Fundação Bill and Melinda Gates anuncia na Fiocruz financiamento para eliminar malária

“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Sue Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.

Sue esteve pela primeira vez no Brasil como CEO da Gates e visitou a Fiocruz, na última terça-feira (19/6), para anunciar um investimento de US$ 600 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) para acelerar os esforços para eliminação da malária no Brasil. Além disso, Sue e sua equipe participaram de reuniões e visitas a projetos da Fiocruz já apoiados pela Fundação.

A tafenoquina é a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, tipo prevalente em 90% dos casos no Brasil, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.

A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

É o que estamos vivendo agora nas Américas, uma ressurgência após uma década de queda. Toda a região registrou aumentos da malária no último ano – no Brasil, os casos cresceram 50%. A atual crise de saúde pública na Venezuela resultou num grande aumento de casos dentro do país, o que gera mais preocupações para as fronteiras de toda a América Latina. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 216 milhões de casos de malária no mundo e 445 mil mortes em 2016.

Lacerda esclarece que as causas do retorno da doença não são totalmente claras e podem ser influenciadas por muitos fatores. No entanto, o desinvestimento e o desmantelamento de programas após o controle da doença são citados como fatores que contribuem para que ela retorne ainda pior. “Por isso, precisamos entender a importância de eliminar a malária”, defendeu Cássio Peterka, representante do Ministério da Saúde e do Programa Nacional contra Malária.

O pesquisador também defende que se passe do controle à eliminação como meta. Apesar de parecer inalcançável, ele acredita que este objetivo pode ser atingido em alguns anos, com esforços e investimentos para tal. “Já reduzimos muito o mapa da malária”, lembrou o pesquisador, ao demonstrar que em 1950 a doença era endêmica em quase todo território nacional e agora está concentrada apenas na região amazônica. Na semana passada, o Paraguai foi declarado um país livre de malária pela OMS. É o segundo país do continente a conseguir esse reconhecimento. Cuba está livre da doença desde 1973.

“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.

Apoio à inovação

Outro foco da visita da Sue Hellmann à Fiocruz foi o acompanhamento de projetos co-financiados pela Fundação. A cooperação entre as duas instituições teve início em 2008 e incluiu temas como tuberculose, vacinas e outros temas de saúde pública. Ela também aproveitou para conhecer o campus de Manguinhos e o Castelo da Fiocruz, pelo qual se encantou. “Estou muito impressionada com a Fiocruz e com a história de Oswaldo Cruz. Como cientista, eu amo a ciência e nada melhor do que um castelo para celebra-la”, afirmou Sue.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia e alguns resultados da iniciativa World Mosquito Project (WMP) no Brasil. O programa está presente em 12 países e é financiado pela Fundação Gates.

O método permite a redução da incidência de doenças cujo transmissor é o Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, através da introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia em ambientes com alta prevalência de mosquitos. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, estes vírus não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão. Além disso, o método tem sustentabilidade comprovada, já que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes.

No Brasil, o método ganhou escala após uma fase piloto devido à necessidade de resposta rápida as crises de zika, chikungunya e dengue no Rio de Janeiro e em Niterói. Em novembro de 2016 teve início a expansão em larga escala para 28 bairros de Niterói, que abrangem 270 mil pessoas. Atualmente, em Niterói, 13 bairros recebem a segunda rodada de liberação de mosquitos. No Rio de Janeiro, a liberação em larga escala começou em de agosto de 2017, com a previsão de atingir 90 bairros, nos quais vivem 2,5 milhões de habitantes. Na etapa atual, 28 bairros do Rio de Janeiro, com 886 mil habitantes, recebem os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

Alguns projetos contemplados pelo Grand Challenges, co-financiado pela Fundação Gates, também forma apresentados. O Grand Challenges é uma série de iniciativas que promovem a inovação para resolver os principais problemas globais de saúde e desenvolvimento. No Brasil, foram lançadas duas chamadas para o desafio, em 2013 e 2014, com o tema saúde materno-infantil e 21 projetos foram contemplados. Em 2018, duas novas chamadas foram lançadas e os projetos estão em análise.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia

Selecionado na primeira chamada, o projeto de José Simon, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), busca desenvolver um leite humano enriquecido com o próprio leite humano. Para isso, criou-se um leite humano congelado e desidratado (liofilizado) que pode melhorar a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso, ou seja, bebês que nascem com menos de 1500g. O projeto deve lançar seus primeiros resultados em breve na revista Plos. As evidências indicam que o método é seguro, de baixo custo e fácil de ser implementado em na rede de bancos de leite do Brasil. A partir de agora, a pesquisa deve iniciar sua fase de testes clínicos.

Outro projeto apresentado foi a coorte dos 100 milhões de brasileiros, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz). A pesquisa trabalha com grandes bases de dados, como o Cadastro Único para programas sociais, para analisar como políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, podem interferir em variáveis de saúde, como mortalidade infantil. A importância desse projeto é que ele provê uma escala muito maior para pesquisas, além de possibilitar recortes em subpopulações e múltiplas interações.

O Cidacs/Fiocruz participou de uma chamada do Grand Challenges Brasil como provedor de dados, disponibilizando a Coorte de 100M Sinasc-SIM. Além disso, ele é um exemplo de boas práticas de proteção de dados para pesquisas em saúde no país, podendo se tornar referência após a aprovação de uma legislação de dados pessoais no país. Atualmente, estão em discussão no país dois projetos de lei para regular esse tema, que se encontra em um vazio legal. “A Fiocruz tem a possibilidade de assumir esse papel de guardiã e curadora de um patrimônio de dados em saúde”, explicou Maurício Barreto, pesquisador do projeto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Julia Dias.
Fotos: Pedro Linger

Formulação da hipótese na ciência é discutida durante palestra na Fiocruz Amazônia

Com o tema “In science there is no correct answer”, a palestra do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), apresentada nesta quarta-feira, 20/6, por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), abordou a importância da formulação da hipótese na ciência.

Para o palestrante, a atividade é uma oportunidade de debater relevantes aspectos que devem ser considerados sobre as perguntas e respostas encontradas no desenvolvimento da pesquisa científica.“A ideia é promovermos uma reflexão sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de pontuar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado”.

Na tradução, o título da palestra significa “Na ciência não há resposta correta”,  uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.

“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes

Evento debate abertura de dados para pesquisa na Fiocruz

O evento Abertura de dados para pesquisa na Fiocruz: perspectivas de um novo paradigma da Ciência reuniu (15/6) pesquisadores, gestores e estudantes e marcou o início das discussões sobre Ciência Aberta com a comunidade da instituição. Durante o encontro, que aconteceu no auditório do Museu da Vida, no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi apresentado o Termo de Referência, documento produzido pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta (GTCA) com objetivo de subsidiar o debate sobre o tema e orientar o processo que resultará na implementação de uma nova política de abertura de dados para pesquisa na Fiocruz.

“Essa é uma discussão que está na porta e o que temos que fazer é ter uma discussão madura do nosso papel nesse processo”, explicou o vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), Manoel Barral, que conduziu a abertura do evento a partir da visão estratégica da Fiocruz sobre a abertura de dados para pesquisa.

Coordenadora de Informação e Comunicação da Vpeic/Fiocruz e também do GTCA, Paula Xavier apresentou um panorama da abertura de dados, conceitos, desafios e seus impactos no processo científico. “Alguns estudos comprovam que 80% do tempo da pesquisa é dedicado a organização dos dados. Essa capacidade de reuso em novos contextos e pesquisas futuras é profundamente importante”, apontou Paula, que defendeu ainda que o debate aconteça de forma ampla na Fiocruz.

