Pesquisa descreve a distribuição epidemiológica das notificações de leishmaniose visceral no Brasil e a relação com fatores climáticos e ambientais em área de maior incidência no país

A leishmaniose visceral  (LV) é uma doença infecciosa sistêmica que compromete o fígado e o baço, além de ocasionar a perda de peso, fraqueza, redução da força muscular, anemia, dentre outras manifestações.

A doença, que tem como principal vetor o flebotomíneo Lutzomyia longipalpis, conhecido como mosquito palha e como agente etiológico, o protozoário, Leishmania infantum, é classificada como Doença de Clima Tropical Negligenciada, e está em franca expansão geográfica no Brasil.

O estudo intitulado “Fatores associados à distribuição epidemiológica e espacial das notificações de leishmaniose visceral, Brasil, 2001 a 2014” foi apresentado, no último dia 29/8, por Lisiane Lappe dos Reis, para obtenção do título de mestre pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), sob orientação da Prof.ª Dr.ª Maria Jacirema Ferreira Gonçalves.

A pesquisa teve como objetivos descrever a distribuição epidemiológica, espacial e temporal das notificações de leishmaniose visceral no Brasil, além de identificar as diferenças entre os períodos 2001 a 2006 e 2007 a 2014 e correlacionar fatores ambientais e climáticos com a taxa de incidência de LV no estado de Tocantins (maior incidência de LV no país, no período estudado).

Os resultados foram alcançados a partir da análise das notificações de LV e taxas de incidência agrupadas por estados, regiões e municípios brasileiros. Também foram analisados dados sociodemográficos, clínicos e evolução dos casos no conjunto dos anos e apresentados pelo número e percentual.

Foram notificados 47.859 casos de LV entre 2001 e 2014 no Brasil, com predomínio na macrorregião Nordeste, que também é a única a apresentar diminuição da taxa.

RESULTADOS E CONCLUSÕES

O estudo concluiu que no País, a LV está predominando na zona urbana e em menores de 4 anos, embora tenha ocorrido aumento em maiores de 40 anos no segundo período. Além de Tocantins, destacam-se novos focos na macrorregião Sul e leve decréscimo no Nordeste.

Constatou-se também que a LV é uma doença influenciada por variáveis climáticas e ambientais, as quais podem proporcionar condições ideais de desenvolvimento do vetor.

Tocantins apresentou a maior taxa bruta de incidência, o que contribuiu para o aumento da LV na macrorregião Norte. Neste estado, também foi identificada correlação significativa entre a taxa de incidência de LV e variáveis climáticas e ambientais, cuja tendência é linear e significativa.

O estudo apontou a expansão territorial da LV no Brasil, verificada no mapeamento da taxa bruta de incidência por município e da situação do registro de casos caninos autóctones e do vetor nos estados que não apresentam casos humanos autóctones. Em relação à distribuição temporal, esta mostrou estabilidade da taxa no Brasil, com diferenças regionais.

Da esquerda à direita: Miriam Rocha, Lisiane Reis, Jacirema Gonçalves e Jorge Augusto Guerra

Foram membros da banca os professores Dr. Jorge Augusto de Oliveira Guerra, Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), e  Dr.ª Miriam da Silva Rocha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

SOBRE O PPGVIDA

O PPGVIDA tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde (SUS) na Amazônia.

O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Marlúcia Seixas e  Eduardo Gomes