Conferência no ILMD aborda interconexão de conhecimentos nas pesquisas sobre saúde

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS) promoveu nesta quarta-feira (13/12), a Conferência Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira. O evento reuniu pesquisadores e estudantes das ciências sociais e da saúde, e contou com a palestra “Malária e Ciências Sociais: a intermitência do diálogo com outros saberes”, ministrada pelo professor João Siqueira, antropólogo, doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

A proposta da conferência foi possibilitar diálogos entre os saberes das ciências da saúde e das ciências sociais, apresentando recortes e referenciais teóricos, além de abordagens que podem contribuir com a complexificação das explicações de questões de saúde na Amazônia.

Para a pesquisadora responsável pelo evento, Fabiane Vinente, o objetivo principal foi alcançado. “Essa foi a primeira edição da conferência. A proposta principal foi estimular esse debate entre as ciências sociais e esses processos que normalmente são abordados por outras áreas do conhecimento.

João Siqueira atua em linhas de pesquisa que incluem Etnicidade, Estado e conflitos territoriais na Amazônia, e Doença e representação social. Em sua conferência, irá discutir a problemática do estudo da malária na perspectiva das ciências sociais e explorar a relação entre a representação da malária e as práticas de atenção e cuidado no processo saúde-doença, observando que, se por um lado a questão da malária pressupõe ações políticas e medidas interventivas que são operadas no campo da saúde pública, de outro lado, ela possibilita e até potencializa a problematização da ordem social vigente, tendo em vista que saúde e doença tendem a legitimar, no espaço público, a emergência de determinado problema social.

Durante a apresentação, Siqueira destacou a importância da interdisciplinaridade do conhecimento nas abordagens sobre a saúde. “É necessário essa interconexão de conhecimentos, de produção de conhecimento, de teorias sobre a realidade social, sobre a realidade da saúde pública. Esse diálogo precisa persistir, é fundamental que os pesquisadores, estudantes continuem instigando esse diálogo, adotando como identidade do Instituto, principalmente numa área como a Amazônia”.

LANÇAMENTO

No mesmo encontro João Siqueira lançou o livro “Uma doença, diversos olhares: Representação da malária em Nossa Senhora de Fátima, em Manaus”, da Editora Valer.

“Nessa primeira edição tivemos o Dr João Siqueira falando sobre a questão da Malária em Nossa Senhora de Fátima, e fazendo também o lançamento do livro. Esse material é fruto da dissertação dele, defendida aqui no ILMD, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia”, explicou Vinente.

Segundo autor, o livro foi desenvolvido para responder um conjunto de questões com enfoque no problema histórico da incidência de malária em Manaus, delimitando uma análise sobre Nossa Senhora de Fátima, comunidade situada em área rural, às margens do igarapé Tarumã-mirim, distante 8km do perímetro urbano da capital. O livro discorre também  sobre as práticas adotadas por um grupo de mães no enfrentamento de agravos pela infecção da doença.

A obra foi desenvolvida por meio do Programa Biblos, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que visa apoiar a publicação de livros, manuais, números especiais de revistas e coletâneas científicas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

 

Incidência de tuberculose em Manaus foi um dos temas abordados pela Fiocruz Amazônia, no Manauara Shopping

Manaus figura como a capital brasileira com maior incidência de casos de tuberculose. Até o ano passado era a 4ª no ranking. Outro dado preocupante é que o Amazonas se mantém pelo quarto ano seguido em primeiro lugar no ranking das unidades da federação com maiores taxas de incidência da doença no Brasil.

As informações foram dadas pela médica e pesquisadora do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Joycenea Matsuda, durante a palestra “O que é a tuberculose?”, ministrada no Espaço da Cidadania Ambiental (Ecam), no Manauara Shopping.

A palestra e outras atividades fazem parte da programação da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, com o tema  ‘A matemática na saúde’, que acontecem até a próxima sexta-feira (24/11), no Ecam, das 10h às 16h, e na sede da Fiocruz Amazônia, no bairro de Adrianópolis, a partir das 19h.

“A tuberculose é uma doença que tem cura. Se trabalharmos no diagnóstico precoce da doença, diminuiremos muito a transmissão e sairemos desse pódio”, disse Matsuda. A médica mostrou, de forma lúdica, os preconceitos em torno da doença, os sintomas, diagnóstico e o tratamento. Para ela, a SNCT é uma oportunidade para disseminar  informações sobre a tuberculose e tentar diminuir os números alarmantes.

PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES

Participaram cerca de 45 alunos da turma do 7º ano do ensino fundamental do Colégio da Polícia Militar Áurea Pinheiro Braga (CMPM IV), localizado no bairro Cidade do Leste, acompanhados pelas professoras Karina Milhomem e Adriana Tavares. “O contato dos alunos com essa atividade é fundamental para o processo de ensino e aprendizagem. Estávamos vendo em sala de aula justamente sobre o reino Monera, na disciplina de Ciências, e hoje eles viram de perto as bactérias nos microscópios. Com certeza é de grande importância”, opinou Karina, que é professora de Ciências, no ensino fundamental.

A aluna Analice Ferreira, 12 anos, disse que a atividade contribuiu de forma positiva para ampliar seus conhecimentos. “É muito bom aprender mais sobre esse tema. Essa foi a primeira vez que fizemos uma atividade fora de sala”, disse.

O aluno Ítalo Marques, 13 anos, apreciou bastante a observação nos microscópios expostos durante o evento e também a palestra sobre a tuberculose. “Foi uma oportunidade prazerosa, porque pude conhecer coisas novas. Gosto muito de ciências e matemática e hoje foi muito interessante”, revelou.

Também estiveram presentes no Espaço Ecam 30 alunos da Escola Municipal Marechal Cândido Rondon para participar da palestra “Diarreia e suas causas”  e das exposições do minilaboratório.

ATIVIDADES

As atividades da 14ª. SNCT promovidas pelo ILMD/Fiocruz Amazônia retomaram ao Espaço Ecam, com a participação da subsecretária de Gestão Educacional da Semed, Euzenir Trajano, e do diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz. No dia 31/10, o Instituto e seus pesquisadores também estiveram no mesmo local, com atividades para alunos da Semed.

Na visão do gestor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a SNCT impulsiona a divulgação científica no País. “A ciência é muito importante para o cotidiano e esse é um esforço do pesquisador em mostrar para a sociedade qual a importância da pesquisa para o desenvolvimento do País. Nós usamos a pesquisa todos os dias, temos contato com vários produtos oriundos da pesquisa e muitas vezes não nos damos conta de que ela está no nosso cotidiano”, disse Sérgio Luz.

Para a subsecretária da Semed,  essas ações são de grande relevância e a secretaria está aberta para essa aproximação com as instituições de pesquisa e a sociedade. “Os estudantes ao saírem da escola, criam uma expectativa e isso faz com que aprendam assuntos diferenciados. Essa sala de aula ampliada dá para o estudante uma noção de que a matemática, por exemplo, pode ser também aplicada à saúde e que não está apenas nos livros, no ensino formal”, frisou.

PROGRAMAÇÃO

As atividades da 14ª SNCT acontecem em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed). A entrada em todas atividades é gratuita e aberta ao público.

A programação do evento ocorre em dois locais: no Ecam,  no Shopping Manauara (das 10h às 16h) e no Salão Canoas, auditório do ILMD/Fiocruz Amazônia (Rua Teresina, 476, Adrianópolis, das 19h às 21h).

Nesta quarta-feira, 22/11, o público pode conferir palestra com Yago Santos sobre ‘Filarioses na Amazônia’, das 10h às 12h, no Espaço Ecam – Manaura Shopping. Pela tarde, no mesmo espaço, das 14h às 16h, é a vez da palestra ‘Onde está o DNA?”, com Victor Souza. Na programação noturna, no Salão Canoas, do ILMD/Fiocruz Amazônia, ocorrerá a apresentação do Programa de Iniciação Científica (PIC), com a pesquisadora Stefanie Lopes.

Já na quinta-feira, 23/11, a pesquisadora Edilene Martins vai ministrar palestra sobre a ‘Malária no Brasil’, das 10h às 12h, e pela tarde o pesquisador André Corado falará sobre ‘Epidemiologia Molecular do HIV 1’, das 14h às 16h. Sobre ‘Infecção hospitalar em números’, Paula Taquita, ministrará palestra, no Salão Canoas, das 19h às 21h.

Na programação de sexta-feira, 24/11, das 10h às 12h, acontecerá palestra no Espaço Ecam, com a pesquisadora Luiza Garnelo, intitulada ‘Desigualdades Sociais na Amazônia’. No período da tarde, das 14h às 16h, a palestrante Laissa Barroso, falará sobre ‘Dermatófitos’. À noite, das 19h às 21h, no Salão Canoas, o público poderá assistir a palestra sobre a ‘Pesquisa no diagnóstico e controle da malária’, com as estudantes de pós-graduação Juliana Glória e Késsia Caroline Alves.

