Fundação Bill and Melinda Gates anuncia na Fiocruz financiamento para eliminar malária

“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Sue Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.

Sue esteve pela primeira vez no Brasil como CEO da Gates e visitou a Fiocruz, na última terça-feira (19/6), para anunciar um investimento de US$ 600 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) para acelerar os esforços para eliminação da malária no Brasil. Além disso, Sue e sua equipe participaram de reuniões e visitas a projetos da Fiocruz já apoiados pela Fundação.

A tafenoquina é a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, tipo prevalente em 90% dos casos no Brasil, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.

A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

É o que estamos vivendo agora nas Américas, uma ressurgência após uma década de queda. Toda a região registrou aumentos da malária no último ano – no Brasil, os casos cresceram 50%. A atual crise de saúde pública na Venezuela resultou num grande aumento de casos dentro do país, o que gera mais preocupações para as fronteiras de toda a América Latina. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 216 milhões de casos de malária no mundo e 445 mil mortes em 2016.

Lacerda esclarece que as causas do retorno da doença não são totalmente claras e podem ser influenciadas por muitos fatores. No entanto, o desinvestimento e o desmantelamento de programas após o controle da doença são citados como fatores que contribuem para que ela retorne ainda pior. “Por isso, precisamos entender a importância de eliminar a malária”, defendeu Cássio Peterka, representante do Ministério da Saúde e do Programa Nacional contra Malária.

O pesquisador também defende que se passe do controle à eliminação como meta. Apesar de parecer inalcançável, ele acredita que este objetivo pode ser atingido em alguns anos, com esforços e investimentos para tal. “Já reduzimos muito o mapa da malária”, lembrou o pesquisador, ao demonstrar que em 1950 a doença era endêmica em quase todo território nacional e agora está concentrada apenas na região amazônica. Na semana passada, o Paraguai foi declarado um país livre de malária pela OMS. É o segundo país do continente a conseguir esse reconhecimento. Cuba está livre da doença desde 1973.

“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.

Apoio à inovação

Outro foco da visita da Sue Hellmann à Fiocruz foi o acompanhamento de projetos co-financiados pela Fundação. A cooperação entre as duas instituições teve início em 2008 e incluiu temas como tuberculose, vacinas e outros temas de saúde pública. Ela também aproveitou para conhecer o campus de Manguinhos e o Castelo da Fiocruz, pelo qual se encantou. “Estou muito impressionada com a Fiocruz e com a história de Oswaldo Cruz. Como cientista, eu amo a ciência e nada melhor do que um castelo para celebra-la”, afirmou Sue.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia e alguns resultados da iniciativa World Mosquito Project (WMP) no Brasil. O programa está presente em 12 países e é financiado pela Fundação Gates.

O método permite a redução da incidência de doenças cujo transmissor é o Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, através da introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia em ambientes com alta prevalência de mosquitos. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, estes vírus não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão. Além disso, o método tem sustentabilidade comprovada, já que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes.

No Brasil, o método ganhou escala após uma fase piloto devido à necessidade de resposta rápida as crises de zika, chikungunya e dengue no Rio de Janeiro e em Niterói. Em novembro de 2016 teve início a expansão em larga escala para 28 bairros de Niterói, que abrangem 270 mil pessoas. Atualmente, em Niterói, 13 bairros recebem a segunda rodada de liberação de mosquitos. No Rio de Janeiro, a liberação em larga escala começou em de agosto de 2017, com a previsão de atingir 90 bairros, nos quais vivem 2,5 milhões de habitantes. Na etapa atual, 28 bairros do Rio de Janeiro, com 886 mil habitantes, recebem os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

Alguns projetos contemplados pelo Grand Challenges, co-financiado pela Fundação Gates, também forma apresentados. O Grand Challenges é uma série de iniciativas que promovem a inovação para resolver os principais problemas globais de saúde e desenvolvimento. No Brasil, foram lançadas duas chamadas para o desafio, em 2013 e 2014, com o tema saúde materno-infantil e 21 projetos foram contemplados. Em 2018, duas novas chamadas foram lançadas e os projetos estão em análise.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia

Selecionado na primeira chamada, o projeto de José Simon, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), busca desenvolver um leite humano enriquecido com o próprio leite humano. Para isso, criou-se um leite humano congelado e desidratado (liofilizado) que pode melhorar a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso, ou seja, bebês que nascem com menos de 1500g. O projeto deve lançar seus primeiros resultados em breve na revista Plos. As evidências indicam que o método é seguro, de baixo custo e fácil de ser implementado em na rede de bancos de leite do Brasil. A partir de agora, a pesquisa deve iniciar sua fase de testes clínicos.

