Pesquisador destaca importância de estudos sobre envenenamento por animais peçonhentos

“Apesar de frequentes e muitas vezes levarem a quadros graves, os casos de envenenamento por animais peçonhentos são problemas de saúde negligenciados pelos pesquisadores e acima de tudo pela indústria farmacêutica”, destacou o Dr. Welton Monteiro, professor do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) durante edição do Centro de Estudos do ILMD, realizado nesta sexta-feira 5/5.

A apresentação teve o objetivo de expor resultados de estudos clínicos sobre envenenamentos por animais, que são muito prevalentes na Amazônia Brasileira, dentre os quais podem ser citados: o ofidismo (acidentes por serpentes), escorpionismo, araneísmo, acidentes por arraias e por alguns insetos, como as taturanas ou lagartas de fogo e os potós.

A Bothrops Atrox (Jararaca) é responsável por 90% dos acidentes por serpentes na Amazônia. (Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

A Bothrops Atrox (Jararaca) é responsável por 90% dos acidentes por serpentes na Amazônia. (Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

Entre as dificuldades enfrentadas no tratamento, o pesquisador destacou o atraso no atendimento como grande fator de risco para a evolução com sequelas e para a mortalidade. “O soro, para alguns destes problemas, é o único tratamento específico e eficaz, mas o atraso na sua administração é o que na maioria das vezes se relaciona com casos graves e fatais”, explicou.

Na ocasião, Monteiro ressaltou também a importância da qualificação profissional, visando a melhoria do atendimento.  “Os profissionais de saúde, muitas vezes por um problema de formação, não sabem muito bem como lidar com o tratamento destes problemas. Além disso, no interior os serviços de saúde não dispõem de condições adequadas para atender estes pacientes, que em alguns casos demandam UTI e tratamento cirúrgicos especializados”, explicou.

(Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

(Foto: Paulo Bernarde / UFAC)

A FMT-HVD, em parceria com instituições nacionais, incluindo o Instituto Butantan e o ILMD/Fiocruz Amazônia, vem tentando preencher as lacunas de conhecimentos que ainda são muitas nessa área, bem como vem investindo na formação de pessoal qualificado para atuar na pesquisa e assistência dos pacientes.

SOBRE O PALESTRANTE

Wuelton Monteiro é graduado em Farmácia-Bioquímica e mestre em Análises Clínicas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), doutor em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Universidade do Estado do Amazonas (UFAM). Em 2016, foi credenciado como docente do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Atualmente é pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), onde atua na Gerência de Malária, desde 2011. É também professor adjunto da disciplina de Epidemiologia dos cursos de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Wuelton é coordenador, membro do corpo docente permanente e professor das disciplinas de Epidemiologia, Bioestatística, Acidentes por Animais Peçonhentos e Diagnóstico Laboratorial das Parasitoses Humanas, dos cursos de mestrado e doutorado em Medicina Tropical, da UEA/FMT-HVD. A

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

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