Acolhida: novos bolsistas de iniciação científica começam suas atividades no ILMD

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu nesta quarta-feira, 2/8, trinta e dois novos bolsistas do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC/2017-2018). A programação da acolhida incluiu palestra, oficina e um café da manhã.

Para a coordenadora do PIC-ILMD, Stefanie Lopes, “a acolhida é um momento que permite aos alunos conhecerem a instituição, seus colegas e pesquisadores da Casa; oportunidade também para lhes mostrar a importância de seus papeis no desenvolvimento da ciência, e a primeira atividade da iniciação científica”.

A mesa de abertura foi composta pelo diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz; pelo diretor Técnico-Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Dércio Reis; pela vice-diretora substituta de Ensino, Informação e Comunicação e chefe do Serviço de Pós-graduação do ILMD, Rosana Parente; pela coordenadora PIC/ILMD, Stefanie Lopes; e pela coordenadora do curso QBA/On-line – Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Mônica Jandira dos Santos.

Sérgio Luz ressaltou a importância do evento para os estudantes que estão iniciando no fazer científico e também a necessidade de parcerias institucionais para a realização do PIC/ILMD. “Hoje é um dia especial pra gente aqui na Fiocruz, é a reabertura de mais um ano da Iniciação Científica, que acontece graças à parceria com a Fapeam, a partir de muita persistência e de um toque de teimosia nosso. Que tenhamos um programa cada vez mais forte, e que isso possa se refletir em resultado, pois a pesquisa e a ciência brasileira precisam disso”, disse o diretor.

ATIVIDADES

Biomedicina, farmácia, medicina, ciências sociais e engenharia de processos são alguns dos cursos dos novos bolsistas de iniciação científica.

Segunda a coordenadora do PIC/ILMD, os bolsistas do Programa deverão desenvolver seus projetos de pesquisa, participar de treinamentos, da jornada de biossegurança e das atividades do Centro de Estudos do ILMD.

Como orientação, Stefanie Lopes indica que os estudantes sejam organizados, conversem com seus pares, peçam ajuda de seus colegas e orientadores, obedeçam os prazos e leiam muito sobre os seus e outros trabalhos.

PALESTRA

“O impacto da iniciação científica na carreira acadêmica” foi o tema da palestra ministrada pelo médico, pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia e diretor de Ensino e Pesquisa da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Marcus Vinícius Lacerda.

Sob uma perspectiva motivacional Marcus Lacerda falou de sua trajetória na pesquisa e as experiências que foram determinantes para seu conhecimento e profissionalização. Para ele, “a pesquisa faz com que o aluno enxergue o caminho para a vida”.

Como ferramentas ao jovem pesquisador na área da saúde ele indica: a estatística, a epidemiologia, o contato com o serviço de saúde, a experiência de bancada e a participação em eventos científicos.

O palestrante já orientou mais de 50 estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e tem aproximadamente 100 publicações científicas em revistas indexadas. É pesquisador 1D do CNPq e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical de 2015 a 2017.

DESTAQUES

Na oportunidade, bolsistas do PIC/ILMD 2016-2017 que se destacaram com suas pesquisas  na XIV Reunião Anual de Iniciação Científica do ILMD, receberam certificados de Honra ao Mérito Científico. Orientadores, coorientadores e demais bolsistas também recebem certificados nesta edição do Programa.

Foram destaques:

BIOSSEGURANÇA

Na parte da tarde os novos bolsistas participaram da oficina “QBA/On-line: sensibilização em gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente”, ministrada por Mônica Jandira dos Santos (IOC/Fiocruz).

QBA/On-line é uma ferramenta de ensino que oferece orientações básicas sobre a condução de atividades de trabalho no que se refere à qualidade, biossegurança e gestão da qualidade.

Para Mônica Jandira, a palavra biossegurança se define: segurança da vida, portanto a formação para os novos bolsistas é essencial ao desempenho de suas tarefas nos laboratórios.

A sensibilização dos novos alunos será de fluxo contínuo e outras atividades devem nessa temática devem ocorrer durante a permanência deles no ILMD/ Fiocruz Amazônia.

SOBRE O PIC

O PIC/ILMD é desenvolvido em parceria com a Fapeam e a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec).

O PIC/ ILMD visa despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação, além de contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia;  estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais;   e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico, da criatividade e estímulo à inovação, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Eleições para o CD/ ILMD: conheça as chapas

Neste ano, servidores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) elegem seus representantes no Conselho Deliberativo (CD) do Instituto.

A Comissão Eleitoral promoveu nesta terça-feira (1/8) encontros para a apresentação das chapas inscritas para o processo de escolha dos membros do conselho para o biênio 2017-2019.

