Parceria com a Cogic agiliza demandas do ILMD

A partir da próxima semana o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) estará habilitado para fazer solicitações de serviços no sistema integrado de administração, Diracweb. A novidade, dentre outras, foi anunciada pelo coordenador-geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic/Fiocruz), José Damasceno Fernandes, em visita a Unidade em Manaus, na quinta-feira, 4/5.

Damasceno que esteve no ILMD/Fiocruz Amazônia juntamente com o chefe de gabinete da Cogic, Jorge Luiz Pessanha, considerou a visita proveitosa, diante dos encaminhamentos adotados. Outra novidade, é o início de um acordo de manutenção de equipamentos da Unidade, a ser realizado com a Cogic.

Além disso, a vinda dos técnicos a Manaus objetivou também alinhar junto à direção desta Unidade, questões junto à Superintendência do Patrimônio da União no Amazonas (SPU/AM), para agilizar a publicação no Diário Oficial da União, do termo de cessão do terreno onde será construída a nova sede do ILMD.

Para Sérgio Bessa Luz, diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a parceria com a Cogic  tem sido muito favorável, não só na resolução de questões que geram entraves para a Unidade, como a questão da manutenção dos equipamentos, mas também na articulação junto à SPU/AM.

MANUTENÇÃO

A Cogic lançou nesta semana um guia de orientações para manutenção de equipamentos científicos. O objetivo da publicação é possibilitar aos usuários encontrar  informações (descrição, modo de solicitação, tempo de espera e prioridades) sobre todos os serviços prestados pelo Departamento de Manutenção de Equipamentos, da Cogic.

No manual estão definidas as prioridades e compromissos da Coordenação com a prestação de serviço de qualidade ao usuário. O documento apresenta a relação dos equipamentos científicos que podem receber algum tipo de manutenção da Cogic, facilitando a solicitação de serviços e compras de novos instrumentos.

Para acessar o material clique aqui.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Palestra vai abordar pesquisa clínica em envenenamentos por animais no Amazonas

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) oferece nesta sexta-feira 5/5, às 9h, a palestra “Pesquisa clínica em envenenamentos por animais no Estado do Amazonas”, a ser ministrada pelo Dr. Welton Monteiro, professor do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), do ILMD/Fiocruz Amazônia, e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

O objetivo é apresentar os recentes estudos, aspectos clínicos, epidemiológicos e terapêuticos dos envenenamentos por serpentes e outros animais peçonhentos. Na ocasião, o pesquisador vai falar sobre planejamento de estudos observacionais aplicados ao estudo da carga e de fatores associados aos envenenamentos, planejamento de estudos de prognóstico e estudos de intervenção aplicados à prevenção e terapêutica dos envenenamentos, e manejo dos envenenamentos baseado em evidências.

SOBRE O PALESTRANTE

Wuelton Monteiro é graduado em Farmácia-Bioquímica e mestre em Análises Clínicas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), doutor em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Universidade do Estado do Amazonas (UFAM). Em 2016, foi credenciado como docente do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Atualmente é pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), onde atua na Gerência de Malária, desde 2011. É também professor adjunto da disciplina de Epidemiologia dos cursos de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Wuelton é coordenador, membro do corpo docente permanente e professor das disciplinas de Epidemiologia, Bioestatística, Acidentes por Animais Peçonhentos e Diagnóstico Laboratorial das Parasitoses Humanas, dos cursos de mestrado e doutorado em Medicina Tropical, da UEA/FMT-HVD. A

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

A palestra ocorrerá no Salão Canoas, auditório do ILMD/Fiocruz Amazônia, situado à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

Foto: Divulgação

 

Homenagem a Antônio Levino acontece sexta, 5 de maio

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), a família, amigos e colegas realizam nesta sexta-feira, 5/5, a partir das 17h30, homenagem ao médico, pesquisador e professor Dr Antônio Levino da Silva Neto (in memoriam). O evento será na Oca do ILMD/Fiocruz Amazônia, à rua Teresina, 476, Adrianópolis.

