Suframa e Fiocruz Amazônia discutem possibilidade de parceria para produção de biofármacos na ZFM

Em reunião ocorrida na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) com a presença do diretor do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Sérgio Luz, e do vice-diretor de gestão do Instituto, Carlos Carvalho, o superintendente da Suframa,  Appio Tolentino, afirmou que o potencial da região para desenvolver produtos com matéria prima local é algo que deve ser explorado e que pode gerar empregos tanto na Zona Franca de Manaus quanto em outras regiões.

Durante o encontro, ocorrido recentemente, foram debatidas oportunidades de parcerias entre as duas instituições com vistas a estabelecer um polo fitoterápico e de biofármacos na região, com aproveitamento da matéria prima regional.

Para Appio Tolentino, a perspectiva de um polo de fitoterápicos “possibilitará a formação de capital humano qualificado tanto para atender as demandas do setor industrial quanto para o setor comercial e de serviços, e isso poderá fomentar o segmento em todo o País”, afirmou.

Outros pontos positivos com o estabelecimento de um polo de biofármacos na Zona Franca será o incremento da produção de ciência e tecnologia na região, além de aperfeiçoar a cadeia produtiva do setor de medicamentos. “Acredito que temos que buscar uma maior aproximação entre a Suframa e a Fiocruz para realizarmos um trabalho em conjunto, que gere resultados imediatos para a sociedade”, destacou Tolentino.

Para o diretor da Fiocruz Amazônia, “há grandes oportunidades na região que podemos identificar e aproveitar, como a produção em escala industrial do anti-inflamatório ‘unha de gato’, tão conhecido localmente e tão efetivo. Parcerias público-privadas podem contribuir neste sentido”, complementou Sérgio Luz.

Como resultado deste encontro, brevemente o superintendente da Suframa irá conhecer as instalações do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Franguinhos), unidade da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, com vistas ao aprofundamento de parcerias.

Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia
Informações: Portal Suframa

Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente lança novo prêmio

Estão abertas as inscrições para a 9ª edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) da Fiocruz. Coordenada pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic) da Fundação, a Olimpíada é um projeto educativo voltado a professores e alunos da Educação Básica de todo o Brasil, que busca estimular a produção de trabalhos interdisciplinares sobre saúde e meio ambiente em escolas públicas e privadas. As inscrições são gratuitas e vão até 31 de julho de 2018. Acesse aqui o Regulamento.

A novidade na competição é o inédito Prêmio Obsma – Ano Oswaldo Cruz. Unindo-se às homenagens pelo centenário de morte do cientista, a Olimpíada irá conferir esta premiação especial a um trabalho sobre saúde e meio ambiente que tenha utilizado como fontes de pesquisa artigos, capítulos, livros, teses, dissertações e/ou recursos educacionais (multimídias, jogos educacionais, sites, entre outros) produzidos pela Fundação Oswaldo Cruz.

Além disso, a 9ª Obsma vai reafirmar a importância dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) preconizados pelas Nações Unidas estimulando que os trabalhos abordem de forma crítica e criativa temas da Agenda 2030. Uma das formas de promover esta iniciativa será por meio das Oficinas Pedagógicas, que a Olimpíada realiza desde 2013. Nelas, uma equipe multidisciplinar dialoga com grupos de professores sobre as relações entre educação, saúde, meio ambiente e ciência em sala de aula. As Oficinas, que acontecem com apoio do CNPq e parcerias locais, são gratuitas e abertas a professores da Educação Básica do estado, município ou região em que ocorrem, e a programação é sempre divulgada no site e nas redes sociais. Saiba mais aqui.

Professores do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e Ensino Médio, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA), podem inscrever na 9ª Obsma trabalhos sendo desenvolvidos nas escolas entre 2017 e 2018, inserindo-se em uma das três modalidades: Produção Audiovisual, Produção de Texto ou Projeto de Ciências. As inscrições são gratuitas.

Acesse o site oficial para conferir o Regulamento completo da 9ª edição, os próximos eventos e outras notícias. A Obsma também está no Facebook, no Twitter e no YouTube.

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

 Obsma/Fiocruz, por Anna Carolina Düppre

Em reunião no ILMD/Fiocruz Amazônia, presidente do CNPq  assegura um olhar mais atencioso para Amazônia

Em tom de descontração e esperança o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mario Neto Borges, esteve nesta segunda-feira, 18/9, em encontro com pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O encontro foi articulado pelo diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, com o objetivo de aproximar a instituição do CNPq, o resultado foi uma reunião animada e participativa onde Mario Neto falou da sua gestão no CNPq, das prioridades e estratégias para o Conselho cumprir seus compromissos, mesmo diante das adversidades.

