Surto de sarampo no Amazonas reforça importância de vacinação

Com o surto de sarampo no estado do Amazonas, o Ministério da Saúde reforça a importância da população se vacinar contra a doença. O número de casos no estado ultrapassou, pela primeira vez, Roraima, que tem registrado casos da doença desde fevereiro deste ano em virtude da entrada de venezuelanos no estado. Até o dia 20 de junho, foram confirmados 263 casos de sarampo no Amazonas, 1.368 permanecem em investigação e 125 foram descartados. No total, são 1.756 notificações no estado, sendo 82,1% (1.441) destes em Manaus.

De janeiro a junho deste ano, a pasta encaminhou aos estados de Roraima e Amazonas o quantitativo de 711,4 mil doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para atender a demanda dos serviços de rotina e a realização de campanhas, ações de controle da doença e prevenção de novos casos nesses estados. Desse total, 487,4 mil doses foram para o Amazonas e 224 mil para Roraima.

De 14 a 27 de abril deste ano, o município de Manaus, com o apoio do Ministério da Saúde, antecipou a campanha contra o sarampo, prevista para agosto. O dia de mobilização desta ação foi realizado dia 14 de abril, para a vacinação de crianças de seis meses a cinco anos de idade e continua na rotina das unidades de saúde. Além de evitar novos casos da doença, a estratégia governamental quer impedir que o vírus volte a circular de forma sustentada no Brasil. Segundo informações repassadas pelo estado ao Ministério da Saúde, até o dia 18 de junho, foram vacinadas 155.510 crianças, alcançando uma cobertura de 81,2% do público-alvo composto por 191.585 pessoas.

O estado de Roraima também realizou campanha no período de março a abril em todo o estado (15 municípios). Nessa ação, foi avaliada a situação vacinal de 189.154 pessoas, sendo administradas 112.971 doses de vacina tríplice viral em brasileiros, venezuelanos e pessoas de outras nacionalidades. O estado de Roraima confirmou 200 casos da doença, 177 continuam em investigação e 35 foram descartados, totalizando 412 casos notificados. Dois casos de sarampo no estado evoluíram para óbito associado a comorbidades. Todos esses dados são preliminares e estão sujeitos a alterações.

AÇÕES CONTRA O SARAMPO

Desde fevereiro, o Ministério Saúde tem mantido equipes técnicas e treinadas nos estados do Amazonas e Roraima para acompanhar as ações e prestar orientação no enfrentamento da situação. A pasta tem realizado treinamentos para profissionais de saúde sobre aspectos gerais da doença e ações de vigilância epidemiológica. O objetivo é tornar os profissionais de saúde, que atuam na rede de saúde dos estados, sensíveis sobre os sinais e sintomas que definem um caso suspeito de sarampo.

Além disso, o Ministério da Saúde apoiou os gestores locais dos dois estados na revisão de prontuários e fichas de atendimento, com o intuito de encontrar casos de sarampo que não tenham sido identificados oportunamente. Também foi realizada intensificação vacinal nos estrangeiros presentes no posto da Polícia Federal, em Roraima.

Foi elaborado, ainda, um plano de fortalecimento da vigilância epidemiológica do sarampo no estado do Amazonas, considerando eixos prioritários de atuação: municípios com mais de 75 mil habitantes, Região Metropolitana de Manaus, Municípios Sede de DSEI, Municípios de fronteira com outros países, Municípios Polo e Comunicação. Para o enfrentamento da situação do sarampo no estado do Amazonas, estão em andamento o bloqueio vacinal, a varredura (vacinação casa a casa), a intensificação vacinal, assim como estratégias de isolamento de casos suspeitos/confirmados durante o período de transmissibilidade.

Entre 2013 e 2015, ocorreram surtos decorrentes de pacientes vindos de outros países, sendo registrados neste período 1.310 casos da doença. O maior número de casos foi registrado nos estados de Pernambuco e Ceará. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, e atualmente empreende esforços para manter o certificado principalmente por meio do fortalecimento da vigilância epidemiológica, da rede laboratorial e de estratégias de imunização.

