Projeto propõe alternativa para diagnóstico de meningites

Um projeto para diagnóstico e caracterização das principais bactérias causadoras de meningites, elaborado por Ivano de Filippis, biólogo do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), foi aceito em outubro no InovaBio. O programa é uma iniciativa de Bio-Manguinhos que irá disponibilizar recursos para pesquisas ligadas a inovações na área de biotecnologia. “Estamos desenvolvendo não só a parte do diagnóstico, nosso estudo também pretende identificar qual o tipo de agente etiológico. Assim, saberemos se é necessário vacinar a população e se novas bactérias estão circulando, o que tornaria necessária a produção de uma nova vacina”.

O estudo ainda está na fase inicial e pretende ser uma alternativa rápida, econômica e eficaz aos métodos de diagnóstico convencionais vigentes. O kit, de fácil uso, utilizará uma pequena quantidade de material clínico. O projeto irá adaptar uma técnica de PCR normalmente empregada para diagnóstico de certos tipos de câncer. “Continua tendo a mesma sensibilidade e especificidade do método anterior, porém é muito mais barato e pode ser realizado em hospital público”, enfatiza o biólogo.

Para a produção do futuro kit em escala, é necessário seu aperfeiçoamento e uma empresa disposta a fabricá-lo. “O nosso objetivo é atender às necessidades do SUS, conforme proposta de Bio-Manguinhos”, conclui.

O QUE É MENINGITE?

A causa mais comum das meningites é a infecção por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A doença é uma inflamação das meninges – membranas que envolvem o cérebro – e pode causar lesões como cegueira, surdez e, dependendo da gravidade, até a morte.

Por: Gabrielle Araujo (INCQS/Fiocruz)

 

Fiocruz recebe prêmio da Opas por projeto contra a malária

Às margens do rio Negro, na fronteira entre os municípios de Barcelos e Novo Airão no estado do Amazonas, moradores de 14 comunidades ribeirinhas da extensa e isolada área do Parque Nacional do Jaú permaneceram longos anos sob o impacto da malária. Um projeto do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi decisivo para transformar essa realidade. No início dos anos 2000, o Índice Parasitário Anual (IPA), indicador do risco de ocorrência de malária, atingia taxas que classificavam o parque como o maior foco não indígena de malária da bacia do rio Negro. Em 2013, quatro anos após o início de ações de diagnóstico, tratamento e vigilância, já não eram mais registrados casos de transmissão local. A contribuição para a promoção da saúde da população, com a eliminação da doença, rendeu reconhecimento internacional, com o prêmio ‘Campeões contra a Malária nas Américas’, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).

“O reconhecimento da OPAS ressalta o valor da pesquisa aplicada para o país, a importância da aproximação da Academia com programas de controle de doenças e boas iniciativas de Organizações Não-Governamentais. A conquista destaca o papel da Fiocruz, neste caso, em especial, o Instituto Oswaldo Cruz, como instituição que atua fortemente na promoção da saúde e na qualidade de vida da população brasileira”, salientou a coordenadora do projeto e pesquisadora do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, Simone Ladeia Andrade. Doença causada por parasitos do gênero Plasmodium, a malária é transmitida, em geral, pela picada de mosquitos anofelinos infectados. A maior prevalência dos casos no Brasil está na região amazônica, com índice que supera os 99% em relação a todo o território nacional.

Assista ao vídeo sobre o projeto produzido pela Opas:

SOBRE A INICIATIVA

O ponto de partida para o projeto foi uma iniciativa que também teve sua excelência reconhecida: conquistou, em 2005, o Prêmio Capes de Tese, considerado o mais importante do país. A pesquisa, conduzida por Simone durante seu doutorado no Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do IOC, havia analisado a epidemiologia da malária no Parque Nacional do Jaú entre 2002 e 2003, fornecendo informações sobre endemicidade local, prevalência por microáreas, fatores associados à infecção, apresentação clínica e imunidade da população às diferentes espécies do parasito. Os resultados evidenciaram uma distribuição heterogênea da endemia na área, transmissão intradomiciliar, anemia associada à malária, certo grau de imunidade anti-infecção e anti-doença na população e uma taxa de infecções assintomáticas em torno de 15%, aspecto que, juntamente com o isolamento da área, dificultava a detecção e o tratamento das pessoas infectadas. Anos mais tarde, esses dados seriam utilizados como base para o desenvolvimento de uma análise mais profunda, dando origem ao projeto que acaba de ser premiado pela OPAS.