Para este encontro estão sendo programadas várias atividades como apresentação musical, declamação de poesias, lembranças e memorias da convivência com Antonio Levino, e demais atividades culturais.

SOBRE LEVINO

Além de pesquisador e professor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Antônio Levino também foi docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pesquisador orientador e subcoordenador do Programa Multiinstitucional de Pós-Graduação em Saúde Sociedade e Endemias na Amazônia (PPGSSEA) da Ufam/FIOCRUZ. Sua atuação era na área de Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, principalmente em temáticas ligadas a políticas públicas na área de saúde, avaliação de programas e serviços de saúde, saúde em áreas de fronteira, geoprocessamento, epidemiologia e educação em saúde.

HOMENAGEM

A homenagem está sendo organizada pelos colegas do ILMD/Fiocruz Amazônia, juntamente com a família, amigos de Antônio Levino e integrantes do Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

O evento é aberto ao público e podem participar todos os que desejarem partilhar memórias vividas ao lado de Levino.

ILMD/Fiocruz, por Marlúcia Seixas

Boletim da Unaids traz especial sobre medicamentos para HIV/Aids

Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) lançou novo boletim sobre as Metas de tratamento 90-90-90 para todos. O objetivo é de que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; que destas, 90% estejam em tratamento; e que 90% das pessoas neste grupo tenham carga viral indetectável. Esta edição traz como tema O poder dos medicamentos antirretrovirais.

O Brasil é hoje uma referência mundial de assistência ao paciente que vive com HIV/Aids. O País tem uma política sólida de distribuição de antirretrovirais, com o objetivo de dar acesso universal aos pacientes. Neste sentido, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) é um parceiro estratégico do Ministério da Saúde, produzindo sete dos 23 medicamentos que compõem o coquetel antiAids: atazanavir, efavirenz, lamivudina, nevirapina, zidovudina, lamivudina+zidovudina e tenofovir+lamivudina.

Para ampliar sua lista desta categoria de medicamentos, a unidade participa ainda de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Uma delas é o triplivir, que reúne três fármacos em um único comprimido (tenofovir, lamivudina e efavirenz). Os acordos envolvem a produção do medicamento e a do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), principal substância, responsável pelo efeito terapêutico.

Além de ofertar produtos de primeira linha no Sistema Único de Saúde (SUS), outro objetivo da PDP é nacionalizar novas tecnologias e, com isso, fortalecer também a indústria farmoquímica nacional. No momento, a unidade aguarda o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fabricação.

Texto: Alexandre Matos (Farmanguinhos/Fiocruz)
Foto: Peter Ilicciev/ Fiocruz
Fonte: Agência Fiocruz

Fiocruz Amazônia promove oficina de troca de saberes com parteiras e profissionais de saúde em Vila de Lindoia – Itacoatiara

Valorizar as práticas tradicionais e populares das parteiras através da pesquisa e da formação para o fortalecimento da Rede da Saúde da Mulher no Estado do Amazonas é o objetivo geral do projeto “Redes vivas e práticas populares de saúde: conhecimento tradicional das parteiras e a educação permanente em saúde para o fortalecimento da rede de atenção à saúde da mulher no estado do Amazonas”, que está sendo desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório de História, Políticas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e apoio financeiro do Ministério da Saúde (MS).

Dentre as atividades do projeto, está a realização de 20 oficinas de troca de saberes, em nove regiões de saúde do Amazonas até 2018, sendo a segunda programada para os dias 10, 11 e 12 de maio, no horário das 8h às 17h, na Comunidade de Lindóia (km 190 da AM-010), em Itacoatiara, município do Amazonas.

A primeira oficina de troca de saberes, realizada de 18 a 20 de abril, no auditório da Secretaria Municipal de Educação (Semed) teve um total de 30 participantes, dentre elas parteiras, gestores e profissionais de saúde, que ao final o encontro escreveram uma Carta de Demanda a ser encaminhada à gestão das secretarias de saúde e maternidades.