Agência Saúde, por Amanda Mendes

Alterada a data para inscrição de aluno especial do mestrado PPGVIDA

As inscrições para candidatos externos do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foram alteradas para os dias 4 e 5 de julho.

Acesse aqui a Republicação da Oferta de Vagas para Aluno Especial.

Estão sendo oferecidas 43 vagas, distribuídas em 4 disciplinas. As inscrições devem ser feitas por meio da plataforma SIGA em http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120.

Vale lembrar que a plataforma SIGA só pode ser acessada através do navegador lnternet Explorer.

QUEM PODE SE INSCREVER?

  • Alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz;
  • Alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;
  • Alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz;
  • Alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;
  • Candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso lato sensu ou cursando stricto sensu.

Para mais informações sobre disciplinas oferecidas, documentação e inscrição acesse o edital.

A lista dos candidatos selecionados será divulgada no dia 20 de julho de 2018, na Plataforma SIGA e no site da Fiocruz Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Banco de Imagens ILMD/Fiocruz Amazônia

Percentual de homens com diabetes cresce no Brasil

O percentual de homens que apresentaram diagnóstico médico de diabetes aumentou 54%, entre os anos de 2006 e 2017. Os dados, da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), servem para alertar a população no Dia Nacional de Controle do Diabetes, celebrado anualmente no dia 27 de junho. Há 11 anos, o percentual de homens que tinham sido diagnosticados com a doença era de 4,6%, agora o índice passou para 7,1%.  Apesar de apresentarem percentual mais elevado em 2017, as mulheres (8,1%) tiveram um crescimento de 28,5% no mesmo período.

“O diabetes é uma doença crônica que pode ser evitada, desde que  hábitos saudáveis, como uma alimentação adequada e a prática de atividade física, sejam adotados. O objetivo do Vigitel é monitorar anualmente esses fatores de risco e proteção para doenças crônicas e, com isso, acompanhar indicadores de saúde que dão subsídio a formulação e reformulaçao de políticas públicas”, declarou Marta Coelho.

A pesquisa trouxe, também, que o indicador de diabetes aumenta com a idade, principalmente entre idosos com mais de 65 anos (24%) e é maior entre os com menor escolaridade, que frequentaram a escola por até oito anos (14,8%). Já entre as capitais, a frequência do diagnóstico médico de diabetes variou entre 4,5% em Palmas e 8,8% no Rio de Janeiro.

Quando comparamos os sexos, os homens de Boa Vista (9,0%), Belo Horizonte (8,6%) e Porto Alegre (8,3%), possuem os maiores percentuais, enquanto que os de Palmas (3,7%), Cuiabá (4,2%) e Teresina (4,6%), os menores. Entre mulheres, o diagnóstico de diabetes foi mais frequente em Vitória (10,3%), Rio de Janeiro (10,3%) e Recife (8,8%), e menos frequente em Palmas (5,1%), Macapá (5,2%), Florianópolis (5,6%) e São Luís (5,6%).

Entre 2010 e 2016, o diabetes já vitimou com óbitos 406.452 pessoas no Brasil. De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o número cresceu 11,8% no período, saindo de 54.877 mortes para 61.398 no ano de 2016. Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) apontam que a quantidade de internações teve queda de 8,7%: foram 148.384 em 2010 e 135.364, em 2016. O diabetes é responsável por complicações, como a doença cardiovascular, a diálise por insuficiência renal crônica e as cirurgias para amputações dos membros inferiores.

TRATAMENTO DO DIABETES NO SUS

Para os que já têm diagnóstico de diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente, já na atenção básica – porta de entrada do SUS, atenção integral e gratuita, desenvolvendo ações de prevenção, detecção, controle e tratamento medicamentoso, inclusive com insulinas. Para monitoramento do índice glicêmico, ainda está disponível nas unidades de Atenção Básica de Saúde, reagentes e seringas.

