o professor João Siqueira, antropólogo, doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que ministrará a palestra “Malária e Ciências Sociais: a intermitência do diálogo com outros saberes”

João Siqueira atua em linhas de pesquisa que incluem Etnicidade, Estado e conflitos territoriais na Amazônia, e Doença e representação social. Em sua conferência, irá discutir a problemática do estudo da malária na perspectiva das ciências sociais e explorar a relação entre a representação da malária e as práticas de atenção e cuidado no processo saúde-doença, observando que, se por um lado a questão da malária pressupõe ações políticas e medidas interventivas que são operadas no campo da saúde pública, de outro lado, ela possibilita e até potencializa a problematização da ordem social vigente, tendo em vista que saúde e doença tendem a legitimar, no espaço público, a emergência de determinado problema social.

LANÇAMENTO

No mesmo encontro João Siqueira irá lançar o livro “Uma doença, diversos olhares: Representação da malária em Nossa Senhora de Fátima, em Manaus”, da Editora Valer.

SERVIÇO

Evento: Conferências Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira

Quando? 13/12/2017

Onde?  Sede da Fiocruz Amazônia, no Salão Canoas, à rua Teresina, 476, Adrianópolis – Manaus (AM).

Horário?  De 14h30 às 17h

Informações com Edmilson Bibiani (Eventos), pelo telefone (92)3621-2430

 

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Imagens: divulgação

 

Fiocruz Amazônia promove atividades referentes à 14ª SNCT

Exposições, jogos e palestras marcaram o início das atividades referentes à 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovidas pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia). A abertura aconteceu no Espaço da Cidadania Ambiental (ECAM), localizado no mezanino do Manauara Shopping, zona centro-sul de Manaus.

O evento foi realizado pela Fiocruz Amazônia, em parceria com a coordenação do Programa Ocas do Conhecimento Ambiental, da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Pela manhã, aproximadamente 40 alunos da Escola Municipal Villa Lobos, estiveram no espaço para participar das atividades e foram recepicionados pelo Diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, e pelo juiz da Vara Especializada em Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vemaqa), Adalberto Carim, que ressaltaram a importância do estudo científico e do contato dos jovens com esse tipo de conhecimento.

Na oportunidade, Sérgio Luz, ressaltou a importância do evento, e destacou exemplos para os alunos sobre a relevância da ciência na vida cotidiana. “Tem uma grande importância a semana de ciência e tecnologia na vida de cada um de nós, porque tudo hoje em dia é ciência, desde a comida que você come, a roupa que você veste, tudo é feito a partir de ciência.”

Os estudantes puderam assistir as palestras “Saúde Ecossistêmica”, ministrada pela pesquisadora Alessandra Nava, e “Ferramenta de detecção de aglomerados de doença”, ministrada pelo pesquisador Antônio Balieiro. Além disso, os alunos puderam acompanhar uma exposição sobre o trabalho do médico Carlos Chagas, responsável pela descoberta da doença de chagas.

Confira a galeria de fotos

“Temos uma exposição sobre as doenças transmitidas por insetos, onde os alunos podem visualizar os insetos que transmitem doenças como dengue e malária, com o auxílio de microscópios e lupas. E temos também um espaço de jogos sobre saúde e alimentação, no qual apresentamos questões de saúde e alimentação saudável”, explicou Luz.

Carim destacou que a iniciativa promovida pela Fiocruz Amazônia se encaixa perfeitamente na proposta do espaço Ecam. “É uma oportunidade única que a gente tenha os jovens, que são nosso futuro, imergindo na ciência de maneira lúdica. Eles vão exercitar esse lado do conhecimento, vão se aprofundar de uma forma espontânea e divertida. E quando a gente percebe que esse espaço se presta a isso, a gente percebe que acertamos, pois a ideia era essa”, disse.

Para o gestor da Escola Municipal Villa Lobos, Enery Cavalcante, poder proporcionar esse tipo de atividade para os estudantes é fundamental. Ele informou que além de levar os alunos para atividades fora da escola, também pretende realizar esse tipo de trabalho dentro da unidade de ensino.

“Nós vamos realizar uma ação científica no dia 22 de novembro, chamada Bioexatas, onde vamos trabalhar diversos temas voltados para a Amazônia, acima de tudo, envolvendo geografia, ciências e matemática”, conclui.

SOBRE A SNCT

“A Matemática está em tudo” é o tema da 14ª SNCT, em 2017. A escolha deste tema se baseia Biênio da Matemática Gomes de Souza (2017-2018). Na Fiocruz Amazônia, as atividades terão continuidade entre os dias 21 e 24 de novembro.

A SNCT é realizada sempre no mês de outubro, sob a coordenação do MCTIC, por meio da Coordenação-Geral de Popularização e Divulgação da Ciência (CGPC/SEPED) e conta com a colaboração de secretarias estaduais e municipais, agências de fomento, espaços científico-culturais, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas, escolas, órgãos governamentais, empresas de base tecnológica e entidades da sociedade civil.

A ideia é aproximar a Ciência e Tecnologia da população, promovendo eventos que congregam centenas de instituições a fim de realizarem atividades de divulgação científica em todo o País, criando uma linguagem acessível à população, por meios inovadores que estimulem a curiosidade e motivem a população a discutir as implicações sociais da Ciência, além de aprofundarem seus conhecimentos sobre o tema.