SERVIÇO

O quê? Atividades da Fiocruz Amazônia na 14ª. SNCT

Quando? 21 a 24 de novembro de 2017

Onde? Espaço Ecam (Manauara Shopping) e Salão Canoas  (sede do ILMD/Fiocruz Amazônia)

Que horas? 10h às 16h (Espaço Ecam) e das 19h às 21h (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Por Cristiane Barbosa
Edição: Marlúcia Seixas
Fotos: Cristiane Barbosa e Eduardo Gomes

Alimentação saudável na fase escolar foi tema de atividades no ILMD

Em homenagem ao Dias das Crianças, o Instituto Leônidas & Marias Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) por meio da Vice diretoria de Gestão e Desenvolvimento Institucional, através do Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST) promoveu na última quarta-feira (11/10) o evento “Lancheira Saudável”.

A ação foi composta por uma palestra para os pais, ministrada pela nutricionista Camila Cyrino, visando estimular o hábito da alimentação saudável em crianças na fase escolar. As crianças participaram ainda de uma oficina de culinária, com a proposta de orientar quanto a importância do preparo correto de lancheiras saudáveis.

Segundo o coordenador do Nust/ILMD, Rafael Petersen, a inciativa faz parte de um ciclo de ações voltadas para os colaboradores da Unidade. “Quando pensamos em promover a saúde do trabalhador, é importante pensar que ela não é apenas voltada para o trabalhador, mas também se estende para os familiares. A nossa intenção é orientar e trazer informações para que esses trabalhadores disseminem as ações de saúde para seus familiares, pensando no conceito de qualidade de vida”, explicou.

Confira aqui a galeria de fotos.

Na ocasião, a nutricionista Camila Cyrino destacou que a principal dificuldade apontada pelos pais é a rotina. “A dificuldade em consumir menos ou mais determinados alimentos está no planejamento, na rotina acelerada, no tempo para preparar a refeição”, disse.

Camila Cyrino é umas das idealizadoras do projeto Lápis de maçã, uma ação de educação nutricional, idealizado juntamente com a nutricionista Renata Dantas. O projeto possui o objetivo de estimular a alimentação saudável de forma divertida e adequada para crianças dentro das escolas da cidade de Manaus.

LANCHEIRA SAUDÁVEL

Durante a oficina, as crianças receberam orientações sobre quais alimentos devem compor o lanche escolar. De forma lúdica, as nutricionistas auxiliaram as crianças na montagem de uma lancheira mais colorida, composta por frutas variadas.

Segundo a nutricionista do Nust/ILMD, Sarah Cordeiro, é muito significante passar essas informações, para que as crianças tenham o conhecimento sobre o que devem ou não comer. “A educação nutricional ajuda a criança a entender melhor a alimentação saudável, mesmo que ela esteja olhando muitas vezes para comerciais de TV, que falam que determinados alimentos são saudáveis sem ser”.

SOBRE O NUST

O Núcleo também promove ações para a realização de exames médicos periódicos, análise ergonômica dos postos de trabalho, palestras de orientação em saúde, ações em biossegurança e brigada de incêndio, além de parcerias com diversos órgãos públicos da região de Manaus para a formação de uma rede de relacionamento e colaboração em estudos e intervenções em saúde do trabalhador.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Fiocruz Amazônia encerra inscrições para evento sobre Criptococose

Estão encerradas as inscrições para o I Encontro de Criptococose em Pacientes Imunocompetentes – Manaus/AM. O evento será realizado pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) no dia 20/10, no Salão Canoas, na sede do Instituto, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

A abertura do evento será 9h e, em seguida, haverá a palestra da médica e pesquisadora do Laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Márcia dos Santos Lazéra, que abordará O Panorama da Criptococose no Brasil. Depois, haverá mesa-redonda sobre Cryptococcus sp. e Criptococose no Amazonas, e relatos de casos.

O Encontro tem como público-alvo pneumologistas, infectologistas, biomédicos, biólogos, profissionais da área da saúde e estudantes de graduação e pós-graduação. A organização é das pesquisadoras do ILMD/Fiocruz Amazônia Joycenea Matsuda, Ormezinda Fernandes, e Ani Beatriz Matsuura.

A atividade é gratuita e foram oferecidas 60 vagas.

Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia

Outubro rosa alerta para diagnóstico precoce do câncer de mama

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu na década de 1990 e tem como objetivo compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, e responde por cerca de 25% dos casos novos a cada ano.