No recente projeto, a partir de 2009, Simone e uma equipe variada, composta por técnicos, agentes municipais de endemias, pesquisadores e alunos, voltaram a percorrer periodicamente as 14 comunidades do Parque Nacional do Jaú (5 no rio Jaú e 9 no rio Unini) em um esforço de busca ativa de pessoas infectadas por Plasmodium, sintomáticos ou não. As visitas, realizadas em média a cada três meses, duravam de 35 a 50 dias. Toda a população presente (500 indivíduos em média) era submetida à entrevista, exames clínicos, diagnóstico e tratamento de malária e anemia in loco, visando esclarecer a dinâmica da transmissão da endemia, causas, consequências e fatores de risco para infecção e adoecimento e possibilidades de controle. “Nesse contexto, a rápida identificação e tratamento imediato de casos a cada três meses contribuíram para conter a circulação do parasita na população e, consequentemente, levaram a uma redução drástica na incidência de casos ainda no mesmo ano”, aponta Simone, ressaltando a contribuição do pesquisador Marcelo Urbano Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), na realização da etapa de diagnóstico molecular.

Em abordagem entomológica simultânea, os trabalhos de campo também contavam com coletas de larvas e de mosquitos vetores, no intuito de caracterizar a distribuição e comportamento das diferentes espécies locais, assim como monitorar sua resistência a inseticidas. Mosquiteiros impregnados e não impregnados com inseticidas foram distribuídos, no entanto, não houve boa adesão por parte da população, evidenciando o papel fundamental das detecções e tratamentos de infectados na redução da malária. A análise dos dados do projeto ainda está em andamento. De acordo com Simone, a expectativa é de que os dados possam contribuir para o entendimento sobre os fatores de risco para transmissão, infecção e adoecimento na população ribeirinha.

SOMATÓRIO DE FORÇAS

À iniciativa da ONG catalã Nucli d’estudis per a l’Amazònia de Catalunya (Neac) de instalar postos de microscopia e treinar comunitários no diagnóstico de malária, a equipe do IOC, apoiada pelo Lacen de Manaus, contribuiu aprimorando a capacitação desses novos profissionais locais, visando garantir o correto diagnóstico e tratamento da doença na área. A qualificação dos microscopistas comunitários foi realizada com atividades teóricas e práticas em cada visita da equipe ao parque. Uma vez formados, os microscopistas passaram a integrar o projeto, realizando busca ativa de infecção mensalmente, no intervalo das visitas da equipe de pesquisa ao longo de 2010.

O conjunto de ações de diagnóstico, tratamento e vigilância iniciado em 2009 acarretou na redução de 62% na transmissão da malária ainda no mesmo ano e de 94% em 2010, no Parque Nacional do Jaú. O último caso de Plasmodium falciparum, parasito causador da malária com maior risco de agravamento, na área, foi registrado em 2013. Desde então, foram detectados apenas casos isolados e pequenos surtos (em 2017) de malária por P. vivax, a partir de casos importados das áreas urbanas. Deste modo, o Parque Nacional do Jaú se encontra em estágio de eliminação e prevenção de reintrodução da malária, estando sob vigilância para a detecção e contenção de casos importados com a finalidade de impedir que a endemia se restabeleça.