Paula lembrou que a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, em vigor na Fiocruz desde 2014, significou um salto na sistematização da produção científica da instituição. “Fomos desafiados a pensar na ampliação do acesso aberto agora também com a abertura de dados”, pontuou, lembrando da realização do Livro Verde, pelo GTCA, publicação que mapeou países protagonistas na discussão e apresenta um amplo panorama sobre o assunto. “A gente não quer se posicionar só por pressões externas, é importantes sermos propositivos. Nenhuma outra instituição no Brasil está pensando numa política como essa”, afirmou Paula, que apresentou ao público as diretrizes presentes no Termo de Referência.

PALESTRAS

O diretor de documentação da Universidade do Minho (Portugal) e referência mundial no assunto, Eloy Rodrigues iniciou as apresentações que tinham como objetivo abordar as dimensões da abertura de dados em saúde. Rodrigues falou sobre dados abertos no Horizonte 2020 e das estratégias da União Européia para o assunto, além de apresentar alguns documentos do contexto europeu para financiamentos. “Não há Ciência Aberta sem acesso aberto universal e sem dados FAIR”, afirmou.

Rodrigues explicou também como funciona o Projeto Foster, iniciativa realizada em Portugal, Holanda, Reino Unido, Espanha, Dinamarca e Alemanha, sob o objetivo de investir em capacitação e contribuir para uma mudança real na prática dos pesquisadores europeus, no sentido de promover uma transformação cultural e tornar a Ciência Aberta uma norma no continente. “É necessário aplicar essa metodologia no dia a dia”, defendeu.

 O potencial do uso de dados administrativos com finalidade de pesquisa, a partir da perspectiva da produção de conhecimento em saúde, foi apresentado pelo coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Maurício Barreto, que abordou o uso de dados coletados sem finalidade de pesquisa no Sistema de Saúde e a mudança veloz no cenário de investigação. “Hoje grande parte de nossas pesquisas tem etapas de produção de dados muito grande e é comum ver as pesquisadores se sobrepondo em suas pesquisas”, comentou. “Esse novo modelo vai ser cada vez mais intersetorial e compartilhado”, defendeu.

 A abertura de dados no contexto de emergência sanitária foi o tema abordado pela pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS/Fiocruz) e do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, Vanessa Arruda. Ela compartilhou os resultados preliminares do trabalho de Doutorado em Ciência da Informação no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), no qual ouviu pesquisadores atuantes durante a epidemia do vírus zika, uma reflexão sobre a abertura de dados nesse cenário e experiências como a do Reino Unido, com o ebola, em 2014.

 Especialista em proteção de dados e privacidade e assessor jurídico do GTCA, o advogado Danilo Doneda encerrou a programação das palestras do evento. Membro da equipe que incide sobre os marcos regulatórios no contexto da Ciência Aberta, ele falou sobre ausência de leis e princípios que abordem especificamente este tema e mostrou como as normas já existentes ou em andamento (como o PLC 53/2018) sobre a proteção dados pessoais podem influenciar na abertura de dados para pesquisa.

DEBATE

Após as apresentações, o público presente aproveitou o espaço de fala para elogiar a iniciativa do GTCA, trocar experiências, fazer sugestões e tirar dúvidas com os palestrantes.

“Adorei a discussão e o fato da Fiocruz estar se organizando para entrar nessa frente, que é mundial, de compartilhamento de dados de informações para aumentar a capacidade de análise na área científica, para a gente dar respostas melhores para necessidades da humanidade”, elogiou a  pesquisadora da Fiocruz, Maria do Carmo Leal.

“Não é um caminho que a gente vai trilhar de um dia para o outro, nós devemos enfrentar algumas incompreensões de pesquisadores, devemos ter também outro conjunto de pesquisadores que vai aderir facilmente porque já sabem da discussão e já compartilham dessa ideia de democratizar ao máximo todo conhecimento científico. Espero que a gente construa essa condição que vai implicar em uma série de questões de infraestrutura, repositório das pesquisas, por exemplo, e também criar essas condições como se falou hoje, de harmonização institucional em relação a questão, compartilhando o que tem de mais atual e avançado do ponto de vista da ciência em benefício da humanidade”, complementou.