“A ideia é trazer uma expectativa positiva mesmo num momento de crise e de dificuldade, mas o CNPq está com um olhar muito preocupado, muito dedicado ao potencial que a Amazônia tem, em particular o estado do Amazonas’, declarou Mario Neto ao informar sobre alguns projetos lançados recentemente pelo CNPq, voltados para a região.

“Nós sabemos do potencial que a Amazônia tem, todo brasileiro sabe, então, o CNPq tem essa preocupação no radar. Nós temos desenhados alguns projetos, mesmo nessa dificuldade, como o que foi lançado agora para a biodiversidade da Amazônia; estamos negociando com empresas que têm interesse em explorar a biodiversidade, no sentido de fazer parceria de pesquisa com pesquisadores da área; além de projetos para a questão da saúde, de doenças infecciosas negligenciadas e doenças tropicais”, disse o presidente do CNPq ao defender também a formação de parcerias entre as instituições, inclusive entre as regiões com maior experiência com pesquisa, para o trabalho em conjunto.

Para o diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a vinda de Mario Neto ao Instituto sinaliza parcerias em projetos na área de saúde, desenvolvimento científico e tecnológico, pesquisa e educação.

Mario Neto assegurou que CNPq em sua gestão terá um olhar atencioso para a Amazônia, para as instituições de ensino e pesquisa da região, em especial para o ILMD/Fiocruz Amazônia.

SOBRE O PRESIDENTE DO CNPq

Mario Neto é graduado em Engenharia Elétrica, mestre em Acionamentos Elétricos, e doutor em Inteligência Artificial Aplicada à Educação. Foi presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) por dois mandatos, e foi membro do conselho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). É presidente do CNPq desde 20/10/2016.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

13º Congresso Internacional da Rede Unida recebe inscrições para monitoria

A Comissão organizadora do 13º Congresso Internacional da Rede Unida inicia nesta segunda-feira, (18/9), as inscrições de estudantes de graduação de todas as áreas do ensino para atuar como monitores no evento, que ocorre de 30 de maio a 02 de junho de 2018, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus.

Os interessados devem ficar atentos ao prazo para a realização da inscrição, que vai até o dia 20 de outubro de 2017, preencher o formulário eletrônico no link http://www.redeunida.org.br/pt-br/dashboard/monitoria/1, enviar carta de intenção e anexar os documentos exigidos conforme item 6 do Edital.

O presidente dessa edição do Congresso, Rodrigo Tobias, pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) destaca a importância da monitoria para o evento e reforça os benefícios que os alunos recebem ao participarem do congresso. “A monitoria é uma parte importante para a realização do congresso, pois é formada de alunos de graduação de diversas áreas do conhecimento que tem a oportunidade de participar e apoiar ações e atividades do evento em parceria com especialistas da área da saúde pública de âmbito nacional e internacional. Além disso, tem como benefício adesão diferenciada com relação a inscrição e apresentação de trabalhos científicos. Isso contribui sobremaneira para a construção de conhecimento mútuo desses monitores”, salientou Tobias.

Segundo uma das coordenadoras da Comissão de Monitoria do Congresso, Sônia Lemos, a participação dos alunos como monitores oportuniza o relacionamento não só com a produção do conhecimento, mas também os protagonistas desse conhecimento. “O Congresso da Rede Unida faz com que os estudantes de graduação tenham uma outra perspectiva da sua atuação profissional. Para os monitores de outros estados, essa é uma oportunidade de conviver com pessoas que ele não conhece e isso faz com que ele desenvolva uma série de habilidades de conhecimentos”, destacou Lemos.

Todas as normas e requisitos necessários para concorrer as vagas podem ser conferidas no edital, assim como os critérios de seleção dos monitores. A relação dos estudantes selecionados será divulgada no dia 15 de novembro de 2017 no site da Rede Unida.
Rede Unida, por Mirineia Nascimento

Edição – Ascom – ILMD/ Fiocruz Amazônia

Reunião entre Fiocruz Amazônia e UFOPA prevê parceria para formação de recursos humanos

Com o objetivo de aproximar o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), visando propiciar futuras parcerias na área de pesquisa e na formação de recursos humanos, representantes das duas Instituições reuniram-se na última quinta-feira (14/9), na sede do ILMD, em Manaus.