Para esta segunda oficina, o projeto conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Itacoatiara e a Unidade Básica de Saúde (UBS) de Lindóia.

ATIVIDADES

Durante os três dias de oficina, acontecerão rodas de conversas para explorar os aspectos de atuação, localização e forma de cuidado com gestantes e recém-nascidos.

Segundo uma das Coordenadoras do Projeto e Coordenadora da Saúde da Mulher da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Sandra Cavalcante, a Secretaria da Saúde reconhecendo a importância das Parteiras Tradicionais na Amazônia, vem sistematicamente trabalhando com essas mulheres desde 2008, com muitas ações para o fortalecimento dessa categoria.

“Hoje no Amazonas contamos com aproximadamente 1.270 Parteiras Tradicionais cadastradas e cerca de 480 capacitadas. Com esse novo projeto, essa parceria entre Susam e Fiocruz Amazônia visa propiciar a valorização das práticas populares das parteiras por meio de pesquisa e da formação para o fortalecimento da Rede da Saúde da Mulher no Estado”, explica Cavalcante.

Para a outra Coordenadora do Projeto, Luena Matheus de Xerez, que também coordena o Grupo Condutor Estadual da Rede Cegonha e Comissão Intergestores Regional de Manaus, Alto Rio Negro e Entorno na Susam, o encontro demonstra a compreensão da importância destas pessoas na construção do Sistema Único de Saúde (SUS) e na atenção prestada às mulheres. “As práticas deste projeto alimentam a reflexão sobre o modelo biomédico centrado no hospital e no profissional, enquanto o cuidado delas é todo norteado para as necessidades, inclusive emocionais, das mulheres e famílias. Essas práticas se sustentam no vinculo, na responsabilidade e na solidariedade, valores tão caros a uma sociedade que cuida dos seus cidadãos”, conclui Xerez.

Após a conclusão das 20 oficinas, a próxima etapa do projeto será a promoção de ações de educação permanente e popular em saúde, nos processos de qualificação e de produção do conhecimento com as parteiras tradicionais, que se dará por meio da formação de apoiadores/facilitadores dos cursos, preparação de material pedagógico e produção de material de divulgação.

Mirinéia Nascimento (Lahpsa- ILMD/Fiocruz Amazônia)

Escolas públicas terão vacinação e ações de prevenção à obesidade

Para ampliar a atuação das equipes de saúde na rede pública de ensino, o Governo Federal lança nesta terça-feira (25/4) novo edital do Programa Saúde na Escola (PSE). A nova Portaria, assinada pelos Ministros da Saúde, Ricardo Barros e da Educação, José Mendonça Filho, estabelece doze ações a serem cumpridas pelos gestores por dois anos. No novo modelo, estudantes terão atualização do calendário vacinal e ações de promoção à saúde, como prevenção à obesidade, cuidados com a saúde bucal, auditiva e ocular, combate ao mosquito Aedes aegypti, incentivo à atividade física, prevenção de DST/Aids, entre outras. Para realizar as ações, o Ministério da Saúde destinará R$ 89 milhões por ano. O período de adesão acontece entre os dias 02 de maio e 14 de junho.

A iniciativa conta com o envolvimento de mais de 32 mil equipes da atenção básica distribuídas em 4.787 municípios. São profissionais da saúde que já atuaram em ações de promoção e prevenção da saúde nas escolas. A nova portaria, além de prever valor anual 2,5 vezes maior que o executado nos anos anteriores, altera a forma de repasse, que antes era feito em duas parcelas e agora passará a ser pago em parcela única, facilitando a realização das ações e o cumprimento das metas. O ciclo de adesão será de dois anos, com liberação dos recursos a cada 12 meses.