Outro projeto apresentado foi a coorte dos 100 milhões de brasileiros, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz). A pesquisa trabalha com grandes bases de dados, como o Cadastro Único para programas sociais, para analisar como políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, podem interferir em variáveis de saúde, como mortalidade infantil. A importância desse projeto é que ele provê uma escala muito maior para pesquisas, além de possibilitar recortes em subpopulações e múltiplas interações.

O Cidacs/Fiocruz participou de uma chamada do Grand Challenges Brasil como provedor de dados, disponibilizando a Coorte de 100M Sinasc-SIM. Além disso, ele é um exemplo de boas práticas de proteção de dados para pesquisas em saúde no país, podendo se tornar referência após a aprovação de uma legislação de dados pessoais no país. Atualmente, estão em discussão no país dois projetos de lei para regular esse tema, que se encontra em um vazio legal. “A Fiocruz tem a possibilidade de assumir esse papel de guardiã e curadora de um patrimônio de dados em saúde”, explicou Maurício Barreto, pesquisador do projeto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Julia Dias.
Fotos: Pedro Linger

“A Amazônia é o lugar da inovação”, destaca coordenador nacional da Rede Unida durante congresso internacional, em Manaus.

Encerrou no último sábado, 2/6, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) o 13º Congresso Internacional da Rede Unida. Aproximadamente 3 mil pessoas, entre profissionais, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores, estudantes, professores, gestores, representantes de movimentos sociais, lideranças indígenas das áreas da educação e da saúde, reuniram-se para promover o debate em torno de temas como saúde, educação, arte e cultura, participação cidadã, e gestão do trabalho em saúde na perspectiva do fortalecimento SUS.

O Coordenador Nacional da Rede Unida e pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Júlio César Schweickardt destacou durante o evento, que esta edição do Congresso mostrou que “a Amazônia não é só o lugar do problema, da falta, mas também o lugar da invenção e da inovação”. E acrescentou: “Conseguimos trazer várias questões da região, aspectos da cultura, serviços, o perfil do trabalho com populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas. Conseguimos pautar as temáticas da Amazônia, dialogando com representantes de diversas instituições do país e também internacionais”.

Com o tema ‘’ Faz escuro, mas cantamos: redes em re-existências nos encontros das águas, o congresso co-organizado pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, ofereceu uma programação bastante diversificada com atividades como távolas institucionais, res-públicas, mostra fotográfica, lançamentos de livros, seminários, encontros e oficinas, conferências, intervenções, com temas que contemplaram os cinco eixos centrais do Congresso, que são: Educação, Trabalho, Gestão, Controle Social e Participação e Saúde, Cultura e Arte.

A Fiocruz, instituição parceira do evento, marcou presença com seus pesquisadores contribuindo nas atividades inseridas na programação do Congresso. Durante o evento foram programadas 220 rodas de conversa, 74 távolas institucionais, 5 fóruns internacionais com convidados de 10 países.

Para o presidente desta edição do congresso, Rodrigo Tobias, a participação dos pesquisadores da Fiocruz é de grande importância para a Amazônia, visto a necessidade de divulgar as pesquisas desenvolvidas na região. “Essa foi uma grande oportunidade de integrar o nosso corpo de pesquisadores, com diversos atores que pensam a saúde pública de seus diversos lugares. Proporcionar esse tipo de atividade para que nossos pesquisadores se encontrem com líderes de comunidade, alunos de pós-graduação, gestores, trabalhadores e Instituições é muito importante para nós da Amazônia, pois temos uma pauta de pesquisa e precisamos divulgar aquilo que estamos examinando, além de fazer parcerias”, disse.

ATENÇÃO BÁSICA NA AMAZÔNIA

Presidente do congresso e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, também moderou a távola Institucional “Atenção básica no contexto Amazônico”. Segundo ele, “o debate abordou ainda modelos e experiências de Unidades Básicas de Saúde Fluvial, como formas de atenção básica na região amazônica”.

COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

Maria Olívia Simão, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Coordenadora do Projeto de Gestão e Desenvolvimento Institucional (PGDI/ Fiocruz Amazônia) foi facilitadora da távola institucional “Comunicação e informação em saúde: um ano da conferência nacional”. A atividade teve como debatedores Cristina de Castro, executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

O debate abordou os aspectos e fatos que aconteceram um ano após a Realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação e Saúde, realizada entre 18 e 20 de abril de 2017, e as proposituras apresentadas durante a conferência. A atividade objetivou pautar as ações de preparação e organização da 16ª Conferência Nacional de Saúde, que ocorrerá em 2019, visando evitar retrocessos nos ganhos sociais adquiridos a partir da Constituição de 88 com a universalização da saúde e implementação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante o debate, Maria Olívia enfatizou a importância de repensar as formas de comunicação no Brasil. “Enxerga-se a necessidade de inovar nos modos de comunicar para poder alcançar esse Brasil tão diverso, e que precisa se apropriar do direito à saúde, além de lutar pelo acesso a informação como direito, uma vez que o cidadão brasileiro está preso ao discurso distorcido oferecido pelas emissoras e cominação que na maioria dos casos destaca-se a consolidação de poucos e grandes conglomerados que dominam diversas modalidades (TV, TV Web, Canal fechado)”, destacou.

Na oportunidade, várias estratégias formam discutidas como alternativas de enfrentamento a desqualificação midiática do SUS.  Os participantes abordaram também formas de movimentar a sociedade e levá-los a entender o que está acontecendo no cenário da saúde pública, como por exemplo o desmonte das farmácias populares, e como o ataque à democracia afeta diretamente a oferta universal da saúde no país.

PARTICIPAÇÃO SOCIAL

A távola institucional “A participação social como princípio inegociável do Sistema Único de Saúde” teve como moderadores, o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Ricardo Agum, e Geordeci Souza, do Centro Nacional de Saúde. A atividade teve como debatedores: Maria Letícia Garcia, Presidente do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre; José Felipe Dos Santos, da Articulação Brasileira de Gays e Conselheiro Nacional de Saúde; Hesaú Rômulo Braga Pinto, da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão.

Segundo Agum, “foi um debate em torno principalmente dos Conselhos de Saúde nacional, estadual e municipal. Foram apresentados durante a távola, os principais avanços e dificuldades dos conselhos, alguns entraves e possíveis soluções”.

PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO

Entre outros convidados para debater relevantes temáticas no Congresso, Luiza Garnello, coordenadora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/Fiocruz Amazônia), esteve como debatedora da távola institucional “Precarização do Trabalho e seus efeitos na formação e no trabalho em saúde”.

VISITA À FIOCRUZ AMAZÔNIA

Nesta segunda-feira, 4/6, residentes em Gestão de Políticas Públicas para a Saúde estiveram em visita à Fiocruz Amazônia, para conhecer a Unidade. Os sanitaristas Juliane Alves e Romário Rocha, e a assistente social, Sabrina Nascimento realizaram durante o congresso a oficina “Jogo da realidade do SUS: Debatendo a gestão de forma lúdica”.

O curso em Políticas Públicas em Saúde é uma parceria entre a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) e a Fiocruz Brasília. O objetivo é formar profissionais de saúde e de campos afins, capazes de responder às necessidades da produção de conhecimento, da gestão e da atenção no campo da saúde coletiva, em consonância com as diretrizes do SUS, e capazes de promover a necessária articulação entre a produção e a aplicação do conhecimento na área da saúde, além de buscar interlocução intersetorial para a solução de problemas no sistema de saúde.

PARCEIROS

Foram parceiros desta edição a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde (MS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Secretaria de Estado da Cultura (SEC), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia, co-organizador do Congresso.

Agência Rede Unida de Comunicação, por Eduardo Gomes (ILMD/Fiocruz Amazônia)
Fotos: Eduardo Gomes

Centro de Estudos abordará prevalência de bactéria causadora da meningite meningocócica em populações indígenas do Amazonas

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 11/5, a partir de 9h, na sala de aula 2, prédio anexo da Instituição, a palestra “Investigação da infecção subclínica de Neisseria meningitidis em populações indígenas do Amazonas”, a ser ministrada pela pesquisadora, Kátia Maria da Silva Lima, Tecnologista do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS/ILMD Fiocruz Amazônia).