O programa Aqui Tem Farmácia Popular, parceria do Ministério da Saúde com mais de 34 mil farmácias privadas em todo o país, também distribui medicamentos gratuitos, entre eles o cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas.

INCENTIVO A HÁBITOS SAUDÁVEIS

O incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades físicas é prioridade do Governo Federal. Uma portaria do Ministério da Saúde proíbe venda, promoção, publicidade ou propaganda de alimentos industrializados ultraprocessados com excesso de açúcar, gordura e sódio e prontos para o consumo dentro das dependências do órgão.

A pasta também adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país. Durante o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, realizado em março de 2017 em Brasília, o país assumiu como compromisso deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA, em 2014. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada, a publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e para fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. Em parceria  do Ministério da Saúde com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) por meios de acordos voluntários, foram retirados mais de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos processados  e ultraprocessados em quatro anos. O país também incentiva práticas promotoras da saúde, como práticas corporais e de atividades físicas  e alimentação saudável por meio do Programa Academia da Saúde com mais 3.800 polos habilitados e do Programa Saúde na Escola.

Agência Saúde, Por Victor Maciel

Fiocruz lança selo em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS)

Em alusão aos 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), completos em 2018, o serviço de Multimeios do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) lançou o selo Aqui Somos SUS, em parceria com a Coordenação de Comunicação Social (CCS/Fiocruz). A arte traz o slogan Aqui Somos SUS e a logomarca do Sistema Único de Saúde destacada dentro de um balão de localização, nas cores azul e cinza.

O mote é fortalecer a imagem do SUS, podendo ter aplicações em espaços físicos, produtos, serviços e iniciativas realizadas nos âmbitos federal, estadual e municipal. “A ideia é não apenas divulgar o SUS, mas assumir que somos parte dele. A Biblioteca de Manguinhos, por exemplo, é uma produção do SUS. Não se trata apenas das mazelas que os meios de comunicação tentam mostrar todos os dias. O SUS é muito mais do que isso”, defende o diretor do Icict/Fiocruz, Rodrigo Murtinho.

Dessa forma, a Fiocruz já vem utilizando o selo em suas unidades, peças de divulgação de atividades técnico-científicas, publicações e também nos sites institucionais como o Portal Fiocruz e a Agência Fiocruz de Notícias. Também pode ser utilizada pelas unidades e instituições parceiras, incluindo projetos e programas interinstitucionais, além de estar à disposição de trabalhadores da saúde, estudantes e demais interessados.

O uso está disponível em acesso aberto, desde que respeitadas as regras de aplicação. Foi criada uma área do Portal Fiocruz para disseminação do selo, onde estão disponíveis o manual de aplicação e os arquivos para download, nos formatos PDF ou vetorial. “O selo foi elaborado de modo a não interferir na compreensão das mensagens das peças gráficas onde será aplicado”, explica a designer Patrícia Ferreira, chefe do Multimeios.

O selo Aqui Somos SUS está disponível no Portal Fiocruz.

 Icict/Fiocruz, por André Bezerra

Condições de vida e saúde em unidade de conservação será tema do Centro de Estudos do ILMD

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 20/6, a partir de 9h, na Sala 101, 1º andar, na sede do Instituto, a palestra “Condições de vida e de saúde no contexto de uma unidade de conservação ambiental de uso sustentável na Amazônia brasileira”, a ser ministrada por Marcílio Sandro de Medeiros, pesquisador da Fiocruz Amazônia.

A palestra abordará as condições de vida e saúde de ribeirinhos, no âmbito de unidade de conservação ambiental de uso sustentável na Amazônia brasileira. O baixo envolvimento dos ribeirinhos em relação ao controle social e ao apoio comunitário, e as possíveis conseqüências de problemas na interação biocomunal e política serão alguns dos tópicos abordados na apresentação.

O intuito é promover o debate sobre como o Estado brasileiro tem estruturado a política de áreas protegidas e assegurado os bens e serviços sociais, em especial aqueles relacionados ao acesso dos serviços públicos de saúde às populações ribeirinhas, nesses territórios.

