Oficina vai definir programação do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

Nos próximos dias 25 e 26 de janeiro (quinta e sexta-feira) será realizada a 2ª Oficina Nacional de Programação do 13º Congresso Internacional da Rede Unida. O encontro acontecerá de 8h30 às 17h, na sede do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

A oficina visa definir temáticas para os fóruns, mesas-redondas, rodas de conversa, distribuição dos trabalhos por eixo, e planejar a divulgação da 13ª. edição do Congresso Internacional da Rede Unida, cujo tema central é “Faz escuro, mas cantamos: redes em re-existência nos encontros das águas”.

Confira aqui a programação.

Para Rodrigo Tobias, presidente do 13º Congresso, “a oficina em Manaus é um momento importante do planejamento e organização do congresso. Etapa imprescindível para sistematizar a programação das távolas institucionais, fóruns internacionais e apresentação de trabalhos aprovados pela comissão científica, além de decidir sobre a programação cultural e do eixo arte e cultura. A participação de representantes da OPAS, CNS, Fiocruz, Coordenação Nacional da Rede Unida e parceiros locorregionais contribuirá para pensarmos um evento à altura da Amazônia”.

SOBRE O CONGRESSO

O 13º Congresso Internacional da Rede Unida será realizado no período de 30 de maio a 2 de junho de 2018, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Sua finalidade é propor o debate em torno da saúde, da educação, da arte e cultura, da participação cidadã, da gestão e do trabalho em saúde na perspectiva do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O evento reunirá trabalhadores da saúde, usuários do SUS, pesquisadores, estudantes, professores, gestores e representantes de movimentos sociais. Este ano, o congresso será realizado em Manaus, pela primeira vez numa cidade do Norte do País.

São parceiros desta edição a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), UFAM, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Prefeitura de Manaus, Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), Secretaria Municipal de Educação Manaus (Semed), Sistema Único de Saúde (SUS), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Pesquisa da Fiocruz Rondônia aponta sífilis como IST mais prevalente em quatro unidades prisionais

Relatório anual de um projeto realizado pela Fundação Oswaldo Cruz Rondônia (Fiocruz Rondônia), junto à população carcerária do Estado, aponta a sífilis como a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais prevalente entre detentos em, pelo menos, quatro unidades prisionais e uma Organização Não Governamental (ONG), voltada para atendimento de egressos do sistema penitenciário. Com o apoio do Ministério Público de Rondônia, o estudo realizado em 2017 revela que, dos 846 reeducandos atendidos pela Fundação, 8,6% foram diagnosticados com sífilis.

O dado é apenas uma das conclusões extraídas do projeto intitulado ‘Prevalência de Hepatites Virais B, C e Delta, Sífilis e HIV na população privada de liberdade em sistema prisional fechado no Estado de Rondônia’, desenvolvido pela Fiocruz-RO, em parceria com o MP, Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia (Cepem); Agência de Vigilância em Saúde (Agevisa); Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e Faculdade de Rondônia (Faro).

O Ministério Público de Rondônia atuou na iniciativa, como mediador junto ao Governo do Estado de Rondônia, visando articular a execução dos estudos. O apoio da Instituição também possibilitou que a Fiocruz obtivesse acesso aos dados referentes à população carcerária do Estado e às unidades prisionais.

NÚMEROS

Os números do estudo revelam que, do total de apenados submetidos aos exames, 1,4% apresentou resultado positivo para Hepatite B; 0,8% para Hepatite C e 1,4% para HIV. Os trabalhos foram realizados na Casa de Detenção José Mário Alves, o Urso Branco; Unidade Penitenciária Aruana; Centro de Ressocialização Vale do Guaporé e Unidade Penitenciária Milton Soares de Carvalho (conhecido como 470), além da Associação Cultural e de Desenvolvimento Do Reeducando e Egresso (Acuda).

Após os diagnósticos, os pacientes foram encaminhados aos especialistas para iniciar acompanhamento clínico e laboratorial.

Dos 846 presos atendidos, 40,4% tinham entre 18 e 27 anos e 39,2% tinham entre 28 a 37 anos, representando uma população jovem. A etnia autodeclarada de modo mais recorrente foi a raça parda, com 59%, seguida de branco, 18%; e negro, 17,4%. Já o grau de escolaridade dos reeducandos foi considerado baixo. Segundo os estudos, 3,5% do público foi formado por analfabetos; 55,9% não concluíram o ensino fundamental e apenas 2,5% tiveram acesso ao ensino superior. Pelo menos 2% iniciaram uma graduação e 0,5% obtiveram diploma.

