Pesquisa destaca centros de referência no combate à hanseníase

Um estudo que analisou mais de 1,8 mil casos suspeitos de hanseníase atendidos durante cinco anos no Ambulatório Souza Araújo, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), aponta para a importância dos centros de referência na atual estratégia para controle da doença. Publicada na revista científica Plos Neglected Tropical Diaseases, a pesquisa investigou o perfil de pacientes recebidos pela unidade em um contexto de mudança no modelo de atenção à hanseníase no Rio de Janeiro, no qual a doença deixou de ser prioritariamente diagnosticada e tratada por especialistas e passou a ser contemplada diretamente pelos médicos da atenção básica.

O trabalho revelou que o Ambulatório Souza Araújo tem expandido seu papel no esclarecimento de casos suspeitos, em apoio às unidades básicas de saúde. Os dados levantados durante o estudo também chamaram atenção para um desafio no combate ao agravo: apesar das medidas para ampliar o acesso ao tratamento, 14% dos pacientes recebidos no Ambulatório durante o período apresentavam lesões avançadas no momento do diagnóstico, prejudicando a função dos olhos, mãos ou pés.

A pesquisa contemplou casos atendidos entre 2010 e 2014, incluindo pacientes encaminhados pelas redes pública e privada e pessoas que procuraram espontaneamente a unidade por suspeita de hanseníase. Entre mais de 1,8 mil pacientes, apenas 465 – um quarto do total – foram confirmados com infecção pelo Mycobacterium leprae, causador da hanseníase. Nos demais casos, os médicos identificaram que outras doenças de pele, incluindo micoses, psoríase e dermatite eczematosa, assim como agravos do sistema nervoso eram a causa das lesões que tinham originado a suspeita de hanseníase.

“Os dados indicam que os médicos da atenção básica, que não são especialistas, estão suspeitando de hanseníase, o que é importante para ampliar o acesso ao tratamento da doença. Porém, em alguns casos, eles não têm certeza do diagnóstico, o que é esperado. Nesta situação, é importante ter um centro de referência, onde essa dúvida pode ser resolvida”, afirma a médica Euzenir Sarno, pesquisadora do Laboratório de Hanseníase do IOC/Fiocruz, unidade responsável pelo Ambulatório Souza Araújo, e coordenadora do estudo. A unidade atua como Serviço de Referência Nacional em Hanseníase junto ao Ministério da Saúde e, nesse contexto, mantém o Ambulatório Souza Araújo, promovendo a integração entre pesquisa e assistência.

A mudança no modelo de atenção à hanseníase no Rio de Janeiro é resultado da expansão da Estratégia de Saúde da Família no estado, com ênfase para a capital. Até 2009, o programa alcançava cerca de 30% da população fluminense, percentual que subiu progressivamente, chegando a quase 50% em 2014. Neste período, o crescimento foi ainda mais acentuado na capital. Até 2009, menos de 10% dos cariocas eram atendidos pelo Saúde da Família.
Em 2014, esse índice chegava a 45%. “No modelo anterior, os pacientes eram encaminhados para serviços especializados de dermatologia, que eram responsáveis pelo diagnóstico e tratamento da hanseníase. Já na Estratégia de Saúde da Família, a doença pode ser diagnosticada e tratada pelos clínicos gerais que fazem o atendimento da população. O objetivo é ampliar o acesso à terapia, uma vez que esses profissionais têm contato frequente com os pacientes e podem identificar o agravo em consultas de rotina”, esclarece Raquel Barbireri, médica do Ambulatório Souza Araújo e primeira autora do estudo.

Com a mudança no modelo de atenção, o perfil de pacientes atendidos no Ambulatório Souza Araújo também passou a apresentar diferenças. Entre 2005 e 2009, apenas 20% dos pacientes tinham passado por apenas uma consulta antes de serem encaminhados para o centro de referência, enquanto 80% tinham sido atendidos previamente em duas ou mais unidades de saúde. Já no período de 2010 a 2014, o percentual de pacientes encaminhados logo após o primeiro atendimento dobrou, alcançando 40%. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 16% no encaminhamento de pacientes que, de fato, não apresentavam hanseníase, mas sim outras doenças de pele.