SOBRE O PALESTRANTE

Marcílio é Doutor em Direitos Humanos, Saúde Global e Políticas da Vida em co-tutela pelo Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

É pesquisador na área de saúde e ambiente da Fiocruz Amazônia. Atua nas seguintes subáreas da Saúde Coletiva: atenção à saúde dos povos dos campos, florestas e águas, vigilância da saúde ambiental, sistema de informação e magistério do ensino superior.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Arquivo do Pesquisador

Curso de mestrado da Fiocruz Amazônia oferece vagas para candidatos externos

O curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) está oferecendo para o segundo semestre deste ano 43 vagas para interessados em cursar disciplinas como aluno especial.

As inscrições podem ser feitas nos dias 2 e 3 de julho, por meio da plataforma SIGA em http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120. Vale lembrar que a plataforma SIGA só pode ser acessada através do navegador lnternet Explorer.

QUEM PODE SE INSCREVER?

  • Alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz;
  • Alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;
  • Alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz;
  • Alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;
  • Candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso lato sensu ou cursando stricto sensu.

Para mais informações sobre disciplinas oferecidas, documentação e inscrição acesse o edital.

A lista dos candidatos selecionados será divulgada no dia 20 de julho de 2018, na Plataforma SIGA e no site da Fiocruz Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Banco de Imagens ILMD/Fiocruz Amazônia

Estudo da Fiocruz Amazônia aponta que municípios amazonenses precisam potencializar seu protagonismo nas demandas de saúde

Municípios do Amazonas precisam superar a relação de dependência do Estado em relação à atenção primária à saúde (APS) e à rede de urgência e emergência (RUE), é o que aponta estudo de pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O estudo publicado na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil sugere que os municípios amazonenses precisam potencializar seu protagonismo e cumprir seus papéis na gestão das redes, instituindo um planejamento capaz de fortalecer a atenção primária à saúde, de reduzir as desigualdes e de dar respostas adequadas às necessidades de saúde de suas localidades.

Sob o título “Rede regional de saúde no contexto Amazônico: o caso de Manaus, entorno e Alto Rio Negro”, o artigo que tem como autores Amandia Braga Lima Sousa, Luiza Garnelo, Paulo Henrique dos Santos Mota, e Aylene Bousquat, analisou, a partir  das falas de gestores e profissionais de saúde,  as dimensões da política, estrutura e organização na construção das redes de atenção à saúde (RAS) em Manaus, Careiro da Várzea e São Gabriel da Cachoeira.

“O estudo demonstra que há um fraco protagonismo dos municípios na gestão das políticas de saúde e, em particular na política de regionalização em saúde, que foi o que analisamos mais diretamente”, destaca Luiza Garnelo.

No Brasil existem marcantes desigualdades regionais, que se expressam social e economicamente, explica Amandia Sousa. Na região amazônica, isso se sobressai diante de um contexto histórico, que concentrou recursos econômicos e populacionais em alguns pontos da região que contrastam das demais localidades, marcadas pelo isolamento, rarefação e ausência de políticas públicas, inclusive de saúde.

Um exemplo dessa realidade é Manaus que concentra 53,3% dos leitos de internação, 100% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 94,7% da urgência e emergência do Estado, 76,1% dos profissionais médicos e 100% dos aparelhos de tomografia e ressonância magnética, o que obriga os usuários a se deslocarem para a capital, até mesmo para realização de exames simples e consultas com especialistas, que não existem nos municípios menores.

O QUE PODE SER FEITO?

Luiza Garnelo dispõe o problema e seus encaminhamentos em dois níveis: setorial, e suprassetorial.  O nível setorial, situa-se no âmbito do sistema de saúde e implica na promoção de qualificação dos gestores e assessores, para ampliar seus domínios dos processos de gestão e do manejo de ferramentas de planejamento estratégico, para otimizar o uso dos recursos já disponíveis e definir prioridades, conforme as regionais, além de gerar pauta de reivindicações a serem negociadas junto aos governos estadual e federal,  para investimentos em informatização, em rede de serviços de saúde e contratação de pessoal (de execução e de gestão das ações de saúde), visando facilitar o aprimoramento da capacidade gestora dos municípios e dar continuidade às ações estratégicas, mesmo diante da mudança de gestores, o que costuma ocorrer pós processos eleitorais.