A eleição será realizada na próxima sexta-feira (4/8), no período de 8h às 17h, a ocorrer na sala de reunião da Biblioteca. O servidor que não puder comparecer à urna no dia da eleição, poderá votar por e-mail:  comissaoeleitoral.ilmd@fiocruz.br .

A Comissão desta eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria 018/2017, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.

A apuração dos votos será feita pela Comissão Eleitoral, imediatamente após o término da votação, nas dependências do ILMD.

Confira as chapas inscritas e cartas-compromisso

ENSINO

TITULAR: Aldemir Maquiné

SUPLENTE: Anízia Aguiar

 

GESTÃO

TITULAR: Helena Guedes Coutinho

SUPLENTE: Carlos Fabrício da Silva

 

PESQUISA

TITULAR: Priscila Aquino

SUPLENTE: Pritesh Lalwani

 

PESQUISA

TITULAR: Rodrigo Tobias Lima

SUPLENTE: Fernando Herkrath

 

PESQUISA

TITULAR: Stefanie Lopes

SUPLENTE: Amandia Souza

 

PESQUISA

TITULAR: Ani Beatriz Matsuura

SUPLENTE: Maria Jacirema Gonçalves

 

Concluído o maior mapeamento da diversidade genética do vírus da hepatite B

O mais completo levantamento da diversidade genética dos vírus da hepatite B já realizado no Brasil mostra que a pluralidade de origens da população brasileira se reflete também nos microrganismos que circulam no país. Liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o estudo é resultado da parceria entre onze laboratórios e instituições de pesquisa de todas as regiões, com apoio do Ministério da Saúde. Mais de mil amostras foram analisadas, referentes a casos crônicos de hepatite B registrados em mais de cem cidades de 24 estados e no Distrito Federal. Os resultados apontam que os casos brasileiros estão relacionados a sete dos dez genótipos do vírus da hepatite B identificados no mundo. A distribuição das variantes virais muda significativamente de uma região para outra e, até mesmo, de um estado para o outro. Os resultados foram publicados na revista científica Journal of General Virology.

Coordenadora do estudo, a chefe do Laboratório de Hepatites Virais do IOC, Elisabeth Lampe, explica que os vírus da hepatite B evoluíram junto com as populações humanas. Dessa forma, a distribuição geográfica das diferentes variantes genéticas – nomeadas por letras de A até J – está relacionada às origens das populações, sendo impactada pelas migrações e pelos deslocamentos populacionais. “O Brasil apresenta um cenário muito diferente dos outros países da América do Sul, onde o genótipo F do vírus da hepatite B – mais associado às populações americanas nativas – é predominante. No território brasileiro, vemos grande presença de genótipos associados com populações europeias e africanas, e chama atenção a ampla variação regional”, ressalta a pesquisadora.

Na literatura científica, apenas um trabalho, realizado no Canadá, apontou a presença de oito genótipos do vírus da hepatite B circulando em um mesmo país – um a mais do que o que acaba de ser verificado no Brasil. “Em comum, temos dois países continentais, com populações formadas por imigrantes de diferentes nacionalidades”, comenta Francisco Mello, pesquisador do Laboratório de Hepatites Virais do IOC e coautor do estudo. “No Brasil, conseguimos observar a presença de sete genótipos virais em um único estado: São Paulo, que além de ser o estado mais populoso da federação é formado por diversas comunidades de imigrantes e atrai um grande fluxo de visitantes internacionais”, completa.

O Laboratório de Hepatites Virais do IOC atua como referência nacional em Hepatites Virais junto ao Ministério da Saúde, e o esforço para traçar o mapa da diversidade genética do vírus da hepatite B no país foi realizado em resposta a uma demanda do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), Aids e Hepatites Virais. Estudos anteriores traziam dados limitados a algumas regiões do país e o trabalho mais abrangente produzido até então continha amostras de apenas nove estados – agora apenas Piauí e Rio Grande do Norte não foram incluídos na pesquisa. Para realizar o levantamento, os cientistas estabeleceram uma rede chamada de Grupo Brasileiro de Pesquisa em Hepatite B, com a participação de nove laboratórios públicos, com representação das cinco regiões do Brasil. Com financiamento do Ministério da Saúde, as unidades foram equipadas e receberam treinamento para realizar os testes de genotipagem que permitiram construir o mapa nacional de circulação do vírus. Em sete estados, esta é a primeira vez que os genótipos do vírus da hepatite B passam a ser conhecidos: no Amapá, Roraima, Ceará, Paraíba, Sergipe e Espírito Santo este tipo de investigação nunca havia sido realizado.

“Com essa grande colaboração, conseguimos obter e analisar mais de mil amostras, não apenas das capitais, mas também de dezenas de cidades do interior. Em grande medida, a origem das amostras reflete a distribuição da população brasileira no território nacional. Por isso, obtivemos um mapeamento abrangente e representativo da distribuição geográfica dos vírus da hepatite B”, destaca Elisabeth.