OBJETIVOS

Iniciado em 2016, o projeto tem como objetivo aferir o índice das doenças junto à população carcerária. Conforme detalham os responsáveis pela pesquisa, o médico infectologista Juan Miguel Villalobos Salcedo e a virologista Deusilene Souza Vieira,  infecções sexualmente transmissíveis são consideradas um grande problema de saúde pública no Brasil, tendo a região Norte e, mais especificamente, o Estado de Rondônia números expressivos em relação às doenças.

Apenas para se ter ideia do alarmante cenário local, dados apresentados pelo Ministério da Saúde (2017) dão conta de que a prevalência de HIV no Brasil é de 0,39%. Somente no ano de 2017, foram detectados 16371 casos novos, Rondônia, concentrou 0,8% (110/16.371) casos.

Os pesquisadores da Fiocruz justificam a importância do estudo que vêm sendo realizado não apenas pelo panorama já identificado no Estado, mas por considerar que a vulnerabilidade e a ausência de pesquisas direcionadas a pessoas em situação de encarceramento podem fazer desse público um foco de concentração e dispersão das doenças para a população em geral.

Assim, de acordo com os responsáveis pela pesquisa, os resultados obtidos poderão colaborar para um melhor entendimento sobre a situação das doenças na população privada de liberdade e servirão de base para analisar a eficácia de ações preventivas na sociedade em geral e dentro do sistema prisional, de modo a propor mudanças com relação à prevenção.

O projeto tem previsão de continuidade para 2018 e 2019.

Por: Ascom MP/RO
Fonte: Fiocruz Rondônia

PPGVIDA e PPGBIO-Interação divulgam listas de alunos especiais selecionados para os cursos de mestrado

Os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) e em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), ambos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgaram nesta quinta-feira, 18/01, os nomes dos candidatos selecionados para cursarem disciplinas como alunos especiais.

As listas estão disponíveis na Plataforma Sigass, da Fiocruz.

Para acessar a lista do PPGVIDA, clique.

Para acessar a lista do PPGBIO-Interação, clique.

SOBRE OS CURSOS

O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.

O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Matéria da série Clima e Saúde, do Icict/Fiocruz, aborda queimadas

Série de reportagens produzidas pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) aborda mudanças climáticas e seus efeitos na saúde do brasileiro, a partir de estudos do Observatório Nacional de Clima e Saúde. A nova matéria tem como tema queimadas.

Olhando para trás, 2004 ficou marcado pelos 270.295 focos de incêndio em todo o país – o ápice do número de queimadas no século XXI. Naquele ano, apenas no bioma Amazônia, que ocupa cerca de 40% do território nacional e onde estão os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, e também partes do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, foram 145.251 focos.

Em 2017, foram 275.120 focos de incêndio em todo o território nacional, conforme dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aumento de 1,78%. O bioma Amazônia no entanto, teve uma pequena redução, com 132.296 focos. Contudo, não há muito o que comemorar – segundo reportagem do jornal O Globo, “o fogo aumentou em áreas de floresta natural, onde não chegava antes — afirma Alberto Setzer, responsável pelo monitoramento de queimadas do Inpe”.

Em Rondônia, onde está situado o sítio sentinela do Observatório Nacional de Clima e Saúde, os focos de fogo apresentam também um número elevado.

O sítio sentinela está localizado na capital rondoniense, em Porto Velho, uma das áreas mais afetadas por conta das queimadas na região amazônica. Ele é coordenado pela pesquisadora associada do Observatório, Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) e o pesquisador Christovam Barcellos, do Icict, ambos da Fiocruz.

Segundo a pesquisadora Hacon, desde o Programa de Integração Nacional, na década de 1970, o desmatamento na região amazônica começou a ocorrer com maior intensidade, com o processo de colonização e o incentivo de ocupação do território pelo governo federal. “Esse intenso processo de desmatamento dará lugar, mais tarde, a indústria madereira e a pecuária na região, que destrói de forma intensa e extensa o solo da Amazônia, com o desmatamento, que leva às queimadas”, explica. Mas, como as queimadas podem prejudicar à saúde da população da região? Hacon afirma que “há a emissão de material particulado, microscópico, que em sua composição tem vários compostos e elementos. Esse material particulado, principalmente, é que vai prejudicar a saúde da população da Amazônia”.

Ela chama a atenção sobre a alta taxa de desmatamento de Rondônia – cerca de 70% de seu território já havia sido desmatado para plantações e pastagens. Com isso, “aumentaram as taxas de doenças respiratórias, principalmente nos grupos vulneráveis – crianças e idosos – e pessoas com doenças pregressas, relacionadas tanto quanto às doenças respiratórias, quanto às doenças cardiovasculares”.

Em um estudo de 2013, intitulado “Distribuição espaço-temporal das queimadas e internações por doenças  respiratórias em menores de cinco anos de idade em Rondônia, 2001 a 2010”, das pesquisadoras Poliany Rodrigues (Ensp/Fiocruz), Eliane Ignotti  (Unemat e UFMT, ambas do Mato Grosso) e Sandra Hacon, chama a atenção de que “as áreas com maior número de focos de queimadas diferiram daquelas com as taxas mais elevadas de internações por doenças respiratórias. Isso pode demonstrar a importância do transporte deste material particulado em longas distâncias na Amazônia.

Supõe-se que a exposição aos poluentes provenientes das queimadas não necessariamente coincidiu com o local de ocorrência do foco de queimada, razão pela qual os focos de calor devem ser utilizados como indicadores indiretos de exposição”.  Além disso, as pesquisadoras recomendam que haja um “monitoramento do material particulado proveniente das queimadas na microrregião de Porto Velho, apontada neste estudo como área crítica por apresentar a maior concentração de focos de queimadas da região. Também é relevante acompanhar os indicadores de saúde sobre os impactos à saúde humana provocados pelos poluentes gerados nas queimadas, com a implantação de áreas sentinelas pelos programas de vigilância à saúde na Amazônia”.

O site do Icict levantou alguns dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), do Datasus, sobre doenças respiratórias na região de 2012 até novembro de 2017.

Esta é a segunda matéria da série “Clima e Saúde”, sobre as mudanças climáticas e seus efeitos na saúde do brasileiro, a partir dos estudos realizados pelo Observatório Nacional de Clima e Saúde, do Icict, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na próxima matéria, o sítio sentinela Transfronteiriço, entre a Guiana Francesa e o Brasil, que pesquisa as ocorrências de malária na região e seus impactos na população local da fronteira entre os dois países.

Leia matéria completa da série Clima e Saúde, no site do Icict/Fiocruz.

Confira também Observatório Clima e Saúde ganha destaque na OMS e na COP23

Icict/Fiocruz, por Graça Portela

Ministério da Saúde atualiza casos de febre amarela

O Ministério da Saúde atualizou nesta terça-feira (16) as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no país. Desde o ano passado, os informes de febre amarela seguem a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão. Portanto, o período analisado desde então é de 1º de julho a 30 de junho de cada ano. No período de monitoramento (que começa em julho/2017 e vai até junho/2018), foram confirmados 35 casos de febre amarela no país sendo que 20 vieram a óbito, até 14 de janeiro deste ano. Ao todo, foram notificados 470 casos suspeitos, sendo que 145 permanecem em investigação e 290 foram descartados.

O ministro da Saúde substituto, Antônio Nardi, reforçou a importância da vacinação da população que mora nas áreas com recomendação de vacina e explicou que, como medida adicional de segurança, o Ministério da Saúde solicitou mais 20 milhões de seringas específicas para fracionamento. A ação faz parte da estratégia de medidas de prevenção da febre amarela do Governo Federal.

Confira aqui a apresentação (PDF)

“As áreas determinadas para a vacinação continuam as mesmas e as medidas de prevenção, como intensificação de vacinação e fracionamento das doses também continuarão a ser realizadas e atualizadas conforme houver necessidade. Além disso, pessoas que viajarem para esses locais também precisam se vacinar”, afirmou o ministro da Saúde substituto.

A vacinação para febre amarela é ofertada na rotina dos municípios com recomendação de vacinação nos seguintes estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar uma dose da vacina para estar protegido durante toda a vida.

Desde o início de 2017, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença. No total, ao longo de todo o ano de 2017, o Ministério da Saúde enviou aos estados 45 milhões de doses da vacina, tanto para a rotina de vacinação, como para o reforço nos estados afetados pelo surto. Somente para MG, RJ, SP, ES e BA foram distribuídas 36,3 milhões de doses. Neste ano de 2018, apenas no mês de janeiro, foram repassadas 8,8 milhões de doses da vacina aos estados de todo o país.

É importante informar que a febre amarela é transmitida por meio de vetor (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ambiente silvestre). O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942, e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão.

Leia mais em: https://goo.gl/oEcpL7

Confira a distribuição dos casos de febre amarela notificados: 1º/7/2017 a 14/01/2018.

Agência Saúde, Por Amanda Mendes.

Fiocruz avança em transferência de tecnologia contra tuberculose

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de concluir mais uma etapa da transferência de tecnologia do medicamento tuberculostático (TB) 4 em 1, considerado o mais eficaz no tratamento da tuberculose. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a doença é um sério problema de saúde pública no Brasil, com profundas raízes sociais. A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil novos casos e ocorrem 4,5 mil mortes em sua decorrência.

Resultado de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada entre Brasil e Índia, a tecnologia empregada no 4 em 1 permite que o medicamento seja administrado em dose única, já que é composto por quatro ativos em um único comprimido (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol).

As PDPs são acordos firmados entre indústrias farmacêuticas para transferir a tecnologia de um laboratório para outro. O objetivo é ampliar o acesso a medicamentos e produtos para saúde considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com o financiamento do desenvolvimento nacional, há redução dos custos com a aquisição, visto que atualmente são importados ou representam um alto custo para o sistema.

Atualmente, Farmanguinhos/Fiocruz já alcançou a etapa de realizar o controle de qualidade totalmente nas suas dependências. Em dezembro, nove lotes foram analisados pela equipe do Instituto e mais dez serão concluídos em janeiro de 2018. Ao todo, serão 7 milhões de medicamentos colocados à disposição do Ministério da Saúde para distribuição na rede pública.

Para realizar a nova etapa internalizada, a equipe do controle de qualidade do Instituto teve um extenso trabalho de validação da metodologia analítica antes de iniciar a realização das análises. Esta importante etapa representa um avanço significativo na transferência e agregou conhecimento e inovação para o laboratório da unidade.

A líder do Controle da Qualidade de Farmanguinhos/Fiocruz, Karina Rocha, destacou a oportunidade das análises como um desafio do laboratório. Para ela, analisar uma quantidade de lotes expressivos, baseado em uma nova metodologia, em um curto espaço de tempo demandou o empenho de toda equipe envolvida para abastecer os usuários do SUS o quanto antes.

Ao final da transferência, o Brasil estará apto a produzir e distribuir o 4 em 1 para os usuários do SUS, garantindo independência e autonomia na produção de medicamentos. A nacionalização da tecnologia vai gerar uma economia expressiva aos cofres públicos.

O diretor de Farmanguinhos/Fiocruz, Jorge Mendonça, ressalta a importância desta PDP: “Estamos indo ao encontro da nossa missão, que é fornecer medicamentos para população mais carente. Mesmo com os desafios de vigilância, por serem quatro medicamentos em um, conseguimos aprovar os nove lotes, que devem chegar para o MS na primeira quinzena de janeiro e em seguida, faremos os próximos dez”, frisou. Além disso, estão previstas duas novas parcelas para os meses de abril e setembro, com mais de oito milhões de unidades em cada.

Tecnologia a serviço da população brasileira

Fundado em 1976, Farmanguinhos é uma instituição pública integrante do complexo técnico-científico da Fundação Oswaldo Cruz e ocupa posição estratégica como laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde do Brasil.

Com capacidade de produção de cerca de 50 tipos de medicamentos diferentes, o Instituto tem atualmente dez parcerias de desenvolvimento produtivo em andamento, além de outras cinco já aprovadas pelo MS em dezembro de 2017. Farmanguinhos se destaca ainda na luta pela redução de custos, permitindo o acesso de mais brasileiros aos programas de saúde pública.

Por Viviane Oliveira (Farmanguinhos/Fiocruz)

 

Pesquisa avalia vacina para cachorros no combate a leishmaniose

Uma das estratégias recentes no combate à leishmaniose visceral (LV) é o abate de cachorros que contém o parasita responsável pela doença, porém esse método de controle não tem sido efetivo. Com isso, pesquisadores constataram que a medida imunoprofilática através da vacina Leish-Tec® tem um efeito favorável no combate à doença somente em animais que não estão em áreas de alta transmissão, necessitando de melhorias. Os resultados foram publicados na revista PloS ONE.