Participaram do encontro, o diretor do ILMD, Sérgio Luz, a vice-diretora de Ensino Comunicação e Informação, Claudia Ríos, a chefe do Serviço de pós-graduação, Rosana Parente, o coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), Paulo Nogueira, o pesquisador sênior, Carlos Coimbra, o diretor do Instituto de Saúde Coletiva (ISCO) da UFOPA, Waldiney Pires Moraes, e a diretora do Instituto de Biodiversidade e Florestas (IBEF) Elaine Oliveira.

Sergio Luz iniciou a reunião apresentando as áreas estratégicas da Unidade. A equipe da Fiocruz Amazônia destacou os cursos de pós-graduação nas áreas de ciências biológicas, saúde coletiva, turmas da pós-graduação Lato Sensu, ressaltando que cursos de especialização, aperfeiçoamento e atualização interessam para possíveis de parcerias com a UFOPA.

Durante a reunião, os pesquisadores destacaram a importância da área de Saúde Coletiva no ILMD, o Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação IOC-ILMD, e o doutorado em Saúde Pública. Sergio Luz ressaltou que “a ideia é estimular os alunos que estão no ILMD desde a Iniciação Científica para leva-los até o ingresso nos programas de mestrado e doutorado na instituição.

Os representantes da UFOPA demonstraram interesse no Mestrado em Saúde Coletiva da Fiocruz, pois na Universidade teria demanda de alunos já formados, interessados nesse mestrado. Há interesse ainda na colaboração em projetos, editais, etc.

Uma das sugestões da Fiocruz é ministrar uma disciplina na graduação, como teste, em Santarém. O próximo passo é fechar um evento de integração a partir de maio de 2017.

Pesquisa elucida relação entre HIV e acidentes cardiovasculares

Um grupo de pesquisadores vinculados a instituições de saúde e pesquisa nacionais e internacionais realizaram um estudo cujos achados lançaram luz sobre a relação entre o HIV e o alto índice de acidentes cardiovasculares entre os portadores do vírus. Os resultados da pesquisa foram publicados na Science Translational Medicine, no artigo Inflammatory monocytes expressing tissue fator drive SIV and HIV coagulopathy (30/8). Dentre os autores do trabalho, que teve repercussão internacional, está o pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno Andrade.

Na infecção pelo HIV, a inflamação persistente está ligada ao aumento do risco de complicações crônicas não infecciosas, como doença cardiovascular e tromboembólica. Por isso, muitas pesquisas nesta área são destinadas à melhor compreensão das vias inflamatórias e de coagulação na infecção pelo HIV, com a finalidade de otimizar o atendimento clínico.

No presente estudo, os pesquisadores identificaram um subtipo específico de monócitos (células de defesas do sangue) que expressam o fator tecidual (FT), que persistem mesmo após a supressão da carga viral e desencadeiam coagulação. Isto é, mesmo com o baixíssimo número de vírus em decorrência da terapia antirretroviral, o sistema imunológico do paciente com HIV libera ao longo do tempo tais monócitos, que se encontram expandidos e ativados, induzindo à coagulação persistente e inflamação crônica. Esses coágulos na circulação sanguínea, acabam gerando acidentes cardiovasculares.

Além disso, os pesquisadores também demonstraram que produtos microbianos provavelmente oriundos de translocação de microorganismos de superfícies de mucosas induzem a ativação destes monócitos no sangue de pacientes infectados. De maneira interessante, o grupo descobriu que os monócitos indutores de coagulação e inflamação também são capazes de reconhecer trombina, um produto da coagulação. O reconhecimento simultâneo de produtos microbianos e de trombina causa uma alça de amplificação que perpetua a coagulação e inflamação sistêmica na infecção pelo HIV, independente da eficácia de retrovirais.

Para chegar a essas conclusões, foi realizada uma série de experimentos em células de sangue de doadores saudáveis, assim como em populações de pacientes infectados com HIV antes da implementação da terapia antirretroviral e após o estabelecimento da supressão da carga viral induzida pelo tratamento. A equipe também realizou estudos em macacos e os achados validaram os resultados da pesquisa feita em infecções em humanos, ao mostrar que os monócitos inflamatórios que expressam FT foram associados à coagulação relacionada com o vírus da imunodeficiência símica (SIV), também conhecido como “Aids símia”.