Ascom ILMD, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

Estudantes do 6º CMPM recebem palestras e exposições do ILMD/ Fiocruz Amazônia

Com a proposta de incentivar, fomentar e apoiar o ensino e a pesquisa no âmbito escolar, o 6º Colégio Militar da Policia Militar do Amazonas (CMPM) – Escola Estadual Senador Evandro das Neves Carreira, realizou entre os dias 29 e 31 de agosto, a I Semana de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, com o tema: “Educação em Saúde para viver melhor”.

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) participou do evento, por meio de apresentações de palestras e exposições. Um dos destaques entre as atividades apresentadas pela equipe da Fiocruz Amazônia, foi a exposição entomológica, bacteriana e de fungos, realizada pelos Laboratórios de Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS), e de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA) do ILMD.

“Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)” foi o tema da palestra ministrada pela pesquisadora Rita Bacuri. Já a palestra ministrada por Layssa do Carmo, mestranda do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), abordou a temática “micoses e doenças de pele”.

Os alunos puderam conferir ainda uma exposição de banners sobre a vida e obra do biólogo, médico sanitarista, cientista e bacteriologista brasileiro, Carlos Chagas, que trabalhou como clínico e pesquisador. Atuante na saúde pública do Brasil, o pesquisador iniciou sua carreira no combate à malária.

O 6º CMPM fica situado à Avenida Felicidade s/n, no Conjunto Viver Melhor, Bairro Lago Azul, Zona Norte de Manaus, e segue o modelo de administração dos demais Colégios sob Gestão da Policia Militar do Amazonas.

A ação visa potencializar as pesquisas realizadas no Instituto, por meio da divulgação dos resultados científicos e tecnológicos para além da academia, por meio de estratégias que alcancem a sociedade, realizando, assim, a popularização da ciência.

Ascom ILMD/ Fiocruz Amazônia

Foto: Edmilson Bibiani

Estudo sobre zika revela lesões oculares graves em bebês

Um ano e meio após o início da emergência sanitária internacional de microcefalia relacionada à infecção congênita do vírus zika, um novo estudo coordenado por especialistas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) apontou que anormalidades oculares podem ser o único achado inicial dos bebês cujas mães foram infectadas durante a gravidez.

De acordo com os pesquisadores, a descoberta sugere a necessidade de se repensar os critérios de avaliação na triagem neonatal, para incluir o exame de fundo de olho de todos os bebês com potencial exposição materna ao vírus. Publicado na renomada revista americana The Journal of the American Medical Association (Jama) o artigo é fruto de uma parceria da Fiocruz, por meio do IFF e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), com a Universidade da Califórnia e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O trabalho envolveu a maior série de casos confirmados de exposição à zika com dados coletados sistematicamente. “Conseguimos fazer um estudo descritivo das anormalidades oculares, correlacionando-as com achados do sistema nervoso central, ocorrência de microcefalia e o momento da infecção materna a partir de uma coorte robusta, envolvendo bebês cujas mães tiveram resultado laboratorial positivo para a infecção na gestação”, destacou a oftalmologista pediátrica do IFF e autora do artigo, Andrea Zin.  Além de Andrea, participaram do estudo outros seis pesquisadores do Instituto: Maria Elisabeth Moreira, Zilton Vasconcelos, Marcos Vinicius Pone, Sheila Pone, Mitsue Aibe e Ana Carolina da Costa.

Das 112 crianças acompanhadas do nascimento até os seis meses de vida, 46 não tinham diagnóstico de microcefalia. No entanto, dez delas apresentaram anormalidades oculares ao exame de fundo de olho. O número representa 42% das crianças com algum tipo de lesão oftalmológica, sendo questões referentes ao nervo óptico e a retina os achados mais frequentes. O estudo também revelou que a maioria das gestantes foi infectada ainda no primeiro trimestre (58%). Em 33%, a infecção aconteceu no segundo trimestre e, em 8%, no final da gestação, já no terceiro trimestre.

As diretrizes atuais recomendam exames oculares em bebês com microcefalia, mas não inclui todas crianças potencialmente expostas ao vírus zika no útero. “Encontramos lesões significativas em crianças que não apresentavam microcefalia. Trata-se de alterações graves e quanto mais precoce for o diagnóstico, mais cedo a criança pode ser submetida a uma intervenção para habilitação da visão. Com esses achados, ressaltamos a necessidade de repensar os critérios de avaliação, de forma a incluir o exame de fundo de olho na triagem neonatal de todos os bebês com potencial exposição materna ao vírus”, destacou Andrea Zin.

Os achados, ilustrados no artigo do Jama, foram registrados por meio da RetCam, câmera fotográfica especial adquirida pela Fiocruz no final do ano passado. O investimento foi fundamental para possibilitar o estudo e sua publicação.  “Através deste equipamento, que fotografa em 360º o fundo de olho, conseguimos documentar as alterações com grande riqueza de detalhes, possibilitando a comparação de exames subsequentes. Com isso, foi possível não só refinar a capacidade de diagnóstico, como também tornar mais acessível a troca de informações entre especialistas”, finalizou a pesquisadora.

Por Aline Câmera (IFF/Fiocruz)

Fonte: AFN