“O Governo é um único serviço à disposição da sociedade e temos que integrar para dar mais segurança, qualidade, acesso às pessoas. Essa articulação de saúde e educação possibilita mais controle com relação à alimentação nas escolas, com orientação sobre a obesidade; regularização vacinal; além de ações de saúde auditiva, visual, bucal, mental. Queremos identificar quais crianças e adolescentes precisam de assistência e, caso seja preciso, encaminhá-los para acompanhamento nas unidades de saúde”, enfatizou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Outra medida que deve ampliar o alcance do Programa em todo o Brasil, é que a partir de agora, os municípios farão adesão por escola, e não mais por níveis de ensino como era feito antes. A expectativa é que o programa alcance 144 mil escolas e atenda o maior número de estudantes com monitoramento mensal.

Atualmente, o Programa está em 79 mil escolas e atinge aproximadamente 18 milhões de alunos. A participação no PSE é de livre iniciativa do município e acontece por meio de pactuação de metas via Termo de Compromisso Municipal, por meio do Portal do Gestor do Ministério da Saúde.

“É um grande avanço em respeito as política públicas de saúde, dirigidas especialmente às crianças e jovens do ensino público e ao mesmo tempo atende as necessidades dos professores. A integração de saúde e educação tem repercussão direta na vida dessas crianças e jovens”, ressaltou o ministro da Educação, Mendonça Filho.

PROMOÇÃO À SAÚDE

Atualizar a situação vacinal dos estudantes é uma das metas obrigatórias do Programa. A rede pública do país conta atualmente com a distribuição gratuita de 19 vacinas para proteger contra mais de 20 doenças. Duas das mais recomendadas para o público serão prioridade no programa: HPV e meningite. Também estão disponíveis: BCG, Hepatite B, Pentavalente, vacina inativada Poliomielite, vacina oral contra a Pólio, VORH – vacinal oral de Rotavírus Humano, Vacina Pneumocócica, febre amarela, Tríplice viral, DTP (tríplice bacteriana), Influenza, Tetraviral, Hepatite A, dTpa (gestantes) – difteria, tétano e coqueluche e dT  (Dupla tipo adulto)  – tétano e difteria.

Outra área de atuação importante será o incentivo às ações de alimentação saudável e prevenção da obesidade infantil. Os profissionais de saúde farão o acompanhamento do peso e estado nutricional dos escolares e, quando necessário, o estudante será encaminhado para a unidade básica de saúde, onde receberá acompanhamento constante. Também haverá incentivo à implantação de cantinas saudáveis nas escolas e distribuição de materiais de apoio para ações de educação alimentar e nutricional, além do estímulo à culinária com alimentos in natura.

No novo ciclo do PSE, o combate ao mosquito Aedes Aegypti terá uma vigilância constante dos profissionais e comunidade escolar. Serão realizados mutirões de combate ao mosquito, palestras em parceria com profissionais de saúde e inserção de conteúdo nas atividades escolares.

Além disso, os estudantes terão atividades de promoção à saúde bucal, ocular e auditiva; prevenção das violências e dos acidentes; identificação de sinais de doenças em eliminação, como hanseníase, tuberculose, tracoma e esquistossomose; prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas; promoção da atividade física; prevenção de DST/AIDS e orientação sobre direito sexual e reprodutivo e promoção da cultura de paz, cidadania e direitos humanos.

O acompanhamento das ações do PSE será feito exclusivamente pelo Sistema de Informação da Atenção Básica (SISAB), sistema alimentado pelas equipes de saúde da Atenção Básica. No ciclo de dois anos para execução do programa, o Ministério da Saúde acompanhará o desempenho dos municípios por meio do registro de ações do programa e indicadores de resultados. Caso os recursos não sejam integralmente executados, os valores deverão ser devolvidos à pasta.

SAÚDE NA ESCOLA

Criado em 2007 pelo governo federal, o Programa Saúde na Escola surgiu como uma política intersetorial entre os ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de promover qualidade de vida aos estudantes da rede pública de ensino por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde.

O Programa tem como objetivo a integração e articulação intersetorial das redes públicas de ensino, por meio de ações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e redes de educação pública. A iniciativa prevê ações para acompanhar as condições de saúde dos estudantes por meio de avaliações e orientação, fortalecendo o enfrentamento das vulnerabilidades que possam comprometer o pleno desenvolvimento escolar.