Substância da saliva de carrapato tem potencial terapêutico

A Ixolaris, uma proteína anticoagulante encontrada na saliva de carrapatos do gênero Ixodes que inibe a via FT, foi testada no estudo e bloqueou potentemente a atividade do FT in vitro na infecção por HIV e SIV, sem afetar a função de defesa dos monócitos contra estimulação por produtos microbianos.

Surpreendentemente, o tratamento in vivo de primatas infectados com SIV com Ixolaris foi associado a diminuições significativas no D-dímero (que indica quadros de trombose) e ativação imune. Esses dados sugerem que os monócitos que expressam FT estão no epicentro da inflamação e coagulação na infecção crônica por HIV e SIV e podem representar um potencial alvo terapêutico para redução do risco da doença cardíaca relacionada ao HIV.

Fiocruz Bahia

 

Congresso Interno da Fiocruz e recursos para a pesquisa são assuntos do CD-ILMD/Fiocruz Amazônia

Conselheiros, chefes de laboratório, bolsistas e colaboradores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) participaram ontem, 12/9, no Salão Canoas, de Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo (CD/ILMD).

No encontro foram apresentados e deliberados os seguintes assuntos: Parceria entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o ILMD, Homenagem aos 23 anos do ILMD na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM),  Metas de Pesquisa, Alteração do Regulamento do Ensino/ILMD,  Programa Pesquisador Visitante – PPV/ILMD, e Regulamento de Uso do Laboratório Multiusuários.

Durante a Reunião, o diretor da Unidade, Sérgio Luz, reforçou a importância da participação da comunidade ILMD no VIII Congresso Interno da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Na oportunidade, foi lida a carta enviada pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, intitulada “A Fiocruz e o futuro do SUS e da democracia”, que contextualiza o momento singular da história do País e da instituição, com o ajuste fiscal adotado pelo governo que congelou por 20 anos os gastos primários, e do impacto negativo de iniciativas nas instituições públicas, em particular as dos campos da ciência, da saúde e da educação.

Na carta, estão definidas as diretrizes definidas pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz para o VIII Congresso Interno: o caráter político e propositivo, que trate dos desafios da conjuntura e aponte as ameaças ao futuro da ciência, tecnologia e inovação; o caráter transversal e integrador dos temas; e a adoção de um modelo de apresentação de teses a partir das principais questões identificadas como críticas para o desenvolvimento institucional e para a construção da Fiocruz do Futuro.

HOMENAGEM ALEAM

Na ocasião, foi confirmada a homenagem da Aleam, que aprovou por unanimidade, Sessão Especial em referência aos 23 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia e ao Ano Oswaldo Cruz: 100 anos de falecimento de Oswaldo Cruz. O requerimento de homenagem é de autoria do deputado Luiz Castro (Rede/AM).

A Sessão Especial acontecerá no próximo dia 22, às 9h, no Plenário Ruy Araújo, que fica na Av. Mário Ypiranga Monteiro, nº 3.950, Parque Dez, Manaus (AM). A homenagem é dirigida a toda comunidade ILMD/Fiocruz Amazônia, composta por servidores, alunos, bolsistas, terceirizados, prestadores de serviço e instituições parceiras.

INFORMES

Sérgio Luz convocou a comunidade ILMD/Fiocruz Amazônia para um encontro com o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Dr. Mário Neto Borges, que será realizado no dia 18/9, às 15h30, no Salão Canoas da Unidade.

Durante a reunião também foi abordada a formação de parceria com o CNPq, para apoio a projetos de pesquisa do Instituto.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

Estudo relaciona malformações congênitas ao uso de agrotóxicos

Com os dados levantados para o artigo Associação entre malformações congênitas e a utilização de agrotóxicos em monoculturas do Paraná, Brasil, os pesquisadores Lidiane Dutra e Aldo Pacheco Ferreira, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), trouxeram evidências de que o uso indiscriminado de agrotóxicos vem causando não só sérios danos à saúde do brasileiro, mas também sinalizando um grave problema de saúde pública.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Para entender melhor o estudo feito pelos pesquisadores, é importante destacar que o Paraná é o terceiro estado em produção agrícola no país, com 12,7%, ficando atrás do maior produtor, que é São Paulo, com seus 14,9%, e do Mato Grosso, com 13,9%, conforme dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo levou em consideração a produção de commodities agrícolas – produtos básicos como soja, trigo, milho, café, farelo de soja e etc., de grande consumo, cujo os preços são negociados na bolsa de valores e sua variação depende de oferta e demanda pelo produto. Em termos de produção agrícola no Brasil, ainda conforme os dados do IBGE, o Paraná é líder na produção de feijão (726 toneladas) e trigo (3,330 milhões de toneladas); é o segundo maior produtor de soja (17,2 milhões de toneladas) e milho (15,7 milhões de toneladas); é o quarto na produção de laranja (903 toneladas) e de cana de açúcar (47,3 milhões de toneladas).