O estudo que será apresentado faz parte dos resultados da tese de doutorado da pesquisadora. “Nosso objetivo foi estudar a prevalência da infecção assintomática por Neisseria meningitidis, bactéria que causa a meningite meningocócica (tipo C). Estudamos a prevalência dessa bactéria nos indígenas assintomáticos, ou seja, aqueles indígenas que não estão com a doença, mas que ao fazermos a coleta na nasofaringe, identificamos a presença da bactéria”, explicou.

A meningite meningocócica é um tipo de meningite bacteriana que é causada pela bactéria Neisseria Meningitidis. Para a pesquisadora, o estudo possui grande importância ao identificar a prevalência da bactéria entre os indígenas, por ser uma população que reside em lugares de difícil acesso, longe de laboratórios e hospitais que possam dar uma assistência adequada para casos de meningite.

Segunda Kátia, a pesquisa possibilitou o levantamento de dados secundários sobre a doença em populações indígenas no Amazonas, além de importantes informações sobre a cobertura vacinal, através da carteira de vacinação dos indígenas, visando entender um pouco mais a epidemiologia da doença nessas áreas. Participaram da pesquisa três aldeias indígenas de etnias diferentes: Mura, Munduruku e Mura Pirahã.

SOBRE A PALESTRANTE

Katia Lima é doutora em Ciências pelo Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia, graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente é Tecnologista do ILMD/ Fiocruz Amazônia. Possui experiência na área da Saúde Pública, com ênfase em Análise das Condições socioambientais e Saúde na Amazônia, atuando principalmente nos seguintes temas: Políticas de Saúde, Saúde Indígena, Meningite, Leptospirose.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Estudo de pesquisadores da Fiocruz Amazônia aponta para a necessidade de vigilância ativa para a prevenção de doenças infecciosas

Mudanças climáticas, destruição de ecossistemas, desmatamento e urbanização contribuem para o aumento de várias doenças infecciosas como síndrome pulmonar de hantavírus, dengue, febre amarela, malária, tripanossomíases, leishmaniose e leptospirose no Brasil.

A afirmação é da pesquisadora Alessandra Nava, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). Em artigo publicado recentemente, a pesquisadora conclui que “há evidências fortes de que algumas dessas mudanças ambientais se intensificarão no futuro próximo se as principais atividades antropogênicas não forem controladas”, o que hoje é preocupante, diante do aumento dos casos de febre amarela e de outras doenças.

No artigo publicado em 15/12/2017, no National Research Council, Institute of Laboratory Animal Resources (ILAR), Alessandra Nava e os pesquisadores Juliana Suieko Shimabukuro, Aleksei A. Chmura, e Sérgio Luiz Bessa Luz alertam para a necessidade de uma vigilância ativa na prevenção do aparecimento de doenças, especialmente focada em identificar possíveis áreas de risco, antes que estas possam tornar-se ameaça para a saúde humana e animal.

Para a pesquisadora, é necessário que se observe as ações antropogênicas em regiões-chaves que envolvem interações de populações humana, animais e vetores e que dessas interações possam resultar o surgimento de doenças emergentes e reemergentes. Esse cuidado deve estar inserido antes da tomada de decisões e da adoção de políticas públicas para construção de obras que possam alterar significativamente o ecossistema.

“Com esses cuidados seria possível não só estabelecer um sistema de alerta precoce sobre prováveis surtos, bem como fazer a modelagem de propagação, análises e aplicação de medidas rápidas de controle ou mitigação”, reforça a pesquisadora.

Além disso, o artigo sugere que a mortalidade e morbidade humana e animal causada pelas doenças infecciosas emergentes só serão controladas quando for delineada uma abordagem holística e transdisciplinar que seja efetivamente implementada.

BRASIL

No Brasil, a situação é crítica, especialmente dada a ocupação de espaços de florestas e o consequente desmatamento para urbanização, construção de hidrelétricas e expansão da fronteira agrícola, para a produção de alimentos e criação de animais em larga escala.

A consequência disso é que vírus antes identificados apenas em primatas e outros animais, agora estão mais perto de humanos.

Para acessar ao artigo clique.

SOBRE A PESQUISADORA

Alessandra Nava atua no ILMD/Fiocruz Amazônia, é doutora em Ciências em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, USP. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade de Marília (Unimar), professora e pesquisadora em Epidemiologia e Saúde Pública, membro da Associação Internacional em Ecologia e Saúde IAEH e do grupo especialista em Taiassuídeos da IUCN e membro da Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal do Oeste do Pará.