Por Nicole Beraldo, Agência Saúde

Editora Fiocruz lança coletânea sobre o trabalho no mundo contemporâneo

As transformações do trabalho são hoje bastante discutidas no ambiente acadêmico, na mídia e no meio sindical. Elas são o tema de uma nova coletânea lançada pela Editora Fiocruz, “O Trabalho no Mundo Contemporâneo: fundamentos e desafios para a saúde”. Logo no primeiro capítulo, que tem o mesmo título do livro, o antropólogo José Sérgio Leite Lopes, pesquisador e professor da UFRJ, explica que essas transformações estão associadas a processos políticos, econômicos e sociais. Segundo o autor, elas dizem respeito a fenômenos como: a introdução de novas tecnologias eletrônicas nos locais de trabalho – inclusive robôs –; a globalização dos mercados e da produção; a terceirização e outros vínculos de trabalho precários; a crescente competição na economia mundial; e a presença cada vez maior de mulheres no trabalho remunerado. Tais fenômenos são observados não só em indústrias, mas também nos serviços e na agricultura.

Muitas vezes, as transformações representam dificuldades para os trabalhadores e são comuns as tentativas de minimizar os problemas. Por exemplo, diante de empregos perdidos por causa da introdução de novas tecnologias, há quem diga que isso seria compensado por novos empregos criados no setor de produção de máquinas. Contudo, os novos empregos são em menor quantidade e exigem melhor qualificação e maior nível de escolaridade, sendo, portanto, dirigidos a outras gerações e segmentos de trabalhadores. Ou seja: os trabalhadores substituídos por máquinas não seriam os mesmos empregados na produção delas.

Entretanto, o enfrentamento de dificuldades está longe de ser algo novo no mundo do trabalho. Nos anos 1970 e 1980, vieram à tona e se generalizaram atos de resistência dos trabalhadores e assalariados diante de condições de trabalho ruins e do autoritarismo empresarial. Como consequência, as empresas passaram por um período de crise econômica e queda na lucratividade. Para controlar a situação, elas tomaram medidas drásticas, enfraquecendo direitos anteriormente adquiridos pelos trabalhadores, como a adoção da carteira de trabalho.

A partir desse e de outros exemplos, José Sérgio Leite Lopes procura dar visibilidade aos “modos de dominação e de exploração implícitos nas diferentes formas de precarização do trabalho, e, por conseguinte, sua especificação histórica”. Ao mesmo tempo, porém, o autor chama a atenção para “a forma como o trabalho, que implica em exploração objetiva, também se legitima ao proporcionar aspectos de sociabilidade e identidade social aos diferentes grupos de trabalhadores”.

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Ascom/Editora Fiocruz, por Alice Pereira e Fernanda Marques
Foto: Eduardo Gomes

Ministério da Saúde lança campanha para combate à malária

O Ministério da Saúde lança, nesta terça-feira (25), no Dia Mundial da Malária, campanha de prevenção e incentivo ao tratamento da doença. Com o slogan “Faça o Tratamento até o fim. Sem a doença, você vive muito melhor”, o foco é incentivar as pessoas a procurarem o diagnóstico de malária em uma unidade de saúde para fazer o exame e, caso positivo, realizar o tratamento completo. A publicidade será veiculada na televisão, rádio, internet e outdoors a partir de hoje na Região Amazônica (AC, AM, AP, MA, MT, PA, RO, RR e TO) do país, que concentra 99% dos casos. A campanha será divulgada também em carros e barcos de som, para que a informação chegue à população das localidades mais vulneráveis à doença.