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Ainda segundo o Inca, especificamente no Brasil, o percentual de casos desse tipo de câncer é um pouco mais elevado e chega a 28,1%. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A seguir, Viviane Ferreira Esteves, gerente da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), esclarece dúvidas sobre a doença.

  1. Câncer de mama não acometeu nenhum membro de minha família, por isso eu não corro risco?

Toda mulher tem risco de câncer de mama, mesmo aquelas sem histórico familiar.

  1. Quais são os sintomas do câncer de mama?

Os principais sintomas do câncer de mama são nódulos endurecidos, alterações na pele ou retrações, saída de secreção espontânea pelo mamilo, alterações no mamilo e gânglios aumentados na região da axila. No entanto, o ideal é diagnosticar o câncer de mama na ausência de sintomas, pelo exame de mamografia.

  1. Como faço o autoexame da mama?

Não é mais recomendada a realização do autoexame como diagnóstico precoce do câncer de mama. A orientação atual é que a mulher faça a observação e a auto palpação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem necessidade de uma técnica específica de autoexame, em um determinado período do mês, como preconizado nos anos 80. E, diante de alguma anormalidade, procure o especialista.

  1. Quais são os exames para diagnóstico da doença?

Para diagnóstico precoce do câncer de mama os exames recomendados são a mamografia e o exame clínico das mamas. Além desses, podemos realizar a ultrassonografia e a ressonância magnética das mamas em situações especiais, por exemplo em alguns casos de mamas densas.

  1. Quando devo fazer o exame de mamografia? Qual a finalidade desse exame?

O Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia em mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mulher com risco elevado de câncer de mama deve ter seu caso avaliado pelo médico especialista.

A finalidade da mamografia é a detecção precoce do câncer, em fases com maior possibilidade de cura e com menores taxas de cirurgias radicais.

  1. A mamografia é um exame doloroso?

A compressão mamária é desconfortável, mas necessária para a correta avaliação do médico radiologista.

  1. Mulheres que têm silicone na mama podem fazer o exame da mamografia?

Sim. Inclusive existe uma incidência específica para avaliação destas mulheres com silicone.

  1. Qual é o tratamento para a doença?

Existe o tratamento local e o tratamento sistêmico. O tratamento local é realizado com a cirurgia, que pode ser radical, ou seja, mastectomia, ou parcial, com as ressecções segmentares, que consiste na remoção do tumor com margem de segurança. Além da cirurgia da mama, deve ser realizada a investigação dos gânglios da axila. A cirurgia é complementada com a radioterapia em casos selecionados. O tratamento sistêmico pode ser realizado com a quimioterapia, o tratamento hormonal ou, ainda, a imunoterapia.

  1. Como deve ser feita a prevenção?

A prevenção primária evita o aparecimento da doença. Nesse caso, uma alimentação saudável, exercício físico, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo são estratégias de prevenção. A amamentação também funciona como fator protetor. A prevenção secundária é o diagnóstico precoce da doença em fases com maior possibilidade de cura. Esse tipo de prevenção é garantida com a realização da mamografia e do exame clínico das mamas.

Por: Juliana Xavier (IFF/Fiocruz)

 

Acolhida: novos bolsistas de iniciação científica começam suas atividades no ILMD

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu nesta quarta-feira, 2/8, trinta e dois novos bolsistas do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC/2017-2018). A programação da acolhida incluiu palestra, oficina e um café da manhã.

Para a coordenadora do PIC-ILMD, Stefanie Lopes, “a acolhida é um momento que permite aos alunos conhecerem a instituição, seus colegas e pesquisadores da Casa; oportunidade também para lhes mostrar a importância de seus papeis no desenvolvimento da ciência, e a primeira atividade da iniciação científica”.

A mesa de abertura foi composta pelo diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz; pelo diretor Técnico-Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Dércio Reis; pela vice-diretora substituta de Ensino, Informação e Comunicação e chefe do Serviço de Pós-graduação do ILMD, Rosana Parente; pela coordenadora PIC/ILMD, Stefanie Lopes; e pela coordenadora do curso QBA/On-line – Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Mônica Jandira dos Santos.

Sérgio Luz ressaltou a importância do evento para os estudantes que estão iniciando no fazer científico e também a necessidade de parcerias institucionais para a realização do PIC/ILMD. “Hoje é um dia especial pra gente aqui na Fiocruz, é a reabertura de mais um ano da Iniciação Científica, que acontece graças à parceria com a Fapeam, a partir de muita persistência e de um toque de teimosia nosso. Que tenhamos um programa cada vez mais forte, e que isso possa se refletir em resultado, pois a pesquisa e a ciência brasileira precisam disso”, disse o diretor.