GENÓTIPOS PREDOMINANTES

Identificado em quase 59% dos casos analisados, o genótipo A do vírus da hepatite B foi o mais frequente no Brasil. Com perfil de distribuição considerado global, essa variante viral é encontrada com mais frequência no Norte da Europa, América do Norte e África Subsaariana, e foi predominante na maioria dos estados do Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em segundo lugar, o genótipo D foi detectado em 23% dos casos no país. No entanto, essa variante viral – que também apresenta distribuição global, mas é associada principalmente com populações da Europa, Mediterrâneo e Oriente Médio – foi majoritária na região Sul, respondendo por cerca de 80% dos registros. Ligado às populações indígenas americanas, o genótipo F foi o terceiro mais frequente no levantamento nacional, com 11% dos casos. Porém, observando apenas o Nordeste, ficou em segundo lugar (cerca de 23% dos registros na região).

Com distribuição geográfica internacional conhecidamente mais restrita, os vírus B, C, E e G foram encontrados em baixo número de ocorrências. Associado à África Ocidental, o genótipo E respondeu por 1,8% das infecções, enquanto o genótipo G – identificado em alguns países das Américas e Europa – foi identificado em 1,3%. Ambos ligados a populações asiáticas, os genótipos B e C alcançaram apenas 1% dos casos analisados. “É interessante notar que, em São Paulo, esses genótipos raros no país responderam por 12% das amostras, refletindo o caráter cosmopolita do estado”, pontua Francisco. Um dos estados que tiveram o perfil genético dos vírus mapeados pela primeira vez, o Ceará apresentou um resultado surpreendente: foi o único do país a apresentar predominância do genótipo F, identificado em aproximadamente 53% das infecções. “Historicamente, moradores do Ceará se deslocam para áreas isoladas da região amazônica em busca de trabalho, o que pode explicar um contato mais frequente com populações indígenas e a maior presença dessa variante viral no estado”, acrescenta o pesquisador.

CONTRIBUIÇÃO PARA A VIGILÂNCIA

Segundo os cientistas, o mapeamento dos perfis genéticos dos vírus da hepatite B no Brasil deve contribuir para o controle da doença no país. “Esses dados são importantes para a chamada vigilância molecular, que é baseada na análise do genoma viral. Por exemplo, a detecção da introdução ou da maior disseminação de determinada variante viral em uma região pode indicar a necessidade de reforço nas medidas de prevenção da doença, especialmente a vacinação”, explica Elisabeth. Ela afirma também que a relação da variabilidade genética dos vírus com a progressão da doença tem sido investigada em diversos estudos. “Algumas pesquisas apontam que o genótipo viral pode influenciar no desenvolvimento de formas crônicas da hepatite B e na resposta ao tratamento. Até o momento, os dados não são suficientes para justificar alterações nas condutas terapêuticas, mas o conhecimento sobre a diversidade genética dos vírus no Brasil pode ter ainda mais aplicações no futuro”, completa.

O vírus da hepatite B é transmitido principalmente em relações sexuais. Além disso, o contágio pode ocorrer por via sanguínea, incluindo compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam. A infecção também pode ser passada da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. O vírus afeta principalmente o fígado e a maioria dos pacientes apresenta quadros agudos, que podem ser assintomáticos ou ter sintomas como enjôo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados. No entanto, 5% a 10% das pessoas infectadas evoluem para formas crônicas da doença, com duração maior do que seis meses e possibilidade de complicações como cirrose e câncer no fígado.

DIA MUNDIAL DE LUTA

A data de 28 de julho é declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, com o objetivo de aumentar a conscientização entre a população e o engajamento dos países no enfrentamento destas doenças. Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado, foram diagnosticados 42,8 mil novos casos de hepatites virais no Brasil, sendo aproximadamente 14 mil casos de hepatite B. Elisabeth destaca que o diagnóstico tardio é um dos desafios no enfrentamento do agravo. “Na maioria dos casos, a hepatite B é uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas antes do desenvolvimento das complicações crônicas. Por isso, é fundamental realizar o teste, que é oferecido gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatiza Elisabeth.

Os cientistas ressaltam que a infectividade do vírus da hepatite B é maior que a do HIV, mas é possível evitar a doença com a vacinação e outras medidas de proteção. “Atualmente, a vacina contra hepatite B faz parte do calendário de imunização infantil e está disponível para toda a população até 49 anos nos postos de saúde. Portanto, é fundamental que todos procurem se vacinar”, afirma Francisco. Usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, seringas e agulhas são outras ações importantes para prevenir o contágio. Os exames para detectar a infecção também devem ser realizados no pré-natal e, em caso positivo, há recomendações médicas especiais para o parto e a amamentação com objetivo de evitar a transmissão para o bebê.