A pesquisadora atua principalmente nos seguintes temas: Ecologia de doenças infecto contagiosas, doenças emergentes, Saúde Pública, Medicina da Conservação, Epidemiologia, Biologia da Conservação e Enfermidades Infecciosas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

PPGVIDA promove oficina para discentes sobre publicações científicas

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) realizou entre os dias 11 e 15 de dezembro, a oficina Publicações Científicas, voltada para discentes do programa. A atividade foi ministrada pelos pesquisadores sêniores do ILMD, Bernardo Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), e Carlos Coimbra, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo a coordenadora do PPGVIDA, Maria Luiza Garnelo, a oficina visa apoiar os discentes que concluíram o mestrado, no intuito de agilizar as publicações que expressarão produtos do processo formador no PPGVIDA, e que também são requisito de avaliação do programa na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Para Horta, o trabalho de construção junto aos alunos tem o objetivo principal de desenvolver produtos que possam ser publicados em periódicos da área. “A ideia é trabalhar com os alunos que já concluíram o mestrado a transformação das dissertações em artigos, para que sejam submetidos a periódicos científicos. Estamos trabalhando com eles aspectos relacionado a como escrever um artigo”, explicou Horta.

Indexação, país da revista, classificação no Qualis da CAPES para a área de Saúde Coletiva, foram alguns dos temas abordados durante a oficina, em relação ao maior questionamento dos discentes: Em qual revista publicar? “Conversamos para que eles saibam o que é, como funciona, mas deixando aberto para que eles possam fazer suas escolhas”, salientou Coimbra.

Qualis Periódicos é uma das ferramentas utilizadas para a avaliação dos programas de pós-graduação no Brasil. Tem como função auxiliar os comitês de avaliação no processo de análise e de qualificação da produção bibliográfica dos docentes e discentes dos programas de pós-graduação credenciados pela CAPES. Ao lado do sistema de classificação de capítulos e livros, o Qualis Periódicos é um dos instrumentos fundamentais para a avaliação do quesito produção intelectual, agregando o aspecto quantitativo ao qualitativo.

Coimbra destacou ainda que a iniciativa do programa é de grande relevância nesse processo acadêmico. “Essas oficinas são importantes, pois o tempo do mestrado raramente é suficiente para os alunos defenderem, cumprirem com todos os créditos e ter um artigo publicado, visto que esse é um processo que demora muito. Alguns estão escrevendo o primeiro artigo científico, então essa oportunidade que está sendo oferecida para os alunos aqui do ILMD é extremamente relevante, pois abre portas para estimular os alunos a tornem público os resultados dos seus estudos.

SOBRE O PPGVIDA

O Programa tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

Conferência no ILMD aborda interconexão de conhecimentos nas pesquisas sobre saúde

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS) promoveu nesta quarta-feira (13/12), a Conferência Ciências Sociais e Saúde: Diálogos de Fronteira. O evento reuniu pesquisadores e estudantes das ciências sociais e da saúde, e contou com a palestra “Malária e Ciências Sociais: a intermitência do diálogo com outros saberes”, ministrada pelo professor João Siqueira, antropólogo, doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

A proposta da conferência foi possibilitar diálogos entre os saberes das ciências da saúde e das ciências sociais, apresentando recortes e referenciais teóricos, além de abordagens que podem contribuir com a complexificação das explicações de questões de saúde na Amazônia.

Para a pesquisadora responsável pelo evento, Fabiane Vinente, o objetivo principal foi alcançado. “Essa foi a primeira edição da conferência. A proposta principal foi estimular esse debate entre as ciências sociais e esses processos que normalmente são abordados por outras áreas do conhecimento.

João Siqueira atua em linhas de pesquisa que incluem Etnicidade, Estado e conflitos territoriais na Amazônia, e Doença e representação social. Em sua conferência, irá discutir a problemática do estudo da malária na perspectiva das ciências sociais e explorar a relação entre a representação da malária e as práticas de atenção e cuidado no processo saúde-doença, observando que, se por um lado a questão da malária pressupõe ações políticas e medidas interventivas que são operadas no campo da saúde pública, de outro lado, ela possibilita e até potencializa a problematização da ordem social vigente, tendo em vista que saúde e doença tendem a legitimar, no espaço público, a emergência de determinado problema social.