PRÓXIMOS PASSOS

Após a abertura do diálogo firmada nesta sexta, os próximos três meses serão marcados por ampla divulgação e circulação em canais de comunicação. Em seguida, o debate será levado para grupos, Câmaras Técnicas, Fórum das Unidades Regionais, Acervos, Redes de Pesquisa e outros espaços, onde o diálogo será amadurecido e o Termo de Referência aprimorado. No final de agosto, uma consulta pública será realizada para receber contribuições da sociedade. A última etapa é a apreciação do documento pelo Conselho Deliberativo, em novembro.

Na ocasião também foi lançada a página da Ciência Aberta no Portal da Fiocruz. Clique aqui para conferir.

Vpeic/Fiocruz, por Maira Baracho
(foto: Pedro Linger)

Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia abordará a importância da formulação da hipótese na ciência

Em edição especial, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove nesta quarta-feira, 20/6, a partir de 14h, no Salão Canoas, auditório do Instituto, a palestra “In science there is no correct answer”, a ser ministrada por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo o palestrante, a ideia é falar sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de exemplificar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado. O título, que traduzido significa “Na ciência não há resposta correta”, é uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação que será realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.

“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.

SOBRE O PALESTRANTE

Adolfo é Doutor em Biologia Genética pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), e possui Pós-doutorado (biopolímeros de interesse biotecnológico) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia: Centro de Energia, Ambiente e Biodiversidade (INCT/CEAB).

É Professor Adjunto das disciplinas de Genética e Biotecnologia na Ufam, onde também atua como Diretor da Divisão de Biotecnologia do Centro de Apoio Multidisciplinar; Vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia; Vice-coordenador do Núcleo de Biotecnologia; Coordenador do Laboratório de Biotecnologia; Chefe do Departamento de Ciências Fundamentais e Desenvolvimento Agrícola

Desenvolve pesquisas nas áreas de biotecnologia; genética, com ênfase em genética molecular humana e de micro-organismos.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia aborda resistoma marinho

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu nesta sexta-feira, 15/6, a pesquisadora Ana Carolina Vicente, chefe do Laboratório de Genética Molecular de Microorganismos, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), para apresentar a palestra “O resistoma marinho”.

A apresentação faz referência ao estudo “The Resistome of Low-Impacted Marine Environments Is Composed by Distant Metallo-β-Lactamases Homologs”, desenvolvido por pesquisadores do IOC, e publicado em abril de 2018, na revista Frontiers in Microbiology.

Segundo a pesquisadora, o estudo traz importante dados científicos, frente à questão das bactérias que tem se tronado resistentes aos antibióticos aplicados nas clínicas, gerando uma aflição na saúde pública, “pois à medida que elas passam a se tornar mais resistentes, os sistemas de saúde do planeta deixam de possuir ferramentas para debelar algumas infecções”, disse.

A pesquisa busca entender de onde vem essa resistência que surge, às vezes, de forma muito imediata. “Buscamos entender dentro dos ambientes marinhos, se bactérias ou outros organismos poderiam estar atuando como reservatório destes genes”, explicou Ana Carolina. O conjunto de genes associados à resistência das bactérias aos antimicrobianos, presentes em um determinado ambiente, é conhecido como “Resistoma”.

Segundo o estudo, evidências caracterizam a microbiota de ambientes naturais como fonte e/ou reservatório destes genes. O estudo revelou que nos ambientes marinhos, não impactos pela ação do homem, não foram encontradas evidências de que eles seriam reservatórios dos gens relacionados à resistência aos antibióticos

SOBRE A PALESTRANTE

Ana Carolina Vicente é pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz e foi criadora do Laboratório de Genética Molecular de Microrganismos. Possui graduação em Biologia, mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica), e doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Atua nas seguintes áreas de interesse, produção científica e formação de pesquisadores: Genômica de Microrganismos, Genética de População de Microrganismos (vírus e bactérias), Taxonomia e Evolução de Vírus e Bactérias, além de Genética e evolução da resistência das bactérias aos antimicrobianos.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos Eduardo gomes

Pesquisadores da Fiocruz Amazônia alertam para o elevado risco de suicídio entre indígenas no País