Artigo: Lampe et al. Nationwide overview of the distribution of hepatitis B virus genotypes in Brazil: a 1000-sample multicentre study. Journal of General Virology 2017; 98: 1389-1398

 

 IOC/Fiocruz, por: Maíra Menezes

*Edição: Raquel Aguiar

Plataforma Zika apresenta seus primeiros resultados

A Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a Zika e suas consequências, no âmbito do SUS, projeto do Centro de Integração de Dados em Conhecimento para a Saúde (Cidacs/ Fiocruz), apresenta seus primeiros resultados com a realização das Feiras de Soluções para a Saúde – Zika, série de cinco – uma em cada região do País, a primeira será realizada em Salvador, entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017.

O objetivo geral da plataforma é a integração de conhecimentos da coorte epidemiológica com diferentes bases de dados da saúde e de políticas de desenvolvimento social (CadÚnico/PBC), para acompanhamento de longo prazo das condições de vida de crianças nascidas entre 2001 e 2015, acometidas pelo vírus.

“A Plataforma foi proposta como uma contribuição da Fiocruz em resposta à emergência decorrente da epidemia de zika e da identificação das anomalias congênitas decorrentes da infecção na gestação, durante o primeiro semestre de 2016”, conta Wanderson Oliveira, membro da plataforma que conta com outros cerca de 50 pesquisadores, apoiadores e instituições participantes no Brasil e no exterior.

O estudo atuará em cinco eixos: Epidemiologia, Pesquisas, Redes, Segurança e Ciência aberta.  Cada eixo possui um responsável pela coordenação e gestão de projetos e subprojetos. Apesar de serem integrados, os mesmos possuem independência e agenda própria de atividades. A Feira de Soluções é um dos produtos esperados no desenvolvimento do Eixo 3.

O evento, promovido pela Fiocruz Brasília em parceria com o Centro, receberá centenas de expositores que apresentarão um importante conjunto de soluções para as arboviroses que acometem o Brasil.

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao zika vírus, organizado pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

Outro destaque será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

Ondas de infecções

Uma pesquisa sobre as duplas epidemias da infecção do vírus foi realizada por Wanderson Oliveira, resultado de sua tese de doutorado em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em conjunto com estudiosos vinculados ao Ministério da Saúde e da UFGRS, o pesquisador utilizou dados obtidos através dos sistemas de informação de saúde, coordenados pelo Ministério da Saúde, de janeiro de 2015 até novembro de 2016, e analisou o agrupamento espacial da infecção durante a gravidez e da microcefalia no país, para obter a estimativa da densidade.

Os achados deste estudo foram publicados no periódico científico The Lancet, em 22 de junho, no artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis. A pesquisa identificou duas ondas distintas de possíveis infecções pelo vírus zika que se estenderam em todas as regiões brasileiras no período analisado. Dados apontam que a distribuição da microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus variou ao longo do tempo e nas regiões brasileiras. As razões para essas aparentes diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas.

A maioria dos casos (70,4%) de microcefalia ocorreu na região nordeste após a primeira onda de infecções, com o pico de ocorrência mensal estimado em 49,9 casos por 10 000 nascimentos vivos. Após uma grande e bem documentada segunda onda de infecção pelo vírus em todas as regiões do Brasil, de setembro de 2015 a setembro de 2016, a ocorrência de microcefalia foi muito menor do que a primeira, atingindo níveis de epidemia em todas as regiões brasileiras, exceto no Sul, com picos mensais estimados variando de 3,2 a 15 casos por 10 000 nascimentos vivos.

Fonte: IGM/Fiocruz Bahia

Fiocruz Amazônia promove oficina de sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente

A Comissão Institucional de Biossegurança do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promove de 2 a 4 de agosto, no laboratório de informática da Unidade, a “Oficina de Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente” (QBA-online). A atividade será ministrada pela Drª Mônica Jandira dos Santos, coordenadora do curso QBA-online, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

O evento segue orientações da política de biossegurança da Instituição e da Comissão Técnica de Biossegurança da Fiocruz (CTBio-Fiocruz).

Segundo Sônia Oliveira, coordenadora da Comissão Institucional de Biossegurança (CIBio), do ILMD/Fiocruz Amazônia, “essas ações visam melhor atender às recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e otimizar um conjunto de ações para prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”, explicou.

No dia 2/8, às 14h, serão capacitados os novos alunos do Programa de Iniciação Científica 2017-2018 (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia) e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-INTERAÇÃO).