De caráter interdisciplinar, o projeto contou com a colaboração de especialistas da Fundação de Vigilância em Saúde de Barcelos, Secretaria Municipal de Saúde de Barcelos, Laboratório Central do Amazonas, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A iniciativa também contou com apoio de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e de cientistas, alunos e técnicos do Instituto Oswaldo Cruz, em especial, dos Laboratórios de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores e de Doenças Parasitárias. O projeto teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Programa de Apoio à Pesquisa Estratégica em Saúde (PAPES), da Fiocruz.

SOBRE O PRÊMIO

A iniciativa ‘Campeões contra a Malária nas Américas’ reconhece iniciativas locais ou nacionais que demonstraram sucesso na prevenção, controle, eliminação ou prevenção da reintrodução da malária em comunidades, países ou nas Américas como um todo. A edição de 2017, em especial, destacou a vigilância e o acesso ao diagnóstico e tratamento como componentes essenciais para a eliminação e prevenção do restabelecimento da malária. A cerimônia de entrega das premiações foi realizada em novembro, na sede da OPAS em Washington, capital dos Estados Unidos. Além do projeto ‘Parque Nacional do Jaú (PNJ) Amazonas/Fiocruz’, também foram agraciados os projetos ‘Eirunepé – do Caos à Vigilância’, da Secretaria Municipal de Saúde de Eirunepé, município do interior do Amazonas, e ‘Binomial plan for malária elimination in Hispaniola Island – Ouanaminthe-Djabon’, do Programa Nacional de Controle da Malária do Haiti e do Centro Nacional Para o Controle das Enfermidades Tropicais da República Dominicana.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha

Crianças portadoras do HIV terão novo medicamento com tecnologia inovadora

Crianças que vivem com o vírus HIV da aids, no Brasil, serão beneficiadas com a chegada de um medicamento fabricado com tecnologia inovadora.

O remédio, conhecido como Efavirenz, já produzido na forma de comprimidos, indicados no coquetel de tratamento da aids, de adultos, foi incrementado a partir do uso da nanotecnologia ou pequenas partículas. O resultado é uma versão diferenciada menor, para melhorar a aceitação pelas crianças.

A tecnologia permite melhor aproveitamento do princípio ativo da substância pelo organismo, uma vez que as formulações líquidas existentes, além de não serem recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), têm sabor desagradável, curto prazo de validade e elevado custo para transporte.

O produto está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos, da Fiocruz, principal instituição pública produtora de antirretrovirais no país para o Ministério da Saúde (MS).

O pesquisador Helvécio Rocha, coordenador do Laboratório de Sistemas Farmacêuticos Avançados, disse que a expectativa é de que o novo comprimido, que se dissolve na boca e na água, facilite a aceitação pelos pequenos pacientes.

“A ideia do nosso produto é gerar para esses pacientes pediátricos uma formulação mais adequada à idade deles. A gente precisa dar uma apresentação boa porque é um tratamento de longo prazo. Aí, se o sabor for ruim, as crianças começam a rejeitar a medicação. Tem essa tentativa de melhorar o sabor e, ao mesmo tempo, adequar o produto nacional a recomendações do MS e da OMS”, enfatizou.

Segundo Rocha, o desafio maior foi colocar o princípio ativo em porções pequenas, para que o remédio chegasse à corrente sanguínea sem perder o efeito desejado.

Ele disse ainda que esse tipo de medicamento pediátrico para tratamento da aids, com a tecnologia das nanopartículas, é inédito no mundo.

A previsão é de que o produto passe por testes clínicos até o final do próximo ano e fique disponível no mercado em 2020.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 21 mil crianças no Brasil são soropositivas, isto é, portadoras do vírus HIV.

Márcia Wonghon – EBC

Equipes recebem treinamento sobre gerenciamento de resíduos

Com o objetivo de orientar quanto às normas vigentes de tratamento, descarte e destinação final de resíduos químicos e biológicos produzidos nos laboratórios de pesquisa do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), as equipes da Gerência do Laboratório de Multiusuários,  do Serviço de Gestão de Infraestrutura (Seinfra) e alunos bolsistas receberam na terça-feira,   19/12, treinamento sobre “Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde “.