A taxa de mortalidade por suicídio em indígenas do Brasil chega a ser dez vezes maior do que a taxa observada na população não indígena, principalmente nos Estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima. Diferentemente do observado entre os não indígenas, no Brasil são verificadas taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas entre os jovens indígenas. Embora os jovens indígenas do sexo masculino apresentem taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas do que as das jovens indígenas do sexo feminino, estas últimas apresentam taxas muito maiores do que a das jovens não indígenas. Tanto entre indígenas como entre não indígenas o enforcamento é o principal método utilizado para lograrem o suicídio.

Por outro lado, o uso da intoxicação e da arma de fogo para este propósito é menor, comparativamente, entre os indígenas. Essas são algumas das constatações de estudos científicos realizados ao longo de quase 10 anos por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O suicídio é reconhecido como um importante problema de saúde em algumas áreas do Brasil, entretanto não há estudos nacionais ou regionais sobre a ocorrência, motivações e distribuição do suicídio na população indígena.

Nesse sentido, o grupo coordenado pelo médico psiquiatra Maximiliano Loiola Ponte de Souza, pesquisador e doutor em Ciências pelo Instituto Fernandes Figueiras, que atuou por 11 anos no então Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Saúde Indígena (LEIS) do ILMD/Fiocruz Amazônia, começou a estudar a temática em 2010.

A ideia desde o princípio era que o grupo pudesse agregar no mesmo projeto investigações do ponto de vista qualitativo e quantitativo sob uma ótica interdisciplinar, por isso os estudos envolveram nove profissionais, sendo 1 médico psiquiatra, 2 epidemiologistas, 2 enfermeiras, 1 antropóloga, 1 estatístico, 1 profissional de georreferenciamento e 1 assistente social. Essas pessoas ligadas a outras instituições se envolveram de forma direta ou indireta no trabalho, dada a complexidade do tema de investigação. O trabalho foi realizado também em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Brasil Plural.

“Entendemos que o suicídio indígena é um daqueles objetos chamados rebeldes aos limites disciplinares que demandam tanto uma compreensão em profundidade quanto uma descrição em extensão”, frisou Maximiliano Ponte de Souza. A produção foi intensa, resultando em oito artigos científicos publicados, um capítulo de livro e duas dissertações de mestrado. Além disso, os pesquisadores colaboraram com duas entrevistas para revistas de grande porte. A expectativa é de publicar mais dois artigos que já foram aprovados.

Sobre os principais desafios em trabalhar com a temática, Jesem Orellana, pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia, disse, que lidar com o suicídio é, e sempre será, uma árdua tarefa, dado o seu significado (cultural, social e moral) e impacto sobre as pessoas e familiares, os quais muitas vezes “escondem” ou negam o evento e, principalmente, suas motivações. “Em populações indígenas, é ainda mais desafiador lidar com a problemática do suicídio, pois conhecer seus determinantes é algo que requer tempo, observação e acurada interpretação, já que aspectos históricos, culturais, biológicos, sociais e ambientais podem estar influenciando, muitas vezes de forma sinérgica ou antagônica”, apontou Orellana.

Leia a reportagem completa no volume 2 da Fiocruz Amazônia Revista.

Cristiane Barbosa (Fiocruz Amazônia Revista).

Oficinas culinárias e atendimentos fazem parte da segunda edição do Programa Circuito Saudável na Fiocruz Amazônia

Dando continuidade às atividades do Programa Circuito Saudável, o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) iniciará no próximo dia 20, o atendimento individual clínico nutricional para os trabalhadores que fazem parte da segunda turma do Programa.

Segundo a nutricionista do Nust-Fiocruz Amazonas, Sarah Cordeiro, nesse grupo estão sendo atendidos 20 trabalhadores do ILMD e seus familiares. “A expectativa é incentivar essa turma a adotar hábitos de vida mais saudáveis, através do resgate da prática culinária, além de promover interação social no ambiente de trabalho”, explica.