USO DE AGROTÓXICOS

Segundo o estudo, das 20 unidades regionais (UR) do Paraná apresentadas, onze tiveram consumo de agrotóxicos acima de uma tonelada. Números que já seriam bastante preocupantes. Mas, os pesquisadores levantaram que a média de consumo dos agrotóxicos no estado da região Sul, entre 2014 e 2015, aponta Cascavel, com 5.107,46 toneladas; Ponta Grossa, com 3.526,73 toneladas, e Toledo, com 3.336,95 toneladas. Na seção Para saber mais, no site do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), podem ser encontrados dados como o consumo de agrotóxicos no Paraná por hectare e quilos.

Os pesquisadores decidiram, então, considerar duas URs para efeito de comparação: a da Cascavel (que abrange os municípios de Anahy, Boa Vista da Aparecida, Braganey, Cafelândia, Campo Bonito, Capitão Leônidas Marques, Cascavel,  Catanduvas, Céu Azul, Corbélia, Diamante d’Oeste, Foz do Iguaçu, Ibema, Iguatu, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Nova Aurora, Ramilândia, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste) e tem um alto consumo de agrotóxicos, e Francisco Beltrão (que compreende as cidades de Ampére, Barracão, Bela Vista da Caroba, Boa Esperança do Iguaçu, Bom Jesus do Sul, Capanema, Cruzeiro do Iguaçu, Dois Vizinhos, Enéas Marques, Flor da Serra do Sul, Francisco Beltrão, Manfrinópolis, Marmeleiro, Nova Esperança do Sudoeste, Nova Prata do Iguaçu, Pérola d’Oeste, Pinhal de São Bento, Planalto, Pranchita, Realeza, Renascença, Salgado Filho, Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste, Santo Antônio do Sudoeste, São Jorge d’Oeste e Verê), com baixo consumo.

O período escolhido para a pesquisa foi de 1994 a 2014. Eles também consultaram o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, para o mesmo intervalo de anos. As unidades regionais foram comparadas quanto ao número de nascimentos com malformações congênitas (MC). Destacamos, abaixo, alguns dados da tabela original elaborada pelos autores do artigo:

SEM FRONTEIRAS

Coordenadora do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológica (Sinitox), Rosany Bochner comentou o estudo realizado pelos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e comemorou: “utilizar malformações congênitas como um indicador desses efeitos foi uma ideia bastante interessante, ainda mais quando temos carência de informação sobre o impacto real dos agrotóxicos sobre a saúde e o meio ambiente”.

Além das malformações congênitas, o artigo de Lidiane Dutra e Aldo Pacheco Ferreira, que foi originalmente publicado na revista Saúde em Debate (volume 41 número especial | junho de 2017, uma publicação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes), aponta para vieses importantes da pesquisa causados pela exposição a agrotóxicos. A partir de estudos feitos na Espanha e na Itália, em comparação ao que foi produzido por eles, os autores deduzem que “muitos casos de malformação congênita resultaram em óbitos fetais e abortos espontâneos, o que tornaria os números relacionados com o desfecho estudado ainda maiores”. Para isso, eles sugerem que análises mais “aprofundadas acerca das causas das MC, como investigação genética, ajudariam a estabelecer com maior precisão os fatores ambientais envolvidos”.

Para Rosany Bochner, uma das observações do estudo que mais chamaram a sua atenção foi a que conclui que a exposição aos agrotóxicos e seus efeitos não se limita às regiões rurais. “Com o avanço do agronegócio, independentemente de regiões mais ou menos agrárias, a contaminação da população aumenta como um todo, de forma que as fronteiras agrícolas e os desdobramentos referentes a ela estão cada vez mais próximos dos centros urbanos, seja por meio de uma aproximação literalmente física ou dos contaminantes existentes na água, no ar ou nos alimentos ingeridos por essa população”, afirma. Mas, se isto é realidade, por que os números dos sistemas de saúde não refletem isto, ao contrário, apontam para uma redução?