O treinamento foi ministrado pela enfermeira Elizabete Rocha, da Norte Ambiental Tratamento de Resíduo Ltda., que discorreu sobre a Resolução 306/2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que dispõe sobre o regulamento técnico para gerenciamento dos resíduos do serviço de saúde, e sobre a Resolução 358/2005 – que aborda o tratamento e a disposição final dos resíduos de serviço de saúde e demais providências.

Hoje, 20/12, foi realizada a primeira coleta do material contingenciado, que totalizou 1.074 kg, feita pela empresa Norte Ambiental, que dará a destinação final adequada ao material coletado.

Segundo a gerente do Laboratório de Multiusuários, Giovana Pinheiro, “a formalização do contrato de coleta de resíduos, iniciado em 1º/12/2017, cumpre uma etapa de um trabalho de adequação das rotinas laboratoriais, dentro do Sistema de Gestão da Qualidade. Foi um trabalho realizado em parceria com a Comissão de Biossegurança”, disse.

Os alunos bolsistas que participaram do treinamento desenvolvem atividades de pesquisa sob orientação do pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani, em laboratório localizado no minicampus  da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Este laboratório também receberá ponto de coleta de resíduos.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes e Marlúcia Seixas

PPGVIDA abre inscrições para aluno especial

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto de Pesquisa Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), recebe nos dias 4 e 5 de janeiro, inscrições para aluno especial.

São 35 vagas para aluno especial, distribuídas entre as seguintes disciplinas: Espaço Saúde e Ambiente na Amazônia (10 vagas); APS e Redes de Saúde em Cenários Amazônicos (15 vagas); e Microbiologia em Saúde Pública (10 vagas).

Para o edital, clique.

Podem se inscrever alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz;  alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;  alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.

Para inscrição, acesse a Plataforma Siga, da Fiocruz, em   http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

SOBRE O PPGVIDA

O Programa tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

Além disso, o PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica

A seleção dos candidatos será feita no período de 11 a 16 de janeiro e a divulgação dos nomes selecionados ocorrerá no dia 19 de janeiro.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Pinheiro

Mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro abre inscrições para aluno especial    

Nos dias 4 e 5 de janeiro de 2018 estarão abertas as inscrições para candidatos a aluno especial do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Para se inscrever o candidato deve acessar a Plataforma Siga, da Fiocruz, no link http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127. As disciplinas oferecidas são: Interação da Relação Patógeno Hospedeiro I; Interação da Relação Patógeno Hospedeiro II; e Princípios e aplicações da Citometria de Fluxo.

Acesse o edital.

As inscrições são abertas a alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; e a candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.

Os nomes dos candidatos selecionados serão divulgados no dia 19 de janeiro de 2018.

SOBRE O CURSO

O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é um curso stricto sensu, que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.

O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia

Tese da Amazônia é aprovada no VIII Congresso Interno da Fiocruz

Encerrou ontem (14/12) o VIII Congresso Interno da Fiocruz. Durante a última sessão plenária foi aprovada a Tese 9, proposta pelos servidores e demais membros da comunidade do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). A tese da Amazônia, como foi por diversas vezes chamada, não se fechou no bioma, mas no reconhecimento de que a Amazônia é estratégica para a humanidade e de que a Fiocruz pode cooperar, com outras instituições da região, na geração de conhecimento e inovação em saúde.

A Fiocruz está presente na Amazônia com duas unidades: no Amazonas e em Rondônia. Para a presidente da Fiocruz e do Congresso Interno, Nísia Trindade, a Tese 9 veio como uma proposta nova e de importância reconhecida por todos os grupos  de trabalho e delegações. Na oportunidade, ela congratulou-se com os delegados que coletivamente defenderam a importância estratégica da Amazônia para a Fiocruz.