O nível suprassetorial encontra-se num plano mais amplo da transparência de gestão e democratização das relações sociais e da tomada de decisão,  o que requer a ampliação da capacidade técnica de gestão e do protagonismo dos entes a partir do comprometimento político dos dirigentes com a descentralização do poder, com uma distribuição mais igualitária dos recursos, para as necessidades dos grupos mais vulneráveis da sociedade.

“Parlamentares, dirigentes institucionais e líderes da sociedade civil precisam se unir para lutar por adicionais de financiamento em saúde, para lidar com as peculiaridades das condições sociais e ambientais amazônicas, que encarecem o custo dos procedimentos e de pessoal de saúde, e que hoje não estão contemplados na política de custeio do SUS”, sugere Luisa Garnelo.

A PESQUISA

Dentre as regiões de saúde do Amazonas, Manaus, entorno e Alto Rio Negro destacam-se por reunir mais de 60% da população do Estado, e por evidenciar o contraste entre a tentativa de construção de estratégias capazes de uma maior distribuição dos serviços e a concentração destes na capital, perpetuando a concentração dos recursos de saúde em Manaus, o que vai na contramão de uma proposta de regionalização.

Os municípios estudados foram selecionados segundo alguns critérios: Manaus, por ser polo de saúde da região; São Gabriel da Cachoeira, por ser o município mais distante do polo e por apresentar população e número de serviços de saúde intermediários para a região; e Careiro da Várzea, por ser próximo a Manaus, mas não acessível por via terrestre e, por dispor de pequeno número de estabelecimentos de saúde e habitantes.

O estudo demonstrou uma prioridade significativa para os cuidados em urgência em detrimento da construção de uma atenção primária em saúde, especialmente no que diz respeito à sua atuação enquanto coordenadora do cuidado, o que seria essencial por serem regiões rurais com características específicas, que demandam um alto custo para saúde com agravamento dos casos. Além disso, a Telessaúde foi avaliada positivamente pelo seu potencial na região.

Os critérios analisados foram as dimensões da política, estrutura e organização de estabelecimentos, e ações de saúde, aprofundando a observação sobre dois elementos essenciais dentro das redes de atenção à saúde (RAS):  a atenção primária à saúde (APS), devido ao seu papel de porta de entrada e coordenação do sistema, e a rede de urgência e emergência (RUE), por seu papel estruturante na construção das redes de atenção na região.

Acesse aqui o artigo na integra.

A pesquisa revela ainda que por se tratar de uma região com questões históricas, geográficas, sociais e culturais específicas, as políticas pensadas para a Amazônia, no âmbito federal, necessitam de contrapropostas locais que sinalizem a melhor forma de implantação,  de acordo com as demandas específicas. Neste sentido, há necessidade da regionalização e da construção de redes de atenção à saúde como potencialidades para diminuir as desigualdades e as concentrações no âmbito dos recursos de saúde.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: divulgação

Fiocruz vai produzir mais de 8 milhões de cápsulas de Oseltamivir

A chegada do inverno traz a preocupação com uma possível epidemia de influenza, mais conhecida como gripe. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 3.122 casos em todo o país até 16 de junho, levando 535 pessoas ao óbito. Do total, 1.885 notificações e 351 mortes foram por H1N1.

Para enfrentar este cenário, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) finaliza a produção de mais de 8 milhões de cápsulas do antiviral Oseltamivir 75 mg, considerado o mais eficiente contra a enfermidade. A unidade ressalta que o medicamento não substitui a vacina contra a gripe que, por sua vez, está disponível em todos os postos de saúde do país até a próxima sexta-feira (22/6).