O artigo Field trial of efficacy of the Leish-tec® vaccine against canine leishmaniasis caused by Leishmania infantum in an endemic area with high transmission rates, escrito pelos pesquisadores Gabriel Grimaldi Jr., da Fiocruz Bahia, e Antonio Teva e Fernanda Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), além de pesquisadores de outras instituições do Brasil, aborda a utilização dessa vacina em cachorros e seus efeitos tanto na saúde coletiva como na do animal. Lançada no mercado desde 2008, a Leish-tec® é feita sem a inoculação de antígenos inativos na vacina, utilizando técnicas da Engenharia Genética Aplicada.

A pesquisa foi feita em uma área no Sudeste do Brasil, que é considerada altamente endêmica da leishmaniose. Antes da intervenção, os cães infectados foram abatidos e os restantes receberam três doses da vacina com o intervalo de 21 dias entre cada. Um ano após, outra dose de reforço imunológico foi aplicada. Para verificação dos resultados da pesquisa, foram feitos exames clínicos e pesquisa de anticorpos específicos em todos os cães de ambos os grupos.

Após os experimentos com os cães, notou-se que a vacina é segura para aplicação, após uma reação positiva dos animais, com a exceção de 11% que tiveram efeitos colaterais que duraram somente 4 dias. Além disso, os anticorpos que combateriam a doença começaram a ter resposta nos animais que receberam as doses, tendo alta com 1 mês após a aplicação.

Apesar dos resultados positivos, a pesquisa também concluiu que essa vacina, junto com o abate, não é efetivo em áreas de alta incidência da doença. Além disso, os pesquisadores expuseram que são necessárias melhoras para que a Leish-tec® seja melhor explorada em animais em campo, de forma que haja impacto positivo na incidência de casos de LV em humanos.

(Fiocruz Bahia)

Biblioteca Virtual reúne vida e obra do cientista Oswaldo Cruz

Perfil biográfico. Trajetória científica. Objetos museológicos. Correspondências. Bibliografia. O maior acervo já reunido sobre a vida e a obra de Oswaldo Cruz (1872-1917) está disponível agora a apenas alguns cliques de distância. Resultado de um trabalho multiprofissional da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), a Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz (BVOC) oferece a pesquisadores, estudantes e curiosos em geral uma plataforma digital inovadora, que marca o centenário da morte do cientista e celebra o Ano Oswaldo Cruz.

Até o momento, a biblioteca virtual multimídia abriga 239 imagens, 159 correspondências, 11 vídeos e seis músicas, além de linha do tempo e outros textos de referência e material de apoio. Todo o conteúdo é oferecido em português e inglês, com o objetivo de ampliar o acesso do público internacional à obra do cientista. Responsáveis pela coordenação e pesquisa histórica do projeto, as historiadoras da Casa de Oswaldo Cruz Nara Azevedo e Ana Luce Girão levaram cerca de cinco anos trabalhando na BVOC, ao lado de profissionais de Tecnologia da Informação (TI), Design, Comunicação, Biblioteconomia e Arquivo.

Estudiosas da vida e da obra do patrono da Fundação Oswaldo Cruz, Nara e Ana Luce afirmam que a indexação do conteúdo disponível na biblioteca virtual foi um dos maiores desafios do projeto. O cuidado com a classificação dos documentos foi fundamental para o desenvolvimento de um sistema de busca integrado, que também é apontado como um dos diferenciais da BVOC. O objetivo era construir uma narrativa histórica atraente e acessível tanto para pesquisadores das áreas das ciências e da saúde quanto para o público em geral.

“A Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz é um trabalho de divulgação científica. Nós queremos oferecer o nosso conteúdo de maneira que um público leigo, mais amplo, também compreenda. Além de falar do patrono da Fiocruz, a nossa meta principal é divulgar o acervo da Casa de Oswaldo Cruz, na perspectiva da história e memória”, afirma Nara Azevedo.

CORRESPONDÊNCIA INÉDITA

A nova plataforma multimídia é sucessora da primeira biblioteca virtual sobre Oswaldo Cruz, lançada no início dos anos 2000. Coordenadora do primeiro e do atual projeto, Ana Luce Girão recorda o esforço da equipe para atualizar e repensar a organização do conteúdo, a partir de novas perspectivas tecnológicas e metodológicas. “O arquivo de Oswaldo Cruz foi organizado em 2000. A gente já teve para esse projeto acesso a uma documentação descrita, organizada e seriada. Isso permitiu uma visão mais ampla do nosso personagem”, explicou a pesquisadora.

Além da documentação sobre a vida pessoal e trajetória científica de um dos maiores cientistas brasileiros do século 20, que estão sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz, o novo site também apresenta material inédito, como a correspondência de Oswaldo Cruz, seja para os seus familiares, seja para colegas cientistas contemporâneos no Brasil e no exterior. O acervo com as cartas do cientista foi reforçado nos últimos anos, a partir da doação de material de seus herdeiros.

“Uma das características deste projeto é a riqueza e a diversidade de acervo: museológico, bibliográfico, arquivístico e o patrimônio edificado. Do ponto de vista da pesquisa, nós fizemos um trabalho maior agora com a correspondência e os documentos pessoais. Mas ainda temos cartas inéditas que não entraram na biblioteca”, explica Ana Luce.

A narrativa histórica proposta pela Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz permite não somente uma visão aprofundada sobre a trajetória do cientista, mas também sobre o Brasil de sua época e as descobertas que revolucionaram a ciência no início do século XX. De acordo com Nara Azevedo, a intenção da BVOV é ir além do “discurso mitológico” sobre o patrono da Fiocruz, estabelecendo-se como uma fonte confiável e de referência sobre Oswaldo Cruz na rede mundial de computadores.

“Sempre se vê o Oswaldo Cruz sob um certo ângulo, consagrado pelo senso comum. Nós desejamos fugir dessa narrativa historiográfica que consagrou um mito em torno de sua figura. A originalidade da BVOC é oferecer informação baseada em pesquisa documental”, assinala a historiadora.

ACESSIBILIDADE E BUSCA INTEGRADA

O desenvolvimento da nova biblioteca virtual exigiu o trabalho coordenado de profissionais das mais diferentes áreas da Casa de Oswaldo Cruz, como Tecnologia da Informação (TI), Design e Comunicação. Para alcançar os objetivos propostos pela coordenação de pesquisa, especialistas de cada setor investiram na customização de novas tecnologias para incrementar a plataforma digital. Um dos orgulhos da equipe é justamente a acessibilidade, que permite o acesso de pessoas com deficiência visual ao conteúdo quase completo da BVOC.

“É um compromisso institucional trabalhar a acessibilidade nos produtos web da Casa de Oswaldo Cruz. Mas se trata de um projeto em construção. O que nós fizemos nesse primeiro momento foi construir a página, com seus elementos, de forma que pessoas cegas, que usam leitores de tela, não tivessem dificuldade alguma para acessar os conteúdos”, comenta Carolina Sacramento, da área de TI.

A exposição do conteúdo na home e nas páginas internas da BVOC e o desenvolvimento de uma busca integrada, capaz de identificar diferentes mídias, como textos, imagens e áudios, também são apontados como trunfos do projeto. “O que foi mais inovador e difícil foi a busca integrada, que é um diferencial do projeto. A gente tinha fontes de informação muito heterogêneas e precisava se apropriar de uma nova ferramenta tecnológica”, diz Carolina.

A estrutura de informação do site também requereu um trabalho colaborativo e soluções inovadoras. “O layout e a organização da informação também foram de grande complexidade. Todo mundo teve que pensar um pouco diferente. Foi tudo muito integrado e não daria certo sem essa integração”, diz Claudia Souza e Silva, da área de Design. Outra preocupação da equipe é manter a atualização da biblioteca virtual, acrescentando novos conteúdos e refinando questões ligadas à tecnologia, como acessibilidade e busca. “A BVOC foi preparada para ser alimentada ao longo do tempo. Já era uma diretriz. Assim como será possível aproveitar as soluções que desenvolvemos em outros projetos da Casa de Oswaldo Cruz”, complementa Claudia.

*COC/Fiocruz

 

Projeto propõe alternativa para diagnóstico de meningites

Um projeto para diagnóstico e caracterização das principais bactérias causadoras de meningites, elaborado por Ivano de Filippis, biólogo do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), foi aceito em outubro no InovaBio. O programa é uma iniciativa de Bio-Manguinhos que irá disponibilizar recursos para pesquisas ligadas a inovações na área de biotecnologia. “Estamos desenvolvendo não só a parte do diagnóstico, nosso estudo também pretende identificar qual o tipo de agente etiológico. Assim, saberemos se é necessário vacinar a população e se novas bactérias estão circulando, o que tornaria necessária a produção de uma nova vacina”.

O estudo ainda está na fase inicial e pretende ser uma alternativa rápida, econômica e eficaz aos métodos de diagnóstico convencionais vigentes. O kit, de fácil uso, utilizará uma pequena quantidade de material clínico. O projeto irá adaptar uma técnica de PCR normalmente empregada para diagnóstico de certos tipos de câncer. “Continua tendo a mesma sensibilidade e especificidade do método anterior, porém é muito mais barato e pode ser realizado em hospital público”, enfatiza o biólogo.

Para a produção do futuro kit em escala, é necessário seu aperfeiçoamento e uma empresa disposta a fabricá-lo. “O nosso objetivo é atender às necessidades do SUS, conforme proposta de Bio-Manguinhos”, conclui.

O QUE É MENINGITE?

A causa mais comum das meningites é a infecção por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A doença é uma inflamação das meninges – membranas que envolvem o cérebro – e pode causar lesões como cegueira, surdez e, dependendo da gravidade, até a morte.

Por: Gabrielle Araujo (INCQS/Fiocruz)

 

Fiocruz recebe prêmio da Opas por projeto contra a malária

Às margens do rio Negro, na fronteira entre os municípios de Barcelos e Novo Airão no estado do Amazonas, moradores de 14 comunidades ribeirinhas da extensa e isolada área do Parque Nacional do Jaú permaneceram longos anos sob o impacto da malária. Um projeto do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi decisivo para transformar essa realidade. No início dos anos 2000, o Índice Parasitário Anual (IPA), indicador do risco de ocorrência de malária, atingia taxas que classificavam o parque como o maior foco não indígena de malária da bacia do rio Negro. Em 2013, quatro anos após o início de ações de diagnóstico, tratamento e vigilância, já não eram mais registrados casos de transmissão local. A contribuição para a promoção da saúde da população, com a eliminação da doença, rendeu reconhecimento internacional, com o prêmio ‘Campeões contra a Malária nas Américas’, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).

“O reconhecimento da OPAS ressalta o valor da pesquisa aplicada para o país, a importância da aproximação da Academia com programas de controle de doenças e boas iniciativas de Organizações Não-Governamentais. A conquista destaca o papel da Fiocruz, neste caso, em especial, o Instituto Oswaldo Cruz, como instituição que atua fortemente na promoção da saúde e na qualidade de vida da população brasileira”, salientou a coordenadora do projeto e pesquisadora do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, Simone Ladeia Andrade. Doença causada por parasitos do gênero Plasmodium, a malária é transmitida, em geral, pela picada de mosquitos anofelinos infectados. A maior prevalência dos casos no Brasil está na região amazônica, com índice que supera os 99% em relação a todo o território nacional.

Assista ao vídeo sobre o projeto produzido pela Opas:

SOBRE A INICIATIVA

O ponto de partida para o projeto foi uma iniciativa que também teve sua excelência reconhecida: conquistou, em 2005, o Prêmio Capes de Tese, considerado o mais importante do país. A pesquisa, conduzida por Simone durante seu doutorado no Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do IOC, havia analisado a epidemiologia da malária no Parque Nacional do Jaú entre 2002 e 2003, fornecendo informações sobre endemicidade local, prevalência por microáreas, fatores associados à infecção, apresentação clínica e imunidade da população às diferentes espécies do parasito. Os resultados evidenciaram uma distribuição heterogênea da endemia na área, transmissão intradomiciliar, anemia associada à malária, certo grau de imunidade anti-infecção e anti-doença na população e uma taxa de infecções assintomáticas em torno de 15%, aspecto que, juntamente com o isolamento da área, dificultava a detecção e o tratamento das pessoas infectadas. Anos mais tarde, esses dados seriam utilizados como base para o desenvolvimento de uma análise mais profunda, dando origem ao projeto que acaba de ser premiado pela OPAS.

No recente projeto, a partir de 2009, Simone e uma equipe variada, composta por técnicos, agentes municipais de endemias, pesquisadores e alunos, voltaram a percorrer periodicamente as 14 comunidades do Parque Nacional do Jaú (5 no rio Jaú e 9 no rio Unini) em um esforço de busca ativa de pessoas infectadas por Plasmodium, sintomáticos ou não. As visitas, realizadas em média a cada três meses, duravam de 35 a 50 dias. Toda a população presente (500 indivíduos em média) era submetida à entrevista, exames clínicos, diagnóstico e tratamento de malária e anemia in loco, visando esclarecer a dinâmica da transmissão da endemia, causas, consequências e fatores de risco para infecção e adoecimento e possibilidades de controle. “Nesse contexto, a rápida identificação e tratamento imediato de casos a cada três meses contribuíram para conter a circulação do parasita na população e, consequentemente, levaram a uma redução drástica na incidência de casos ainda no mesmo ano”, aponta Simone, ressaltando a contribuição do pesquisador Marcelo Urbano Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), na realização da etapa de diagnóstico molecular.

Em abordagem entomológica simultânea, os trabalhos de campo também contavam com coletas de larvas e de mosquitos vetores, no intuito de caracterizar a distribuição e comportamento das diferentes espécies locais, assim como monitorar sua resistência a inseticidas. Mosquiteiros impregnados e não impregnados com inseticidas foram distribuídos, no entanto, não houve boa adesão por parte da população, evidenciando o papel fundamental das detecções e tratamentos de infectados na redução da malária. A análise dos dados do projeto ainda está em andamento. De acordo com Simone, a expectativa é de que os dados possam contribuir para o entendimento sobre os fatores de risco para transmissão, infecção e adoecimento na população ribeirinha.

SOMATÓRIO DE FORÇAS

À iniciativa da ONG catalã Nucli d’estudis per a l’Amazònia de Catalunya (Neac) de instalar postos de microscopia e treinar comunitários no diagnóstico de malária, a equipe do IOC, apoiada pelo Lacen de Manaus, contribuiu aprimorando a capacitação desses novos profissionais locais, visando garantir o correto diagnóstico e tratamento da doença na área. A qualificação dos microscopistas comunitários foi realizada com atividades teóricas e práticas em cada visita da equipe ao parque. Uma vez formados, os microscopistas passaram a integrar o projeto, realizando busca ativa de infecção mensalmente, no intervalo das visitas da equipe de pesquisa ao longo de 2010.

O conjunto de ações de diagnóstico, tratamento e vigilância iniciado em 2009 acarretou na redução de 62% na transmissão da malária ainda no mesmo ano e de 94% em 2010, no Parque Nacional do Jaú. O último caso de Plasmodium falciparum, parasito causador da malária com maior risco de agravamento, na área, foi registrado em 2013. Desde então, foram detectados apenas casos isolados e pequenos surtos (em 2017) de malária por P. vivax, a partir de casos importados das áreas urbanas. Deste modo, o Parque Nacional do Jaú se encontra em estágio de eliminação e prevenção de reintrodução da malária, estando sob vigilância para a detecção e contenção de casos importados com a finalidade de impedir que a endemia se restabeleça.

De caráter interdisciplinar, o projeto contou com a colaboração de especialistas da Fundação de Vigilância em Saúde de Barcelos, Secretaria Municipal de Saúde de Barcelos, Laboratório Central do Amazonas, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A iniciativa também contou com apoio de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e de cientistas, alunos e técnicos do Instituto Oswaldo Cruz, em especial, dos Laboratórios de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores e de Doenças Parasitárias. O projeto teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Programa de Apoio à Pesquisa Estratégica em Saúde (PAPES), da Fiocruz.

SOBRE O PRÊMIO

A iniciativa ‘Campeões contra a Malária nas Américas’ reconhece iniciativas locais ou nacionais que demonstraram sucesso na prevenção, controle, eliminação ou prevenção da reintrodução da malária em comunidades, países ou nas Américas como um todo. A edição de 2017, em especial, destacou a vigilância e o acesso ao diagnóstico e tratamento como componentes essenciais para a eliminação e prevenção do restabelecimento da malária. A cerimônia de entrega das premiações foi realizada em novembro, na sede da OPAS em Washington, capital dos Estados Unidos. Além do projeto ‘Parque Nacional do Jaú (PNJ) Amazonas/Fiocruz’, também foram agraciados os projetos ‘Eirunepé – do Caos à Vigilância’, da Secretaria Municipal de Saúde de Eirunepé, município do interior do Amazonas, e ‘Binomial plan for malária elimination in Hispaniola Island – Ouanaminthe-Djabon’, do Programa Nacional de Controle da Malária do Haiti e do Centro Nacional Para o Controle das Enfermidades Tropicais da República Dominicana.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha