Febre amarela: pesquisa identifica mutações na sequência genética do vírus

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizou os primeiros sequenciamentos completos do genoma de amostras do vírus da febre amarela referentes ao atual surto da doença no Brasil. Foram investigadas duas amostras de macacos oriundos do Espírito Santo, mortos em final de fevereiro de 2017. A análise apontou que os microrganismos pertencem ao subtipo genético conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que é predominante no país desde 2008.

No entanto, a partir da análise da sequência completa do genoma do vírus foi possível constatar a presença de variações em sequências genéticas que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral. Não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial. Os pesquisadores envolvidos na descoberta reforçam que os impactos para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontam para a necessidade de se avaliar mais amostras, relativas a locais diferentes e incluindo casos em humanos, macacos e mosquitos.

Os resultados das análises foram divulgados na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Os dados foram comunicados pela Presidência da Fiocruz ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde. Adicionalmente, dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco que veio a óbito no Estado do Rio de Janeiro.

O estudo partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço: a atual situação de febre amarela no país conta com lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão. O surto é o mais severo das últimas décadas, e a doença tem se espalhado de forma rápida, com epizootias e casos humanos diagnosticados inclusive em locais considerados livres do agravo há quase 70 anos.

Os pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus e do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC se dedicaram a buscar evidências que possam contribuir para esclarecer uma pergunta importante: existe algo de diferente no vírus da febre amarela que está circulando atualmente? “Nesse momento, o compromisso de cada um de nós, pesquisadores, deve ser de gerar conhecimento na sua área de especialidade e compartilhar essas descobertas, de forma acelerada, para que possamos contribuir para preencher um mosaico de evidências que permita ajudar a explicar o cenário atual”, afirma a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, que coordenou o estudo com o pesquisador Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. Ambos integram a Sala de Situação para Febre Amarela Silvestre criada pela Presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Origem das amostras sequenciadas

Em uma colaboração com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS), o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários vem atuando na coleta de amostras de primatas e mosquitos em locais estratégicos para o estudo do risco de transmissão e de re-emergência do ciclo urbano da febre amarela. Foi neste contexto que, em final de fevereiro de 2017, o grupo coletou sangue de dois macacos bugios (da espécie Alouatta clamitans) que adoeceram em uma área de mata no Espírito Santo, confirmou a infecção pelo vírus e obteve o material genético para o sequenciamento do genoma.

“Os bugios são especialmente importantes nas investigações sobre a febre amarela por serem considerados ‘sentinelas’: como são muito vulneráveis ao vírus, estão entre os primeiros a morrer quando afetados pela doença. Além disso, estes animais amplificam eficientemente o vírus em seu organismo, favorecendo a infecção de mosquitos que habitam as matas e a disseminação da transmissão silvestre, na qual os seres humanos são infectados acidentalmente. Por isso, sua morte dispara um alerta para a possível presença do vírus em uma localidade”, descreve Ricardo, que combina as experiências como veterinário e entomologista.

As coletas foram realizadas por Filipe Abreu, estudante de pós-graduação em Biologia Parasitária do IOC, que atua na equipe liderada por Ricardo. “Como há décadas não se registrava febre amarela na mata atlântica, pensei que não veria suas consequências na prática. Foi um enorme aprendizado ter a oportunidade de visualizar e trabalhar, em campo, com objeto de estudo da minha tese”, o jovem biólogo comenta. [Conheça as atividades desenvolvidas pelo grupo em Casimiro de Abreu, município onde foi registrado o primeiro óbito pela doença no Estado do Rio de Janeiro].

Análise do genoma do vírus

Após a extração do material genético (RNA) das amostras, foi realizado o processo de sequenciamento completo do genoma, atividade que contou com o apoio da Plataforma Tecnológica de Sequenciamento de DNA do IOC. As análises apontam para três principais evidências. Como primeira evidência, foi observada 100% de identidade entre as sequências genéticas dos vírus presentes nos animais – ou seja: os vírus tinham sequências genéticas idênticas.

A segunda evidência foi a constatação da presença de modificações no código genético dos vírus. Essas mutações foram identificadas quando a sequência genética completa obtida foi comparada à sequência genética completa de vírus relacionados a surtos ocorridos desde a década de 1980 no Brasil e na Venezuela, país onde a linhagem Sul Americana 1E também é predominante. Para a comparação, foram usados bancos de dados internacionais dedicados ao depósito de sequências genéticas. “As modificações que observamos são inéditas, não estão descritas em achados anteriores”, Myrna detalha.

A terceira evidência foi obtida na análise das proteínas virais, em um passo seguinte à constatação de mudanças na sequência genética. “De forma muito simplificada, o genoma é um código que tem o papel de orientar a produção de proteínas. Essas proteínas são a base da própria estrutura do vírus, formando seus elementos constitutivos, como as paredes do vírus, por exemplo. Podemos comparar o genoma a um roteiro: o vírus tem um repertório de proteínas que são fabricadas a partir da informação do genoma. Algumas mudanças genéticas não impactam as proteínas do vírus. Por isso, é importante observar se as variações genéticas poderiam modificar o repertório das proteínas fabricadas”, descreve a virologista molecular, que é especialista em flavivírus, grupo dos vírus dengue, Zika e febre amarela.

Tendo em vista que foram verificadas modificações na composição de proteínas importantes para a replicação viral, os pesquisadores consideram que é possível haver uma vantagem seletiva, refletindo-se na capacidade de infecção e disseminação do vírus. Entretanto, novas pesquisas são fundamentais para determinar se essas modificações no genoma são específicas dos microrganismos envolvidos no surto atual. “Nesse momento, estamos buscando amostras de genoma do vírus da febre amarela oriundas de diferentes hospedeiros – incluindo seres humanos, macacos e mosquitos – e de diversificadas origens geográficas – especialmente no Sudeste do Brasil, onde a epidemia tem sido mais intensa – para compreender melhor esse fenômeno”, informa Ricardo.

Sobre um possível impacto para a vacina disponível, os pesquisadores explicam que o imunizante adotado atualmente protege contra genótipos diferentes do vírus, incluindo o sul americano e o africano. Além disso, as alterações detectadas no estudo não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina. Eles ressaltam que as sequências genéticas completas dos vírus analisados no estudo já foram publicadas no GenBank, de modo a estarem disponíveis para comparações que possam ser realizadas por outros cientistas do Brasil e do mundo.

Fonte: IOC/Fiocruz

Foto: Gutemberg Brito (IOC/Fiocruz)

 

Centro de Estudos vai abordar legalidade dos processos de P&D que fazem uso da biodiversidade brasileira

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) oferece na próxima sexta-feira 19/5, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Nova legislação de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e seu impacto nas pesquisas”, que será ministrada pela assessora da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e ex-integrante do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente (CGEN/MMA), Manuela da Silva.

A apresentação vai abordar a Lei da Biodiversidade e o impacto da regulamentação da legislação na pesquisa, e no desenvolvimento tecnológico. Na oportunidade, a palestrante vai falar também sobre o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen).

Segundo Manuela, desde 2015 existe uma nova legislação de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e repartição de benefícios, que trouxe mudanças importantes em relação à legislação anterior (MP 2.186/2001). “Há consideráveis avanços, no entanto temos uma situação complexa que é a indisponibilização até o momento, do sistema eletrônico (SisGen) para cadastro e notificação. Outro aspecto importante é o fato de termos apenas 1 ano, a partir da disponibilização do SisGen, para a regularização de todos os projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico”, explicou.

Serão debatidos temas relacionados ao uso da biodiversidade brasileira, acesso ao patrimônio genético, conhecimento tradicional associado e repartição de benefícios, além de esclarecimentos a respeito das medidas adotadas por instituições públicas e privadas para a implementação da Lei da Biodiversidade. O evento é voltado para membros da comunidade científica regional, entidades de apoio produtivo, interessados ou envolvidos diretamente com os assuntos em pauta.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

SOBRE A PALESTRANTE

Manuela da Silva é assessora da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Científicas, coordenando as Coleções Biológicas da Fiocruz. É professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (INCQS/FIOCRUZ) desde 2003. Coordena a área de Coleções de Culturas da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM) e é membro do diretório executivo da World Federation of Culture Collection (WFCC).

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Edimilson Bibiani, ILMD/Fiocruz Amazônia

 

Livros sobre educação, políticas e cuidado em saúde serão lançados na Fiocruz Amazônia

Na próxima sexta-feira (12), às 16h, será realizado no Salão Canoas, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o lançamento dos livros da Editora Rede Unida: Educação e Práticas de Saúde na Amazônia: Tecendo Redes de Cuidado e Políticas e Cuidados em Saúde – Livros 1 e Livro 2, que reúnem discussões sobre a educação e as práticas de cuidado em saúde realizados nos diferentes Estados do País, tomando como eixo as formas de organizar essas práticas no Sistema Único de Saúde (SUS).

O livro Educação e Práticas de Saúde na Amazônia: tecendo redes de cuidado traz textos frutos de diferentes atividades acadêmicas: Trabalho Conclusão de Curso de especialização e residência; dissertações de Mestrado e teses de Doutorado. Os trabalhos foram desenvolvidos em várias instituições e Programas de Pós-Graduação, mostrando o potencial de produção na região amazônica.

“Os estudos e pesquisas na região na área da saúde coletiva e políticas públicas de saúde tem crescido devido ao aumento de grupos de pesquisa, às redes de cooperação com outras instituições e pesquisadores e ao reforço do financiamento através das Fundações de Amparo à Pesquisa e das iniciativas do governo federal para fomentar desenvolvimento da ciência nas regiões Norte e Nordeste do país”, destaca Júlio Cesar Schweickardt, um dos organizadores do livro.

Os dois volumes do livro Políticas e cuidados em saúde – Avaliação compartilhada do cuidado em saúde Surpreendendo o instituído nas redes nasceram da escrita de centenas de pessoas que compuseram o corpo de pesquisadores pelas várias regiões do Brasil, que compartilharam da aposta de produção de conhecimento com a ideia de avaliar a produção do cuidado em saúde. “Era necessário viabilizar a participação de todos os sujeitos trabalhadores e cidadãos, que compunham os cenários de produção das práticas de saúde. Constituímos coletivos e formamos grupos de investigação nas regiões: Norte, Nordeste, Sudeste e Sul”, explica Emerson Elias Merhy, coordenador nacional da pesquisa e um dos organizadores dos livros.

Durante o lançamento será realizada uma mesa redonda com organizadores e autores para falar sobre obras na área da Saúde Coletiva, Política, Educação e Ensino da Saúde.

SOBRE A EDITORA

As obras na área da Saúde Coletiva, Educação e Ensino da Saúde estão disponíveis para download gratuito, tendo atualmente no acervo o total de 68 títulos e mais oito que serão lançados em 2017. Vinculada à Associação Brasileira da Rede Unida, a Editora Rede Unida ultrapassou no mês de março de 2017 a marca de 55 mil acessos de exemplares em seu acervo digital.

De acordo com o Coordenador da Editora, Alcindo Ferla, o processo editorial inclui a avaliação entre pares dos manuscritos submetidos e das coletâneas publicadas pela Editora. “A avaliação de pares e do mérito científico, acadêmico e de relevância social das publicações são critérios que a comissão da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] atribui para a classificação das editoras dos livros”, explicou Ferla.

A Editora Rede Unida foi criada em agosto de 2013 e possui vários títulos de áreas sobre saúde, educação, arte popular, cultura, poesia, Amazônia, economia, entre outros. As publicações são resultado de parcerias com instituições, grupos, pesquisadores e autores que visam compartilhar produções em rede.

Os livros, disponíveis no acervo digital da Editora Rede Unida, estão em três formatos: PDF, ePub e Flash. O acervo digital pode ser acessado pelo endereço eletrônico http://www.redeunida.org.br/editora/biblioteca-digital.

A Fiocruz Amazônia está localizada na Rua Teresina, 476. Adrianópolis.

LAHPSA, por Mirineia Nascimento

 

 

Instituto de pesquisa focado na eliminação da malária será tema do Centro de Estudos

Gerar conhecimento para avançar no processo de eliminação da malária no Brasil é o foco do Instituto ELIMINA, que será tema de palestra do Centro de Estudos, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Ficoruz Amazônia), na próxima sexta-feira, dia 12/05, às 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição.

A temática será abordada pelo pesquisador do ILMD, Dr. Marcus Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, pesquisador e diretor de Ensino e Pesquisa da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Coordenado por Lacerda, devem integrar o projeto outros 102 pesquisadores (74% deles brasileiros e 26% estrangeiros), de 40 instituições distribuídas por várias partes do mundo, entre elas o Instituto Pasteur, da França, Universidade de Ottawa, do Canadá, Universidade de Ciências e Humanidades, do Peru, Universidade Johns Hopkins e Institutos Nacionais de Saúde (INH), ambos dos Estados Unidos.

De acordo com o pesquisador, o Instituto vai se concentrar na geração de dados de alta qualidade, por meio de redes de pesquisa colaborativas, organizadas em nove linhas de estudo, que vão funcionar de forma independente, mas também interagindo ocasionalmente, compartilhando dados, insumos, infraestrutura e experiências técnicas.

Em junho de 2016, a FMT-HVD, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Susam), aprovou junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a criação do Instituto Nacional de Ciência da Eliminação da Malária (Instituto ELIMINA). A proposta do Instituto ELIMINA é se concentrar na geração da evidência científica que ainda é necessária para os gestores, a fim de desenvolver planos de eliminação da Malária, específicos para cada região.

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

SOBRE O PALESTRANTE

Marcus Lacerda é graduado em Medicina pela Universidade de Brasília, com residência médica em Infectologia pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e doutor em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília em parceria com a Universidade de Nova York. O pesquisador é Médico da FMT-HVD e Especialista em Saúde Pública do ILMD/ Fiocruz Amazônia, além de colaborador do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas, e professor adjunto da Kent State University.

Lacerda coordena o Centro Internacional de Pesquisa Clínica em Malária (CIPCliM) em Manaus, e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD. Além disso, é membro do Comitê de Assessoramento Técnico do Programa Nacional de Controle da Malária e do Sub-comitê de Terapêutica em Malária, do Ministério da Saúde do Brasil, e consultor eventual da Organização Mundial da Saúde em malária por Plasmodium vivax, e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências e Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical de 2015 a 2017.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Eduardo Gomes

Pesquisadores da Fiocruz Amazônia desenvolvem método de diagnóstico molecular da infecção pelos arbovírus Mayaro e Oropouche

Método desenvolvido por pesquisadores do Instituto Leônidas e Marias Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebe aprovação de depósito de patente. Denominado Conjunto de oligonucleotídeos e método para o diagnóstico molecular da infecção pelos vírus Mayaro e Oropouche, a invenção é dos pesquisadores Felipe Gomes Naveca e Valdinete Alves do Nascimento

Com o novo método torna-se possível realizar o diagnóstico molecular da infecção pelos arbovírus Mayaro e Oropouche de maneira simultânea, com alta sensibilidade e especificidade, utilizando a técnica de PCR em Tempo Real.

Valdinete Nascimento e Felipe Naveca. Foto: Eduardo Gomes

Valdinete Nascimento e Felipe Naveca. Foto: Eduardo Gomes

Segundo Naveca, o método já está em uso e o protocolo tem sido utilizado para o estudo de casos humanos suspeitos, mas não confirmados, de Dengue, Zika e Chikungunya, tanto em projetos coordenados por pesquisadores do ILMD, quanto em projetos coordenados por pesquisadores de outras instituições parceiras.

“Temos novos resultados já obtidos com a utilização do protocolo, os quais foram informados ao sistema de vigilância em saúde e estão em fase de redação dos artigos científicos. Fomos contatados por algumas empresas que demonstram interesse pela invenção, estamos conversando”, acrescentou o pesquisador.

OBJETIVOS

A proposta é que o invento se torne uma nova ferramenta na identificação de casos de febre Mayaro e Oropouche, utilizando uma estrutura já existente nos laboratórios centrais dos estados brasileiros.

A ferramenta utiliza estrutura já existente nos laboratórios centrais. Foto Eduardo Gomes

A ferramenta utiliza estrutura já existente nos laboratórios centrais. Foto Eduardo Gomes

Naveca explica que arbovírus são vírus transmitidos por artrópodes como, por exemplo, o vírus da dengue, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Existem centenas de arbovírus conhecidos, destes, mais de 30 foram identificados infectando seres humanos.

“Esses números nos mostram que existe o risco de outros vírus se tornarem um importante problema de saúde pública. De fato, a emergência e o avanço epidêmico dos vírus Chikungunya e Zika nos últimos anos, é uma prova irrefutável desse risco. Por este motivo o sistema de vigilância em saúde deve ser dotado de diversas tecnologias, as quais permitam identificar os casos de infecções por vírus emergentes de maneira rápida e confiável”, disse.

O projeto teve como escopo desenvolver e validar estratégias para a detecção de dois arbovírus emergentes e de importância médica, em especial na região Amazônica e foi financiado pelo edital 012/2009 do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores Programa Primeiros Projetos (PPP-CNPq/Fapeam).

PERSPECTIVA

O pesquisador salienta que a experiência com o depósito do pedido de patente permitiu aos pesquisadores reavaliar o potencial de outras invenções desenvolvidas por seu grupo de pesquisa, e adianta que em breve devem ocorrer novos pedidos de patentes, sempre com o foco de inovação para o SUS.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Sérgio Luz é reeleito diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia  

 

O candidato Sérgio Luiz Bessa Luz foi reeleito com 74,63% dos votos válidos, ao cargo de diretor do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), para o quadriênio 2017-2021.

Anúncio do resultado da eleição 2017. Foto: Eduardo Gomes

O resultado da eleição 2017 foi divulgado hoje, 5/5. Foto: Eduardo Gomes

A apuração foi realizada pela Comissão Eleitoral no final da tarde de hoje, 5/5. Ao todo, votaram 63 eleitores. O resultado da eleição será homologado em reunião do Conselho Deliberativo (CD) que deve ocorrer na segunda-feira dia, 8/5, no Salão Canoas, na sede do Instituto, no bairro de Adrianópolis.

Após a homologação, o nome do diretor eleito será enviado para a Presidência da Fiocruz.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Pesquisador destaca importância de estudos sobre envenenamento por animais peçonhentos

“Apesar de frequentes e muitas vezes levarem a quadros graves, os casos de envenenamento por animais peçonhentos são problemas de saúde negligenciados pelos pesquisadores e acima de tudo pela indústria farmacêutica”, destacou o Dr. Welton Monteiro, professor do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) durante edição do Centro de Estudos do ILMD, realizado nesta sexta-feira 5/5.

A apresentação teve o objetivo de expor resultados de estudos clínicos sobre envenenamentos por animais, que são muito prevalentes na Amazônia Brasileira, dentre os quais podem ser citados: o ofidismo (acidentes por serpentes), escorpionismo, araneísmo, acidentes por arraias e por alguns insetos, como as taturanas ou lagartas de fogo e os potós.

A Bothrops Atrox (Jararaca) é responsável por 90% dos acidentes por serpentes na Amazônia. (Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

A Bothrops Atrox (Jararaca) é responsável por 90% dos acidentes por serpentes na Amazônia. (Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

Entre as dificuldades enfrentadas no tratamento, o pesquisador destacou o atraso no atendimento como grande fator de risco para a evolução com sequelas e para a mortalidade. “O soro, para alguns destes problemas, é o único tratamento específico e eficaz, mas o atraso na sua administração é o que na maioria das vezes se relaciona com casos graves e fatais”, explicou.

Na ocasião, Monteiro ressaltou também a importância da qualificação profissional, visando a melhoria do atendimento.  “Os profissionais de saúde, muitas vezes por um problema de formação, não sabem muito bem como lidar com o tratamento destes problemas. Além disso, no interior os serviços de saúde não dispõem de condições adequadas para atender estes pacientes, que em alguns casos demandam UTI e tratamento cirúrgicos especializados”, explicou.

(Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

(Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

A FMT-HVD, em parceria com instituições nacionais, incluindo o Instituto Butantan e o ILMD/Fiocruz Amazônia, vem tentando preencher as lacunas de conhecimentos que ainda são muitas nessa área, bem como vem investindo na formação de pessoal qualificado para atuar na pesquisa e assistência dos pacientes.

SOBRE O PALESTRANTE

Wuelton Monteiro é graduado em Farmácia-Bioquímica e mestre em Análises Clínicas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), doutor em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Universidade do Estado do Amazonas (UFAM). Em 2016, foi credenciado como docente do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Atualmente é pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), onde atua na Gerência de Malária, desde 2011. É também professor adjunto da disciplina de Epidemiologia dos cursos de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Wuelton é coordenador, membro do corpo docente permanente e professor das disciplinas de Epidemiologia, Bioestatística, Acidentes por Animais Peçonhentos e Diagnóstico Laboratorial das Parasitoses Humanas, dos cursos de mestrado e doutorado em Medicina Tropical, da UEA/FMT-HVD. A

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

Parceria com a Cogic agiliza demandas do ILMD

A partir da próxima semana o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) estará habilitado para fazer solicitações de serviços no sistema integrado de administração, Diracweb. A novidade, dentre outras, foi anunciada pelo coordenador-geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic/Fiocruz), José Damasceno Fernandes, em visita a Unidade em Manaus, na quinta-feira, 4/5.

Damasceno que esteve no ILMD/Fiocruz Amazônia juntamente com o chefe de gabinete da Cogic, Jorge Luiz Pessanha, considerou a visita proveitosa, diante dos encaminhamentos adotados. Outra novidade, é o início de um acordo de manutenção de equipamentos da Unidade, a ser realizado com a Cogic.

Além disso, a vinda dos técnicos a Manaus objetivou também alinhar junto à direção desta Unidade, questões junto à Superintendência do Patrimônio da União no Amazonas (SPU/AM), para agilizar a publicação no Diário Oficial da União, do termo de cessão do terreno onde será construída a nova sede do ILMD.

Para Sérgio Bessa Luz, diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a parceria com a Cogic  tem sido muito favorável, não só na resolução de questões que geram entraves para a Unidade, como a questão da manutenção dos equipamentos, mas também na articulação junto à SPU/AM.

MANUTENÇÃO

A Cogic lançou nesta semana um guia de orientações para manutenção de equipamentos científicos. O objetivo da publicação é possibilitar aos usuários encontrar  informações (descrição, modo de solicitação, tempo de espera e prioridades) sobre todos os serviços prestados pelo Departamento de Manutenção de Equipamentos, da Cogic.

No manual estão definidas as prioridades e compromissos da Coordenação com a prestação de serviço de qualidade ao usuário. O documento apresenta a relação dos equipamentos científicos que podem receber algum tipo de manutenção da Cogic, facilitando a solicitação de serviços e compras de novos instrumentos.

Para acessar o material clique aqui.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Palestra vai abordar pesquisa clínica em envenenamentos por animais no Amazonas

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) oferece nesta sexta-feira 5/5, às 9h, a palestra “Pesquisa clínica em envenenamentos por animais no Estado do Amazonas”, a ser ministrada pelo Dr. Welton Monteiro, professor do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), do ILMD/Fiocruz Amazônia, e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

O objetivo é apresentar os recentes estudos, aspectos clínicos, epidemiológicos e terapêuticos dos envenenamentos por serpentes e outros animais peçonhentos. Na ocasião, o pesquisador vai falar sobre planejamento de estudos observacionais aplicados ao estudo da carga e de fatores associados aos envenenamentos, planejamento de estudos de prognóstico e estudos de intervenção aplicados à prevenção e terapêutica dos envenenamentos, e manejo dos envenenamentos baseado em evidências.

SOBRE O PALESTRANTE

Wuelton Monteiro é graduado em Farmácia-Bioquímica e mestre em Análises Clínicas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), doutor em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Universidade do Estado do Amazonas (UFAM). Em 2016, foi credenciado como docente do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Atualmente é pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), onde atua na Gerência de Malária, desde 2011. É também professor adjunto da disciplina de Epidemiologia dos cursos de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Wuelton é coordenador, membro do corpo docente permanente e professor das disciplinas de Epidemiologia, Bioestatística, Acidentes por Animais Peçonhentos e Diagnóstico Laboratorial das Parasitoses Humanas, dos cursos de mestrado e doutorado em Medicina Tropical, da UEA/FMT-HVD. A

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

A palestra ocorrerá no Salão Canoas, auditório do ILMD/Fiocruz Amazônia, situado à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

Foto: Divulgação

 

Homenagem a Antônio Levino acontece sexta, 5 de maio

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), a família, amigos e colegas realizam nesta sexta-feira, 5/5, a partir das 17h30, homenagem ao médico, pesquisador e professor Dr Antônio Levino da Silva Neto (in memoriam). O evento será na Oca do ILMD/Fiocruz Amazônia, à rua Teresina, 476, Adrianópolis.

Para este encontro estão sendo programadas várias atividades como apresentação musical, declamação de poesias, lembranças e memorias da convivência com Antonio Levino, e demais atividades culturais.

SOBRE LEVINO

Além de pesquisador e professor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Antônio Levino também foi docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pesquisador orientador e subcoordenador do Programa Multiinstitucional de Pós-Graduação em Saúde Sociedade e Endemias na Amazônia (PPGSSEA) da Ufam/FIOCRUZ. Sua atuação era na área de Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, principalmente em temáticas ligadas a políticas públicas na área de saúde, avaliação de programas e serviços de saúde, saúde em áreas de fronteira, geoprocessamento, epidemiologia e educação em saúde.

HOMENAGEM

A homenagem está sendo organizada pelos colegas do ILMD/Fiocruz Amazônia, juntamente com a família, amigos de Antônio Levino e integrantes do Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

O evento é aberto ao público e podem participar todos os que desejarem partilhar memórias vividas ao lado de Levino.

ILMD/Fiocruz, por Marlúcia Seixas