Nos dias 3 e 4/8, as atividades continuam pela manhã e pela tarde  para os alunos dos seguintes programas: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/2016), Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação (IOC/ILMD), servidores e funcionários da Unidade. Serão capacitados inicialmente 80 usuários.

QBA/ON-LINE

O QBA/On-line é uma ferramenta de ensino que oferece orientações básicas sobre a condução de atividades de trabalho no que se refere à qualidade, biossegurança e gestão da qualidade. A sensibilização dos novos alunos será de fluxo contínuo e deverão ser realizadas através do envio de e-mails.

A COMISSÃO

A biossegurança é uma orientação prioritária no ILMD/Fiocruz Amazônia, uma vez que há o desenvolvimento de atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, realizadas no Laboratório Multiusuários e nas cinco Plataformas Tecnológicas.

Para orientar e incentivar as boas práticas e ações de biossegurança foi instituída por meio da Portaria N. 003/2016-GAB/ILMD, a Comissão Interna de Biossegurança do Instituto (CIBio/ILMD Fiocruz Amazônia), que é subordinada à Vice-Diretoria de Pesquisa e Inovação (VDPI-ILMD/Fiocruz Amazônia).

A CIBio promove cursos e treinamentos que capacitem os profissionais  da Unidade e disseminem os princípios da biossegurança no ILMD/Fiocruz Amazônia  e nas instituições parceiras.

SOBRE A PALESTRANTE

Mônica Jandira dos Santos é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-1999), Especialista em Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde, mestre e doutora em Ensino em Biociências e Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Atualmente, coordena o ‘QBA/On-line – Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente”, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Atua na área de Administração, com ênfase em Administração de Pessoal, trabalhando especialmente com os seguintes temas: Capacitação Profissional, Gestão e Ensino de Biossegurança.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Novos bolsistas de Iniciação Científica do ILMD iniciam suas atividades na quarta-feira, 2/8

Os novos bolsistas do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC), período 2017-2018, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) iniciam suas atividades de pesquisa no Instituto, na próxima quarta-feira, 2/8.

O PIC/ILMD é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec).

A acolhida dos estudantes é indispensável para o bom desempenho de suas atividades de pesquisa e para compreensão sobre a Instituição, portanto a programação compreende além das boas-vindas, palestras e oficina sobre Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente.

Durante o evento também serão premiados os destaques da 14ª Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC-ILMD/Fiocruz Amazônia), ano 2016-2017.

Acesse aqui a programação completa.

SOBRE O PIC

O PIC/ ILMD visa despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação, além de contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia;  estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais;   e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico, da criatividade e estímulo à inovação, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

O evento inicia às 8h com um café da manhã. Em seguida, as atividades ocorrem no Salão Canoas, na sede do ILMD, localizada à Rua Teresina, 476, Adrianópolis, Manaus.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes

Fiocruz cria diagnóstico personalizado para o câncer

A Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), criou uma metodologia inovadora e inédita no mundo para o diagnóstico molecular no tratamento personalizado do câncer. Ao identificar, através de análises genéticas, o perfil molecular do tumor e do tecido saudável de cada indivíduo, poderá ser indicado o coquetel de medicamentos mais relevante para cada paciente, minimizando os efeitos colaterais.

O projeto tem patente depositada e não existe concorrente no mercado para esse tipo específico de diagnóstico. O potencial da iniciativa foi reconhecido pelo edital Apoio ao Empreendedorismo e Formação de Start-ups em Saúde Humana do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), e ganhou o investimento inicial para que chegue à população.

“A proposta da Fiocruz permite a indicação de uma terapia mais precisa, o que significa, em termos de benefícios diretos, mais chance de cura, menos efeitos colaterais e melhor sobrevida para os pacientes. As terapias atuais são altamente agressivas. Além disso, a economia representada pela escolha adequada do medicamento pode ser revertida para ampliar o acesso da população ao tratamento”, afirmou o especialista em Bioinformática do CDTS/Fiocruz, Nicolas Carels.

O método foi desenvolvido para ser aplicado a pacientes com qualquer tipo de câncer e está validado, ou seja, testado em linhagens celulares tumorais e não-tumorais com resultados de máxima eficiência para o câncer de mama, reiterou Tatiana Tilli, especialista do CDTS/Fiocruz, que divide o desenvolvimento da metodologia com Carels. “Indiretamente, representa uma economia financeira substancial para o gestor hospitalar em termos de despesas com efeitos colaterais, novas internações e ciclos longos de tratamento. Isso é parte da inovação em saúde que estamos propondo”, observou.

A metodologia poderá beneficiar pacientes, médicos, equipe médica, gestores e laboratórios farmacêuticos. “Temos que comemorar a mudança de paradigma com esse primeiro edital da Faperj para o investimento em inovação e start-ups. A tecnologia é objeto de empreendedorismo, de investimentos e parcerias públicas e privadas. O CDTS/Fiocruz tem como missão levar o novo conhecimento gerado pela pesquisa e desenvolvimento tecnológico até a população”, ressalta Carlos Medicis Morel, coordenador-geral do CDTS/Fiocruz.

INOVAÇÃO EM SAÚDE

O CDTS/Fiocruz é responsável pela catalisação e aceleração de processos de inovação na área, ou seja, pela geração de produtos ou serviços que resultem em melhores intervenções – tais como vacinas, fármacos, biofármacos, métodos e reagentes para diagnóstico – para as populações que delas necessitam, onde quer que estejam.

CÂNCER

O câncer é uma doença grave cujo impacto global estimado é de 27 milhões de casos no mundo até 2030, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O câncer de mama é o mais comum em mulheres (atinge uma proporção de 25% de todos os cânceres). No Brasil, cerca de 70% do tratamento realizado para todos os tipos de câncer é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

CCS/Fiocruz, por Regina Castro.

 

A vigilância das arboviroses deve estar atenta ao vírus Oropouche, alerta pesquisador da Fiocruz Amazônia

Os recentes relatos sobre a possibilidade de emergência do vírus Oropouche, um outro arbovírus no país, causaram preocupação na população. No entanto, não há motivo para pânico, informa o vice-diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Felipe Gomes Naveca.

Ele explica que são necessários alguns fatores para desencadear um novo surto por um arbovírus como: densidade vetorial, circulação do vírus, população vulnerável e até mesmo condições climáticas. “Até o momento, o vetor implicado na transmissão do Oropouche é o maruim, portanto não se espera um cenário igual ao dos vírus transmitidos por Aedes aegypti”. O maruim recebe o nome científico de Culicoides paraensis.

 

O pesquisador adverte que é preciso ampliar a vigilância para monitorar a possibilidade de emergência de casos, e é isto que o ILMD/Fiocruz Amazônia tem feito por meio de projetos em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde  (FVS-AM), Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (LACEN-AM), Hospital Adventista de Manaus (HAM), Fundação de Medicina Tropical – Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Universidade Federal de Roraima (UFRR), LACEN-RR e o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará.

“A Fiocruz Amazônia tem atuado em parceria com outras instituições e auxiliado com o desenvolvimento de ferramentas para o diagnóstico dessas arboviroses. Atua também executando e coordenando projetos de vigilância epidemiológica, para a detecção de possíveis casos humanos e a circulação em potenciais vetores”, explica Naveca.

SINTOMAS

A infecção pelo arbovírus Oropouche causa sintomas muito parecidos com a Dengue, como febre, mal estar, dores no corpo e, nos casos mais graves e raros pode apresentar encefalite.

A semelhança com os sintomas da Dengue dificulta o diagnóstico clínico da febre Oropouche. Atualmente, a confirmação laboratorial por técnicas de biologia molecular está disponível apenas em instituições que fazem pesquisa no Brasil. Na Região Norte, por exemplo, pode ser realizado na Fiocruz Amazônia, na FMT-HVD e no IEC.

NOVO MÉTODO DE DIAGNÓSTICO

Um novo protocolo de diagnóstico molecular da infecção pelos arbovírus Mayaro e Oropouche, desenvolvido por Naveca e pela pesquisadora Valdinete Nascimento, ambos do ILMD/Fiocruz Amazônia, foi publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz  e teve seu depósito de pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Trata-se do “Conjunto de oligonucleotídeos e método para o diagnóstico molecular da infecção pelos vírus Mayaro e Oropouche”, uma invenção que torna possível realizar o diagnóstico molecular da infecção por esses arbovírus, de maneira simultânea, com alta sensibilidade e especificidade, utilizando a técnica de PCR em Tempo Real.

A proposta é que o invento se torne uma nova ferramenta na identificação de casos de febre Mayaro e Oropouche, utilizando uma estrutura já existente nos laboratórios centrais dos estados brasileiros.

Segundo Naveca, o método já está em uso e o protocolo tem sido utilizado para o estudo de casos humanos suspeitos, mas não confirmados, de Dengue, Zika e Chikungunya, tanto em projetos coordenados por pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia, quanto em projetos coordenados por pesquisadores de outras instituições parceiras.

O projeto teve como escopo desenvolver e validar estratégias para a detecção de dois arbovírus emergentes e de importância médica, em especial na região Amazônica e foi financiado pelo edital 012/2009 do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores Programa Primeiros Projetos (PPP-CNPq/FAPEAM).

LACENS

O pesquisador adianta que todos os LACENs do País estão dotados de infraestrutura para fazer o diagnóstico molecular dos casos de Dengue, Zika e Chikungunya. “A mesma infraestrutura pode ser usada para o ensaio que desenvolvemos no ILMD e validamos no IEC”, explica Naveca.

No início de agosto, a equipe do LACEN de Roraima será capacitada para realizar o ensaio. Esta é uma das atividades do projeto “Avaliação de fatores epidemiológicos, vetoriais e humanos, ligados à transmissão do vírus Zika e outros arbovírus emergentes ou reemergentes em dois estados da Amazônia Ocidental Brasileira” – Chamada MCTIC/FNDCT -CNPq / MEC-CAPES/ MS-Decit No 14/2016 – Prevenção e Combate ao vírus Zika.

O QUE SÃO ARBOVÍRUS?

Arbovírus são vírus transmitidos por artrópodes como, por exemplo, o vírus da dengue, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Existem centenas de arbovírus conhecidos, destes, mais de 30 foram identificados infectando seres humanos.

“Esses números, assim como o exemplo do vírus Zika e do Chikungunya, nos mostram que existe o risco de outros vírus se tornarem um importante problema de saúde pública. Por este motivo o sistema de vigilância em saúde deve ser dotado de diversas tecnologias, as quais permitam identificar os casos de infecções por vírus emergentes de maneira rápida e confiável”, disse.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Mulheres transexuais e travestis são foco de nova pesquisa

Cerca de 120 mulheres transexuais e travestis farão parte do projeto PrEParadas, que pretende avaliar a aceitabilidade (desejo de usar) e a adesão à Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP), uma estratégia de prevenção que envolve a utilização diária de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. A pesquisa, com duração de um ano, terá início no mês de julho e será conduzida pela equipe do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Restrita à região metropolitana do Rio de Janeiro, a pesquisa pretende descobrir a melhor forma de ajudar essas populações. O estudo terá esse foco “analisando como os hormônios interagem com o medicamento da PrEP, já que as especificidades dessas mulheres são diferentes das de outros grupos, como no caso homens que fazem sexo com homens”, informou a chefe do LapClin-Aids, Beatriz Grinsztejn.

A pesquisadora Emília Jalil detalhou que o estudo vai avaliar melhor a interação entre PrEP oral e a terapia feminizante utilizada pelas mulheres travestis e transexuais, bem como os efeitos na saúde óssea delas. A medicação adotada será o truvada (combinação de dois medicamentos em um comprimido: o tenofovir disoproxil e a emtricitabina), uma vez ao dia, além de valerato de estradiol (2mg) associado à espironolactona (100mg). “Para entender melhor os resultados, nós dividiremos as participantes em dois grupos. Parte delas receberá apenas a PrEP e outra a PrEP com o hormônio. Desta forma, poderemos compreender melhor as possíveis reações ao truvada”, explicou Emília.

Profissionais da Fiocruz apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis em Manguinhos (Foto: Antonio Fuchs – INI/Fiocruz)

Desenhado exclusivamente para as mulheres travestis e transexuais, o PrEParadas vai além do campo da prevenção, uma vez que as participantes devem ser soronegativas, mas ter o risco de contrair o HIV. “Há muito preconceito com essas mulheres, suas práticas sexuais e o risco aumentado proveniente do sexo anal. Temos que trabalhar para desmistificar esse grupo de risco, principalmente com as profissionais do sexo. O PrEParadas é um excelente projeto que pode colaborar para isso. A Fiocruz é um centro de assistência ao HIV desde a década de 80 e nos últimos anos temos nos dedicado à prevenção para a população trans e travestis. Essa pesquisa é mais uma forma que encontramos para seguir atuando nessa área”, lembrou Beatriz Grinsztejn.

A equipe do PrEParadas contará com educadoras comunitárias, psicólogos e aconselhadores, médicos, farmacêuticos, técnicos de laboratório, além de pessoal administrativo. Tudo para deixar as participantes mais seguras e sem nenhuma dúvida durante a realização do estudo.

SOBRE A PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma estratégia de prevenção que consiste no uso diário de um medicamento que funciona como uma “barreira química” contra o vírus HIV. A PrEP faz parte da estratégia combinada, ou seja, quem adota a PrEP não deve abrir mão do uso de preservativos. Ela é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas é adotada apenas para o tratamento e não prevenção à doença em diversos países. O Brasil foi pioneiro na América Latina ao adotar a PrEP como política de saúde em 29 de maio deste ano.

APRESENTAÇÃO NO INI

No último dia 18 de julho, as profissionais do LapClin-Aids apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis. A atividade foi coordenada pelas educadoras comunitárias Laylla Monteiro, Kakau Ferreira e Biancka Fernandes. Entre as participantes estavam a defensora dos direitos igualitários, Laura Mendes, e a supervisora de Projetos Sociais na área da Empregabilidade, da Prefeitura do Rio de Janeiro, Rafaella Antunes. Após a exposição sobre a PrEP, a cargo da pesquisadora Brenda Hoagland, e a apresentação do PrEParadas, com Emília Jalil, foi reforçada a importância de conscientizar as mulheres transexuais e travestis quanto à busca de uma vida segura e protegida com a adoção da Profilaxia Pré-Exposição.