Durante a apresentação, Siqueira destacou a importância da interdisciplinaridade do conhecimento nas abordagens sobre a saúde. “É necessário essa interconexão de conhecimentos, de produção de conhecimento, de teorias sobre a realidade social, sobre a realidade da saúde pública. Esse diálogo precisa persistir, é fundamental que os pesquisadores, estudantes continuem instigando esse diálogo, adotando como identidade do Instituto, principalmente numa área como a Amazônia”.

LANÇAMENTO

No mesmo encontro João Siqueira lançou o livro “Uma doença, diversos olhares: Representação da malária em Nossa Senhora de Fátima, em Manaus”, da Editora Valer.

“Nessa primeira edição tivemos o Dr João Siqueira falando sobre a questão da Malária em Nossa Senhora de Fátima, e fazendo também o lançamento do livro. Esse material é fruto da dissertação dele, defendida aqui no ILMD, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia”, explicou Vinente.

Segundo autor, o livro foi desenvolvido para responder um conjunto de questões com enfoque no problema histórico da incidência de malária em Manaus, delimitando uma análise sobre Nossa Senhora de Fátima, comunidade situada em área rural, às margens do igarapé Tarumã-mirim, distante 8km do perímetro urbano da capital. O livro discorre também  sobre as práticas adotadas por um grupo de mães no enfrentamento de agravos pela infecção da doença.

A obra foi desenvolvida por meio do Programa Biblos, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que visa apoiar a publicação de livros, manuais, números especiais de revistas e coletâneas científicas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

 

Alimentação saudável na fase escolar foi tema de atividades no ILMD

Em homenagem ao Dias das Crianças, o Instituto Leônidas & Marias Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) por meio da Vice diretoria de Gestão e Desenvolvimento Institucional, através do Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST) promoveu na última quarta-feira (11/10) o evento “Lancheira Saudável”.

A ação foi composta por uma palestra para os pais, ministrada pela nutricionista Camila Cyrino, visando estimular o hábito da alimentação saudável em crianças na fase escolar. As crianças participaram ainda de uma oficina de culinária, com a proposta de orientar quanto a importância do preparo correto de lancheiras saudáveis.

Segundo o coordenador do Nust/ILMD, Rafael Petersen, a inciativa faz parte de um ciclo de ações voltadas para os colaboradores da Unidade. “Quando pensamos em promover a saúde do trabalhador, é importante pensar que ela não é apenas voltada para o trabalhador, mas também se estende para os familiares. A nossa intenção é orientar e trazer informações para que esses trabalhadores disseminem as ações de saúde para seus familiares, pensando no conceito de qualidade de vida”, explicou.

Confira aqui a galeria de fotos.

Na ocasião, a nutricionista Camila Cyrino destacou que a principal dificuldade apontada pelos pais é a rotina. “A dificuldade em consumir menos ou mais determinados alimentos está no planejamento, na rotina acelerada, no tempo para preparar a refeição”, disse.

Camila Cyrino é umas das idealizadoras do projeto Lápis de maçã, uma ação de educação nutricional, idealizado juntamente com a nutricionista Renata Dantas. O projeto possui o objetivo de estimular a alimentação saudável de forma divertida e adequada para crianças dentro das escolas da cidade de Manaus.

LANCHEIRA SAUDÁVEL

Durante a oficina, as crianças receberam orientações sobre quais alimentos devem compor o lanche escolar. De forma lúdica, as nutricionistas auxiliaram as crianças na montagem de uma lancheira mais colorida, composta por frutas variadas.

Segundo a nutricionista do Nust/ILMD, Sarah Cordeiro, é muito significante passar essas informações, para que as crianças tenham o conhecimento sobre o que devem ou não comer. “A educação nutricional ajuda a criança a entender melhor a alimentação saudável, mesmo que ela esteja olhando muitas vezes para comerciais de TV, que falam que determinados alimentos são saudáveis sem ser”.

SOBRE O NUST

O Núcleo também promove ações para a realização de exames médicos periódicos, análise ergonômica dos postos de trabalho, palestras de orientação em saúde, ações em biossegurança e brigada de incêndio, além de parcerias com diversos órgãos públicos da região de Manaus para a formação de uma rede de relacionamento e colaboração em estudos e intervenções em saúde do trabalhador.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Fiocruz Amazônia encerra inscrições para evento sobre Criptococose

Estão encerradas as inscrições para o I Encontro de Criptococose em Pacientes Imunocompetentes – Manaus/AM. O evento será realizado pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) no dia 20/10, no Salão Canoas, na sede do Instituto, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

A abertura do evento será 9h e, em seguida, haverá a palestra da médica e pesquisadora do Laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Márcia dos Santos Lazéra, que abordará O Panorama da Criptococose no Brasil. Depois, haverá mesa-redonda sobre Cryptococcus sp. e Criptococose no Amazonas, e relatos de casos.

O Encontro tem como público-alvo pneumologistas, infectologistas, biomédicos, biólogos, profissionais da área da saúde e estudantes de graduação e pós-graduação. A organização é das pesquisadoras do ILMD/Fiocruz Amazônia Joycenea Matsuda, Ormezinda Fernandes, e Ani Beatriz Matsuura.

A atividade é gratuita e foram oferecidas 60 vagas.

Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia

Outubro rosa alerta para diagnóstico precoce do câncer de mama

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu na década de 1990 e tem como objetivo compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, e responde por cerca de 25% dos casos novos a cada ano.

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Ainda segundo o Inca, especificamente no Brasil, o percentual de casos desse tipo de câncer é um pouco mais elevado e chega a 28,1%. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A seguir, Viviane Ferreira Esteves, gerente da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), esclarece dúvidas sobre a doença.

  1. Câncer de mama não acometeu nenhum membro de minha família, por isso eu não corro risco?

Toda mulher tem risco de câncer de mama, mesmo aquelas sem histórico familiar.

  1. Quais são os sintomas do câncer de mama?

Os principais sintomas do câncer de mama são nódulos endurecidos, alterações na pele ou retrações, saída de secreção espontânea pelo mamilo, alterações no mamilo e gânglios aumentados na região da axila. No entanto, o ideal é diagnosticar o câncer de mama na ausência de sintomas, pelo exame de mamografia.

  1. Como faço o autoexame da mama?

Não é mais recomendada a realização do autoexame como diagnóstico precoce do câncer de mama. A orientação atual é que a mulher faça a observação e a auto palpação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem necessidade de uma técnica específica de autoexame, em um determinado período do mês, como preconizado nos anos 80. E, diante de alguma anormalidade, procure o especialista.

  1. Quais são os exames para diagnóstico da doença?

Para diagnóstico precoce do câncer de mama os exames recomendados são a mamografia e o exame clínico das mamas. Além desses, podemos realizar a ultrassonografia e a ressonância magnética das mamas em situações especiais, por exemplo em alguns casos de mamas densas.

  1. Quando devo fazer o exame de mamografia? Qual a finalidade desse exame?

O Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia em mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. A mulher com risco elevado de câncer de mama deve ter seu caso avaliado pelo médico especialista.

A finalidade da mamografia é a detecção precoce do câncer, em fases com maior possibilidade de cura e com menores taxas de cirurgias radicais.

  1. A mamografia é um exame doloroso?

A compressão mamária é desconfortável, mas necessária para a correta avaliação do médico radiologista.

  1. Mulheres que têm silicone na mama podem fazer o exame da mamografia?

Sim. Inclusive existe uma incidência específica para avaliação destas mulheres com silicone.

  1. Qual é o tratamento para a doença?

Existe o tratamento local e o tratamento sistêmico. O tratamento local é realizado com a cirurgia, que pode ser radical, ou seja, mastectomia, ou parcial, com as ressecções segmentares, que consiste na remoção do tumor com margem de segurança. Além da cirurgia da mama, deve ser realizada a investigação dos gânglios da axila. A cirurgia é complementada com a radioterapia em casos selecionados. O tratamento sistêmico pode ser realizado com a quimioterapia, o tratamento hormonal ou, ainda, a imunoterapia.

  1. Como deve ser feita a prevenção?

A prevenção primária evita o aparecimento da doença. Nesse caso, uma alimentação saudável, exercício físico, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo são estratégias de prevenção. A amamentação também funciona como fator protetor. A prevenção secundária é o diagnóstico precoce da doença em fases com maior possibilidade de cura. Esse tipo de prevenção é garantida com a realização da mamografia e do exame clínico das mamas.

Por: Juliana Xavier (IFF/Fiocruz)