A delegação do ILMD/Fiocruz Amazônia comemorou a aprovação da Tese 9 e suas diretrizes. Para o diretor, Sérgio Luz, a aprovação da Tese como uma das grandes estratégias e diretrizes institucionais para o período 2017-2020, traz grandes benefícios para a Fiocruz e para a Região Amazônica na área da saúde, educação, ciência, tecnologia e inovação.

Ricardo Godoi, diretor da Fiocruz Rondônia e um dos defensores da Tese 9, lembrou que a Fiocruz na Amazônia é ILMD e Rondônia, e que muitas vezes, na Região, estas unidades são convidadas por outras instituições para cooperarem com importantes projetos de tecnologia e inovação em saúde.

O VIII Congresso Interno da Fiocruz aconteceu no período de 11 a 14/12, no campus da Fiocruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, e teve como objetivo debater e aprovar as grandes estratégias e diretrizes institucionais para o período 2017-2020, bem como contribuir para a sua implementação, a partir do documento de referência “A Fiocruz e o Futuro do SUS e da Democracia”.

OPINIÃO DOS DELEGADOS DA AMAZÔNIA

Sonia Oliveira: Gostei muito de poder ter participado deste congresso, foi muito enriquecedor. Cada momento ficará marcado na memória, no coração e na história, com a aprovação da Tese 9.

Rodrigo Tobias: O sucesso do congresso foi brindado com nossa tese amazônica aprovada. Isso foi fruto de trabalho de todos, desde a gestão que trouxe a causa como possibilidade, a construção da tese, a discussão de grupos ainda em Manaus, a eleição de delegados, a nossa atuação coordenada, colaborativa e solidária no ato da participação dos grupos no RJ e a aprovação da plenária final do congresso. Isso significa mais trabalho, mais responsabilidade e empenho em aproximar a Fiocruz da sociedade e canalizar esforços das outras unidades, para a nossa realidade amazônica. Considero a Amazônia a principal fronteira científica do Brasil e, sendo assim, vamos fazer jus à nossa missão institucional na Região.

Aldemir Maquiné: Esse congresso me remeteu há 15 anos, quando participei pela primeira vez de um Congresso Interno da Fiocruz. Cada Congresso é único. Nesta edição, no meu grupo de trabalho, nós tivemos ao nosso lado pessoas que desenvolvem trabalhos na Amazônia e que entenderam a Tese 9, como uma proposta estratégica da Fiocruz. A aprovação desta Tese mostra a maturidade do ILMD/Fiocruz Amazônia na sua propositura e da Fiocruz por perceber a importância estratégica da Região.

Priscila  Aquino: O Congresso Interno da Fiocruz foi uma oportunidade única de imergir na política institucional e discutir os direcionamentos que guiarão os próximos 4 anos da instituição. Acredito na necessidade da Fiocruz reforçar seu papel estratégico na Amazônia.

Cláudio Peixoto: Sucesso é a palavra que reflete esse momento.

Anízia Aguiar: Estou feliz e agradecida. Feliz por ter tido, finalmente, a oportunidade de participar do Congresso Interno da Fiocruz, com toda a riqueza que ele contém.Foi lindo ver a defesa das teses e o conteúdo delas sempre interessado na equidade, na justiça e no bem estar social, buscando garantir que a Fiocruz mantenha sua capacidade de continuar atuando como instituição de Estado.

Cláudia Rios: O primeiro sentimento com a aprovação da Tese 9 é de alivio, por termos, pela primeira vez, conseguido aprovar uma tese. Isso é fundamental. Daqui pra frente, temos que analisar tudo que foi discutido e aprovado, e começar a planejar o que vamos fazer para alcançar o que foi proposto. Vamos ter que trabalhar muito e contar com o comprometimento de todos, para atender a essas diretrizes.

As teses aprovadas no VIII Congresso Interno da Fiocruz serão posteriormente encaminhadas para homologação do Conselho Deliberativo da Fiocruz.

ILMD/Fiocruz Amazonia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Marlúcia Seixas

PPGVIDA promove oficina para discentes sobre publicações científicas

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) realizou entre os dias 11 e 15 de dezembro, a oficina Publicações Científicas, voltada para discentes do programa. A atividade foi ministrada pelos pesquisadores sêniores do ILMD, Bernardo Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), e Carlos Coimbra, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo a coordenadora do PPGVIDA, Maria Luiza Garnelo, a oficina visa apoiar os discentes que concluíram o mestrado, no intuito de agilizar as publicações que expressarão produtos do processo formador no PPGVIDA, e que também são requisito de avaliação do programa na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Para Horta, o trabalho de construção junto aos alunos tem o objetivo principal de desenvolver produtos que possam ser publicados em periódicos da área. “A ideia é trabalhar com os alunos que já concluíram o mestrado a transformação das dissertações em artigos, para que sejam submetidos a periódicos científicos. Estamos trabalhando com eles aspectos relacionado a como escrever um artigo”, explicou Horta.

Indexação, país da revista, classificação no Qualis da CAPES para a área de Saúde Coletiva, foram alguns dos temas abordados durante a oficina, em relação ao maior questionamento dos discentes: Em qual revista publicar? “Conversamos para que eles saibam o que é, como funciona, mas deixando aberto para que eles possam fazer suas escolhas”, salientou Coimbra.

O Qualis Periódicos é uma das ferramentas utilizadas para a avaliação dos programas de pós-graduação no Brasil. Tem como função auxiliar os comitês de avaliação no processo de análise e de qualificação da produção bibliográfica dos docentes e discentes dos programas de pós-graduação credenciados pela CAPES. Ao lado do sistema de classificação de capítulos e livros, o Qualis Periódicos é um dos instrumentos fundamentais para a avaliação do quesito produção intelectual, agregando o aspecto quantitativo ao qualitativo.

Coimbra destacou ainda que a iniciativa do programa é de grande relevância nesse processo acadêmico. “Essas oficinas são importantes, pois o tempo do mestrado raramente é suficiente para os alunos defenderem, cumprirem com todos os créditos e ter um artigo publicado, visto que esse é um processo que demora muito. Alguns estão escrevendo o primeiro artigo científico, então essa oportunidade que está sendo oferecida para os alunos aqui do ILMD é extremamente relevante, pois abre portas para estimular os alunos a tornem público os resultados dos seus estudos.

SOBRE O PPGVIDA

O Programa tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

 

 

Conferência no ILMD aborda interconexão de conhecimentos nas pesquisas sobre saúde

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS) promoveu nesta quarta-feira (13/12), a Conferência Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira. O evento reuniu pesquisadores e estudantes das ciências sociais e da saúde, e contou com a palestra “Malária e Ciências Sociais: a intermitência do diálogo com outros saberes”, ministrada pelo professor João Siqueira, antropólogo, doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

A proposta da conferência foi possibilitar diálogos entre os saberes das ciências da saúde e das ciências sociais, apresentando recortes e referenciais teóricos, além de abordagens que podem contribuir com a complexificação das explicações de questões de saúde na Amazônia.

Para a pesquisadora responsável pelo evento, Fabiane Vinente, o objetivo principal foi alcançado. “Essa foi a primeira edição da conferência. A proposta principal foi estimular esse debate entre as ciências sociais e esses processos que normalmente são abordados por outras áreas do conhecimento.

João Siqueira atua em linhas de pesquisa que incluem Etnicidade, Estado e conflitos territoriais na Amazônia, e Doença e representação social. Em sua conferência, irá discutir a problemática do estudo da malária na perspectiva das ciências sociais e explorar a relação entre a representação da malária e as práticas de atenção e cuidado no processo saúde-doença, observando que, se por um lado a questão da malária pressupõe ações políticas e medidas interventivas que são operadas no campo da saúde pública, de outro lado, ela possibilita e até potencializa a problematização da ordem social vigente, tendo em vista que saúde e doença tendem a legitimar, no espaço público, a emergência de determinado problema social.