CARÊNCIA DE DADOS

Para Lidiane Dutra e Aldo Ferreira, “o controle efetivo da exposição a esses pesticidas é muito pequeno e escasso no cenário brasileiro. Os dados referentes ao uso dos produtos não são sistematizados em bancos de dados informatizados para a grande maioria dos estados do país. Isso dificulta a mensuração do impacto da exposição ambiental desses produtos sofrida pela população”. Rosany Bochner concorda e é enfática ao afirmar que “há carência de dados sobre o consumo de agrotóxicos nos estados e os sistemas nacionais de informação não conseguem dar conta das intoxicações por agrotóxicos. O Sinitox vem apresentando uma queda importante na participação dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica em suas estatísticas, onde o decréscimo no número de casos não representa a realidade do impacto dos agrotóxicos sobre a saúde”, argumenta.

Ela também analisa os dados encontrados nos sistemas públicos de informação – o de Agravos de Notificação (Sinan) e o sobre Mortalidade (SIM). “Se o Sinan traz um número crescente de casos, há problemas quanto à classificação, uma vez que, por exemplo, se observa várias tentativas de suicídio em crianças de 0 a 4 anos! Já o Sistema de Informação sobre Mortalidade mostra o decréscimo no número de óbitos decorrentes de intoxicação por agrotóxicos no período de 2010 a 2015 (897; 891; 694; 672; 607 e 620 casos, respectivamente) – porém, o que mais do que indicar uma queda, sinaliza problemas no registro da causa básica do óbito. Um exemplo disso foi o caso do trabalhador VMS, do Ceará, que apesar de se tratar de uma morte por intoxicação causada pela exposição ocupacional ao agrotóxico, em sua declaração de óbito constava apenas os efeitos decorrentes desse agravo”, observa. O caso a que a coordenadora do Sinitox se refere foi analisado em seu artigo intitulado Óbito ocupacional por exposição a agrotóxicos utilizado como evento sentinela: quando pouco significa muito, publicado na revista eletrônica Visa em debate, do Institto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz). Neste artigo, Bochner afirma que “segundo o sistema, VMS seria mais uma vítima do agronegócio, que morre sem deixar vestígios da relação causal entre a exposição a agrotóxicos e o agravo à saúde”.

Leia entrevista sobre o estudo no site do Icict/Fiocruz.

Icict/Fiocruz, por Graça Portela

 

Fiocruz Amazônia recebe até 22/9 inscrições para pós-graduação que acontecerá em Tabatinga (AM)

Até o dia  22/9 podem ser feitas as inscrições para o Curso de Especialização em Vigilância em Saúde na Rede de APS na Tríplice Fronteira do Alto Solimões. O curso é vinculado ao Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Vigilância em Saúde, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), e  será ministrado no município de Tabatinga (AM), à margem esquerda do Rio Solimões, na fronteira com a Colômbia e o Peru.

As vagas são destinadas a profissionais de nível superior que exerçam atividades em unidades básicas de saúde, unidades de saúde da família, ou equivalente.

O curso tem duração de 12 meses, com  carga horaria de 440 horas, distribuídas entre disciplinas e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). As aulas ocorrerão em tempo integral – manhã e tarde  – em sistema modular, ou seja, uma semana por mês, de segunda a sábado.

Acesse aqui ao edital da Chamada Pública Nº 004/2017

O curso é resultado de parceria com Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (Susam), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), ​Assessoria de Assuntos Internacionais de Saúde do Ministério da Saúde (Aisa)Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Organização Panamericana de Saúde (Opas), Programa de Doenças Sexualmente TransmissíveisAids do Ministério da Saúde, e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

INSCRIÇÕES 

Antes de se inscrever o candidato deve ler com atenção o edital. As inscrições são  online  por meio da Plataforma SIGA no endereço eletrônico www.sigals.fiocruz.br. Dentre os documentos solicitados estão: formulário de inscrição preenchido, Carteira de Identidade Civil ou Militar ou Carteira do Conselho de Classe, CPF, Diploma do curso de graduação devidamente reconhecido pelo MEC, Certidão de casamento, Histórico Escolar do curso superior, e Declaração própria de que tem condições de frequentar o curso, durante os doze meses.

Após preenchimento, o formulário de inscrição deve ser impresso, assinado pelo candidato e encaminhado juntamente com toda documentação exigida em formato “PDF”, para o endereço eletrônico inscricaolato.ilmd@fiocruz.br

Informações sobre acesso ao sistema SIGA e preenchimento do formulário de inscrição podem ser solicitadas através do endereço eletrônico duvidaslato.ilmd@fiocruz.br

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: divulgação