Para saber mais sobre o projeto PrEParadas, basta entrar em contato com o Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids (LapClin-Aids) do INI, através dos telefones (21) 9090 2260-6700 / 3865-9659 (ligação gratuita).

 INI/Fiocruz, por Antonio Fuchs

 

Estudo atesta eficácia de vacina diluída contra a febre amarela

Um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), em parceria com o Instituto de Biologia do Exército, apontou que a utilização da vacina de febre amarela em doses reduzidas não altera a eficácia da vacina contra a febre amarela em adultos, mesmo quando a quantidade de antígenos é quase 50 vezes inferior à presente nas doses utilizadas atualmente. O trabalho será um dos temas de discussão da 19ª Jornada Nacional de Imunizações SBIm, que acontece em São Paulo, entre os dias 9 e 12 de agosto.

Para chegar à conclusão, 900 homens com idade média de 19 anos foram divididos em seis grupos e receberam vacinas com diferentes quantidades do antígeno: a padrão e as reduzidas em cerca de três; nove; 50; 150 e 900 vezes. “Com exceção das duas doses mais baixas, a resposta imunológica foi similar. Além disso, nos quatro primeiros grupos, não houve aumento de eventos adversos nem diferença significativa na persistência dos anticorpos nos 10 meses seguintes à vacinação”, informa o consultor científico da Fiocruz e um dos autores da investigação, Reinaldo M. Martins. Neste momento, os voluntários estão sendo reconvocados e submetidos a exames sorológicos para avaliar se a imunidade se mantém em longo prazo.

Martins afirma que o estudo respalda a validade da estratégia de reduzir as doses para controlar o surto em caso de expansão para áreas densamente povoadas. Ele, no entanto, ressalta que ainda é necessário replicar o teste com crianças para verificar se a resposta também será positiva. “Iniciaremos esse trabalho provavelmente em 2018. Caso os achados se repitam, podemos cogitar usar doses reduzidas até mesmo na vacinação de rotina”, avalia. “Por enquanto, essa é uma opção para situações emergenciais de escassez de vacina, quando há aumento súbito de demanda e a necessidade de vacinar rapidamente grandes contingentes da população”, completa.

MOBILIZAÇÃO

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, alerta para a importância de se vacinar antes do verão. “O vírus da febre amarela, assim como o da dengue, é mais incidente na estação, então é possível que ocorram novos casos. Por que esperar o problema acontecer se podemos nos proteger desde já, com bastante tranquilidade?”, indaga.

O Brasil viveu de dezembro de 2016 a maio de 2017 o maior surto de febre amarela silvestre das últimas décadas. Houve 3.240 casos notificados, dos quais 792 foram confirmados, 1929 descartados e 519 ainda são investigados. Minas Gerais e Espírito Santo foram as unidades da federação mais afetadas. Para conter o avanço da doença, entre outras medidas, o Ministério da Saúde incluiu todo o estado do Rio de Janeiro na área com recomendação de vacinação permanente (ACRV) e indicou temporariamente a vacinação em alguns municípios da Bahia, Espírito Santo e São Paulo.

“As mudanças no mapa de recomendação mostram o quão dinâmico é o comportamento de um vírus como o da febre amarela. É extremamente importante manter a vacinação em dia e adotar estratégias para afastar os mosquitos, como a aplicação de repelentes, instalação de telas nas janelas e, principalmente, não deixar água parada”, orienta a médica.

19ª JORNADA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES

Com o tema Imunização e sustentabilidade, caminho para a prevenção, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) realiza, em São Paulo, de 9 a 12 de agosto, a 19ª Jornada Nacional de Imunizações. O maior encontro do gênero no país reunirá as principais referências da área para discutir assuntos que vão da epidemia de febre amarela ao desenvolvimento de novas vacinas.

Uma das novidades desta edição é a proposta de criar um “rastro verde”. Serão plantadas quase 300 árvores em uma área de aproximadamente 1.800m² para compensar as emissões de carbono do evento. Além disso, os participantes receberão bolsas confeccionadas a partir de material reciclado, e o caderno impresso de programação será substituído por um aplicativo.

SERVIÇO

19ª Jornada Nacional de Imunizações

Quando: 9 a 12 de agosto

Onde: Hotel Maksoud Plaza – Rua São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista, São Paulo (SP)

Site: http://jornadasbim.com.br/2017/

 

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Fonte: AFN