“Na maioria dos casos, os dermatologistas do Ambulatório Souza Araújo não precisaram realizar biópsias das lesões para identificar os casos de outras doenças dermatológicas. Porém, o diagnóstico diferencial da hanseníase, pelo exame visual, pode ser difícil para um profissional de saúde que não é especializado no tema. Nesse contexto, o papel do centro de referência se torna ainda mais importante, uma vez que atua inserido no Sistema Único de Saúde”, ressalta Euzenir.

Como referência, o Ambulatório Souza Araújo desempenha atividades de diagnóstico, tratamento e prevenção da hanseníase. O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional e pode incluir a realização de biópsias e outros procedimentos. Após o diagnóstico, os pacientes com casos simples podem ser encaminhados para tratamento em unidades básicas de saúde, próximas de suas residências.

O Ambulatório segue com os atendimentos de maior complexidade, incluindo casos de recidiva, quando a doença retorna após o tratamento, e reações inflamatórias, complicação que pode afetar os pacientes antes, durante ou após o tratamento. Em 2014, a unidade recebeu o Certificado de Acreditação Internacional pela Joint Commission International (JCI), maior e mais antiga comissão acreditadora dos Estados Unidos. O documento atesta o alinhamento com padrões de excelência internacional em qualidade e segurança no atendimento aos pacientes.

DIAGNÓSTICO TARDIO

Apesar do grande número de unidades de saúde no Rio de Janeiro, o estudo detectou atraso no diagnóstico da hanseníase, o que foi considerado surpreendente pelas pesquisadoras. Entre 262 pacientes que tiveram o grau de incapacidade física avaliado no momento do diagnóstico, 40% apresentavam algum nível de perda de sensibilidade ou de movimento. Em 14% dos casos, foram identificadas lesões avançadas, que prejudicavam a função dos olhos, das mãos ou dos pés, classificadas como incapacidade física de grau 2. O resultado foi pior do que o observado em um levantamento anterior, realizado no Ambulatório Souza Araújo entre 2003 e 2007, no qual 32% dos pacientes apresentaram algum nível de redução da sensibilidade ou de movimentos e 12% revelaram grau 2 de incapacidade física.

“Apesar da expansão no acesso aos serviços de saúde, continua existindo demora no diagnóstico da hanseníase. Isso é um problema grave porque as deformidades e incapacidades físicas, que são associadas ao forte estigma da hanseníase, podem ser prevenidas com o tratamento precoce”, diz Euzenir, lembrando que o índice de lesões avançadas detectadas no Rio de Janeiro é classificado com alto pelo Ministério da Saúde. Em 2014, 11% dos pacientes diagnosticados com hanseníase no estado e na capital fluminense apresentaram incapacidade física de grau 2.

De acordo com os cientistas, é comum que o percentual de quadros graves diagnosticados aumente quando o total de casos da doença se reduz, o que contribui para explicar o resultado observado na pesquisa. No estado do Rio, o número de novos casos de hanseníase detectados caiu aproximadamente pela metade entre 2005 e 2014, passando de mais de 2,5 mil para menos de 1,5 mil. Nesse cenário, na medida em que os casos mais simples são tratados com facilidade, restam os pacientes com apresentações complexas, que podem ser difíceis de diagnosticar durante os atendimentos por profissionais de saúde que não são especializados. Por outro lado, uma vez que o agravo se torna menos frequente, os médicos podem deixar de considerar a infecção como uma opção de diagnóstico ao avaliar lesões dermatológicas, o que também pode contribuir para o diagnóstico em momento tardio da evolução da doença.

Considerando que o resultado reflete as dificuldades para o diagnóstico da hanseníase, as pesquisadoras enfatizam a necessidade de investimentos no desenvolvimento de ferramentas que possam facilitar a detecção da doença. “Além de realizar o atendimento, o centro de referência realiza pesquisas e, no Laboratório de Hanseníase, temos projetos para desenvolvimento de métodos de diagnóstico que poderiam auxiliar os profissionais de saúde no objetivo de detectar precocemente a doença. O investimento nesse tipo de iniciativa é muito importante para continuarmos avançando no enfrentamento da hanseníase”, completa Raquel.

Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)
Fonte: AFN

Perspectiva dos periódicos científicos em debate no ILMD

Realizada ontem, 26 de janeiro, a primeira palestra ofertada em 2017, pelo Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) abordou aspectos e estratégias de submissão de artigos, escolhas de periódicos científicos, políticas editoriais, assim como fatores de impacto e custos de publicações. A atividade foi ministrada pelos pesquisadores sêniores do ILMD, Bernardo Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), e Carlos Coimbra, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Na programação, Coimbra destacou a importância de pensar no público a quem interessa o estudo. “Os autores devem refletir muito sobre o público que querem atingir, independente dessa mistificação do fator de impacto dos periódicos. Se eu quero atingir o público dos profissionais do serviço de saúde, ou se eu quero atingir o público dos cientistas das escolas médicas do mundo, eu preciso saber aonde eu quero chegar com isso”, explicou.

O pesquisador avaliou que mesmo os artigos mais voltados para a academia, comunidade científica Stricto Senso, devem se preocupar com a segmentação que existe na academia. Outro aspecto abordado sobre os desafios encontrados no momento de submissão dos artigos, foi a dificuldade por parte dos autores em saber escrever para o público certo, e isso também inclui a redação da língua portuguesa.

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Sobre os questionamentos do público em relação ao “fator de impacto” das publicações, Bernardo Horta, esclareceu que “impacto de produção é algo muito maior do que simplesmente citação, é algo que leva a novos produtos, novas patentes, algo usado para atingir o desenvolvimento de um novo procedimento, ou estudos que levem a novas políticas públicas”.

Outro assunto bastante discutido durante a apresentação foi a escolha do idioma em que os artigos são publicados. De acordo com os pesquisadores, a língua deve ter relação com o público ao qual os autores querem alcançar.

Horta ponderou que os avanços das publicações científica dos pesquisadores do Brasil, devem ser pautados por estratégias como a inovação e importância dos estudos científicos. “A nossa produção nacional tem alcançado destaque internacional, temos pesquisadores brasileiros publicando nos principais periódicos do mundo, então eu penso que é uma questão de nós produzirmos pesquisas inovadoras, relevantes e com isso conseguiremos ir além das fronteiras”, disse.

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Para o biólogo, Yuri Chaves, que cursa doutorado no ILMD, a palestra ajudou a desconstruir conceitos e ampliar o olhar em relação a outros aspectos de importância. “A gente leva em consideração que um artigo deve ser publicado em inglês, e graças a utilização da língua ele será bem acessado, mas na verdade os palestrantes nos mostraram o contrário. Além disso, é importante conhecer o trabalho e escolher qual a melhor revista para que o artigo tenha mais acesso, de acordo com o público que se pretende atingir”, falou.

CENTRO DE ESTUDOS

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O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

EAD: revista que abordará processos de formação em saúde recebe artigos

A EAD e os processos de formação na área da saúde será o tema da próxima edição da revista de Educação a Distância EmRede. Essa publicação é mantida pela Associação Universidades em Rede (UniRede), e a nova edição está sendo elaborada em parceria com a Coordenação de Desenvolvimento Educacional e Educação a Distância (Cdead) da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), a Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e docentes do curso de Informática Biomédica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Para tanto, seus editores estão aceitando artigos que abordem as seguintes linhas temáticas: Formação em Saúde utilizando tecnologias digitais; Inovações em EAD incorporadas nos processos de formação em Saúde; Avaliação das ações EAD utilizadas na formação em Saúde; e Formação do docente da área da Saúde para desenvolver ações de EAD. A submissão deve ser feita por meio da página eletrônica da revista até 15/3.

O tema central do v.4, nº1 da revista EmRede visa lançar luz ao debate sobre a importância de se planejar processos formativos com base nas necessidades de saúde das pessoas e das populações, destacando a problematização do processo e da qualidade do trabalho em cada serviço de saúde, a formação para a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho e, ainda, a atualização técnico-científica como um dos aspectos da transformação das práticas, e não como seu foco central.

As integrantes da Cdead/Ensp Lucia Dupret e Henriette dos Santos são editoras desse número junto com profissionais da Escola de Enfermagem da UFRGS e do curso de Informática Biomédica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A revista foi criada com a missão de fomentar a pesquisa e o desenvolvimento pedagógico e tecnológico no contexto da Educação a Distância e da educação apoiada pelas tecnologias digitais; busca reunir e publicar trabalhos de excelência elaborados por profissionais e pesquisadores da área de Educação a Distância. Os principais objetivos da revista são divulgar a produção científica dos grupos de pesquisa nacionais e internacionais vinculados às instituições de ensino que trabalham com Educação a Distância; propiciar um espaço de reflexão para as práticas e experiências de inserção da modalidade a distância nas instituições de ensino; e estimular a produção científica em nível de graduação e pós-graduação.

A revista EmRede publica trabalhos originais em português, espanhol e inglês por meio de seu sistema de submissão on-line. Todos os trabalhos submetidos à publicação na revista são avaliados por pelo menos dois avaliadores (double blind), mais um membro do corpo editorial da EmRede. O tempo médio de avaliação é 6 meses. O corpo editorial é formado por professores doutores com competência e experiência reconhecidas na área de Educação a Distância e áreas afins.

A previsão de publicação dessa edição é 15 de julho de 2017.

Fonte: Portal Fiocruz

Ministério da Saúde atualiza casos de febre amarela no país

O Ministério da Saúde registrou, na última segunda-feira (23), 421 casos suspeitos de febre amarela, sendo 87 mortes em quatro estados e o Distrito Federal. Do total, 357 permanecem em investigação, 63 foram confirmados e um descartado. Das 87 mortes notificadas, 34 foram confirmadas e 53 permanecem em investigação. Os casos foram registrados em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Distrito Federal.

Minas Gerais é o estado com o maior número de registros até o momento. Foram 391 casos suspeitos em 39 municípios, com 58 já confirmados. Do total de confirmados, 31 evoluíram para óbitos. Outras 52 mortes continuam em investigação, totalizando 83 óbitos notificados. Para auxiliar na intensificação da imunização em Minas Gerais, o Ministério da Saúde já enviou ao estado 2,4 milhões de doses extras contra febre amarela.

O Espírito Santo notificou 19 casos em 12 municípios, sendo um óbito. Dos 19 registros, apenas um caso foi confirmado, que não evoluiu para óbito. Os outros 18 permanecem em investigação. Em janeiro, o Ministério da Saúde encaminhou 905 mil doses extras para o estado realizar a vacinação em municípios que estão na divisa com o estado de Minas Gerais e têm área de mata contínua.

A Bahia notificou sete casos da febre amarela. Um deles já foi confirmado, cinco permanecem em investigação e um foi descartado. Não há registro de mortes. Os casos foram notificados em três municípios. O Ministério da Saúde enviou ao estado 400 mil doses extras para vacinação preventiva da população na área recomendada.

O estado de São Paulo confirmou três mortes por febre amarela, em três municípios paulistas. Para intensificar a vacinação nas áreas de recomendação do estado de SP, o Ministério da Saúde enviou, na semana passada, 400 mil doses da vacina. Além disso, já haviam sido distribuídas 88,3 mil doses para a vacinação de rotina. Parte do estado de São Paulo faz parte da Área de Recomendação de Vacina. O Distrito Federal tem um caso em investigação, que não evoluiu para óbito. O DF recebeu 42 mil doses extras de vacina contra febre amarela.

O Ministério da Saúde distribuiu, no mês de janeiro, 650 mil doses da vacina de febre amarela para todo o país, como parte da rotina de abastecimento do Calendário Nacional de Vacinação. Além das doses de rotina, foram enviadas, neste ano, um total de 4,6 milhões de doses extras para implementar as estratégias de vacina aos quatro estados com registros da doença e ao Distrito Federal. O estoque disponível no Ministério da Saúde é suficiente para atender a demanda do momento.

Histórico

Em 2016, foram confirmados sete casos da doença, nos estados de Goiás (3), São Paulo (2) e Amazonas (2), sendo que cinco deles evoluíram para óbito. Atualmente, o Brasil tem registros apenas de febre amarela silvestre. Os últimos casos de febre amarela urbana (transmitida pelo Aedes aegypti) foram registrados em 1942, no Acre.

O Ministério da Saúde adota o esquema de duas doses da vacina Febre Amarela no Calendário Nacional, sendo uma dose aos noves meses de idade e um reforço aos quatro anos. A recomendação de vacinação para o restante do país continua a mesma: toda pessoa que reside em Áreas com Recomendação da Vacina contra febre amarela e pessoas que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata dentro dessas áreas, deve se imunizar. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da área de recomendação para a vacina.