“É fundamental que as pessoas diagnosticadas com malária sigam com o tratamento recomendado até o final. Quem não completa o tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam, pode acabar tendo agravamento do quadro, e além disso mantém o ciclo de transmissão da doença”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O esforço do Ministério da Saúde, em conjunto com os estados e municípios, para prevenir, controlar e reduzir a malária tem demonstrado resultados positivos a cada ano. Em 2016, foram notificados 129.195 casos (dados preliminares) em todo o país, que representa uma redução de 9,7% em relação a 2015 (143.161 casos). Na comparação dos últimos dez anos, a redução foi de 76,5%, uma vez que em 2006 foram registrados 550.847 mil casos da doença. Em relação ao número de óbitos por malária, também houve uma queda expressiva de 67,6%, passando de 105 em 2006 para 34 em 2015.

AÇÕES – Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde repassou R$ 11,9 milhões para intensificação das ações de combate e controle de malária na Região Amazônica. Cabe esclarecer que estados de outras regiões podem apresentar casos da doença, portanto, a vigilância não deve ser negligenciada, diante do risco de reintrodução, agravado pelo fluxo migratório em áreas suscetíveis. Dos 129.195 casos registrados no país, 501 foram notificados fora da Região Amazônica.

O Ministério da Saúde realizou, na semana passada, a 26ª Reunião de Monitoramento e Avaliação do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária, que teve como objetivo analisar e discutir ações desenvolvidas, em 2016, pelos estados e municípios, além de avaliar o plano de ações para 2017 das coordenações estaduais. A Região Amazônica apresentou uma redução de aproximadamente 10% do número de casos em 2016 (128.694), comparado com o ano de 2015 (142.644).

METAS – Em 2015, o Ministério da Saúde lançou o Plano de Eliminação da Malária no Brasil, com ênfase na doença causada pelo Plasmodium falciparum. A medida faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) lançados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em substituição aos Objetivos do Milênio

O documento fornece orientação técnica para os municípios, define estratégias diferenciadas para o diagnóstico, tratamento, controle vetorial, educação em saúde e mobilização social. O Plano de Eliminação da Malária no Brasil é uma iniciativa para deter a doença com potencial de maior gravidade. Em 2000, a malária falciparum era responsável por 21% dos casos, caindo para 12% em 2016. Em 2016 foram registrados 13.828 (dados preliminares) casos autóctones de malária falciparum, uma redução de 10% em relação ao ano anterior, quando tinham sido registrados mais de 15 mil casos.

 

Centro de Estudos promove palestra sobre Instituto de pesquisa focado na eliminação da malária

Gerar conhecimento para avançar no processo de eliminação da malária no Brasil é o foco do Instituto ELIMINA, que será tema de palestra do Centro de Estudos, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Ficoruz Amazônia), na próxima sexta-feira, dia 28/04, às 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição.

A temática será abordada pelo pesquisador do ILMD, Dr. Marcus Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, pesquisador e diretor de Ensino e Pesquisa da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Coordenado por Lacerda, devem integrar o projeto outros 102 pesquisadores (74% deles brasileiros e 26% estrangeiros), de 40 instituições distribuídas por várias partes do mundo, entre elas o Instituto Pasteur, da França, Universidade de Ottawa, do Canadá, Universidade de Ciências e Humanidades, do Peru, Universidade Johns Hopkins e Institutos Nacionais de Saúde (INH), ambos dos Estados Unidos.

De acordo com o pesquisador, o Instituto vai se concentrar na geração de dados de alta qualidade, por meio de redes de pesquisa colaborativas, organizadas em nove linhas de estudo, que vão funcionar de forma independente, mas também interagindo ocasionalmente, compartilhando dados, insumos, infraestrutura e experiências técnicas.

Em junho de 2016, a FMT-HVD, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Susam), aprovou junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a criação do Instituto Nacional de Ciência da Eliminação da Malária (Instituto ELIMINA). A proposta do Instituto ELIMINA é se concentrar na geração da evidência científica que ainda é necessária para os gestores, a fim de desenvolver planos de eliminação da Malária, específicos para cada região.

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

SOBRE O PALESTRANTE

Marcus Lacerda é graduado em Medicina pela Universidade de Brasília, com residência médica em Infectologia pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e doutor em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília em parceria com a Universidade de Nova York. O pesquisador é Médico da FMT-HVD e Especialista em Saúde Pública do ILMD/ Fiocruz Amazônia, além de colaborador do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas, e professor adjunto da Kent State University.

Lacerda coordena o Centro Internacional de Pesquisa Clínica em Malária (CIPCliM) em Manaus, e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD. Além disso, é membro do Comitê de Assessoramento Técnico do Programa Nacional de Controle da Malária e do Sub-comitê de Terapêutica em Malária, do Ministério da Saúde do Brasil, e consultor eventual da Organização Mundial da Saúde em malária por Plasmodium vivax, e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências e Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical de 2015 a 2017.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Eduardo Gomes

O ILMD está de luto: amigos e colegas falam sobre Antônio Levino

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia ) está de luto com a morte do  médico Antônio Levino da Silva Neto, pesquisador desta Unidade desde agosto de 2002.

Amigos e colegas de trabalho ainda consternados manifestaram-se sobre Levino:

Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, lamentou a perda e ressaltou o comprometimento de Levino com o trabalho: “quando ocupei a vice de Ensino pude testemunhar o forte compromisso de Levino com a Educação, a Ciência e a Saúde”.

Luciano Toledo, ex-diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, também expressou tristeza com a notícia, e disse: “Levino sempre foi um colega e amigo muito leal. Fui seu orientador de mestrado. Uma dissertação muito bonita sobre tuberculose e aids em Manaus. Que tristeza”.

Sérgio Luz, diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, salientou a lealdade e sobriedade de Levino. “Ele era uma pessoa muito coerente em suas observações; chegamos a publicar um trabalho juntos; ele fará uma grande falta pelo conhecimento e domínio que tinha sobre saúde pública no estado do Amazonas”.

Antônio Levino da Silva Neto, pesquisador e professor desta Unidade desde agosto de 2002.

Antônio Levino da Silva Neto, pesquisador e professor desta Unidade desde agosto de 2002.

Luiza Garnelo, vice-diretora de Ensino, Comunicação e Informação do ILMD disse que manifestar-se sobre Levino neste momento é ao mesmo tempo fácil e difícil – “fácil porque Levino foi alguém sobre quem se pode escrever com carinho, com verdade e com a certeza de que, enquanto esteve entre nós, se esmerou no compromisso com o coletivo, na luta incessante pela melhoria das injustiças e das desigualdades do mundo. Comunista orgulhoso de sua escolha, jamais renegou a ideia de que os trabalhadores, os oprimidos e os explorados deveriam virar a mesa e se colocar em pé de igualdade numa sociedade livre, justa e solidária. Assim viveu e assim pensou e agiu até sua morte. Mas essa é também uma difícil missão, pois como selecionar o que dizer sobre o longo caminho que trilhamos juntos como professora e aluno, colegas de trabalho, companheiros de lutas, amigos de ontem e de sempre? Como falar sobre alguém a quem sempre se podia recorrer quando o cansaço, o desânimo, a dúvida ou a felicidade demandavam diálogo, companhia, um café ou um dedo de prosa? Impossível selecionar para falar de uma entre tantas lembranças, quando o sentimento e as palavras se enroscam e se prendem no peito e na garganta”.

Júlio César Schweickardt, pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia e chefe do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), onde Levino também atuava destacou que o colega foi “um pesquisador coerente e comprometido com a superação das desigualdades sociais e em saúde na Amazônia”.

Cleinado Costa, reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), declarou ter perdido um amigo e um irmão, “mantemos no Levino um exemplo de coerência pela causa do nosso povo e uma vida dedicada ao avanço do Amazonas e do Brasil. Se foi o nosso irmão Levino e fica conosco um exemplo de luta”.

Levino atuava na área de Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, principalmente com os seguintes temas: políticas públicas na área de saúde, avaliação de programas e serviços de saúde, saúde em áreas de fronteira, geoprocessamento, epidemiologia e educação em saúde.

Ascom-ILMD/Amazônia Fiocruz
Fotos: ILMD/Fiocruz Amazônia