ATIVIDADES

Biomedicina, farmácia, medicina, ciências sociais e engenharia de processos são alguns dos cursos dos novos bolsistas de iniciação científica.

Segunda a coordenadora do PIC/ILMD, os bolsistas do Programa deverão desenvolver seus projetos de pesquisa, participar de treinamentos, da jornada de biossegurança e das atividades do Centro de Estudos do ILMD.

Como orientação, Stefanie Lopes indica que os estudantes sejam organizados, conversem com seus pares, peçam ajuda de seus colegas e orientadores, obedeçam os prazos e leiam muito sobre os seus e outros trabalhos.

PALESTRA

“O impacto da iniciação científica na carreira acadêmica” foi o tema da palestra ministrada pelo médico, pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia e diretor de Ensino e Pesquisa da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Marcus Vinícius Lacerda.

Sob uma perspectiva motivacional Marcus Lacerda falou de sua trajetória na pesquisa e as experiências que foram determinantes para seu conhecimento e profissionalização. Para ele, “a pesquisa faz com que o aluno enxergue o caminho para a vida”.

Como ferramentas ao jovem pesquisador na área da saúde ele indica: a estatística, a epidemiologia, o contato com o serviço de saúde, a experiência de bancada e a participação em eventos científicos.

O palestrante já orientou mais de 50 estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e tem aproximadamente 100 publicações científicas em revistas indexadas. É pesquisador 1D do CNPq e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical de 2015 a 2017.

DESTAQUES

Na oportunidade, bolsistas do PIC/ILMD 2016-2017 que se destacaram com suas pesquisas  na XIV Reunião Anual de Iniciação Científica do ILMD, receberam certificados de Honra ao Mérito Científico. Orientadores, coorientadores e demais bolsistas também recebem certificados nesta edição do Programa.

Foram destaques:

BIOSSEGURANÇA

Na parte da tarde os novos bolsistas participaram da oficina “QBA/On-line: sensibilização em gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente”, ministrada por Mônica Jandira dos Santos (IOC/Fiocruz).

QBA/On-line é uma ferramenta de ensino que oferece orientações básicas sobre a condução de atividades de trabalho no que se refere à qualidade, biossegurança e gestão da qualidade.

Para Mônica Jandira, a palavra biossegurança se define: segurança da vida, portanto a formação para os novos bolsistas é essencial ao desempenho de suas tarefas nos laboratórios.

A sensibilização dos novos alunos será de fluxo contínuo e outras atividades devem nessa temática devem ocorrer durante a permanência deles no ILMD/ Fiocruz Amazônia.

SOBRE O PIC

O PIC/ILMD é desenvolvido em parceria com a Fapeam e a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec).

O PIC/ ILMD visa despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação, além de contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia;  estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais;   e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico, da criatividade e estímulo à inovação, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Eleições para o CD/ ILMD: conheça as chapas

Neste ano, servidores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) elegem seus representantes no Conselho Deliberativo (CD) do Instituto.

A Comissão Eleitoral promoveu nesta terça-feira (1/8) encontros para a apresentação das chapas inscritas para o processo de escolha dos membros do conselho para o biênio 2017-2019.

A eleição será realizada na próxima sexta-feira (4/8), no período de 8h às 17h, a ocorrer na sala de reunião da Biblioteca. O servidor que não puder comparecer à urna no dia da eleição, poderá votar por e-mail:  comissaoeleitoral.ilmd@fiocruz.br .

A Comissão desta eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria 018/2017, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.

A apuração dos votos será feita pela Comissão Eleitoral, imediatamente após o término da votação, nas dependências do ILMD.