Uma das atividades oferecidas nesta segunda edição do Programa Circuito Saudável foi a Oficina Culinária, realizada no último dia 5/6, na Oca da farinha, na qual foram elaborados os seguintes pratos: sanduíche natural prático, patê de ricota termogênico, tapiocas coloridas, bolinho de banana e aveia na caneca, além de café estimulante e suco verde.

A Oficina Culinária teve como prática educativa o tema “Lavagem das mãos: pontos críticos no controle da higienização”, comentários sobre as “Propriedades funcionais das receitas produzidas” e, ao final, degustação das receitas.

Para Luciene Araújo, chefe do Serviço de Gestão do Trabalho (Seget-Fiocruz Amazônia) e uma das integrantes da segunda turma do Programa Circuito Saudável, “a mudança de hábito alimentar depende muito de cada pessoa, no entanto, as atividades do Programa e os encontros da turma servem para incentivar o grupo a adoção de práticas alimentares mais saudáveis”.

CIRCUITO SAUDÁVEL

O Programa Circuito Saudável é uma iniciativa da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST/Fiocruz). Na Fiocruz Amazônia é desenvolvido pelo Nust. Seu objetivo é conscientizar a comunidade Fiocruz para a adoção de hábitos alimentares balanceados e de prática esportiva, visando transmitir conhecimentos sobre alimentação saudável e formar agentes multiplicadores, além de melhorar a qualidade da saúde, controle das doenças crônicas não transmissíveis e melhorar o perfil de sobrepeso e obesidade na instituição.

Sarah Cordeiro adianta que as inscrições para uma nova turma do Programa Circuito Saudável, na Fiocruz Amazônia, estarão abertas a partir do próximo mês de julho.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

 

Reunião Anual de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia encerra com premiação de projetos

Em meio a emoções e alegrias encerrou nesta sexta-feira, 8/6, a 15ª Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O evento que iniciou na quarta-feira, 6/6, com a palestra “2045, o ano em que o homem se tornou imortal”, ministrada pelo professor emérito do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Gilberto Barbosa Domont, encerrou com a premiação de projetos que se destacaram em suas respectivas áreas.

Na avaliação da coordenadora do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia), Stefanie Lopes, “a 15ª. Raic foi um sucesso. Nós fomos brindados com uma palestra de abertura que trouxe contestações e inquietações sobre ciências, o que foi muito especial; além disso, as apresentações foram de qualidade, contamos com o envolvimento dos orientadores, e as bancas entenderam a finalidade da Raic, que é, principalmente, estimular os estudantes para o pensamento científico”, destacou.

Foram apresentados nos três dias de Raic, 33 projetos, distribuídos em 5 categorias (Eco-Epidemiologia; Biotecnologia; Saúde, Sociedade e Ambiente; Microbiologia; e Parasitologia), contando com 26 orientadores e 15 avaliadores externos.

Para a estudante do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado do Amazonas, Gigliola D’Elia, que pela primeira vez participa da Raic, a experiência da iniciação científica na Fiocruz Amazônia, está sendo ótima. “Aprendi muito com a Raic, pois os estudantes têm a oportunidade de disseminar para as outras pessoas o que estão pesquisando. Fiquei muito nervosa na apresentação, mas gostei muito”, declarou.

PREMIAÇÃO

Seis projetos destacaram-se da 15ª Raic, sendo um em cada categoria e um como Projeto Inovador.

André Mariuba, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT/Fiocruz Amazônia), explica que o destaque como Projeto Inovador é destinado ao projeto de pesquisa que leva ao desenvolvimento de tecnologia e/ou produto, portanto, concorrem somente os projetos que ofereçam essa possibilidade.

Confira os destaques:

  • Categoria Eco-Epidemiologia: Heliana Christy Matos Belchior, orientada por Claudia Ríos Velásquez;
  • Categoria Biotecnologia: Gigliola Mayara Ayres D’Eli, orientada por Josy Caldas Rodrigues;
  • Categoria Saúde, Sociedade e Ambiente: Aryanne dos Santos Chaves, orientada por Amandia Sousa;
  • Categoria Microbiologia: Kemily Nunes da Silva, orientada por Priscila Ferreira de Aquino;
  • Categoria Parasitologia: Francy’s Sayara de Araújo, orientada por Stefanie Costa Pinto Lopes;
  • Projeto Inovador: Macejane Ferreira de Souza, orientada por Stefanie Costa Pinto Lopes.

SOBRE A RAIC

A Raic é um evento que acontece anualmente em todas as unidades da Fiocruz. Durante a Raic, os bolsistas do PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia apresentam os resultados dos projetos desenvolvidos no período de vigência do Programa, por meio da exposição e discussão de seus trabalhos, para avaliação dos projetos e intercâmbio de experiências entre estudantes, pesquisadores e demais profissionais. Essa experiência reforça a importância da iniciação científica na construção do conhecimento e incentiva os jovens pesquisadores a prosseguirem nas carreiras acadêmicas.

Da 15ª. Raic participaram estudantes das seguintes universidades: Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Faculdade Metropolitana de Manaus  (Fametro), Faculdade  Estácio de Sá, Faculdade Fucapi, Universidade Nilton Lins, Universidade Paulista (Unip), e Centro Universitário do Norte (UniNorte).

SOBRE O PIC

O Programa de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia tem como objetivos despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação; contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia;  estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais; e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

O PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec/Fiocruz).

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Estudo apresentado na 15ª Raic da Fiocruz Amazônia aborda transmissão de doenças parasitárias por vetores, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

“Incriminação de vetores incriminados de Mansonella ozzardi e Mansonella perstans no município de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, Brasil” é um dos projetos apresentados durante a 15ª Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Orientado pelo pesquisador, James Lee Crainey, o bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIC) da Fiocruz Amazônia, Luiz Henrique Narzetti, estudante de biomedicina, da Universidade Estácio de Sá – Unidade Manaus, apresentou os resultados parciais do estudo faz parte de um projeto guarda-chuva, chamado “Eco-epidemiologia de filarioses na Amazônia”, que está sendo desenvolvido pelo pesquisador, Túlio Romão, doutorando do Programa de Doutorado em Ciências, fruto de uma parceria entre a Fiocruz Amazônia e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

O objetivo do projeto é incriminar espécies que atuam como vetores de Mansonella ozzardi e Mansonella perstans, no município de São Gabriel da Cachoeira, distante 852 km de Manaus. A proposta apresentada pelo estudante pretendia descrever ao nível de espécie, simulídeos coletados no município, além de detectar e identificar Mansonella spp nos insetos coletados.

Os resultados do estudo possuem grande relevância para a região, uma vez que uma espécie vetora importante foi encontrada infectada no município de São Gabriel da Cachoeira. Para identificar qual espécie do parasito e de seu vetor está circulando no município, novas pesquisas serão realizadas, com as cabeças dos insetos correspondentes dissecadas, já que nas mesmas pode ser encontrado o parasito em sua fase infectante.

Para Narzetti, a experiência de participar do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIC) da Fiocruz Amazônia é bastante satisfatória, principalmente pelo conhecimento adquirido. “Apesar de vir da biomedicina, e estar trabalhando atualmente no ILMD com vetores, em uma área que foge bastante da minha, considero a experiência extremamente importante. Para todo pesquisador, é necessário um item chave, que é a curiosidade em saber mais, pois não existe um teto para o limite do conhecimento”

SOBRE A 15ª RAIC

Encerra nesta sexta-feira, 6/8, a 15ª Raic, do ILMD/Fiocruz Amazônia. Projetos de pesquisa de 33 graduandos, de diferentes Instituições de ensino superior de Manaus estão sendo apresentados nas temáticas: eco-epidemiologia, saúde, sociedade e ambiente, biotecnologia, microbiologia, e parasitologia.

O objetivo da reunião é divulgar e avaliar os resultados parciais das atividades de pesquisa desenvolvidas pelos estudantes nos últimos oito meses. Durante o encerramento, os trabalhos que mais se destacaram em casa sessão serão premiados.

SOBRE O PIC

O Programa de Iniciação Científica (PIC) do ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com o CNPq e Fapeam, com o objetivo de despertar a vocação científica e incentivar novos potenciais entre estudantes de graduação, além de estimular pesquisadores a envolverem os estudantes em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais. “A ideia é apresentar o mundo científico para os estudantes de graduação de diferentes cursos, no âmbito da Fiocruz, por meio do desenvolvimento de projetos de pesquisa que possuem atuação frente ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, explicou Stefanie Lopes.

Acesse aqui a programação da 15ª Raic, da Fiocruz Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Eduardo Gomes

Reunião Anual de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia começa com reflexões sobre o conhecimento científico

“2045, o ano em que o homem se tornou imortal”. Este foi o título da palestra ministrada hoje (6/6) pelo professor emérito do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Gilberto Barbosa Domont, na abertura da 15ª Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O evento, que acontece até a sexta-feira (8/8), no Salão Canoas, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, contou em sua abertura com a participação de bolsistas do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia), professores, pesquisadores, representantes de instituições de ensino e pesquisa, estudantes e público em geral.

A mesa de abertura da 15ª Raic-Fiocruz Amazônia foi composta por Suelânia Figueiredo (coordenadora de Pesquisa do Centro Universitário Fametro), por Jamal Chaar (diretor do Departamento de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas – Propesp/Ufam), Kátia Torres (diretora de Ensino e Pesquisa da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas – FCecon),  Marcus Guerra (diretor-presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado – FMT-HVD), Stefanie Lopes (coordenadora do PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia), e Sérgio Luz (diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia).

Sérgio Luz falou da importância da iniciação científica para os estudantes de graduação, e do quanto o Estado ganha com o investimento em bolsas para jovens pesquisadores. “Temos vivido várias situações adversas no País, mas continuamos a fazer pesquisa, acima de tudo”, destacou ao agradecer o apoio à iniciação científica recebido das instituições de fomento à pesquisa e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em especial.

ENTREVISTA COM GILBERTO DOMONT

Com 83 anos e um projeto de pesquisa para 10 anos, o professor Gilberto Barbosa Domont provocou o público com o tema inquietante da sua palestra “2045, o ano em que o homem se tornou imortal”. Entre reflexões sobre a ciência, ele estimulou o público ao pensamento crítico sobre o fazer ciência.

Confira abaixo a entrevista que Gilberto Domont concedeu à Assessoria de Comunicação (Ascom/Fiocruz Amazônia).

Ascom: “2045, o ano em que o homem se tornou imortal”. Por que o uso do verbo no passado, no título da palestra?

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Entrevista - Gilberto Domont - Início
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Ascom:  Ainda pequenas, as crianças são muito curiosas e passam pela “fase dos porquês”, com o tempo, passam a perguntar menos. Em que a falta de interesse em perguntar pode afetar o conhecimento?

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Entrevista Gilberto Domont - parte 2
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Ascom:  Por que é tão difícil formular boas perguntas de pesquisa?

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Entrevista Gilberto Domont - Parte 3
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Ascom: Que sugestões e orientações você pode dar a alguém que esteja ingressando na pesquisa?

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Entrevista Gilberto Domont - Final
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SOBRE A RAIC

A Raic é um evento que acontece anualmente em todas as unidades da Fiocruz. Durante a Raic, os bolsistas do PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia apresentam os resultados dos projetos desenvolvidos no período de vigência do Programa, por meio da exposição e discussão de seus trabalhos, para avaliação dos projetos e intercâmbio de experiências entre estudantes, pesquisadores e demais profissionais. Essa experiência reforça a importância da iniciação científica na construção do conhecimento e incentiva os jovens pesquisadores a prosseguirem nas carreiras acadêmicas.

Acesse aqui a programação da 15ª Raic, da Fiocruz Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos e vídeos: Eduardo Gomes
Edição de vídeos: Mackesy Pinheiro