Ao todo, serão disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS) 867.650 tratamentos de Oseltamivir 75 mg para pessoas acima de 40 quilos. Farmanguinhos/Fiocruz produz ainda o medicamento na concentração 45 mg, voltado para crianças entre 15 e 23 quilos. Além disso, a unidade trabalha no desenvolvimento de uma nova formulação de 30 mg, destinada a crianças abaixo de 15 quilos, além de cobrir também a faixa de peso entre 23 e 40 Kg, com a administração de duas cápsulas.

“No momento, temos a etapa de desenvolvimento tecnológico do medicamento concluída, e estamos iniciando os estudos de bioequivalência frente ao produto de referência, de modo a avaliar a disponibilidade do medicamento no organismo do ser humano. Finalizados todos os testes, podemos solicitar registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, explica Graça Guerra, gerente do projeto na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico da unidade. Segundo ela, a previsão é de que, em 2019, Farmanguinhos/Fiocruz entre com pedido de registro junto ao órgão regulatório.

PRODUÇÃO EMERGENCIAL

O Instituto demonstrou mais uma vez sua missão estratégica para o país em 2009, quando, no auge da pandemia da influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína, a unidade desenvolveu o Oseltamivir e, com a obtenção do registro na Anvisa, produziu 2,1 milhões de cápsulas em caráter emergencial. Ao longo desses anos, Farmanguinhos fabricou mais de 50 milhões de unidades farmacêuticas do antiviral. Atualmente, tem capacidade instalada para produzir até cinco milhões de cápsulas do medicamento por mês.

 Farmanguinhos/Fiocruz, por Alexandre Mattos

Fundação Bill and Melinda Gates anuncia na Fiocruz financiamento para eliminar malária

“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Sue Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.

Sue esteve pela primeira vez no Brasil como CEO da Gates e visitou a Fiocruz, na última terça-feira (19/6), para anunciar um investimento de US$ 600 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) para acelerar os esforços para eliminação da malária no Brasil. Além disso, Sue e sua equipe participaram de reuniões e visitas a projetos da Fiocruz já apoiados pela Fundação.

A tafenoquina é a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, tipo prevalente em 90% dos casos no Brasil, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.

A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

É o que estamos vivendo agora nas Américas, uma ressurgência após uma década de queda. Toda a região registrou aumentos da malária no último ano – no Brasil, os casos cresceram 50%. A atual crise de saúde pública na Venezuela resultou num grande aumento de casos dentro do país, o que gera mais preocupações para as fronteiras de toda a América Latina. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 216 milhões de casos de malária no mundo e 445 mil mortes em 2016.

Lacerda esclarece que as causas do retorno da doença não são totalmente claras e podem ser influenciadas por muitos fatores. No entanto, o desinvestimento e o desmantelamento de programas após o controle da doença são citados como fatores que contribuem para que ela retorne ainda pior. “Por isso, precisamos entender a importância de eliminar a malária”, defendeu Cássio Peterka, representante do Ministério da Saúde e do Programa Nacional contra Malária.

O pesquisador também defende que se passe do controle à eliminação como meta. Apesar de parecer inalcançável, ele acredita que este objetivo pode ser atingido em alguns anos, com esforços e investimentos para tal. “Já reduzimos muito o mapa da malária”, lembrou o pesquisador, ao demonstrar que em 1950 a doença era endêmica em quase todo território nacional e agora está concentrada apenas na região amazônica. Na semana passada, o Paraguai foi declarado um país livre de malária pela OMS. É o segundo país do continente a conseguir esse reconhecimento. Cuba está livre da doença desde 1973.

“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.

Apoio à inovação

Outro foco da visita da Sue Hellmann à Fiocruz foi o acompanhamento de projetos co-financiados pela Fundação. A cooperação entre as duas instituições teve início em 2008 e incluiu temas como tuberculose, vacinas e outros temas de saúde pública. Ela também aproveitou para conhecer o campus de Manguinhos e o Castelo da Fiocruz, pelo qual se encantou. “Estou muito impressionada com a Fiocruz e com a história de Oswaldo Cruz. Como cientista, eu amo a ciência e nada melhor do que um castelo para celebra-la”, afirmou Sue.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia e alguns resultados da iniciativa World Mosquito Project (WMP) no Brasil. O programa está presente em 12 países e é financiado pela Fundação Gates.

O método permite a redução da incidência de doenças cujo transmissor é o Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, através da introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia em ambientes com alta prevalência de mosquitos. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, estes vírus não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão. Além disso, o método tem sustentabilidade comprovada, já que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes.

No Brasil, o método ganhou escala após uma fase piloto devido à necessidade de resposta rápida as crises de zika, chikungunya e dengue no Rio de Janeiro e em Niterói. Em novembro de 2016 teve início a expansão em larga escala para 28 bairros de Niterói, que abrangem 270 mil pessoas. Atualmente, em Niterói, 13 bairros recebem a segunda rodada de liberação de mosquitos. No Rio de Janeiro, a liberação em larga escala começou em de agosto de 2017, com a previsão de atingir 90 bairros, nos quais vivem 2,5 milhões de habitantes. Na etapa atual, 28 bairros do Rio de Janeiro, com 886 mil habitantes, recebem os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

Alguns projetos contemplados pelo Grand Challenges, co-financiado pela Fundação Gates, também forma apresentados. O Grand Challenges é uma série de iniciativas que promovem a inovação para resolver os principais problemas globais de saúde e desenvolvimento. No Brasil, foram lançadas duas chamadas para o desafio, em 2013 e 2014, com o tema saúde materno-infantil e 21 projetos foram contemplados. Em 2018, duas novas chamadas foram lançadas e os projetos estão em análise.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia

Selecionado na primeira chamada, o projeto de José Simon, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), busca desenvolver um leite humano enriquecido com o próprio leite humano. Para isso, criou-se um leite humano congelado e desidratado (liofilizado) que pode melhorar a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso, ou seja, bebês que nascem com menos de 1500g. O projeto deve lançar seus primeiros resultados em breve na revista Plos. As evidências indicam que o método é seguro, de baixo custo e fácil de ser implementado em na rede de bancos de leite do Brasil. A partir de agora, a pesquisa deve iniciar sua fase de testes clínicos.

Outro projeto apresentado foi a coorte dos 100 milhões de brasileiros, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz). A pesquisa trabalha com grandes bases de dados, como o Cadastro Único para programas sociais, para analisar como políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, podem interferir em variáveis de saúde, como mortalidade infantil. A importância desse projeto é que ele provê uma escala muito maior para pesquisas, além de possibilitar recortes em subpopulações e múltiplas interações.

O Cidacs/Fiocruz participou de uma chamada do Grand Challenges Brasil como provedor de dados, disponibilizando a Coorte de 100M Sinasc-SIM. Além disso, ele é um exemplo de boas práticas de proteção de dados para pesquisas em saúde no país, podendo se tornar referência após a aprovação de uma legislação de dados pessoais no país. Atualmente, estão em discussão no país dois projetos de lei para regular esse tema, que se encontra em um vazio legal. “A Fiocruz tem a possibilidade de assumir esse papel de guardiã e curadora de um patrimônio de dados em saúde”, explicou Maurício Barreto, pesquisador do projeto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Julia Dias.
Fotos: Pedro Linger

Formulação da hipótese na ciência é discutida durante palestra na Fiocruz Amazônia

Com o tema “In science there is no correct answer”, a palestra do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), apresentada nesta quarta-feira, 20/6, por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), abordou a importância da formulação da hipótese na ciência.

Para o palestrante, a atividade é uma oportunidade de debater relevantes aspectos que devem ser considerados sobre as perguntas e respostas encontradas no desenvolvimento da pesquisa científica.“A ideia é promovermos uma reflexão sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de pontuar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado”.

Na tradução, o título da palestra significa “Na ciência não há resposta correta”,  uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.

“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes