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Palestra do Centro de Estudos abordará pesquisas sobre bioprospecção de plantas

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 13/7, a partir de 9h, na Sala 2, prédio anexo do Instituto, a palestra “Bioprospecção de Plantas, seus fungos e seus calos… o que são, o que produzem?”, a ser ministrada por Cecilia Nunez, tecnologista Senior do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A apresentação abordará estudos desenvolvidos pela pesquisadora no Inpa, na área de bioprospecção de plantas.

SOBRE A PALESTRANTE

Cecilia Nunez é graduada em Química pela Universidade Mackenzie, mestre e doutora em Química Orgânica (Produtos Naturais) pela Universidade de São Paulo (1996), possui pós-doutorado em Química Orgânica (Produtos Naturais) pela Universidade de São Paulo – São Carlos, e pós-doutorado em Farmacognosia pela Université de Lille-2, Droit et Santé, França.

Atualmente é Tecnologista Senior do Inpa e professora/orientadora permanente dos Programas de Pós-Graduação em Biotecnologia (UFAM/Inpa), Biotecnologia – (UEA/Inpa) e Botânica – (Inpa), além de ser professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Química – (UFAM/Inpa).

Possui experiência nas áreas de Biotecnologia Vegetal e Química de Produtos Naturais, atuando principalmente nos seguintes temas: bioprospecção de plantas e de micro-organismos endofíticos, biotecnologia vegetal (obtenção de calos/cultura de células vegetais/suspensões celulares), fracionamento biomonitorado, atividade antioxidante, atividade antimicrobiana, atividade citotóxica, atividade inseticida, metodologia de separação cromatográfica, identificação/elucidação estrutural de moléculas por RMN, análise de misturas por RMN e fotoionização de produtos naturais.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Imagem: Mackesy Nascimento

Pesquisadores da Fiocruz descrevem nova espécie de parasito

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) descreveram uma nova espécie de parasito, identificada em uma espécie de gambá que habita a Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Por trás do nome escolhido – Trypanosoma janseni – está uma homenagem à carreira da pesquisadora Ana Maria Jansen, chefe do Laboratório de Biologia de Tripanossomatídeos do IOC, que se destaca pelas contribuições científicas no estudo de mamíferos. Os autores da descoberta afirmam que, com esse gesto, é reconhecido “o mérito de uma pesquisadora que  se esforçou de forma persistente e minuciosa para investigar todos os fatores possíveis envolvidos no complexo ciclo de vida do Trypanosoma”, conforme destaca trecho do artigo no qual descrevem a nova espécie, publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

DESCOBERTA

Situado no conjunto dos protozoários, o grupo dos tripanossomatídeos reúne uma ampla gama de espécies capazes de parasitar pessoas, insetos e mamíferos. O trabalho de investigação das múltiplas possibilidades de interação entre parasitos e hospedeiros pode ser comparada à montagem de um grande quebra-cabeças. Empenhados neste desafio, pesquisadores do IOC desenvolvem estudos sobre o ciclo de vida dos tripanossomatídeos, que dependem de diferentes hospedeiros o seu desenvolvimento. O estudo que levou à identificação do T. janseni foi realizado no âmbito da Pós-graduação Stricto sensu em Biologia Parasitária do IOC.

As amostras dos espécimes identificados como uma nova espécie foram coletadas em 2012. Os protozoários estavam parasitando o baço e o fígado de gambás (Didelphis aurita) recolhidos durante trabalho de campo em área de Mata Atlântica, no Rio de Janeiro. Segundo o pesquisador André Roque, um dos autores da descoberta, a definição da nova espécie foi feita com base em análises morfológicas e genéticas. “Uma nova espécie pode ser definida por um conjunto de características. Morfologicamente, as formas de T. janseni no estágio de epimastigota se assemelham a outros tripanossomatídeos já conhecidos, exceto pela presença de uma organela de membrana simples observada através de microscopia eletrônica”, explicou o veterinário, que atua no Laboratório de Biologia de Tripanossomatídeos do IOC.

A descoberta é o pontapé inicial para a compreensão do papel da espécie recém-identificada na ecologia dos tripanossomatídeos. Ainda serão necessários estudos complementares para esclarecer características como o ciclo de vida e os impactos que o T. janseni pode oferecer para a saúde pública. A descrição do T. janseni também contou com a participação de Camila Madeira Lopes (Laboratório de Biologia de Tripanossomatídeos), Rubem Menna-Barreto (Laboratório de Biologia Celular), Márcio Galvão Pavan (Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários) e Mirian Cláudia de Souza Pereira (Laboratório de Ultraestrutura Celular).

TRAJETÓRIA RECONHECIDA

A carreira científica de Ana Maria Jansen começou na década de 1960, durante a graduação em medicina veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). “Ainda na faculdade, teve início o meu interesse pela parasitologia, esse campo de estudo da interação entre criaturas tão diferentes. A parasitologia é o estudo de uma vida dentro de outra vida. Entender como esse convívio mútuo se dá era algo absolutamente fascinante”, ressalta Jansen. Após a formatura como médica veterinária, iniciou a trajetória científica como bolsista em atividades de pesquisa junto à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Após esse período, fez uma breve pausa na carreira para se dedicar à família.

Na década de 1980, quando o IOC passava por reestruturações lideradas pelo então diretor, José Rodrigues Coura, uma das medidas implementadas foi a captação de talentos para compor o quadro de pesquisadores da instituição. Neste contexto, a cientista Maria Deane, considerada hoje uma das mais renomadas parasitologistas do país, assumiu a chefia do Departamento de Protozoologia. Partiu dela o convite para que Ana Jansen se juntasse ao grupo. “Ela era uma pessoa com muita intuição científica. Ao longo da nossa parceria, eu tive o prazer de participar de uma descoberta única sobre a biologia do Trypanosoma cruzi, parasito causador da doença de Chagas: nosso grupo, liderado por Maria Deane, identificou e descreveu a capacidade que o parasito tem de se esconder nas glândulas de cheiro do gambá”, rememora Ana Jansen. A parceria durou cerca de 15 anos e apenas se encerrou com o falecimento de Maria Deane, em 1995.

Desde então, Ana Jansen assumiu o desafio de chefiar o Laboratório de Biologia de Tripanossomatídeos, onde se dedica à pesquisa em laboratório e em campo. Segundo a cientista, ao longo dos anos, o estudo deste amplo grupo de parasitos foi expandido graças à colaboração de profissionais com diferentes perspectivas e linhas de atuação. “Ampliamos as nossas pesquisas para investigar variadas características desse complexo conjunto de parasitos. Voltamos o olhar para o campo, passamos a estudar a interação dos tripanossomas com outros mamíferos e a investigar a saúde dos animais analisados”, enumera.

Nem tudo foi simples na carreira da cientista. Durante estudos com gambás para a investigação do ciclo de transmissão de parasitos, ela foi envolvida de um processo judicial a partir de uma denúncia infundada – a despeito da finalidade de investigação em saúde pública e dos cuidados de acordo com os preceitos de bem-estar animal. O caso, que correu ao longo de anos, foi arquivado e a pesquisadora foi declarada inocente. O episódio não foi capaz de deter a carreira exitosa da pesquisadora, que publicou mais de 130 artigos científicos e orientou mais de 80 estudantes, da iniciação científica ao pós-doutorado. “A atividade de docência representa uma parte muito importante na minha trajetória. A parceria com os orientandos expande horizontes a partir da troca de conhecimento. Quando você sente que a pessoa que está ao seu lado é um bom parceiro de trapézio, e a ciência funciona mais ou menos assim, a pesquisa só tende a ganhar”, relata a pesquisadora, que atua no corpo docente do Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária do IOC.

SOBRE OS TRIPANOSSOMATÍDEOS

Tripanossomas são parasitos obrigatórios capazes de infectar vertebrados. Estão distribuídos em todo o mundo. Em geral, o ciclo de vida desses protozoários alterna entre os hospedeiros vertebrados, como os seres humanos, por exemplo, e uma variedade de hospedeiros invertebrados que atuam como vetores, como os barbeiros, insetos vetores da doença de Chagas. Entre as espécies que representam desafios para a saúde pública e para a economia dos países estão o Trypanosoma cruzi, que é responsável pela doença de Chagas na América do Sul e em outras partes do mundo, e o T. brucei, causador da tripanossomíase africana humana e animal.

No Laboratório de Biologia de Tripanossomatídeos do IOC são realizados estudos sobre aspectos macro e microecológicos que interferem na interação destes parasitos com seus hospedeiros e vetores. A identificação dos elos envolvidos na cadeia de transmissão dos tripanossomas contribui para subsidiar a vigilância epidemiológica e o controle de agravos.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha
Imagem: Rubem Menna-Barreto

Pesquisa avalia eficácia de medicamento para pé diabético

“Avaliação da eficácia e segurança do fator de crescimento epidérmico recombinante (FCEhr) intralesional em participantes com úlcera de pé diabético no Brasil”. Assim foi batizado o protocolo de pesquisa clínica conduzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), que deverá envolver 304 participantes ao longo dos próximos seis meses. A iniciativa tem por objetivo avaliar a resposta dos pacientes brasileiros com diabetes e úlcera nos membros inferiores, caracterizando o quadro de pé diabético, ao medicamento cubano Heberprot-P®. Ao longo de oito semanas, metade desses 304 participantes da pesquisa receberá no mínimo 18 aplicações, por três vezes a cada semana, do produto. A outra metade, 152 participantes, receberá placebo.

A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Pedrosa, será a investigadora principal (PI, na sigla em inglês) do trabalho. De acordo com ela, o pé diabético é uma das complicações crônicas que provoca grande impacto nos custos e na qualidade de vida dos pacientes diabéticos. O recente estudo, Annual Direct Medical Costs of Diabetic Foot Disease in Brazil: A Cost of Illness Study, indica que nos países em desenvolvimento, 25% dos diabéticos desenvolverão pelo menos uma úlcera do pé durante a vida, ou seja, uma pessoa entre quatro terá problema nos pés, desencadeados pela Neuropatia e complicados por Doença Arterial Periférica e Infecção, resultando em amputações.

O trabalho é baseado na população com diabetes em 2014 (9,2 milhões de pessoas), abaixo da atual, cerca de 13 milhões (IDF, 2017), e estima 43.726 pacientes com úlceras no pé, metade com infecção, e 22.244 pacientes com diabetes mellitus foram hospitalizados para procedimentos relacionados a Pé diabético. O custo total com esta complicação totalizou US$ 361 milhões, e o custo médio mais alto foi entre aqueles submetidos a amputação. Em recente publicação da Associação Americana de Diabetes, de maio, as complicações mais onerosas são a doença arterial periférica e as neurológicas.

Úlcera do pé diabético

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pé diabético é a “situação de infecção, ulceração ou também destruição dos tecidos profundos dos pés, associada a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica, nos membros inferiores de pacientes com diabetes mellitus”. O comprometimento dos nervos periféricos dos pés e pernas, a Neuropatia diabética, decorre do excesso de glicose circulante no sangue, hiperglicemia, não controlada ao longo dos anos, e provoca perda da sensibilidade dos pés associada a deformidades semelhantes às que ocorrem na Hanseníase. Úlceras em pés de pessoas com diabetes são de difícil cicatrização, principalmente quando se instala  infecção.

Portanto, mesmo pequenos ferimentos nos pés desses pacientes podem se tornar um problema grave, levando– 40 mil por ano, no Brasil – à necessidade de amputação. Daí a importância de opções terapêuticas que colaborem para a cicatrização das úlceras, sobretudo se há neuropatia e má circulação, considerando-se que há aproximadamente 830 mil pessoas com esses problemas, segundo o estudo de 2014.

Hermelinda lembra que a descontinuidade das políticas públicas colabora para estes números, pois projeto iniciado de forma pioneira pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Distrito Federal, o “Salvando o Pé Diabético”, foi implementado na década de 1990 e contribuiu para a redução de 78% nas amputações. Os resultados fizeram com que o projeto se estendesse a outros estados, e até 2004 havia mais de 70 ambulatórios de Pé diabético na maioria dos estados brasileiros, após capacitação de médicos e enfermeiros, obtendo ainda reconhecimento internacional.

O Heberprot-P® é uma alternativa para diminuir as internações prolongadas e aos desafios trazidos pela descontinuidade das políticas, com a inexistência de uma linha de tratamento padrão. Criado no Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), em Havana, Cuba, o medicamento é aplicado no sistema de saúde cubano desde 2007, como parte do programa de assistência primária aos pacientes com úlcera diabética do país caribenho. Lá, seu uso foi aprovado após estudos com mais de quatro mil pacientes participantes. Desde o início de seu uso, os casos de amputação foram reduzidos em mais de 80%.

A pesquisa conduzida por Bio-Manguinhos/Fiocruz poderá confirmar se seu uso realmente acelera a cicatrização de úlceras profundas e complexas, tanto neuropáticas quanto isquêmicas, dos pacientes brasileiros com úlcera do pé diabético.

TRABALHO ABERTO À COLABORAÇÃO

Para pactuar como a pesquisa clínica será conduzida, Bio-Manguinhos/Fiocruz recebeu em meados de junho profissionais do Hospital Regional de Taguatinga (DF), da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, do Hospital Universitário Agamenon Magalhães (PE), da Universidade Federal da Paraíba, do Hospital de Servidores do Estado do Rio de Janeiro, do Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) e também do laboratório que desenvolveu o produto, o CIGB cubano.

O diretor do Instituto, Mauricio Zuma, lembrou a todos sobre a importância do estudo, que poderá beneficiar milhares de pessoas, e agradeceu aos profissionais pela parceria na captação e acompanhamento dos participantes do estudo. Coordenadora da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Maria de Lourdes de Sousa Maia, lembrou que o trabalho junto aos 304 participantes terá de obedecer ao cronograma de seis meses, já que o trabalho está organizado a ter seu início, sustentação e conclusão.

Ela ressaltou ainda a importância de dialogar e esclarecer às associações de pacientes sobre a importância da empreitada. “Eles precisam ter a dimensão de que vamos iniciar este estudo clínico. Fazer a divulgação nos estados, envolver as equipes de Saúde da Família, empoderar, abrir as portas para a colaboração de novos atores”, destacou.

Hermelinda afirma que as atuais opções de tratamento em uso não conseguiram recomendação forte pela qualidade baixa das evidências e o Heberprot® é considerado, na revisão sistemática de 2016 pelo IWGDF (International Working Group on the Diabetic Foot), o qual ela representa no Brasil, “uma medicação promissora mas que requer um estudo de melhor desenho”. Por isso, o protocolo do estudo contou com a participação de experts internacionais do tema, William Jeffcoate e Fran Game, além da equipe brasileira.

“Há expectativa de que este estudo encontre respostas para questões até agora não respondidas nas pesquisas realizadas em Cuba. A perspectiva de ter um produto para acelerar a granulação e também promover o fechamento da úlcera de forma integral pode resultar em ganhos econômicos e sociais, com impactos diretos e indiretos sobre o Sistema Único de Saúde”, aposta Hermelinda.

Segundo o cronograma, os resultados completos podem estar disponíveis em cerca de um ano e meio. “São seis meses para obter os dados de cada participante. No entanto, o estudo tem alta complexidade de inclusão e exclusão de participantes, provenientes de um segmento de pacientes de difícil acompanhamento e o prazo pode ter de ser estendido”, concluiu Hermelinda.

 Bio-Manguinhos/Fiocruz, por Paulo Schueler

Fiocruz lança selo em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS)

Em alusão aos 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), completos em 2018, o serviço de Multimeios do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) lançou o selo Aqui Somos SUS, em parceria com a Coordenação de Comunicação Social (CCS/Fiocruz). A arte traz o slogan Aqui Somos SUS e a logomarca do Sistema Único de Saúde destacada dentro de um balão de localização, nas cores azul e cinza.

O mote é fortalecer a imagem do SUS, podendo ter aplicações em espaços físicos, produtos, serviços e iniciativas realizadas nos âmbitos federal, estadual e municipal. “A ideia é não apenas divulgar o SUS, mas assumir que somos parte dele. A Biblioteca de Manguinhos, por exemplo, é uma produção do SUS. Não se trata apenas das mazelas que os meios de comunicação tentam mostrar todos os dias. O SUS é muito mais do que isso”, defende o diretor do Icict/Fiocruz, Rodrigo Murtinho.

Dessa forma, a Fiocruz já vem utilizando o selo em suas unidades, peças de divulgação de atividades técnico-científicas, publicações e também nos sites institucionais como o Portal Fiocruz e a Agência Fiocruz de Notícias. Também pode ser utilizada pelas unidades e instituições parceiras, incluindo projetos e programas interinstitucionais, além de estar à disposição de trabalhadores da saúde, estudantes e demais interessados.

O uso está disponível em acesso aberto, desde que respeitadas as regras de aplicação. Foi criada uma área do Portal Fiocruz para disseminação do selo, onde estão disponíveis o manual de aplicação e os arquivos para download, nos formatos PDF ou vetorial. “O selo foi elaborado de modo a não interferir na compreensão das mensagens das peças gráficas onde será aplicado”, explica a designer Patrícia Ferreira, chefe do Multimeios.

O selo Aqui Somos SUS está disponível no Portal Fiocruz.

 Icict/Fiocruz, por André Bezerra

Condições de vida e saúde em unidade de conservação será tema do Centro de Estudos do ILMD

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 20/6, a partir de 9h, na Sala 101, 1º andar, na sede do Instituto, a palestra “Condições de vida e de saúde no contexto de uma unidade de conservação ambiental de uso sustentável na Amazônia brasileira”, a ser ministrada por Marcílio Sandro de Medeiros, pesquisador da Fiocruz Amazônia.

A palestra abordará as condições de vida e saúde de ribeirinhos, no âmbito de unidade de conservação ambiental de uso sustentável na Amazônia brasileira. O baixo envolvimento dos ribeirinhos em relação ao controle social e ao apoio comunitário, e as possíveis conseqüências de problemas na interação biocomunal e política serão alguns dos tópicos abordados na apresentação.

O intuito é promover o debate sobre como o Estado brasileiro tem estruturado a política de áreas protegidas e assegurado os bens e serviços sociais, em especial aqueles relacionados ao acesso dos serviços públicos de saúde às populações ribeirinhas, nesses territórios.

SOBRE O PALESTRANTE

Marcílio é Doutor em Direitos Humanos, Saúde Global e Políticas da Vida em co-tutela pelo Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

É pesquisador na área de saúde e ambiente da Fiocruz Amazônia. Atua nas seguintes subáreas da Saúde Coletiva: atenção à saúde dos povos dos campos, florestas e águas, vigilância da saúde ambiental, sistema de informação e magistério do ensino superior.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Arquivo do Pesquisador

Fiocruz vai produzir mais de 8 milhões de cápsulas de Oseltamivir

A chegada do inverno traz a preocupação com uma possível epidemia de influenza, mais conhecida como gripe. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 3.122 casos em todo o país até 16 de junho, levando 535 pessoas ao óbito. Do total, 1.885 notificações e 351 mortes foram por H1N1.

Para enfrentar este cenário, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) finaliza a produção de mais de 8 milhões de cápsulas do antiviral Oseltamivir 75 mg, considerado o mais eficiente contra a enfermidade. A unidade ressalta que o medicamento não substitui a vacina contra a gripe que, por sua vez, está disponível em todos os postos de saúde do país até a próxima sexta-feira (22/6).

Ao todo, serão disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS) 867.650 tratamentos de Oseltamivir 75 mg para pessoas acima de 40 quilos. Farmanguinhos/Fiocruz produz ainda o medicamento na concentração 45 mg, voltado para crianças entre 15 e 23 quilos. Além disso, a unidade trabalha no desenvolvimento de uma nova formulação de 30 mg, destinada a crianças abaixo de 15 quilos, além de cobrir também a faixa de peso entre 23 e 40 Kg, com a administração de duas cápsulas.

“No momento, temos a etapa de desenvolvimento tecnológico do medicamento concluída, e estamos iniciando os estudos de bioequivalência frente ao produto de referência, de modo a avaliar a disponibilidade do medicamento no organismo do ser humano. Finalizados todos os testes, podemos solicitar registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, explica Graça Guerra, gerente do projeto na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico da unidade. Segundo ela, a previsão é de que, em 2019, Farmanguinhos/Fiocruz entre com pedido de registro junto ao órgão regulatório.

PRODUÇÃO EMERGENCIAL

O Instituto demonstrou mais uma vez sua missão estratégica para o país em 2009, quando, no auge da pandemia da influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína, a unidade desenvolveu o Oseltamivir e, com a obtenção do registro na Anvisa, produziu 2,1 milhões de cápsulas em caráter emergencial. Ao longo desses anos, Farmanguinhos fabricou mais de 50 milhões de unidades farmacêuticas do antiviral. Atualmente, tem capacidade instalada para produzir até cinco milhões de cápsulas do medicamento por mês.

 Farmanguinhos/Fiocruz, por Alexandre Mattos

Fundação Bill and Melinda Gates anuncia na Fiocruz financiamento para eliminar malária

“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Sue Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.

Sue esteve pela primeira vez no Brasil como CEO da Gates e visitou a Fiocruz, na última terça-feira (19/6), para anunciar um investimento de US$ 600 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) para acelerar os esforços para eliminação da malária no Brasil. Além disso, Sue e sua equipe participaram de reuniões e visitas a projetos da Fiocruz já apoiados pela Fundação.

A tafenoquina é a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, tipo prevalente em 90% dos casos no Brasil, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.

A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

É o que estamos vivendo agora nas Américas, uma ressurgência após uma década de queda. Toda a região registrou aumentos da malária no último ano – no Brasil, os casos cresceram 50%. A atual crise de saúde pública na Venezuela resultou num grande aumento de casos dentro do país, o que gera mais preocupações para as fronteiras de toda a América Latina. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 216 milhões de casos de malária no mundo e 445 mil mortes em 2016.

Lacerda esclarece que as causas do retorno da doença não são totalmente claras e podem ser influenciadas por muitos fatores. No entanto, o desinvestimento e o desmantelamento de programas após o controle da doença são citados como fatores que contribuem para que ela retorne ainda pior. “Por isso, precisamos entender a importância de eliminar a malária”, defendeu Cássio Peterka, representante do Ministério da Saúde e do Programa Nacional contra Malária.

O pesquisador também defende que se passe do controle à eliminação como meta. Apesar de parecer inalcançável, ele acredita que este objetivo pode ser atingido em alguns anos, com esforços e investimentos para tal. “Já reduzimos muito o mapa da malária”, lembrou o pesquisador, ao demonstrar que em 1950 a doença era endêmica em quase todo território nacional e agora está concentrada apenas na região amazônica. Na semana passada, o Paraguai foi declarado um país livre de malária pela OMS. É o segundo país do continente a conseguir esse reconhecimento. Cuba está livre da doença desde 1973.

“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.

Apoio à inovação

Outro foco da visita da Sue Hellmann à Fiocruz foi o acompanhamento de projetos co-financiados pela Fundação. A cooperação entre as duas instituições teve início em 2008 e incluiu temas como tuberculose, vacinas e outros temas de saúde pública. Ela também aproveitou para conhecer o campus de Manguinhos e o Castelo da Fiocruz, pelo qual se encantou. “Estou muito impressionada com a Fiocruz e com a história de Oswaldo Cruz. Como cientista, eu amo a ciência e nada melhor do que um castelo para celebra-la”, afirmou Sue.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia e alguns resultados da iniciativa World Mosquito Project (WMP) no Brasil. O programa está presente em 12 países e é financiado pela Fundação Gates.

O método permite a redução da incidência de doenças cujo transmissor é o Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, através da introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia em ambientes com alta prevalência de mosquitos. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, estes vírus não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão. Além disso, o método tem sustentabilidade comprovada, já que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes.

No Brasil, o método ganhou escala após uma fase piloto devido à necessidade de resposta rápida as crises de zika, chikungunya e dengue no Rio de Janeiro e em Niterói. Em novembro de 2016 teve início a expansão em larga escala para 28 bairros de Niterói, que abrangem 270 mil pessoas. Atualmente, em Niterói, 13 bairros recebem a segunda rodada de liberação de mosquitos. No Rio de Janeiro, a liberação em larga escala começou em de agosto de 2017, com a previsão de atingir 90 bairros, nos quais vivem 2,5 milhões de habitantes. Na etapa atual, 28 bairros do Rio de Janeiro, com 886 mil habitantes, recebem os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

Alguns projetos contemplados pelo Grand Challenges, co-financiado pela Fundação Gates, também forma apresentados. O Grand Challenges é uma série de iniciativas que promovem a inovação para resolver os principais problemas globais de saúde e desenvolvimento. No Brasil, foram lançadas duas chamadas para o desafio, em 2013 e 2014, com o tema saúde materno-infantil e 21 projetos foram contemplados. Em 2018, duas novas chamadas foram lançadas e os projetos estão em análise.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia

Selecionado na primeira chamada, o projeto de José Simon, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), busca desenvolver um leite humano enriquecido com o próprio leite humano. Para isso, criou-se um leite humano congelado e desidratado (liofilizado) que pode melhorar a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso, ou seja, bebês que nascem com menos de 1500g. O projeto deve lançar seus primeiros resultados em breve na revista Plos. As evidências indicam que o método é seguro, de baixo custo e fácil de ser implementado em na rede de bancos de leite do Brasil. A partir de agora, a pesquisa deve iniciar sua fase de testes clínicos.

Outro projeto apresentado foi a coorte dos 100 milhões de brasileiros, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz). A pesquisa trabalha com grandes bases de dados, como o Cadastro Único para programas sociais, para analisar como políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, podem interferir em variáveis de saúde, como mortalidade infantil. A importância desse projeto é que ele provê uma escala muito maior para pesquisas, além de possibilitar recortes em subpopulações e múltiplas interações.

O Cidacs/Fiocruz participou de uma chamada do Grand Challenges Brasil como provedor de dados, disponibilizando a Coorte de 100M Sinasc-SIM. Além disso, ele é um exemplo de boas práticas de proteção de dados para pesquisas em saúde no país, podendo se tornar referência após a aprovação de uma legislação de dados pessoais no país. Atualmente, estão em discussão no país dois projetos de lei para regular esse tema, que se encontra em um vazio legal. “A Fiocruz tem a possibilidade de assumir esse papel de guardiã e curadora de um patrimônio de dados em saúde”, explicou Maurício Barreto, pesquisador do projeto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Julia Dias.
Fotos: Pedro Linger

Formulação da hipótese na ciência é discutida durante palestra na Fiocruz Amazônia

Com o tema “In science there is no correct answer”, a palestra do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), apresentada nesta quarta-feira, 20/6, por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), abordou a importância da formulação da hipótese na ciência.

Para o palestrante, a atividade é uma oportunidade de debater relevantes aspectos que devem ser considerados sobre as perguntas e respostas encontradas no desenvolvimento da pesquisa científica.“A ideia é promovermos uma reflexão sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de pontuar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado”.

Na tradução, o título da palestra significa “Na ciência não há resposta correta”,  uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.

“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes

Evento debate abertura de dados para pesquisa na Fiocruz

O evento Abertura de dados para pesquisa na Fiocruz: perspectivas de um novo paradigma da Ciência reuniu (15/6) pesquisadores, gestores e estudantes e marcou o início das discussões sobre Ciência Aberta com a comunidade da instituição. Durante o encontro, que aconteceu no auditório do Museu da Vida, no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi apresentado o Termo de Referência, documento produzido pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta (GTCA) com objetivo de subsidiar o debate sobre o tema e orientar o processo que resultará na implementação de uma nova política de abertura de dados para pesquisa na Fiocruz.

“Essa é uma discussão que está na porta e o que temos que fazer é ter uma discussão madura do nosso papel nesse processo”, explicou o vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), Manoel Barral, que conduziu a abertura do evento a partir da visão estratégica da Fiocruz sobre a abertura de dados para pesquisa.

Coordenadora de Informação e Comunicação da Vpeic/Fiocruz e também do GTCA, Paula Xavier apresentou um panorama da abertura de dados, conceitos, desafios e seus impactos no processo científico. “Alguns estudos comprovam que 80% do tempo da pesquisa é dedicado a organização dos dados. Essa capacidade de reuso em novos contextos e pesquisas futuras é profundamente importante”, apontou Paula, que defendeu ainda que o debate aconteça de forma ampla na Fiocruz.

Paula lembrou que a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, em vigor na Fiocruz desde 2014, significou um salto na sistematização da produção científica da instituição. “Fomos desafiados a pensar na ampliação do acesso aberto agora também com a abertura de dados”, pontuou, lembrando da realização do Livro Verde, pelo GTCA, publicação que mapeou países protagonistas na discussão e apresenta um amplo panorama sobre o assunto. “A gente não quer se posicionar só por pressões externas, é importantes sermos propositivos. Nenhuma outra instituição no Brasil está pensando numa política como essa”, afirmou Paula, que apresentou ao público as diretrizes presentes no Termo de Referência.

PALESTRAS

O diretor de documentação da Universidade do Minho (Portugal) e referência mundial no assunto, Eloy Rodrigues iniciou as apresentações que tinham como objetivo abordar as dimensões da abertura de dados em saúde. Rodrigues falou sobre dados abertos no Horizonte 2020 e das estratégias da União Européia para o assunto, além de apresentar alguns documentos do contexto europeu para financiamentos. “Não há Ciência Aberta sem acesso aberto universal e sem dados FAIR”, afirmou.

Rodrigues explicou também como funciona o Projeto Foster, iniciativa realizada em Portugal, Holanda, Reino Unido, Espanha, Dinamarca e Alemanha, sob o objetivo de investir em capacitação e contribuir para uma mudança real na prática dos pesquisadores europeus, no sentido de promover uma transformação cultural e tornar a Ciência Aberta uma norma no continente. “É necessário aplicar essa metodologia no dia a dia”, defendeu.

 O potencial do uso de dados administrativos com finalidade de pesquisa, a partir da perspectiva da produção de conhecimento em saúde, foi apresentado pelo coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Maurício Barreto, que abordou o uso de dados coletados sem finalidade de pesquisa no Sistema de Saúde e a mudança veloz no cenário de investigação. “Hoje grande parte de nossas pesquisas tem etapas de produção de dados muito grande e é comum ver as pesquisadores se sobrepondo em suas pesquisas”, comentou. “Esse novo modelo vai ser cada vez mais intersetorial e compartilhado”, defendeu.

 A abertura de dados no contexto de emergência sanitária foi o tema abordado pela pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS/Fiocruz) e do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, Vanessa Arruda. Ela compartilhou os resultados preliminares do trabalho de Doutorado em Ciência da Informação no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), no qual ouviu pesquisadores atuantes durante a epidemia do vírus zika, uma reflexão sobre a abertura de dados nesse cenário e experiências como a do Reino Unido, com o ebola, em 2014.

 Especialista em proteção de dados e privacidade e assessor jurídico do GTCA, o advogado Danilo Doneda encerrou a programação das palestras do evento. Membro da equipe que incide sobre os marcos regulatórios no contexto da Ciência Aberta, ele falou sobre ausência de leis e princípios que abordem especificamente este tema e mostrou como as normas já existentes ou em andamento (como o PLC 53/2018) sobre a proteção dados pessoais podem influenciar na abertura de dados para pesquisa.

DEBATE

Após as apresentações, o público presente aproveitou o espaço de fala para elogiar a iniciativa do GTCA, trocar experiências, fazer sugestões e tirar dúvidas com os palestrantes.

“Adorei a discussão e o fato da Fiocruz estar se organizando para entrar nessa frente, que é mundial, de compartilhamento de dados de informações para aumentar a capacidade de análise na área científica, para a gente dar respostas melhores para necessidades da humanidade”, elogiou a  pesquisadora da Fiocruz, Maria do Carmo Leal.

“Não é um caminho que a gente vai trilhar de um dia para o outro, nós devemos enfrentar algumas incompreensões de pesquisadores, devemos ter também outro conjunto de pesquisadores que vai aderir facilmente porque já sabem da discussão e já compartilham dessa ideia de democratizar ao máximo todo conhecimento científico. Espero que a gente construa essa condição que vai implicar em uma série de questões de infraestrutura, repositório das pesquisas, por exemplo, e também criar essas condições como se falou hoje, de harmonização institucional em relação a questão, compartilhando o que tem de mais atual e avançado do ponto de vista da ciência em benefício da humanidade”, complementou.

PRÓXIMOS PASSOS

Após a abertura do diálogo firmada nesta sexta, os próximos três meses serão marcados por ampla divulgação e circulação em canais de comunicação. Em seguida, o debate será levado para grupos, Câmaras Técnicas, Fórum das Unidades Regionais, Acervos, Redes de Pesquisa e outros espaços, onde o diálogo será amadurecido e o Termo de Referência aprimorado. No final de agosto, uma consulta pública será realizada para receber contribuições da sociedade. A última etapa é a apreciação do documento pelo Conselho Deliberativo, em novembro.

Na ocasião também foi lançada a página da Ciência Aberta no Portal da Fiocruz. Clique aqui para conferir.

Vpeic/Fiocruz, por Maira Baracho
(foto: Pedro Linger)

Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia abordará a importância da formulação da hipótese na ciência

Em edição especial, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove nesta quarta-feira, 20/6, a partir de 14h, no Salão Canoas, auditório do Instituto, a palestra “In science there is no correct answer”, a ser ministrada por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo o palestrante, a ideia é falar sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de exemplificar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado. O título, que traduzido significa “Na ciência não há resposta correta”, é uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação que será realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.

“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.

SOBRE O PALESTRANTE

Adolfo é Doutor em Biologia Genética pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), e possui Pós-doutorado (biopolímeros de interesse biotecnológico) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia: Centro de Energia, Ambiente e Biodiversidade (INCT/CEAB).

É Professor Adjunto das disciplinas de Genética e Biotecnologia na Ufam, onde também atua como Diretor da Divisão de Biotecnologia do Centro de Apoio Multidisciplinar; Vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia; Vice-coordenador do Núcleo de Biotecnologia; Coordenador do Laboratório de Biotecnologia; Chefe do Departamento de Ciências Fundamentais e Desenvolvimento Agrícola

Desenvolve pesquisas nas áreas de biotecnologia; genética, com ênfase em genética molecular humana e de micro-organismos.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento