Pesquisadores da Fiocruz Amazônia desenvolvem método de diagnóstico molecular da infecção pelos arbovírus Mayaro e Oropouche

Método desenvolvido por pesquisadores do Instituto Leônidas e Marias Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebe aprovação de depósito de patente. Denominado Conjunto de oligonucleotídeos e método para o diagnóstico molecular da infecção pelos vírus Mayaro e Oropouche, a invenção é dos pesquisadores Felipe Gomes Naveca e Valdinete Alves do Nascimento

Com o novo método torna-se possível realizar o diagnóstico molecular da infecção pelos arbovírus Mayaro e Oropouche de maneira simultânea, com alta sensibilidade e especificidade, utilizando a técnica de PCR em Tempo Real.

Valdinete Nascimento e Felipe Naveca. Foto: Eduardo Gomes

Valdinete Nascimento e Felipe Naveca. Foto: Eduardo Gomes

Segundo Naveca, o método já está em uso e o protocolo tem sido utilizado para o estudo de casos humanos suspeitos, mas não confirmados, de Dengue, Zika e Chikungunya, tanto em projetos coordenados por pesquisadores do ILMD, quanto em projetos coordenados por pesquisadores de outras instituições parceiras.

“Temos novos resultados já obtidos com a utilização do protocolo, os quais foram informados ao sistema de vigilância em saúde e estão em fase de redação dos artigos científicos. Fomos contatados por algumas empresas que demonstram interesse pela invenção, estamos conversando”, acrescentou o pesquisador.

OBJETIVOS

A proposta é que o invento se torne uma nova ferramenta na identificação de casos de febre Mayaro e Oropouche, utilizando uma estrutura já existente nos laboratórios centrais dos estados brasileiros.

A ferramenta utiliza estrutura já existente nos laboratórios centrais. Foto Eduardo Gomes

A ferramenta utiliza estrutura já existente nos laboratórios centrais. Foto Eduardo Gomes

Naveca explica que arbovírus são vírus transmitidos por artrópodes como, por exemplo, o vírus da dengue, transmitido principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Existem centenas de arbovírus conhecidos, destes, mais de 30 foram identificados infectando seres humanos.

“Esses números nos mostram que existe o risco de outros vírus se tornarem um importante problema de saúde pública. De fato, a emergência e o avanço epidêmico dos vírus Chikungunya e Zika nos últimos anos, é uma prova irrefutável desse risco. Por este motivo o sistema de vigilância em saúde deve ser dotado de diversas tecnologias, as quais permitam identificar os casos de infecções por vírus emergentes de maneira rápida e confiável”, disse.

O projeto teve como escopo desenvolver e validar estratégias para a detecção de dois arbovírus emergentes e de importância médica, em especial na região Amazônica e foi financiado pelo edital 012/2009 do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores Programa Primeiros Projetos (PPP-CNPq/Fapeam).

PERSPECTIVA

O pesquisador salienta que a experiência com o depósito do pedido de patente permitiu aos pesquisadores reavaliar o potencial de outras invenções desenvolvidas por seu grupo de pesquisa, e adianta que em breve devem ocorrer novos pedidos de patentes, sempre com o foco de inovação para o SUS.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
46 respostas
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