Confira as chapas inscritas e cartas-compromisso

ENSINO

TITULAR: Aldemir Maquiné

SUPLENTE: Anízia Aguiar

 

GESTÃO

TITULAR: Helena Guedes Coutinho

SUPLENTE: Carlos Fabrício da Silva

 

PESQUISA

TITULAR: Priscila Aquino

SUPLENTE: Pritesh Lalwani

 

PESQUISA

TITULAR: Rodrigo Tobias Lima

SUPLENTE: Fernando Herkrath

 

PESQUISA

TITULAR: Stefanie Lopes

SUPLENTE: Amandia Souza

 

PESQUISA

TITULAR: Ani Beatriz Matsuura

SUPLENTE: Maria Jacirema Gonçalves

 

Fiocruz Amazônia promove oficina de sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente

A Comissão Institucional de Biossegurança do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promove de 2 a 4 de agosto, no laboratório de informática da Unidade, a “Oficina de Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente” (QBA-online). A atividade será ministrada pela Drª Mônica Jandira dos Santos, coordenadora do curso QBA-online, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

O evento segue orientações da política de biossegurança da Instituição e da Comissão Técnica de Biossegurança da Fiocruz (CTBio-Fiocruz).

Segundo Sônia Oliveira, coordenadora da Comissão Institucional de Biossegurança (CIBio), do ILMD/Fiocruz Amazônia, “essas ações visam melhor atender às recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e otimizar um conjunto de ações para prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”, explicou.

No dia 2/8, às 14h, serão capacitados os novos alunos do Programa de Iniciação Científica 2017-2018 (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia) e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-INTERAÇÃO).

Nos dias 3 e 4/8, as atividades continuam pela manhã e pela tarde  para os alunos dos seguintes programas: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/2016), Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação (IOC/ILMD), servidores e funcionários da Unidade. Serão capacitados inicialmente 80 usuários.

QBA/ON-LINE

O QBA/On-line é uma ferramenta de ensino que oferece orientações básicas sobre a condução de atividades de trabalho no que se refere à qualidade, biossegurança e gestão da qualidade. A sensibilização dos novos alunos será de fluxo contínuo e deverão ser realizadas através do envio de e-mails.

A COMISSÃO

A biossegurança é uma orientação prioritária no ILMD/Fiocruz Amazônia, uma vez que há o desenvolvimento de atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, realizadas no Laboratório Multiusuários e nas cinco Plataformas Tecnológicas.

Para orientar e incentivar as boas práticas e ações de biossegurança foi instituída por meio da Portaria N. 003/2016-GAB/ILMD, a Comissão Interna de Biossegurança do Instituto (CIBio/ILMD Fiocruz Amazônia), que é subordinada à Vice-Diretoria de Pesquisa e Inovação (VDPI-ILMD/Fiocruz Amazônia).

A CIBio promove cursos e treinamentos que capacitem os profissionais  da Unidade e disseminem os princípios da biossegurança no ILMD/Fiocruz Amazônia  e nas instituições parceiras.

SOBRE A PALESTRANTE

Mônica Jandira dos Santos é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-1999), Especialista em Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde, mestre e doutora em Ensino em Biociências e Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Atualmente, coordena o ‘QBA/On-line – Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente”, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Atua na área de Administração, com ênfase em Administração de Pessoal, trabalhando especialmente com os seguintes temas: Capacitação Profissional, Gestão e Ensino de Biossegurança.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Estudo avalia potencial de urbanização da febre amarela

Um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Instituto Pasteur, na França, aponta para o potencial de re-emergência de transmissão urbana de febre amarela no Brasil, reforçando a importância de medidas preventivas, como a vacinação e o controle vetorial. Em laboratório, os cientistas mediram a eficiência de mosquitos urbanos e silvestres do Rio de Janeiro quanto ao potencial de transmitir o vírus da febre amarela. Os dados apontam que os insetos fluminenses das espécies Aedes aegypti, Aedes albopictus, Haemagogus leucocelaenus e Sabethes albipirvus são altamente suscetíveis a linhagens virais tanto do Brasil, quanto da África. A competência vetorial dos mosquitos Aedes também foi verificada em Manaus e, em menor grau, em Goiânia. A capacidade de transmissão desses vetores foi confirmada ainda para a cidade de Brazzaville, capital do Congo.

Mosquitos dos gêneros Aedes, Haemagogus e Sabethes já são conhecidos há décadas pela ciência como vetores do vírus da febre amarela. No entanto, sua eficiência para disseminar a doença pode variar devido à diversidade de populações de insetos e da combinação entre os insetos e as diferentes linhagens virais. Por isso análises locais, como a que acaba de ser realizada, são importantes. “Atualmente o Brasil enfrenta epidemia decorrente do ciclo de transmissão silvestre de febre amarela. No entanto, temos de estar vigilantes sobre o potencial de disseminação do vírus por espécies urbanas de mosquitos. Por isso estudos como esse são fundamentais”, afirma Ricardo Lourenço de Oliveira, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC e um dos coordenadores da pesquisa. “Os dados indicam que na hipótese de o vírus ser introduzido na área urbana do Rio de Janeiro por um viajante infectado, existem múltiplas oportunidades para o início da transmissão local”, acrescenta o pesquisador. Publicado na revista internacional Scientific Reports, o trabalho também contou com a colaboração do Instituto Evandro Chagas, no Pará.

Segundo Ricardo Lourenço, os resultados reforçam a importância de medidas preventivas para evitar a transmissão da febre amarela nas áreas urbanas (foto: Gutemberg Brito, IOC/Fiocruz)

Para prevenir o transbordamento da doença do ciclo silvestre para o urbano, o estudo ressalta que é essencial que as pessoas em contato com as áreas de mata onde há circulação da forma silvestre do agravo sejam imunizadas. Além disso, considerando o risco de introdução a partir de outros países endêmicos, a exigência de vacinação para viajantes que visitam as cidades brasileiras deve ser avaliada. “Eliminar os criadouros e controlar a proliferação do Ae. aegypti é outra medida importante para evitar a re-emergência da febre amarela urbana no Brasil, além da questão básica e já amplamente conhecida de ser responsável pela transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya”, ressalta a entomologista Dinair Couto Lima, pesquisadora do mesmo Laboratório e primeira autora do artigo.

TESTES DE COMPETÊNCIA VETORIAL

A pesquisa contemplou mosquitos Ae. aegypti e Ae. albopictus de regiões do Brasil com características epidemiológicas variadas em relação à circulação do vírus da febre amarela. Na Amazônia, onde a forma silvestre da doença é endêmica – ou seja, os casos são registrados de forma sustentada – foram coletados e testados insetos de Manaus. No Centro-Oeste, que registra surtos cíclicos de febre amarela silvestre e é apontado como área de transição entre a região endêmica e as áreas livres do agravo no país, os mosquitos foram capturados em Goiânia. Já no litoral do Sudeste, onde não havia notificação de casos por mais de 70 anos, até o surto iniciado no final de 2016, os pesquisadores escolheram o Rio de Janeiro para as coletas. Neste caso, além dos Aedes, foram avaliados mosquitos silvestres das espécies Hg. leucocelaenus e Sa. albipirvus. O trabalho analisou ainda insetos Ae. aegypti e Ae. albopictus coletados em Brazzaville, no Congo, onde a febre amarela silvestre é endêmica, mas causada por linhagens virais diferentes das detectadas no Brasil.

Com relação aos vírus da febre amarela, entre os sete genótipos que circulam no mundo, o estudo contemplou a linhagem sul-americana 1, predominante no Brasil, incluindo o subtipo 1D, responsável pela maioria dos casos até 2001, e o subtipo 1E, majoritário nos últimos anos. Também foi utilizada uma linhagem da África ocidental, isolada no Senegal.

Entre os vetores urbanos avaliados, os Ae. aegypti do Rio de Janeiro apresentaram maior potencial para disseminar o vírus da febre amarela (foto: Gutemberg Brito, IOC/Fiocruz)

Para realizar os testes, os pesquisadores coletaram ovos dos mosquitos nas cidades e em áreas de mata. Apenas no caso dos Sa. albiprivus, foram estudados insetos de uma colônia mantida em laboratório no IOC desde 2013. Após a eclosão dos ovos, os mosquitos foram separados por espécie e gênero. Grupos de fêmeas foram alimentados com amostras de sangue contendo vírus da febre amarela de diferentes linhagens. A capacidade de transmissão dos insetos foi medida pela presença de partículas virais infectantes – capazes de causar infecção – na saliva dos insetos após a ingestão do sangue com vírus. Quando testadas as linhagens virais brasileiras, o potencial para propagação da doença foi confirmado para todas as populações de mosquitos. Apenas os Ae. albopictus de Manaus não se mostraram capazes de transmitir a linhagem viral africana.

Além de confirmar o potencial de transmissão da febre amarela nas diferentes regiões, o estudo aponta que a eficiência para propagar o vírus varia entre as populações de mosquitos. Entre os vetores urbanos brasileiros, os Ae. aegypti do Rio de Janeiro apresentaram o maior potencial para disseminar o agravo, com mais de 10% dos mosquitos apresentando partículas virais infectantes na saliva 14 dias após a alimentação, independentemente da linhagem viral considerada. “De forma geral, verificamos que os Ae. aegypti e Ae. albopictus do Rio de Janeiro e de Manaus foram mais suscetíveis para transmitir os vírus da febre amarela, enquanto os insetos de Goiânia mostraram-se capazes de propagar a doença, mas com muito menos eficiência”, comenta Ricardo.

Os vetores silvestres do Rio de Janeiro apresentaram capacidade ainda maior para disseminação do agravo. Dependendo da linhagem do vírus considerada, 10% a 20% dos Hg. leucocelaenus apresentaram partículas infectantes na saliva 14 dias após a ingestão de sangue infectado. Já entre os Sa. albipirvus, esse percentual variou de 23% a 31%. Níveis semelhantes de competência vetorial foram observados entre os mosquitos Ae. aegypti e Ae. albopictus de Brazzaville, no Congo, o que, segundo os cientistas, reforça o potencial para transmissão da febre amarela urbana na também na África ocidental. De acordo com Dinair Couto, características comportamentais dos mosquitos Ae. aegypti e Ae. albopictus podem contribuir para a reurbanização da doença.

De acordo com Dinair Couto, características comportamentais dos mosquitos Ae. aegypti e Ae. albopictus podem contribuir para a reurbanização da doença (foto: Gutemberg Brito, IOC/Fiocruz)

 

COMPARAÇÕES DO POTENCIAL DE TRANSMISSÃO

Os dados indicam que a competência vetorial dos mosquitos Aedes para transmitir a febre amarela é menor do que para a disseminação de outras arboviroses. Em 2014, um estudo também liderado pelo IOC em parceria com o Instituto Pasteur apontou que 80% dos Ae. aegypti e 95% dos Ae. albopictus de algumas populações das Américas têm potencial para transmitir o vírus chikungunya apenas sete dias após ingerir sangue infectado. Com relação ao vírus zika, uma pesquisa publicada pelo mesmo grupo de cientistas em 2016 indicou que 60% a 93% dos Ae. aegypti do Rio de Janeiro podem disseminar a doença 14 dias após a ingestão de sangue infectado com linhagens virais isoladas no estado. No entanto, segundo os cientistas, considerando os hábitos comportamentais do Ae. aegypti e a grande frequência desse vetor nos ambientes urbanos brasileiros, os níveis verificados na pesquisa são suficientes para apontar o risco de transmissão urbana da febre amarela.

De acordo com os pesquisadores, o Ae. aegypti tem alto potencial para disseminar doenças devido ao contato constante com as pessoas: o mosquito estabelece seus criadouros dentro ou próximo das residências e se alimenta preferencialmente de sangue humano. Desta forma, o cenário observado no Rio de Janeiro, onde foram verificados os maiores níveis de competência vetorial dos mosquitos urbanos, além de alta capacidade de transmissão dos insetos silvestres, reforça a necessidade de alerta. “A febre amarela está às portas das cidades mais povoadas da costa atlântica brasileira, zona com uma das maiores densidades humanas de toda a América do Sul. A epidemia registrada em Angola, na África, no ano passado exemplifica a ameaça que isso representa. A partir de Angola, a doença chegou a países vizinhos, como a República Democrática do Congo e Uganda. A maioria dos casos foi registrada nas cidades, sugerindo a participação de vetores urbanos, especialmente o Ae. aegypti”, ressalta Ricardo.

Encontrado em matas, ambientes rurais, quintais e peridomicílios, os Ae. albopictus também podem contribuir para a urbanização da febre amarela. Segundo os cientistas, estes mosquitos se reproduzem em áreas com maior cobertura vegetal e costumam picar animais silvestres e domésticos, além do homem. “Os mosquitos Ae. albopictus podem se mover facilmente da floresta para locais periurbanos, e os maiores índices de infestação por essa espécie no Brasil são relatados nas regiões Sudeste e Sul, onde a febre amarela está circulando atualmente. Assim, devemos considerar a hipótese de que os insetos Ae. albopictus podem desempenhar o papel de ‘vetor de ponte’, ligando o ciclo silvestre ao ciclo urbano do agravo”, pondera Dinair.

Nas áreas peridomiciliares, as mesmas medidas adotadas contra o Ae. aegypti são importantes para combater o Ae. albopictus, incluindo evitar o acúmulo de água parada em garrafas, pratos de plantas e outros objetos deixados em quintais, assim como realizar a manutenção de calhas, instalar telas em ralos nesses ambientes e manter caixas d’água e outros depósitos bem vedados. A vacinação, nas localidades onde a imunização é indicada pelo Ministério da Saúde, também é fundamental para a prevenção da febre amarela.

Por Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Fonte: AFN