Durante a apresentação, Siqueira destacou a importância da interdisciplinaridade do conhecimento nas abordagens sobre a saúde. “É necessário essa interconexão de conhecimentos, de produção de conhecimento, de teorias sobre a realidade social, sobre a realidade da saúde pública. Esse diálogo precisa persistir, é fundamental que os pesquisadores, estudantes continuem instigando esse diálogo, adotando como identidade do Instituto, principalmente numa área como a Amazônia”.

LANÇAMENTO

No mesmo encontro João Siqueira lançou o livro “Uma doença, diversos olhares: Representação da malária em Nossa Senhora de Fátima, em Manaus”, da Editora Valer.

“Nessa primeira edição tivemos o Dr João Siqueira falando sobre a questão da Malária em Nossa Senhora de Fátima, e fazendo também o lançamento do livro. Esse material é fruto da dissertação dele, defendida aqui no ILMD, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia”, explicou Vinente.

Segundo autor, o livro foi desenvolvido para responder um conjunto de questões com enfoque no problema histórico da incidência de malária em Manaus, delimitando uma análise sobre Nossa Senhora de Fátima, comunidade situada em área rural, às margens do igarapé Tarumã-mirim, distante 8km do perímetro urbano da capital. O livro discorre também  sobre as práticas adotadas por um grupo de mães no enfrentamento de agravos pela infecção da doença.

A obra foi desenvolvida por meio do Programa Biblos, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que visa apoiar a publicação de livros, manuais, números especiais de revistas e coletâneas científicas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

 

Debates de teses marcam o segundo dia de Congresso Interno da Fiocruz

O segundo dia de realização do VIII Congresso Interno da Fiocruz segue com os debates e deliberações dos enunciados das teses e suas diretrizes. O Congresso é a instância máxima de deliberação institucional e tem como objetivo aprovar as grandes estratégias e diretrizes institucionais para o período 2017-2020. O evento acontece no campus da Fiocruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro e reúne delegações eleitas em todas as unidades regionais.

A delegação do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foi eleita no dia 26/11 e é composta por 7 delegados, 1 suplente e 2 observadores, além do diretor Sérgio Luz. Ao todo, o Congresso reúne 301 delegados, além dos observadores internos e externos.  Esta edição do Congresso tem como tema “A Fiocruz e o futuro do SUS e da democracia”.

O VIII Congresso Interno funciona com 12 grupos de trabalho (Gts). Cada grupo conta com um coordenador, um relator e um relator- adjunto. Ao todo são 11 teses, com diretrizes político-institucionais que estão sendo debatidas na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV).

Conheça as impressões da delegação do ILMD/Fiocruz Amazônia sobre os primeiros dias de Congresso:

Para Sônia de Oliveira, tecnologista em saúde pública, que integra o GT-7, esta edição do Congresso Interno está bem produtiva, uma vez que “o grupo é participativo, e o diferencial nesta edição é que os delegados já trouxeram suas teses e diretrizes reformuladas, para novas proposituras”.

Rodrigo Tobias, pesquisador, está no GT-6, e para ele os debates têm demonstrado conhecimento aprofundado dos delegados sobre os compromissos da Fiocruz. “O VIII Congresso Interno promete ser um evento que marcará a história da Fiocruz por debater e sinalizar proposições políticas e institucionais no cenário da saúde pública brasileira”.

Na opinião de Anízia Aguiar, analista de gestão em saúde pública, os debates têm sido “ricos e ratificam o compromisso da Fiocruz com o fortalecimento e consolidação do SUS, e o interesse da instituição em ampliar sua capacidade interna, além de fomentar a criação de redes interinstitucionais envolvendo o controle social, para fazer frente às demandas contemporâneas”.

Como observadora, Elisangela Bieler, acha esse momento importante para se conhecer profundamente a Fiocruz. “Nos debates os delegados não estão pensando apenas em suas unidades, mas pensando de forma coletiva, o que tem deixado o debate ainda mais rico”.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Fotos: Marlúcia Seixas