É importante informar que a vacina contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e é enviada, mensalmente, para todo o país. Em 2016, o total distribuído foi de mais de 16 milhões de doses. A vacina é altamente eficaz e segura para o uso, a partir dos nove meses de idade, em residentes e viajantes a áreas endêmicas ou, a partir de seis meses de idade, em situações de surto da doença.

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Camila Bogaz / Agência Saúde

Fonte: Portal Fiocruz

Foto: divulgação

Palestra sobre periódicos científicos e políticas editoriais será apresentada no ILMD

Dando início às atividades de 2017, o Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promove nesta quinta-feira (26/01), às 14h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra ” Periódicos científicos e políticas editoriais”, a ser ministrada pelos Doutores, Bernardo Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), e Carlos Coimbra, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ambos pesquisadores sêniores do ILMD.

O objetivo do encontro é promover uma conversa, informando e atualizando os pesquisadores do Instituto, sobre estratégias e tendências das principais revistas científicas para publicação nas áreas dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-INTERAÇÃO), e Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA). O ILMD/Fiocruz Amazônia fica na Rua Teresina, 476, bairro de Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo a coordenadora do Centro de Estudos, Cláudia Rios, a expectativa é que o espaço para debate tome maiores proporções este ano. “A gente espera que haja um maior volume de pessoas assistindo as palestras do Centro de Estudos. Já possuímos três programas de pós-graduação, então acredito que isso vá aumentar o público, melhorar as discussões e ampliar nosso espaço para discutir sobre ciência”, explicou.

A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde.

SOBRE OS PALESTRANTES

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Carlos Coimbra é Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília, Mestre em antropologia e Doutor em antropologia médica pela Indiana University, e pós-doutor pelo Five College Program in Medical Anthropology, University of Massachusetts, Amherst. Atualmente é pesquisador titular na ENSP/ Fiocruz e foi editor-chefe de Cadernos de Saúde Pública de 1993 a 2013, e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, nível 1B.

Além de ser autor de diversos artigos em periódicos nacionais e estrangeiros, Coimbra é autor do livro “The Xavante in Transition: Health, Demography and Bioanthropology in Central Brazil”, que recebeu o prêmio de melhor livro interdisciplinar da American Anthropological Association, Washington DC, em 2003.

Bernardo Horta é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas, Mestre em Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas e doutor em Epidemiologia pela McGill University. Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Pelotas e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, nível 1A.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

A Saúde no Contexto da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Com o intuito de promover o debate sobre como o Estado brasileiro tem estruturado a política de áreas protegidas e assegurado os bens e serviços sociais, em especial aqueles relacionados ao acesso dos serviços públicos de saúde às populações ribeirinhas, nesses territórios, foi realizado ontem (19/01) no Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra, em Portugal, o seminário “A Saúde no Contexto da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá”.

A exposição do tema foi feita pelo pesquisador Marcílio Sandro de Medeiros, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), geógrafo e mestre em saúde pública. A moderação foi feita por Stefania Barca, investigadora doutora do Centro de Estudos Sociais (CES), da Universidade de Coimbra. O seminário teve como debatedora Ivani Ferreira de Faria, geógrafa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e investigadora em gestão territorial.

A temática foi exposta com base nas análises dos resultados preliminares do inquérito epidemiológico domiciliar sobre as condições de trabalho, saúde e vida das populações ribeirinhas, realizada no segundo semestre de 2016 por pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia.

O campo de reflexão teórica e empírica foi a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que é uma das 71 Unidades de Conservação Ambiental do Amazonas, localizada nas bacias hidrográficas do Médio e Alto Solimões, numa área de 1.124.000 hectares (aproximadamente 11.240 km²), onde vivem cerca de 11 mil pessoas distribuídas em 200 comunidades e 1.873 domicílios.

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O estudo apresentado faz parte do projeto de tese de doutoramento em Saúde pública Co-tutela em Direitos Humanos, Saúde Global e Políticas da Vida, do pesquisador Marcílio Sandro de Medeiros.

O programa de doutorado é produto da parceria entre o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade técnica científica da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco, e o Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra, em Portugal.

A pesquisa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa Estado do Amazonas (Fapeam), por meio de bolsa de estudo do Programa RH Doutorado.

ILMD/Fiocruz , por Marlúcia Seixas
Foto: Edmilson Bibiani